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Há uma movimentação peculiar acontecendo. Se no começo do anos os quatro integrantes do R.E.M. subiram no palco ao mesmo tempo como não faziam há 17 anos, desta vez Michael Stipe, Peter Buck, Mike Mills e Bill Berry sentaram-se juntos à mesa para conversar sobre sua carreira e legado em uma entrevista que vai ao ar nesta quinta-feira no programa norte-americano CBS Mornings (veja abaixo), quando foram entrevistados pelo jornalista Anthony Mason a partir da entronização do grupo no Songwriters Hall of Fame, que acontece no mesmo dia. O grupo voltou a se reunir em fevereiro deste ano quando compareceu ao show em Athens (cidade da banda) que o ator Michael Shannon e o guitarrista Jason Narducy (que toca com Bob Mould) estão fazendo em homenagem ao primeiro disco da grupo, Murmur, mas só participaram de algumas canções e nunca os quatro ao mesmo tempo. A banda terminou oficialmente em 2011, mais de dez anos depois da saída do fundador Bill Berry e ver os quatro tão tranquilos e despreocupados falando sobre si mesmos parece um bom sinal de que eles podem tranquilamente voltar aos palcos para fazer mais uns shows. É mais torcida do que realidade, mas vai que…

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Pura magia

Mais uma apresentação de tirar o fôlego conduzida por Juçara Marçal no Centro da Terra. Na segunda noite em que trouxe seu Encarnado em versão acústica este ano para o palco do Sumaré, a maior cantora do Brasil hoje não só fechou esta pequena temporada com uma apresentação ainda mais intensa que a da terça anterior, como encerrou outro ciclo, ainda maior, aberto quando realizou a primeira data de uma temporada interrompida no fatídico março de 2020 da pandemia. Acompanhada dos cúmplices de sempre – Kiko Dinucci, Rodrigo Campos e Thomas Rohrer, todos eles empunhando instrumentos sem eletricidade -, ela transformou mais uma vez seu disco de estreia no véiculo perfeito para a expor a intensidade de sua performance ao vivo, quando transforma sua voz e presença de palco em uma passagem para entidades, cada uma em uma canção. E assim ela foi enfileirando sambas de Siba e Paulinho da Viola, Itamar Assumpção e Gui Amabis, Romulo Froes e Chico Buarque, Tom Zè e Douglas Germano cujas histórias e letras misturam causos do cotidiano com casos de polícia, dramas pessoais com traumas íntimos, rezas e cânticos, sempre amparada pela complexa trama formada pelo entrelaçamento ímpar das cordas de Kiko e Rodrigo e coberta pela lânguida rabeca de Thomas. Uma noite que não apenas tirou o fòlego como livrou o encosto dos traumas dos anos recentes. Pura magia.

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Mais uma segunda-feira atordoante dentro da temporada Curadoria do Medo que a dupla Test está fazendo no Centro da Terra – e se na primeira noite, João e Barata passearam sua avalanche de ruído acompanhada da surra de imagens aleatórias proposta pela VJ Carol Costa, na segunda sessão foi hora de transitar entre a iluminação, por vezes etérea e difusa e por outras frnética e energizante, conduzida por Mau Schramm e pelos ruídos manipulados por Douglas Leal, que começou a noite com gravações da própria banda antes mesmo de ela subir no palco, para depois misturar e remixar outros ruídos emitidos pela dupla enquanto os dois tocavam, funcionando como um eco de outra dimensão. Foi intenso.

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E na semana passada Kendrick Lamar apareceu como orador-surpresa para a turma dos formandos na Compton College, universidade de uma das vizinhanças mais clássicas da história do rap, Compton, onde ele cresceu e fez fama. “Ainda acredito em Compton”, disse ele no discurso que fez no meio da cerimônia, reforçando seu amor por sua comunidade. A fala de Kendrick começa no minuto 42 do vídeo abaixo e logo em seguida publiquei a tradução de sua fala: Continue

Um dos discos mais turbulentos da carreira solo de John Lennon está ganhando um tratamento de luxo e sendo dissecado de diversas formas para ser relançado em outubro deste ano. Mind Games é o disco que marca a separação de John de sua esposa Yoko Ono num período de 18 meses que ficou conhecido como “O Fim de Semana Perdido” na biografia do ex-beatle, numa referência ao título original do filme Farrapo Humano, de Billy Wilder, sobre alcoolismo. Mas em vez de lamentar o término do relacionamento dos dois, que foi retomado no ano seguinte, a reedição prefere celebrar a história do casal buscando referências desde o primeiro encontro e traz imagens inéditas da exposição You Are Here (“Você está aqui”) que Lennon montou em 1968 literalmente influenciado pela poesia e pela arte de sua nova namorada – imagens que se tornaram um novo clipe para a faixa do mesmo título que encerra o disco. Diz John: “Fiz a exposição ‘You Are Here’ na galeria Robert Fraser, que consistia numa galeria sem nada com uma grande tela circular em que escrevi: ‘você está aqui’. Você tinha que descer as escadas e passar por diferentes latas coletoras de dinheiro para instituições como fundos a favor dos direitos humanos, dos animais e da luta contra o câncer – o lugar estava cheio delas – e no lado esquerdo havia uma parede com essa tela enorme escrito ‘você está aqui’ com um chapéu em que as pessoas poderiam colocar dinheiro – para o artista – e uma jarra cheia de pequenos bottons brancos que vinham com ‘você está aqui’ escrito. Filmamos as pessoas por trás de uma janela escurecida com a equipe da versão inglesa do programa Câmera Escondida e deixamos balões com bilhetes escrito ‘mande uma mensagem quando entender’ para que as pessoas mandassem cartas dizendo de onde elas vinham. ‘Você está aqui’ é mais só uma piada, acho. As pessoas leem e de repente percebem que é uma verdade: ‘é, estou aqui’, pensam, ‘como essas outras pessoas estão aqui. Nós todos estamos aqui juntos’. E é aí que as vibrações começam a ser trocadas. Boas e más, dependendo de quem as envia ou como elas se sentem. Muita gente foi para a Índia para descobrir onde estavam, como Richard Alpert, aquele amigo do Timothy Leary , que foi para a Índia, viu vários gurus, procurando-os por toda a parte e tudo que esses gurus diziam para ele era: ‘lembre-se de estar aqui agora’. É tudo o que os gurus vão te dizer. Lembre-se deste momento agora. Estava conversando com George outro dia e esqueci de perguntar para ele: ‘o que você está procurando? Você está aqui!”. A versão mais parruda da reedição de Mind Games é uma caixa limitada com apenas 1100 cópias, que conta com reproduções numeradas de artes de John e Yoko (além de seus certificados de autenticidade), um EP com um holograma aplicado, nove LPs (entre eles dois do tipo picture), dois livros, quatro pôsteres, dois mapas, dois postais, três bottons, um Caça-Palavras, moedas de I Ching e uma camiseta da causa levantada por John na época, da Nutopia, um selo postal Nutópico e uma réplica da placa da embaixada de Nutopia. O preço, claro, é uma facada: 1650 dólares – e já está em pré-venda.

Assista ao clipe e veja as músicas que vêm na caixa abaixo: Continue

Bem bom o show que o Interpol fez neste sábado no Áudio. Foi o último show que a banda nova-iorquina fez no Brasil nesta vinda, em que passou pelo Rio de Janeiro e fez duas datas em Sâo Paulo, celebrando seus dois primeiros discos, sabidamente a fase clássica da banda. Para não repetir exatamente o show que fizeram na sexta, inverteram a ordem dos discos e começaram com o segundo, Antics, lançado há vinte anos, e essa opção deu uma outra cara à apresentação. Afinal, sua obra-prima é seu disco de estreia, Turn On the Bright Lights, lançado em 2002, e o disco seguinte, apesar de manter o vigor e a energia do anterior, perde nos quesitos tensão e climão, qualidades que tornam o primeiro álbum tão memorável. Assim, a noite começou com um pique mais intenso, mas sem queimar os principais hits, opção que seguiu na segunda metade da noite, quando o grupo, ao contrário do que fez ao tocar seu segundo disco, mexeu na ordem das faixas. No palco, o trio fundador da banda segue firme como ícones do rock do século 21, que mantém alguns dos valores do estilo musical mais popular dos últimos 60 anos, mas sem cair na caricatura roqueira que prende o gênero no passado. O guitarrista Daniel Kessler segue a linhagem da guitarra pós-punk – que ruge mais do que sola – e deixa o ritmo do seu instrumento determinar a intensidade da banda, por vezes mais estridente, outras mais soturno. À frente de todos, Paul Banks encarna a intersecção entre a personlficação do cool e a pose de rockstar, começando o show de jaqueta de couro e óculos escuros e hipnotizando os fãs com seu grave implacável e sua postura ao mesmo tempo distante e quente, trocando pouquíssimas palavras com o público e regendo a multidão apenas com suas cordas vocais. Os outros três músicos – o baixista Brad Truax e o tecladista Brandon Curtis, ambos há mais de uma década na banda, e o baterista Chris Broome, que substituiu Sam Fogarino nesta turnê – não gravaram os discos celebrados na noite, mas estão completamente dentro da vibração do grupo, tornando a dinâmica da banda norte-americana quase inglesa – pouco movimento em cena (à exceção de Kessler, hiperativo), emoções contidas e entrega plena. Entre um disco e outro a banda fez uma pausa, saiu do palco, para retomar o primeiro álbum com a ordem das músicas trocadas – heresia para os fãs mais radicais, mas que fez sentido no decorrer do show. A parte de Turn On the Bright Lights começou com uma música que não está no disco (“Specialist”, lançada no primeiro EP da banda), pulou para a quinta do lado A (“Say Hello to Angels”) e só retomou a ordem original com a terceira faixa (“Obstacle 1”). Daí pra frente o grupo meio que seguiu a versão do primeiro disco (apenas puxando uma faixa do lado B, “Roland”, para depois de “NYC”, do lado A) e deixou claro o motivo de ter alterado o setlist em relação ao disco para deixar o grande hit “PDA” como penúltima música da noite, tocada antes de encerrar mais uma etapa, sair do palco e só aí retornar com a abertura épica do disco, “Untitled”, que neste contexto funcionou como o melhor jeito de encerrar a noite, fazendo o público que cantou todas as músicas o show inteiro, sair sonhando com os versos “Surprise sometime will come around” ecoando na cabeça. Bem bom – só pecou por tirar a música que encerra o disco, “Leif Eriksson”, que tocaram no dia anterior, do repertório da noite.

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Os Smashing Pumpkins começaram nesta sexta-feira uma turnê ao lado do Weezer que para muitos é uma espécie de turnê dos sonhos, mas a mensagem subliminar desse novo contexto do grupo é apagar a imagem de pessoa insuportável que o dono da banda Billy Corgan tem cultivado desde o início do século. Isso começou desde antes da pandemia, quando Corgan readmitiu o guitarrista James Iha e o baterista Jimmy Chamberlin de volta à formação, e seguiu desde então, passando pelo lançamento da ópera rock ATUM (na linha musical de discos importantes pra carreira da banda, como Mellon Collie and the Infinite Sadness e Machina: The Machines of God), por uma anunciada turnê pelos EUA com o Green Day, Linda Lindas e Rancid no segundo semestre e essa turnê atual em que dividem a noite com a banda de Rivers Cuomo. E isso inevitavelmente mexe com o repertório do grupo, que começa a incluir mais músicas próprias da década de 90 e, pela primeira vez nesta sexta-feira, uma versão para uma música do U2 – uma versão bem boa para “Zoo Station”, faixa de abertura do clássico eletrônico do grupo irlandês Achtung Baby. Abaixo, além da versão citada, ainda dá pra asistir à íntegra do show: Continue

Dois ícones da new wave, o vocalista dos Talking Heads, David Byrne, e a banda Devo mostram uma parceria que fizeram juntos nos anos 90 como um single para divulgar a coletânea Noise For Now Vol. 2, que será lançada no próximo dia 21 e ainda conta com participações de nomes como Courtney Barnett, War on Drugs, Faye Webster, entre outros. “Empire” foi gravada para o disco Feelings, de 1997, quando David Byrne dividiu a faixa “Wicked Little Doll” com a banda nerd retrô símbolo do gênero que surgiu nos EUA logo após o início do punk. “Empire”, a canção que só foi revelada agora, tem um clima marcial e um tom irônico que foi considerado pesado na época de seu lançado, mas que agora parece sintonizar com os dias tensos destes anos 20. Byrne explicou melhor numa declaração: “‘Empire’ é um hino capitalista e fascista irônico e, na época, achávamos que nossa versão era muito maldosa e cáustica para lançarmos. Bem, os tempos mudam e certamente ressoa melhor agora de uma forma que não aconteceu na época. Foi uma alegria pura trabalhar com os caras do Devo, eles sabiam exatamente sobre o que era a música”. O único porém é que a música parece muito as canções da carreira solo de Byrne, mas que pouco lembra o grupo dos irmãos Mothersbaugh e Casale. O disco (que já está em pré-venda) é o segundo volume de uma série criada pela ONG Noise for Now, uma iniciativa a favor do aborto e sua renda será revertida para financiar a organização. O single pode ser ouvido abaixo: Continue


(Foto: Stela Handa/Divulgação)

No ano passado recebemos no Centro da Terra duas sessões com Arrigo Barnabé e o trio Trisca celebrando a obra de Itamar Assumpção num espetáculo que agora virou o disco Arrigo Visita Itamar, o primeiro gravado no teatro, que está sendo lançado em partes a partir de hoje. Nessa sexta-feira, surgem nas plataformas as faixas “O Que Tem Nesa Cabeça?” (de Arrigo, que virou uma espécie de vinheta que atravessa as faixas), “Quando Eu Me Chamar Saudade” (de Nelson Cavaquinho), “Fico Louco” e “Tristes Trópicos”. A segunda parte surge no dia 5 de julho e o a íntegra do disco chega ao público dia 9 de agosto. O Trisca é um trio formado pelo baixista Paulo Lepetit, pelo guitarrista Jean Trad e pelo baterista Marco da Costa, músicos que tocaram com Itamar em seu grupo Isca de Polícia, e seu nome vem desta contração. Abaixo dá pra ver o vídeo desta primeira parte, que também chega ao YouTube nessa sexta-feira, além de um comentário de Arrigo explicando faixa a faixa: Continue

Você não conseguiu ver a edição restaurada para Stop Making Sense, show dos Talking Heads que o diretor Jonathan Demme transformou em um dos melhores shows já filmados, porque ele passou apenas em breve sessões em parcos cineclubes? Pois pode ficar tranquilo que a produtora O2 acaba de anunciar (e na Variety!) que exibirá o clássico filme em 50 salas de cinema em todo o Brasil – e agora em agosto! Foi isso que contou o executivo Igor Kupstas à revista norte-americana, ao anunciar também a criação de um aplicativo chamado Carteirinha de Cinéfilo para fomentar a criação de um novo público de cinema no país. Uma iniciativa para ser aplaudida de pé!

Assista abaixo a um trecho do clássico filme: Continue