
“Freedom of ’76”, afinal ninguém é de ferro…

Se você não conhece a obra musical ou mesmo nunca tinha ouvido falar no nome de Tony Sheridan, que morreu neste sábado, na Alemanha, aos 72 anos, não se culpe. Ele é um dos inúmeros personagens das milhares notas de rodapé na carreira dos Beatles. Roqueiro inglês no final dos anos 50 – quando isso era um espécime raro, ainda mais na Inglaterra -, Tony foi conseguir consolidar uma carreira quando mudou-se para a Alemanha, tocando rock nos puteiros de Hamburgo com a banda que conseguia reunir. Conhecido pela falta de profissionalismo (chegava tarde, bêbado, sem a guitarra, faltava…), no entanto, ele conseguiu uma certa fama naquela vida noturna a ponto de uma gravadora investir em sua carreira num disco. E quando precisou de músicos para tocar como sua banda, chamou a banda de uns certos adolescentes de Liverpool que estavam também fazendo sucesso naquela zona alemã. Mas como o nome dos Beatles lembrava a palavra “pidels” (o plural para “pau”, em alemão), Sheridan os apresentou como Beat Brothers. Juntos, gravaram quatro músicas: “My Bonnie”, “The Saints”, “Ain’t She Sweet” (com vocal do John Lennon) e “Cry for a Shadow” (esta última instrumental e de autoria dos Beatles). Só as duas primeiras foram lançadas em um compacto que é o primeiro registro gravado da história dos Beatles. Eis o grande trunfo histórico do homem que morreu neste sábado: ele estava na primeira sessão dos Beatles em estúdio que foi lançada comercialmente. Não é o caso de sair acendendo vela, vestindo luto nem baixando torrent com discografia. Ouça as músicas abaixo:

“Mirrors” saiu na semana passada e é menos estilosa e menos inspirada que a primeira música do disco The 20/20 Project que já havia aparecido antes, “Suit and Tie“.
A faixa conversa mais com o pop aguado que projetou o próprio Justin em seu grupo teen de origem, o N Sync, do que com a aura de soul classudo que ele vem caçando – às vezes na marra, como dá pra sacar pela produção do clipe de “Suit and Tie”, que transborda Motown. Veja abaixo:
…afinal, como esquecer?
Quem lembrou dela foi a revista Sports Illustrated, que a convidou para sua clássica edição anual de trajes de banho. Abaixo, o making of:
Beck talvez seja um dos artistas do século passado que melhor entendeu a internet. Em vez de discutir download x streaming, ele entendeu que a rede é um vínculo direto do artista com o público e que esse contato vai além do lançamento de discos, singles, turnês ou clipes. Assim, ele cria uma série de projetos que o fazem reimaginar o conceito de música popular à luz das novas tecnologias, como o Song Reader que lançou no fim do ano passado – uma compilação de canções não-gravadas publicadas no formato de partituras. Quem quiser ouvi-las, que as toque.

Agora ele se junta ao diretor Chris Milk para recriar a clássica “Sound and Vision” de David Bowie de forma que ela circule na cabeça do ouvinte. Por isso, ponha seus fones e aperte o play:
Numa arena circular, Beck gira sozinho com seu violão entre o público e uma orquestra de 160 músicos (que inclui uma seção de cordas, um coral gospel, os Dap-Kings, um tocador de serrote, outro de teremin, uma harpista, integrantes de uma banda marcial, um grupo de música peruana e outro de música da Indonésia – todos regidos pelo pai de Beck, David Campbell). As gravações foram feitas usando uma horrenda Binaural Head e o número de microfones e de câmeras espalhados por todos os ângulos conseguiu registrar cada detalhe da versão épica para o clássico de Bowie, que ressoa em diferentes cantos dos fones de ouvido. Tudo bem que tudo foi bancado por uma marca de carros, mas isso não tira o mérito artístico do baixote, que sintoniza-se até com as lens flare de J.J. Abrams, heheheh…

Que versão! Que momento!
Isso me lembra do grande programa não realizado dos anos 00, a Armação Ilimitada do século 21, As Aventuras de Mocotó e Cabeção na Balada de São Paulo. Ia ser incrível.

Quer dizer, o motivo é conhecido, o que este vídeo nos mostra é como foi feito o anúncio…
Se você não sacou a referência…

“Walk On” foi a escolhida, sente o drama:

Ficar sem café é complicadaço…

A gravação aconteceu no mês passado.
Alguém podia trazer os caras prum show num lugar pequeno…
