
Um encontro entre duas das grandes forças da música contemporânea dos Estados Unidos foi registrado há dezoito meses mas só agora começa a vir a público, quando a cantora e compositora Erykah Badu e o produtor e rapper The Alchemist anunciam finalmente o lançamento da colaboração que gravaram há mais de ano entre as suas respectivas cidades, Dallas e Los Angeles. Ainda sem título, o disco (já em pré-venda) deve sair no fim deste mês e teve uma de suas faixas (sintomaticamente batizada de “Witch Doctor”) disponibilizada há pouco, dando um gostinho da fusão das magias destes dois monstros sagrados.
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Ainda digerindo o calhamaço emocional que é Lost Weekend da Phoebe Bridgers e não bastasse ela vir com 16 músicas para abalar o coração de 2026, ainda há uma décima sétima faixa escondida nas edições físicas do disco. “Best Dressed” é uma parceria com o ex-vocalista do Black Country New Road singer, Isaac Wood, que abrirá alguns shows da cantora norte-americana na turnê de lançamento do disco. Na edição em vinil, a faixa vem após a última canção do álbum, “ Lost Weekend (Reprise)”, mas no CD, se você segurar o botão para voltar a música logo no início da primeira canção, “The Outside”, o contador de tempo retrocede negativamente até revelar que há uma faixa antes da faixa de abertura. Muito bom ver que ela soube temperar um disco com muitas camadas com outras tantas pistas escondidas espalhadas por aí (como um texto em alto relevo na edição em vinil ou a forma que o encarte brilha quando posto sob uma luz negra). E não deve terminar por aí…
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Outro disco inacreditável que saiu nesta semana é o quarto álbum do rapper baiano Vandal. Ou primeiro, já que ele mesmo chama seus discos anteriores de mixtape e transforma seu novo Vanguardah em um monumento à fusão de música urbana que vem praticando na última década. Dirigido por Russo Passapusso e produzido por Tiago Simões, o novo disco funde suas habilidades como MC – o baiano é pioneiro do grime e do drill, variantes radicais e pesadas do rap – com grooves de rua baianos, como o samba-reggae e o pagodão baiano, além de envernizar o disco com a presença do maestro Ubiratan Marques e sua Orquestra Afrosinfônica, primeiro astro de um time estelar de colaboradores no álbum, que vai do próprio Russo a Josyara, passando por Livia Nery, Giovani Cidreira, Hiran e KL Jay, entre outros (além dessa capa absurda!). E já desponta como um dos grandes discos brasileiros de 2026. Ouça agora.
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Eis mais um single da compilação de gravações que David Bowie fez antes de assumir seu pseudônimo artístico definitivo e estabelecer-se como um dos grandes nomes da história da música contemporânea. The Shel Talmy Recordings (já em pré-venda) será lançada no mês seguinte e traz registros oficiais que Bowie fez com outros nomes artísticos (como Davie Jones & The Lower Third, The Manish Boys ou Davie Jones), além de músicas que só estão vendo a luz do dia graças a esse novo lançamento. É o caso da demo de “Today”, música que nunca passou desse estágio, que é o segundo single tirado da coletânea, cuja primeira amostra foi o single de “I Want Your Love”. As músicas foram gravadas pelo produtor que deu a origem fonográfica à cena mod inglesa, Shel Talmy gravou os primeiros singles do Who (“My Generation”) e dos Kinks (“You Really Got Me”) e há registros que incluem a participação de músicos ingleses conhecidos por trabalhar em gravações alheias, como o tecladista Nicky Hopkins e o futuro fundador do Led Zeppelin Jimmy Page. A música nova não empolga tanto quanto a anterior, mas é mais uma prova que, além de ser um dos grandes nomes da história do pop, Bowie trabalhou bastante para conseguir chegar a este panteão.
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O Elastica anunciou que teria novidades esses dias e estávamos esperando música nova, anúncio de show e elas vêm com uma edição deluxe de seu primeiro disco homônimo de 1995, meu disco favorito do britpop. A nova edição vem em vinil duplo e inclui faixas de sua participação do Radio One Sessions da BBC, a demo de “Blue” e os lados B “Cleopatra” e “Pussycat”, lançados antes do primeiro disco – além de incluir outros intens nas edições mais caprichadas, como camisetas, um pôster e um flexidisc. O disco será lançado no dia 2 de outubro e já está em pré-venda.
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Foi o próprio Ritchie Blackmore que pediu, como contou o vocalista Ian Gillan antes de chamar o lendário guitarrista do Deep Purple para o palco em que a banda que fundou apresentava-se nesta quarta-feira, no Jones Beach Theater, em Nova York, nos EUA: “Uns dias atrás recebi uma mensagem de um rapaz da região, dizendo que estava ‘aqui na esquina, vocês se importam se eu tocasse com vocês?’. É um prazer absoluto ter de volta ao palco o membro fundador e lenda, o imortal Ritchie Blackmore!!”. O próprio guitarrista já havia dado a dica num podcast no dia anterior, ele que não apareceu nem na entronização do lendário grupo inglês no Rock and Roll Hall of Fame, em 2016, dizendo que “eu não toco rock há vinte e cinco anos!”. Pois tome o próprio Ritchie voltando ao seu Deep Purple em pleno 2026! (E não custa lembrar que o grupo acabou de lançar um – bom! – disco novo, chamado Splat!).
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Charli XCX não deixou barato ao aparecer no festival Outside Lands, que aconteceu neste fim de semana em São Francisco, nos EUA, e além de ter feito um showzaço encerrando a programação do festival na sexta-feira, tirou o sábado para dar uma palhinha no meio do show dos Strokes, que fechavam o mesmo festival no dia seguinte à sua apresentação. “Tivemos uma batalha”, brincou o vocalista Julian Casablancas ao anunciar que tinham uma pequena convidada superstar e deu-lhe os parabéns por ter vendido mais que o disco mais recente de sua banda, lançado exatamente no mesmo dia de Music Fashion Film, o recém-lançado sucesso de Charli XCX. “A nova rainha de tudo!”, comemorou Julian, antes de puxar seu hit “Take it or Leave it” com a estrela brat nos vocais. Isso não acontece todo dia…
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“Estamos nos falando o tempo todo”, revelou Lindsey Buckingham em entrevista o site E! sobre sua relação atual com Stevie Nicks, sua ex-companheira e parceira de banda numa das forças criativas mais imponentes do rock dos anos 70, a segunda encarnação do Fleetwood Mac. O guitarrista e vocalista inclusive mencionou que o documentário sobre a banda, programado para estrear no canal de streaming da Apple no ano que vem, pode provocar outras novidades sobre o ex-casal, conhecido por terminar sua relação e registrar esta ruptura nos discos da própria banda – especificamente no clássico Rumours, um dos principais discos da história do rock, que completa 50 anos no ano que vem. “Acho que o processo de realização tem se tornado um processo de cura bem circular para todos nós”, contou Lindsey, “porque o jeito que deixamos as coisas em 2019, pelo menos até onde eu sei, não ficou bem para todos pelos motivos errados. Ninguém ficou feliz com isso e tudo isso tem sido trabalhado e remediado”. Os dois voltaram a se falar há dois anos, depois de mal conversarem no velório da ex-tecladista do grupo Christine McVie em janeiro de 2023, o que resultou na primeira edição digital (que não foi lançado nem em CD!) do disco que os dois gravaram como dupla antes de entrar no Fleetwood Mac e desviar os rumos originais do grupo para além do blues elétrico. Buckingham Nicks foi relançado em setembro do ano passado, quando também foi anunciado o tal documentário citado pelo guitarrista. Pelo jeito os dois estão conseguindo refazer as pazes depois de anos de idas e vindas, que inclui o clássico momento da primeira volta do grupo em 1997, quando lançaram o disco ao vivo The Dance e Nicks encarou Buckingham ao cantar o feitiço “Silver Springs”, mirando-o com um olhar imortal enquanto cantava ameaçadora: “Eu te perseguirei até que o som da minha voz te assombre, tu nunca se livrará do som da mulher que te amou” (assista abaixo). Será que os dois voltam a fazer shows? Imagina… Continue

Charli XCX repetiu o showzaço que fez no fim de semana passado no Lollapalooza de Chicago ao apresentar-se na outra ponta dos Estados Unidos, quando levou Music Fashion Film ao vivo para o festival californiano Outside Lands nesta sexta-feira. Subindo mais um degrau desde que fez seu disco de 2024 virou um fenômeno transmídia, ela tornou-se atração principal dos quatro festivais que foi escalada no início deste semestre e conseguiu equilibrar a estética da pista de dança (emendando as músicas umas nas outras) com a linha de shows que vinha fazendo até aqui (minimalista, quase sempre sozinha no palco) com a proporção de espetáculo que pede o principal artista de um festival, trazendo corpo de dançarinas (que brincam com a ideia de pista de dança e passarela de moda) e uma luz absurda, espartana e estroboscópica, mantendo a tonalidade monocromática do novo disco. E apesar de ser um show dedicado ao Music Fashion Film (e temperado constantemente com trechos da fala de David Cronenberg no final deste álbum), ela consegue passar bem por parte de sua carreira, mostrando que não é uma mera bola da vez. E um dos melhores momentos disso está na transição entre as duas músicas que fez para a trilha sonora da nova versão de O Morro dos Ventos Uivantes para o miolo Brat do show, em que ela abriu mão do verde limão para manter-se no chiaroscuro do novo disco.
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As duas estavam soltando dicas por aí que em breve finalmente se encontrariam em uma música e a revelação aconteceu no fim de semana passado, quando Madonna soltou uma versão para sua “Love Sensation” batizada de “Afterhours Mix” em que divide os vocais com Kylie Minogue durante uma festa fechada em Amsterdã, na Holanda. Conduzida pelo mesmo Stuart Price que regeu os dois volumes de suas Confessions, o remix agora chega ao público em geral abrindo uma variante esperta para o recém-lançado álbum – em vez de lançar um EP complementar ou versões deluxe, Madonna pode seguir a lógica clubber de seu Confessions II e ir aumentando-o com remixes que surgem como novos singles. E se ela seguir essa linha de chamar outros ícones para acompanhá-la, o céu é o limite. Afinal é a Madonna – e se ela está numa fase ótima, por que não esticá-la?
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