
Finalmente conheci a Tucana Jam, evento mensal organizado pela Júlia e pela Beta, que assinam a produtora que batiza a noite. Nesta quinta-feira elas trouxeram o tradicional Baile Bão Demais, festa para dançar organizada pelo músico mineiro Bento Sarto, numa noite que recebeu a banda Orfeu Menino em ponto de bala. O evento acontece no Espaço Opalina, uma pequena portinha na rua João Moura que não dá ideia da produção organizada lá dentro, um espaço com vários ambientes, um palco num estúdio transformado em uma festa com telão e um público jovem bem animado. Como o clima da festa era pra dançar, os músicos improvisaram sobre temas clássicos de Rita Lee, Elis Regina, Marina Lima e Tim Maia, entre outros, trocando de instrumentos e recebendo convidados esponteneamente (até a Júlia tocou baixo!). Depois do show começou a jam que batiza o evento, aberta a quem quiser entrar na festa, mas não pude ficar mais tempo porque tinha uma segunda programação ainda naquele dia… Mas devo voltar para próximas edições.
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Há exatos 30 anos, no dia 22 de agosto de 2024, o grupo inglês Portishead lançava seu primeiro disco, Dummy, inaugurando um novo gênero para as massas chamado trip hop. Aquele hip hop lento com referências de jazz, reggae e funk já vinha sendo experimentado do outro lado do Atlântico há alguns anos (há exemplos clássicos do gênero no histórico Paul’s Boutique dos Beastie Boys, de 1989), mas o grupo de Bristol trouxe dois elementos cruciais para tornar aquela sonoridade ainda mais popular: referências de trilhas sonoras de filmes antigos (especialmente as compostas pelos maestros John Barry e Lalo Schifrin) e a voz deslumbrante, dramática, triste e sensual numa mesmíssima medida, de sua vocalista Beth Gibbons. O que poucos sabem é que esta sonoridade foi posta em prática pelo grupo no mesmo ano do lançamento do disco, quando produziram um curta para testar aquela atmosfera musical que estavam produzindo. To Kill a Dead Man foi dirigido pelo amigo Alexander Hemming, escrito pelo trio e conta com a participação dos três (Geoff Barrow, Beth Gibbons e Adrian Utley) no elenco e foi dali que saiu a imagem da capa do disco. “Em 1994, nós concebemos e fizemos To Kill a Dead Man”, escreveu o grupo anos depois, quando o filme foi relançado em um DVD da banda, “percebemos rapidamente que subestimamos grosseiramente como era difícil escrever, conceber visualmente, atuar e realizar um curta. Por isso preparem-se, lá vem…”
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E por falar em aparição surpresa, quem deu as caras sem avisar antes num show nessa terça-feira foi Sir Paul McCartney, que subiu no palco da casa de shows Stephen Talkhouse numa praia na região de Nova York onde o produtor Andrew Watt fazia uma festa com o baterista do Red Hot Chili Peppers, Chad Smith. Paul subiu no palco e cantou duas músicas, “I Saw Her Standing There” – música que abre o primeiro disco dos Beatles – e “Rockin’ in the Free World”, de Neil Young, que ele cantou ao lado da namorada de Watt, Charlotte Lawrence. Só imagina…
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Gabriel Thomaz pegou o túnel do tempo nesta terceira segunda-feira de sua temporada Eu Nem Era Nascido, que está fazendo durante este mês de agosto no Centro da Terra, e foi parar em Brasília no início dos anos 90, quando ao lado de dois compadres (Xandão do baixo e Caio na bateria), ele lembrou do legado de sua primeira banda, Little Quail and the Mad Birds, no ano de aniversário de 30 anos de seu disco de estreia. E como na apresentação da semana passada, o show enfileirou hit atrás de hit como uma metralhadora de sucessos. Quase sem tempo para pausas entre as músicas, o trio solapou uma saraivada de clássicos candangos que ficam entre o punk (representado no vestuário dos três integrantes, que citavam Ramones, Sex Pistols e GBH) e o rock dos anos 50 (as únicas ressalvas ao próprio repertório foi uma versão fulminante para “Great Balls of Fire”, de Jerry Lee Lewis, e a versão turbo – com um cadinho de samba – para “O Samba do Arnesto”, de Adoniran Barbosa). O resto da noite foi um flashback pesado em uma hora de eletricidade, velocidade e humor, com Gabriel passando praticamente por todas as músicas de seu clássico trio: teve “Aquela”, “Azarar na W3”, “Berma is a Monster” “Baby Now”, Cigarrete”, “Galera do Fundão”, “Me Espera um Pouco”, “Silly Billy”, “Dezesseis”, “Composição de Sucesso”, “O Sol Eu Não Sei”, “Mau-Mau”, “Essa Menina”, “Stock Car”, “Família Que Briga Unida Permanece Unida” e, claro, “1-2-3-4”. Uma noite da pesada – e tomara que rolem outras dessas!
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Bem boa a primeira edição do Inferninho Trabalho Sujo na Porta, que aconteceu neste sábado com discotecagem minha, da Pérola, da Fran e da Lina e, claro, com o show da banda Celacanto, que está cada vez mais afiada. Com um pé no indie rock e outro no rock progressivo, a banda desbrava um território musical complexo e difícil, trabalhando com o entrelaçamento de texturas, andamentos e timbres ao mesmo tempo em que cantam sobre questões existenciais e sentimentais de nossas vidas. O vocalista Miguel Leite puxa o grupo com sua voz e guitarra, acompanhado de perto sempre do segundo guitarrista Eduardo Barquinho, do baixista Matheus Arruda e o baterista Giovanni Lenti, que singram por melodias tortuosas e arranjos intricados enquanto tem a atenção completa do público que compareceu à Porta. Foi demais!
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Essa aconteceu no fim de semana passado, quando Alcione visitou – sem avisar – seu maior fã em uma passagem por Campina Grande, na Paraíba, realizando o sonho da vida de Reginaldo Marrom. Ele não coube em si quando viu a musa de sua devoção entrando no cômodo dedicado à cantora, decorado com capas de discos e revistas, DVDs, pôsteres, reportagens e todo o tipo de lembrança sobre a diva. Que momento!
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E depois do show do Otto ainda deu pra prestigiar o aniversário de um ano do Porta Maldita, sonho que herói Arthur Amaral vem acalentando há uma década e que tornou-se realidade em agosto do ano passado. A noite começou com o quarteto Applegate mostrando que seu próximo álbum, Mesmo Lugar, que deve sair agora em setembro, vem pesado. Não os via desde antes da pandemia e é nítido ver a evolução da banda, engrossando seu caldo psicodélico com o entrelaçamento das guitarras do expansivo Gil Mosolino e do discreto Vinícius Gouveia, enquanto Rafael Penna segura o groove entre o baixo e o synthbass em conexão com o baterista Luca Acquaviva, que já tomou conta do espaço que antes era do Pedro Lacerda, que inclusive foi lá assistir ao show de sua antiga banda. A banda ainda aproveitou para comemorar o apoio dos fãs, que bancaram o disco que está vindo e continuma fazendo a banda existir na raça, como a maioria dos grupos underground sempre fizeram, e, lógico, para celebrar a importância do Porta Maldita, que em pouco tempo tornou-se referência para novos artistas do Brasil inteiro.
Depois foi a vez do anfitrião da casa mostrar seu novo projeto pela primeira vez, quando Arthur Amaral puxou sua Tranze para o palco. Reunindo músicos absurdos – o exímio guitarrista Gustavo Schmitt, o baixista da Applegate Rafael Penna, o tecladista Lukas Pessoa da excelente Monstro Amigo e o baterista Caio Felliputti -, a banda é fruto das jam sessions que Arthur recebe em seu Porta Maldita e nada como o primeiro show da banda do dono da casa para celebrar o primeiro aniversário deste espaço tão importante. Enquanto os músicos piram entre o jazz funk, o fusion e o rock psicodélico, Arthur envereda pelo spoken word narrando questões do nosso cotidiano de forma ao mesmo tempo abstrata e direta. Longa vida ao Porta Maldita!
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Otto fez bonito nessa sexta-feira quando reuniu sua jambro band para mais uma celebração de seu disco Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos que completa quinze anos no próximo dia 1°. Era a segunda noite de três apresentações ao redor do disco de 2009, considerado seu maior clássico (discordo, mas é um discaçõ), no Sesc Pompeia e o pernambucano estava visilmente emocionado – como de hábito – ao ver a casa cheia cujos ingressos esgotaram rapidamente. E no clima do álbum homenageado, Otto entregou-se à paixão do momento e desandou a falar entre cada uma das músicas sobre o assunto que desse na telha – como de hábito -, embora girando entre três principais temas: política, a nova fase do Brasil e os quinze anos de seu álbum, além de pontuar o tempo todo seu sentimento por sua amada Lavínia – também como de hábito -, que subiu ao palco para cantar duas canções ao seu lado. Toda a entrega de Otto foi recebida calorosamente pelo público, que sempre fica eletrizado quando ele se joga desse jeito. E Otto conta com uma arma poderosíssima para mergulhar para dentro de si mesmo e para fora no público: sua banda. Regida pelo guitarrista Junior Boca, a banda nem precisa se olhar para entender para onde Otto está indo, fruto de anos de trabalho ao lado do galego, e todos brilham cada um à sua maneira – Guri Assis Brasil é o guitar hero da noite, Meno Del Picchia segura sólidas linhas de baixo que caminham entre o funk e o reggae, o baterista Beto Gibbs segura o tempo (e sonoriza as piadas de Otto entre as músicas) com precisão cirúrgica, o tecladista Yuri Queiroga passeia entre synths e efeitos especiais sorrateiro como um ninja. A única ausência foi a do percussionista Malê, que está internado num hospital mas passa bem, segundo disse o próprio Otto. E além do disco da noite, eles ainda enveredaram pelos “grand hitê” do pernambucano, viajando por todas as fases de sua discografia. Uma noite de lavar a alma.
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A Clairo lançou mais um disco bonitinho esse ano e vem surfando na onda deste seu Charm fazendo movimentos como este single que gravou com exclusividade para o Spotify, revisitando sem mexer um tico na ótima “Brooklyn Baby” do excelente Ultraviolence de Lana Del Rey que está completando dez anos este ano. Uma boa deixa para voltarmos a ouvir este que é meu disco favorito da Laninha…
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Casa cheia para assistir Ana Spalter dar um importante passo em sua primeira apresentação no Centro da Terra nesta terça-feira. Em meio às gravações de seu disco de estreia, ela trouxe a banda que já a acompanha (o guitarrista Johnny Accetta, o tecladista Michael O’Brien, o baixista Pedro Petrucci e o baterista Leo de Braga) e a turbinou com a entrada de um percussionista (Bruno Tonini) e duas luxuosas vocalistas de apoio (as maravilhosas Fernanda Ouro e Luiza Villa), criando roteiro, direção de arte e estética para contar a história de seu primeiro álbum num espetáculo chamado Coisas Vêm e Vão. Trocando poucas palavras com o público na primeira metade do show, ela passeou por um repertório influenciado especificamente pelo cânone clássico da MPB para depois receber dois convidados, a saxofonista Mariana Oliveira e seu comparsa Felipe Távora, com quem faz apresentações ao vivo em dupla – e com quem teve um dos momentos mais bonitos da noite, quando dividiram os vocais em duas baladas, acompanhados apenas por Ana ao violão. A partir daí deu para perceber que Ana ficou mais à vontade e encerrou a noite mais uma vez com a banda completa, concluindo bem sua proposta: inaugurar uma nova fase em sua própria carreira.
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