Deixando a Casa Branca no final deste ano, o presidente norte-americano Barack Obama fez sua saída extraoficial do cargo na semana passada, ao resumir – em uma jam session de funk lento – os feitos de seus oito anos de mandato. Acompanhado do apresentador Jimmy Fallon e dos Roots, Obama oficializa seu mandato também como o de um presidente preocupado com sua imagem a ponto de descer dos degraus da pompa decadente da política tradicional para tratar o cargo com uma métrica mais atual. Afinal, não é exagero dizer que, seja ocupado por quem for, a cadeira de presidente dos Estados Unidos transforma qualquer um em um dos maiores popstars do mundo – e Obama aproveita a oportunidade com maestria. O que nos leva àquele velho adágio do saudoso Zappa, que a política é o entretenimento do complexo industrial-militar ou dos inúmeros avisos de Aldous Huxley, George Orwell e Alan Moore sobre como o entretenimento é só uma face da política (papos de ópio do povo, pão e circo, você sabe). Essa apresentação de Obama é o futuro da política hoje:
E para a atração musical do mesmo programa não ser completamente ofuscada por Obama, Jimmy Fallon ainda conseguiu Madonna como convidada, voltando a nada menos que “Borderline”, seu primeiro hit, também acompanhada pelos Roots.
Voltando à ativa no blog do UOL com um mashup que mistura a novela das oito Rei do Gado com o hit da HBO Game of Thrones, saca lá.
O canal de YouTube Escola do Pop encontrou um jeito simples de discutir Foucault: através das Spice Girls!
A edição catalã do festival Primavera foi a primeira parada internacional do grupo pós-rock potiguar Mahmed, que aproveitou a ida ao Velho Continente para fazer mais shows pela Espanha. Além das duas apresentações em Barcelona, o grupo ainda tocou duas vezes em Madri e volta para o Brasil para um lançamento duplo nesta quinta-feira no Sesc Pompeia (mais informações aqui), quando apresentam tanto o EP Ciao, Inércia, gravado na turnê de lançamento de seu primeiro disco, quanto a versão física em CD para seu álbum de estreia, o ótimo Sobre a Vida em Comunidade, do ano passado. A gravadora do grupo me ofereceu um par de ingressos para sortear aqui no Trabalho Sujo. Para concorrer é só dizer aí nos comentários com qual banda o grupo do Rio Grande do Norte deveria fazer uma turnê pelo Brasil e explicar o porque da escolha. Aviso o resultado até a quarta de noite. Abaixo vem uma conversa que tive por email com Walter Nazário e Dimetrius Ferreira, guitarristas da banda, completa com a presença do baixista Leandro Menezes e do baterista Ian Medeiros.
É a primeira excursão de vocês para o exterior. Como tem sido a recepção até agora?
Walter: Tem sido ótima. Em todas as apresentações, tivemos um bom público e a recepção vem sendo muito positiva, é importante para nós levarmos o som a outros públicos e novos lugares. A Espanha é encantadora.
O que acharam do Primavera, como artistas e como fãs de música? Foi a primeira vez que vocês foram ao evento?
Walter: Um evento com uma superestrutura e um line-up absurdo, com certeza esse festival ficará marcado na nossa história como banda. Foram experiências incríveis nos dois palcos que tocamos no Primavera Sound, com boa receptividade e curiosidade do público. Detalhes como receber elogios de alguém que viu o show na fila do banheiro vão marcar essa viagem. Melhor ainda saber que tinha gente de vários países na plateia. Como fãs de músicas, ter a oportunidade de ver uma sequencia de shows como Ty Segall, Andy Shauf, Air, Radiohead, Tame Impala, Alex G, PJ Harvey com os amigos é pura diversão. Foi nossa primeira vez no festival.
Falem sobre esse novo EP, o quanto ele é fruto dessa nova fase?
Dimetrius: Gravamos esses três sons pensando no formato do 7” que vamos distribuir com os colaboradores da campanha que fizemos no Catarse. São pequenos temas seguindo um caminho mais slow da banda, com propostas de afinações diferentes e outras formas de captação. Foi composto entre turnês inéditas que fizemos pelo sul, sudeste e festivais e transmite essa sensação de levitação e movimento constante que marcou os últimos 12 meses da banda.
E como foram os shows fora do festival? Já foram todos?
Dimetrius: Além dos dois shows no festival, já tínhamos nos apresentado na loja de discos Cuervo em Madrid, com todo mundo sentado no chão, numa sala bem intimista, que criou uma atmosfera ótima para o show. Voltamos para Madrid com os parceiros de selo Quarto Negro e Nuven para o último show juntos, na casa Fun House. Foi um prazer tocar com essas pessoas. O Mahmed segue para Girona dia 11, antes de voltar ao Brasil. Estamos ansiosos pra esse ultimo show. Parece um lugar muito bonito e o evento é uma parceria da Balaclava Records, a Idea Géstion Cultural e o Consulado do Brasil em Barcelona.
Alguma novidade para o show desta quinta?
Dimetrius: Teremos a honra de receber no palco o artista paulista Flávio Grão para pintar uma tela junto a banda no palco da Comedoria. Ele fez as capas de todos os nossos trabalhos e de várias bandas do underground brasileiro. Teremos as participações especiais de dois grandes amigos, um dos nossos heróis na guitarra, Fernando Cappi (Chankas, Hurtmold) e de Thiago Klein do Quarto Negro.
A vocalista do Jardim das Horas começa a mostrar seu trabalho solo. Laya se descobriu compositora na banda cearense de trip hop, que mudou-se para São Paulo e agora entra em hiato. “Desde que comecei a compor com a banda, muitas canções nasceram e não entraram no repertório, elas existem e nascem de todo jeito a toda hora”, me explica por email. “Eu adoro cantar outros compositores também. Não faltava conteúdo pro trabalho solo, acho que faltava coragem”, ri.
O primeiro disco ainda está sendo gravado e conta com Maurício Tagliari na produção, a quem ela se refere como “professor”. O disco tem a participação de nomes como Thomas Harris, Danilo Penteado, Igor Caracas, Bubu, Mariá Portugal, Luca Raele, Ju Perdigão, Ceruto e ela interpreta músicas próprias, parcerias e músicas de Clima, Rômulo Fróes e Tom Zé. “Adoro esse trabalho de intérprete”, comemora.
O primeiro fruto deste novo trabalho é o clipe de “Vem pra Chuva”, que estreia aqui no Trabalho Sujo. Laya apresenta seu trabalho num show na próxima sexta, dia 3, no Itaú Cultural, em São Paulo. “Canto com Mauricio Tagliari no violão e na guitarra, Igor Caracas no vibrafone e na percussão, Bubu no baixo e Mariá Portugal na bateria. Teremos também a participação de Luca Raele tocando piano Rhodes, clarineta e clarone.”
Conheci o Evandro Fióti quando seu irmão Emicida ainda estava na fase das mixtapes, vendendo CDs e camisetas baratinho logo após seus shows. O rapper descia do palco para cumprimentar os fãs e seu irmão vinha logo em seguida, mostrando os produtos à venda. Aos poucos ele assumia o papel de empresário de Emicida para liberá-lo das funções burocráticos, mas o convívio com os dois mostrava que a carreira do MC era administrada pelos dois, numa clara divisão estratégica para conseguiver viver de música.
Os anos foram passando e a dupla de irmãos hoje é dona do Lab Fantasma, que administra tanto a carreira de Emicida como de seu comparsa Rael, além de funcionar como uma distribuidora de música digital e agendar shows no Brasil e no exterior. Mas o progresso profissional aos poucos deixou Fióti mais à vontade para voltar ao violão, seu instrumento de vocação, onde aos poucos burilava clássicos da MPB em vídeos que postava sorrateiramente nas redes sociais.
Talvez só ele soubesse, mas era o início de sua carreira artística. Ao violão pode descobrir-se músico, compositor – a princípio ao lado do irmão – e finalmente cantor, deixando sua personalidade musical revelar-se em seu EP de estreia, o impressionante Gente Bonita, em que canaliza diferentes autores brasileiros – Djavan, Paulinho da Viola, Gilberto Gil, Edson Gomes, Luiz Melodia, Jorge Ben – para criar um cânone particular de uma musicalidade híbrida, nascida com pés no samba mas que flerta com o soul, a MPB e até com o reggae (“Leve Flores”, que encerra o disco, é a minha favorita).
O disco é apresentado com o clipe de “Obrigado, Darcy”, que conta com a participação de Caetano Veloso lendo uma máxima do velho antropólogo saudado na canção. “Fui gravar o clipe no Rio e a Paula (Lavigne, esposa e empresária de Caetano) estava voltando de Nova York e me chamou no WhatsApp para eu ir à casa dela”, ele me conta em entrevista por email. “Há tempos não nos víamos, eu mostrei um primeiro corte para ela do vídeo, e ela achou bonito. Aliás, a Paula é uma das pessoas que mais me incentivaram nos últimos anos a fazer esse projeto, aí tinha aquela parte do vídeo em que eu estou caminhando. Eu iria colocar a foto de Darcy e a frase escrita, mas pensei: ‘Pô, será que Caetano topa ler isso? Seria tão lindo e importante nesse momento’. Eu sou tímido, mas sou cara de pau! Vou te falar que até agora ainda não acreditei. Tive noites de insônia reouvindo a gravação de voz dele para saber se isso estava de verdade acontecendo, coisas loucas da vida, meu primeiro EP, meu segundo clipe e conto com Caetano Veloso colaborando comigo, é surreal! Só posso agradecer…”
É uma estreia de peso, embora Fióti precise relaxar um pouco mais, deixar tudo soar mais à vontade. Suas composições já são assim, mas sua interpretação ainda tem um certo recato, alguma timidez que com certeza irá soltar-se ao vivo. “Vou começar pensar nisso agora, mas vai ser para o segundo semestre”, ele me explica sobre os shows. “Já tem algumas datas confirmadas, divulgaremos em breve, vou usar meu tempo para fazer preparação vocal, pois eu preciso, fiquei muito tempo parado e nunca fiz show de verdade. Já toquei em bares de São Paulo, mas show mesmo nunca fiz, sempre estive no backstage nesse quesito, então quero me preparar bem e juntar alguns músicos amigos que topem entrar nessa brincadeira gostosa comigo, estou me preparando. E em breve novidades…” Abaixo, mais da conversa que tive sobre seu primeiro disco, um lampejo de otimismo neste momento tão bizarro para a cultura brasileira.
Desde o anúncio de sua carreira ao lançamento do EP, como a vida de artista alterou sua vida de empresário?
Olha, eu acho que ainda vai alterar um pouco, sobretudo na privacidade. Vai ser difícil, acredito eu, ser produtor, empresário nem tanto. Até aqui tudo corre como o planejado, pois optei por fazer esse projeto no começo do ano, quando há menos demandas, e também gravei à noite para não prejudicar o trabalho no escritório. Vamos ver como as coisas vão andar, mas até aqui está tudo sob controle!
“Obrigado, Darcy” foi gravada bem antes de chegarmos a essa situação política bizarra pela qual o país atravessa. Você acha que ela tem uma outra leitura neste momento?
Eu escolhi essa música para o projeto em 2014. Acho que a leitura que ela dá nesse momento é o que a história nos mostra: existe um Brasil elite que não quer largar suas mordomias e seus privilégios e usa todos os seus métodos escrotos para obter o que quer. Darcy dedicou sua vida, até entrou na política para tentar mudar esse quadro, mas realmente o Brasil é um país muito difícil, muita gente gosta mesmo de ver a desgraça toda que aí existe e só pensa em algo quando essa desigualdade lhe bate à porta, seja um assalto, seja um sequestro ou a perda de alguém próximo.
Nosso povo não precisa de muito para se tornar uma grande nação, a gente só pede educação, cultura e saúde para todos. Equilibrando a balança social, dando dignidade às pessoas, todos estarão no mesmo patamar de igualdade para pleitear um emprego, uma boa faculdade, ter uma vida digna de verdade. Mas existe um projeto no Brasil em curso há mais de 500 que favorece os mesmo sempre, esse projeto visa esmagar o povo que vive às margens, e isso é muito triste. Nosso povo já apanhou demais, nossos ancestrais nos guiarão, vamos passar por mais essa fase, vai ter sangue, vai ter morte, vai ser horrível, mas a história vai nos absolver como sempre. É importante se manter na luta, pois a cada passo dado, ao menos a gente não está mais no mesmo lugar, da mesma maneira que a luta hoje é diferente e um pouco “melhor” para mim do que foi para minha mãe e meus avós. Pode ser que meu neto colha os frutos de um país mais justo, então você tem que ir por prioridades.
O momento agora é de resistência para não ter retrocessos. Nem mesmo nosso voto eles respeitam mais. Em pleno 2016, num país como o nosso, uma das maiores nações do mundo, eles estão conseguindo fazer o Brasil passar um vexame sem precedentes. Recebo mensagens dos meus amigos da música de fora do país e está todo mundo estupefato com o que estamos vivendo, é muito triste, mas tenho o maior orgulho das pessoas que estão do mesmo lado que eu. Tem uma parcela da população perdida, a quem a mídia porcamente ilude e engana, aproveitando-se do sistema, que não investe no ser humano. E tem um outro grupo, que é o que sempre mandou no Brasil desde os tempos da colônia, que não quer abdicar de nenhum de seus privilégios, mesmo que pra isso eles precisem jogar a gente ainda mais para a desgraça. O Brasil infelizmente hoje é isso ai…
Como você está vendo essa mudança radical de rumo do governo interino, sobretudo no que diz respeito à cultura?
Rapaz, tirando meu EP e os projetos que me empolgam aqui na Lab, esse ano de 2016 está sendo uma lástima. Esse momento político é horrível, o povo foi para a rua “contra a corrupção” num movimento elitizado, bancado pela grande mídia, que não representa o Brasil em sua pluralidade e sua diversidade. Pode pegar as fotos aí, você não vê negros, não vê mulheres negras, não vê gays, não vê índios nas manifestações que aconteceram pedindo o impeachment. Eu acho que a Dilma cometeu erros, mas daí a tirar uma presidenta honesta, rasgar a Constituição, meu voto e o voto de 54 milhões de pessoas é uma bizarrice. Tudo foi muito bizarro, até hoje não acredito que estamos vivendo isso e tenho medo do futuro, de verdade.
Depois da votação na Câmara dos Deputados, chefiada pelo Eduardo Cunha, eu fiquei chocado com amigos que ainda assim continuaram apoiando o processo. Teve Bolsonaro atacando a Dilma, louvando torturador , deputado pedindo a volta da ditadura… Mas também não me conformo de Dilma e o PT terem jogado esse jogo até aqui, os caras são bandidos, mano, bandidos de gravata, desses que o Brasil nunca prende, eles foram até o fim emparelhados com a mídia para defender seus nojentos interesses, ficou muito claro isso depois do fatídico 17 de abril. O Temer estava na chapa de Dilma como vice. Eu concordei com isso? Sim, aliás votei na Dilma e votaria de novo hoje se do outro lado tivesse o Aécio, mas o Temer estava ali para uma função, buscar governabilidade, todo mundo sabe que o PMDB manda nesse país desde sempre. Dilma precisava, sim, de aliados no Congresso, mas a coisa foi ficando cada vez mais dificil para o governo, aquela bancada da Bala, da Bíblia e dos Bois, aqueles caras são nojentos, não tem como dialogar com aqueles seres desumanos, são nefastos, podres, querem mais que o povo morra na merda, que mais mães percam seus filhos na guerra contra a polícia, que no Nordeste muita gente volte a passar fome, que o Brasil volte a ser aquele país das maravilhas, onde tudo, inclusive a corrupção, vá para debaixo do tapete. Quem bancou esse golpe foram os corruptos chefiados por Eduardo Cunha, emparelhados com a mídia, são golpistas. Eles só precisam assumir isso, e quem os apoia também. Temer deu um golpe, como o PMDB sempre fez na história aliás! Mas ele deu um golpe, ele não está tocando o projeto de governo para o qual foi eleito, é um governo ilegítimo, que não veio das urnas e retirou uma mulher honesta do seu cargo. Tenho certeza de que as coisas vão se esclarecer, e a história vai mostrar quem estava de cada lado. É nisso que acredito, a gente, nesse quesito, sempre esteve do lado que perde mesmo. É seguir na luta resistindo, e no nosso caso usando a arte para abrir a cabeça dos nossos parceiros. Falei para caralho!
Mas respondendo à sua pergunta: tô vendo tudo e a gente vai continuar nas ruas gritando que não aceita esse governo ilegítimo, não tem diálogo com Temer. Me preocupo com a Cultura, mas me preocupo mais ainda com o Ministério da Justiça, que agora tem em sua liderança Alexandre Moraes, secretário de segurança pública de São Paulo por um tempo, que carrega nas costas várias chacinas na periferia, responsável pela repressão violenta dos protestos que aconteceram nos últimos 2 anos. Enfim, que justiça é essa? Os caras querem mesmo implantar uma ditadura. O que posso te dizer é que estou chateado com isso. Queremos o que é nosso por direito, votamos em um governo e não vamos aceitar retrocessos, o discurso é: volta, Dilma e traz o Brasil de volta rumo ao futuro. Se não for isso, não dá para ser nada, infelizmente…
Como você vai casar o lançamento do disco com esse momento atual? Os shows tendem a soar mais politizados?
Eu ainda não pensei nisso em detalhes, mas não vai ser um show político, não, até porque eu não sou tão expert assim, preciso ler muito mais, aprender muito mais. Essa parte eu deixo pro show do Emicida, ele cumpre bem esse papel mais contundente e político! Claro que vou me manifestar através da arte e expor meu lado e meus sentimentos, até porque não tem muito como separar uma coisa da outra. A arte que fazemos gera transformação, é impossível não dialogar com a política, mas quero um show alegre, pra cima e bem brasileiro, esse sou eu, não consigo fugir.
Eis o clipe NSFW e cabeçudo de “Auto das Bacantes”, a música mais dedo na cara de Ava Patrya Yndia Yracema que Ava lançou no ano passado.

Meu primeiro livro é uma ficção para jovens adultos: PC Siqueira está morto é, ao mesmo tempo, um livro de YouTubber, uma crítica à vida digital que todos levam e um mindfuck de Troia – e já está em pré-venda. Deixa que o protagonista – que é uma pessoa de verdade – explica isso melhor:
O Radiohead deu início à turnê de seu novo disco em Amsterdã, num show nesta sexta-feira, em que tocou quase todo o A Moon Shaped Pool e mais de 20 músicas, de todas as fases. E agradeça à boa alma que filmou a íntegra do show. O setlist completo vem logo depois.
“Burn the Witch”
“Daydreaming”
“Decks Dark”
“Desert Island Disk”
“Ful Stop”
“Morning Mr. Magpie”
“There There”
“The Daily Mail”
“My Iron Lung”
“Videotape”
“Identikit”
“The Numbers”
“The Gloaming”
“Lotus Flower”
“Everything in Its Right Place”
“Idioteque”
“Bodysnatchers”
Bis
“Bloom”
“Present Tense”
“Paranoid Android”
“Tinker Tailor Soldier Sailor Rich Man Poor Man Beggar Man Thief”
“Weird Fishes/Arpeggi”
Bis 2
“You and Whose Army?”
“Reckoner”
O escritor e compadre João Paulo Cuenca está lentamente mudando sua carreira ao incluir os papéis de diretor de cinema e ator em seu currículo. A Morte de J.P. Cuenca, seu primeiro filme, é irmão de seu novo romance, Descobri Que Estava Morto, que ele lança na próxima edição da Flip, em Paraty, em que participa de uma das mesas da tenda dos autores. As duas obras se complementam ao contar a história de sua morte, descoberta a partir de um homônimo que usava todos seus dados e apareceu morto em um prédio invadido. E como queria lançar livro e filme ao mesmo tempo, abriu uma campanha de financiamento coletivo para colocar o filme no cinema ao mesmo tempo em que o livro chegasse às livrarias.
“O crowdfunding é para levantar dinheiro para a distribuição do filme”, ele me explica por email. “As distribuidoras interessadas só poderiam lançar o filme comercialmente no ano que vem. E como eu achava muito importante que ele saísse junto do livro, na época da Flip, resolvi fazer na raça, mesmo. Distribuição independente de guerrilha. O problema é que realmente é caro distribuir um longa-metragem: você precisa ter alguém cuidando da relação com as salas em todo o país, fazer trailer, cópias em DCP, posters, envios, ter uma assessoria de imprensa etc. Muita coisa envolvida pro filme chegar ao circuito comercial no timing certo. Esse crowdfunding é uma campanha de pré-venda: você recebe tudo o que comprar. Eu estou agradecendo muito cada um que está participando, as pessoas não fazem idéia de como é importante.” Quem quiser colaborar com o filme, basta seguir as coordenadas no link do site Kickante.
Notório crítico tanto do governo derrubado pelo golpe quanto do próprio golpe, JP tem uma visão pessimista sobre o futuro próximo do país: “Sombrio”, resume. “Para melhorar, ainda vai piorar muito. Estou aqui preparando minha armadura de escafandro.” Por ter sido traduzido em vários idiomas, ele é chamado por veículos estrangeiros para explicar o que está acontecendo por aqui. “Já escrevi textos para jornais gringos e também falei pra TV de fora”, continua. “Acho que, por incrível que possa parecer nesse momento, quem mora fora do Brasil entende muito melhor o que está acontecendo do que a média do povo brasileiro. É só comparar a cobertura do NYT, da BBC e do Guardian com o que você encontra em panfletos como a Veja e o Jornal Nacional.” E resume a importância da cultura neste momento trevoso: “É um farol. Único ponto de referência para um país que está derretendo junto a todas as suas instituições.”
Como aconteceu a história de sua morte?
O cadáver de um homem foi identificado pela PM com a minha certidão de nascimento num edifício ocupado na Lapa, Rio de Janeiro. Isso foi em julho de 2008. Descobri em 2011 e contratei detetives pra descobrir como minha certidão parou lá. No processo, comecei a ir cada vez mais ao quarteirão do prédio que virou um condomínio reformado. E aí começa a história.
Era um livro que virou um filme ou um filme que virou um livro? Como vc acha que essas midias – incluindo disco, HQ etc – que antes viviam separadas vão se juntar neste século?
As duas coisas aconteceram juntas, os processos se retroalimentaram. Eu consegui morar no prédio onde morri com grana do filme. Eu descobri coisas que entraram no filme por causa da pesquisa para o livro. É difícil para mim separar uma coisa da outra nesse momento. Até porque esse tripé se complementa com uma performance presencial: o filme e o livro continuam cada vez que estou lá falando deles. E não é só uma obra aberta: o inquérito policial também ainda está aberto. Quem ler e ver o filme vai entender do que estou falando.
Como será sua participação na Flip este ano? É a primeira vez que você sobe no palco principal da festa ou estou enganado?
Eu fui convidado da primeira Flip, em 2003, e depois participei algumas vezes moderando mesas e em outros espaços da festa. O primeiro lançamento do livro Descobri Que Estava Morto será lá. Tenho uma relação especial com a Flip, eu vi a primeira estourar. Estava em Paraty desde antes – fui escrever um conto que está num livro comemorativo da primeira festa, o Paraty Para Mim, com o Chico Mattoso e o Santiago Nazarian.









