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riverscuomo-realestate

A banda nova-iorquina Real Estate, dona de um dos grandes discos de 2014 (Atlas, excelente), passou por São Paulo na semana passada e no repertório paulistano sacou um raro cover de Weezer (“No Other One”, do clássico Pinkerton), pegando o público de surpresa (procurei a música no YouTube, mas não achei). Para quem acompanha de perto não foi tão inusitado, pois no último show que eles fizeram nos EUA antes de vir para o país, na terça-feira, em Los Angeles, contaram com ninguém menos que o próprio Rivers Cuomo, o dono do Weezer, nos vocais do hit indie, que, marcha reduzida, tornou-se hipnótico.

Cores_e_Valores_Racionais

Eis a capa do sexto disco dos Racionais MCs, que chama-se Cores e Valores e deve ser lançado oficialmente nesta terça-feira. Eles já descolaram um teaserzinho pra ir aquecendo, saca só:

O grupo já liberou a íntegra da faixa “Quanto Vale o Show?” e, em tese, a ordem das faixas do novo disco seria essa aqui: segue a íntegra do disco para quem quiser ouvir:

O grupo pôs o disco à venda via Google Play ao preço de R$ 9,99 e a ordem das faixas é esta:

1) “Cores & Valores”
2) “Somos o que Somos”
3) “Cores & Valores – Preto e Amarelo”
4) “Trilha”
5) “Eu Te Disse”
6) “Preto Zica”
7) “Cores & Valores – Finado Neguin”
8) “Eu Compro”
9) “A Escolha que Fiz”
10) “A Praça”
11) “O Mau e o Bem”
12) “Você Me Deve”
13) “Quanto Vale o Show?”
14) “Coração Barrabaz”
15) “Eu Te Proponho”

A fonte é o André Camarante.

beyonce-711

De novo, sem fazer a menor reverência, Beyoncé surge com um clipe surpresa para uma das músicas inéditas que apresenta na versão deluxe de seu soberbo disco do ano passado. E o clipe de “7/11” é uma tiração de onda num nível que o hip hop não assiste desde o auge do gangsta rap – só que numa versão adequada ao feminismo desta que é uma das grandes artistas de nossos tempos. Palmas!

willbutler_policy

E um Arcade Fire vai sair em carreira solo. Will Butler, irmão do vocalista Win, anunciou essa semana que seu primeiro disco solo sairá pela Merge no início do ano que vem – e o teaserzinho em vídeo faz que o disco, chamado Policy, pareça promissor…

laranja-vermelho

O designer norte-americano Rishi Kaneria resolveu celebrar sua devoção pelo uso de cores no cinema ao fazer esse curta – mas direta – edição com diferentes usos do vermelho na cinematografia de Stanley Kubrick:

“Kubrick sempre usou a cor vermelha com grande efeito – não apenas em atmosferas, mas também pelo fato de vários significados diferentes para o vermelho ecoarem com os temas de seus filmes. Os muitos significados de vermelho incluem: morte, sangue, perigo, raiva, energia, guerra, força, poder, determinação… mas também paixão, desejo, amor e sexo. Todos temas proeminentes na obra de Kubrick. Mas ainda mais importante é a forma como a própria natureza dúbia do vermelho (o fato de poder significar raiva mas também amor) funciona dentro do grande tema Jungiano de todos os filmes de Kubrick, que é a noção de dualidade: sexo e violência, nascimento e morte, guerra e paz, medo e desejo…”

Veja só:

E, de repente, a página do Facebook da gravadora Creation exibe esta foto:

ride-2015

Ícones indie, a banda separou-se em 1996 e sua volta era dada como inviável até há alguns anos, quando os primeiros boatos se misturaram com expectativas de velhos shoegazers. A imagem foi fotografada em Barcelona pela edição local da revista Time Out e muitos já dão como certo a volta do Ride ser o grande nome do festival Primavera do ano que vem (um nome bem melhor do que o primeiro headliner já anunciado pelo festival – os Strokes).

Se rolar mesmo vai ser épico.

peanuts

Sim, vão fazer um longa em computação gráfica do Snoopy (o filho de Charles Schulz, Craig, está envolvido) e pelo que já vimos até aqui parece não comprometer o legado da obra – muito pelo contrário, veja…

O filme só estréia no fim do ano que vem.

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Já havia cantado a bola sobre como essa música nova do Belle & Sebastian é deliciosa – e agora eles surgem com um clipe à altura, saca só…

olsen

Quem também tá de clipe novo é a querida Angel Olsen, dona de um dos grandes discos de 2014, que acaba divulgar o clipe para bela “Windows”.

donato-beco

Na minha terceira coluna para a Caros Amigos, escrevi sobre o show que vi de João Donato no Beco das Garrafas – e falei sobre sua influência na música deste século. Também fiz uns vídeos desse show, numa playlist que segue lá embaixo.

Ave Donato!
João Donato se apresenta no renascido Beco das Garrafas e mostra que sua influência na música brasileira é cada vez maior

Fui para o Rio de Janeiro meio no susto no mês passado e da mesma forma fiquei sabendo que o mítico Beco das Garrafas estava voltando a funcionar como casa de shows. Uma viela sem saída que corta a Rua Duvivier, em Copacabana, logo no início, o Beco atingiu o status legendário ao funcionar como casa das máquinas da cena musical carioca que viu nascer a bossa nova.

Influenciados pelo jazz norte-americano, instrumentistas, compositores e intérpretes se revezavam nos minúsculos palcos de bares chamados Bottle’s, Baccará, Ma Griffe e Little Club para a ira dos vizinhos, que não suportavam as jam sessions que varavam as madrugadas e saudavam os músicos com garrafas jogadas do alto. Foi Sergio Mendes quem batizou a viela de “Beco das Garrafadas”, que na versão que pegou ficou apenas com as garrafas.

Por ali passaram mestres do samba, da bossa nova e do samba-jazz, como Luís Carlos Vinhas, Chico Batera, Dom Um Romão, Airto Moreira, Bebeto Castilho, Baden Powell, Wilson das Neves, Johnny Alf, Jorge Ben e intérpretes históricas como Elis Regina, Alaíde Costa, Dolores Duran, Nara Leão, Sylvinha Telles, Leni Andrade, Claudette Soares e Wilson Simonal.

Depois dos anos 60, o beco foi esquecido, suas casas viraram ruínas de um passado histórico até que Amanda Bravo, filha de um dos músicos frequentadores daqueles palcos, Durval Ferreira, resolveu resgatar o Beco do passado. Conseguiu uma empresa (a cervejaria Heineken) que bancasse a revitalização, que transformou as quatro pequenas casas. O Bottle’s e o Baccará foram transformados em um só ambiente (para 80 pessoas) e o Little Club (para 50 pessoas) virou uma pista de dança com apresentações de DJs. Para tomar conta da programação musical Amanda chamou o produtor Kassin, um dos principais nomes da nova música brasileira deste século, que organizou um mês de apresentações reunindo destaques de uma geração mais nova que a dele, incluindo nomes como as bandas Letuce e Ultraleve, o músico Lucas Arruda, as cantoras Tiê e Alice Caymmi além de encontros entre titãs da velha guarda como João Donato e Marcos Valle e divas da nova safra como Emanuelle Araújo e Camila Pitanga, além do grupo francês Nouvelle Vague. Para o Little Club, Kassin chamou os DJs Marcelinho da Lua, o coletivo Vinil é Arte e Maurício Valladares para discotecar sets inspirados na bossa nova e no jazz brasileiro do início dos anos 60.

Tive o privilégio de assistir à apresentação de João Donato, que pouco a pouco tem sua importância resgatada, principalmente por conta desta nova leva de músicos brasileiros. Donato é precursor da bossa nova e já cantava baixinho antes de João Gilberto ser apresentado a Tom Jobim. A influência de Donato no pai da bossa nova e em seus primeiros filhotes é evidente, bem como seus discos suaves e ousados que gravou nas décadas seguintes. O próprio Kassin, que ensinou o grupo Los Hermanos a tirar o pé do rock, é uma espécie de neto musical de Donato, que é reverenciado por todos os nomes que se apresentaram na curta nova temporada do Beco das Garrafas quanto por novos músicos de todas as cepas, seus 80 (!) anos foram celebraos no Circo Voador em agosto com a presença de nomes tão distintos quanto Caetano Veloso, Luiz Melodia, BNegão e Paula Morelenbaum; em fevereiro deste ano comemorou o aniversário de 40 anos de seu Quem é Quem num show com músicos da banda Bixiga 70, Tulipa Ruiz, Mariana Aydar e Marcos Valle. Assisti o show na microplatéia do novo Bottle’s Bar entre Jards Macalé e o guitarrista Gabriel Muzak, que toca com os Seletores de Frequência de BNegão, além de ter seu próprio trabalho solo.

Todos reverenciando um monstro da suavidade, um senhor de oito décadas de música que se comporta como um menino travesso ao piano, aumentando o tom de voz apenas para falar “água!”, seu código para encerrar as músicas. No palco do Bottle’s Bar, tocando um teclado elétrico, o acreano vinha acompanhado por uma das melhores cozinhas de jazz brasileiro em atividade, o contrabaixo elegante do cearense Jorge Helder e a bateria atrevida do carioca Robertinho da Silva, além de um naipe de metais de respeito – o sax de Roberto Pontes e o trompete de Jessé Sadoc. Juntos, enveredavam por temas clássicos de Donato como “Capricorn”, “Emoriô”, “Bananeira”, “Gaiolas Abertas”, “Vento no Canavial” e “Café com Pão”, além de três números com a participação da cantora baiana Emanuelle Araújo (“A Paz”, “A Rã” e “Sambou, Sambou”), em pouco mais de uma hora de viagem no tempo que, mesmo bebendo no passado, apontava para um futuro exemplar para a música brasileira. Ave Donato!