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No meio do show de despedida que o Pin Ups armou no final do ano passado, a banda paulistana percebeu que aquele não poderia ser sua última apresentação. “Último show… em São Paulo”, corrigiu a baixista Alê, já pensando nas outras cidades em que aquele show poderia se repetir. Com anos a mais de estrada, todos estavam tocando melhor do que no auge da banda, matar a saudade no palco traduziu-se como entrosamento quase cossanguíneo e eles estavam tocando emum equipamento (o do Sesc Pompeia) muito superior do que a grande maioria dos que tiveram que usar em sua carreira. Mas o principal motivo da indecisão sobre aquele ser o último show foi emocional: além da entrega da banda, o público – mais jovem do que eles esperavam – recebeu o ícone ancestral do indie brasileiro de braços abertos.

Aí o que seria o ponto final da banda evoluiu para alguns shows em cidades que o grupo já havia tocado, incorporando Adriano Cintra como quarto pin up no lugar da integrante original Eliane (que hoje mora na Inglaterra), mas logo eles estavam falando em compor músicas novas, em relançar os discos antigos digitalmente e em vinil e resolveram assumir que estavam de volta. Prevendo disco novo no início do ano que vem, o grupo está armando a volta em grande estilo ainda para esse semestre. Conversei com o guitarrista Zé Antônio sobre os próximos passos da banda renascida.

O fim e a volta

A entrada de Adriano

Indie Brasil: ontem e hoje

O relançamento da discografia

E a Eliane?

Shows?

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O cineasta norte-americano Rishi Kaneria debruçou-se sobre teorias psicológicas, referências biográficas, citações discográficas e num subdiretório específico do Reddit para montar esse esplendoroso vídeo-ensaio sobre o significado do clipe e da música de “Daydreaming”, do disco mais recente do Radiohead, tanto num nível emocional e pessoal quanto crítico e artístico. Excelente, pena não ter legendas em português (mas se alguém quiser traduzir, é só publicar nos comentários):

Dica da Ana, ela mesma outra obcecada por teorias de conspiração e Radiohead a ponto de criar uma sua específica sobre o penúltimo disco da banda.

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Mais uma música do disco novo d’O Terno vem à tona – e a faixa-título de seu Melhor do que Parece mantém a convicção não-rock sobre a qual o Tim comentou comigo na semana passada. Além de voltar a alguns dos temas favoritos do grupo: o conceito de novidade, o pessimismo dos dias de hoje, como nossa noção de individualidade acaba nos cegando pra todo o resto e o tédio numa época tão intensa.

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Max de Castro resolveu celebrar a obra de Prince ao lado de uma das bandas do mestre púrpura – a New Power Generation que ele montou para acompanhá-lo no iníco dos anos 90 – e trouxe-a para o Brasil para um único show nessa sexta-feira no Cine Joia (mais informações aqui). No repertório, a banda irá privilegiar os hits do mestre que morreu este ano, inclusive músicas de outras fases de sua carreira. Tenho um par de ingressos para sortear aqui no Trabalho Sujo – para concorrer basta dizer que música do Prince você queria ver ao vivo e porque aí nos comentários, que até o fim desta quinta-feira escolho quem ganhou. E para sacar o clima da noite, o Max descolou um vídeo com um ensaio em que eles tocam “Musicology”, saca só:

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Mais um clipe do ótimo Vega Intl. Night School, que virou o som do Neon Indian do avesso no ano passado, trazendo-o para os mesmos anos 80 do Chromeo e do Chromatics. O clipe de “Annie” foi dirigido pelo próprio Alan Palomo, o homem-banda.

Dissolvendo…

pilulas

Pílulas se desfazendo na água em velocidade acelerada… Que viagem.

“Não consigo enxergar um momento divisor de águas, mas desde sempre me interessei por batidas graves”, me explica o velho Zegon, que a maioria das pessoas se lembra dos tempos do Planet Hemp mas que há um bom tempo vem firmando seu nome na cena bass mundial, como metade do Tropkillaz. “Desde alguns dos meus primeiros beats, meu kick favorito e bateria sempre foi a 808, mãe dos kicks com sub, mesmo dentro do hip hop, que é minha escola, sempre fui viciado em Miami Bass. Acho que depois do surgimento do jungle e um tempo depois do drum and bass comecei a querer ir mais além.”

Essa busca lhe levou ao selo Buuum, que capitanea dentro do projeto Skol Music, ao lado dos selos de Dudu Marote (Ganzá) e do Miranda (Stereomono). “Topei ser diretor com a imposição de poder ser artista também dentro do selo, sentar nos dois lados da mesa”, explica. “Não tinha ideia como seria, fiquei muito mais exigente do que eu era e como produtor tambem comecei a enxergar onde eu queria que alguns artistas chegassem. Gostei muito da “brincadeira”, que na verdade é muito séria e perdi vários preconceitos que eu tinha antes como músico. Aprendi muito com os outros diretores – Miranda e Dudu Marote – e como na minha carreira toda sempre estive do outro lado, como artista, sei bem o que o precisamos de um selo e qual tipo de suporte. Posso ajudar bastante dando um caminho mais mastigado para os meus artistas e também mostrar que milagres não acontecem.”

Pelo selo, ele já lançou trabalhos de gente como Felipe Ret, Karol Conká e Omulu, além do próprio Tropikillaz, e agora lança a mixtape Buuum Beats Vol.1, reunindo produtores de bass music de todo o Brasil. Conversei com ele sobre como esta cena está se desenvolvendo no Brasil, uma cena em que ele mesmo classifica como global. “Acho que dentro de cada subgênero teve sua origem e o mais interessante que a textura se adapta de acordo com o estilo de beat, programação e melodias nas mais diversas etinias – do baile funk ao dancehall, do trap/dirty south ao UK bass, zouk ou moonbathon…”

Como surgiu o Tropkillaz e como sua criação está ligada ao seu interesse por bass music?
Tropkillaz surgiu por acidente. O (André) Laudz trabalhava comigo já há algum tempo. Estávamos produzindo remixes juntos, trilhas e beats para discos e ele queria lançar um mixtape de trap pra ajudar na carreira de DJ. Falei para lançarmos algumas músicas e inventei o nome como brincadeir. Soltamos um primeiro som no soundcloud, sem usar nossos nomes e bombou da noite pro dia. Há muitos anos, mais de 20, queria chegar num som, num hip hop instrumental, com samples de vocal, pegada de pista e bumbos de estourar o P.A.. Eu enxergava essa sonoridade desde o começo dos anos 90. Queria fazer da minha maneira o que o Bomb The Bass e o Coldcut fizeram.

E qual é o papel do Brasil nessa história?
Acho que a maioria dos produtores brasileiros ainda não sabe enxergar que nossas raízes sao a única maneira de se diferenciar e ser original na cena. E tentam muito ser gringos. Quando enxergarem isso, assim vai fluir. Sempre usei elementos e bebi da fonte sem ser óbvio. Não precisa ter uma cuíca ou berimbau pra gringo, não que não possa ser legal, porque se for bem usado pode ser muito. Mas sempre me inspirei em melodias e ritmos, mesmo que muitas vezes não fique explícito.

Assim chegamos à mixtape – qual é a importância de Buuum Beats Vol.1 neste cenário?
Acho que essa coletânea tem vários lados. Primeiro é mostrar que hoje em dia temos uma cena sólida nacional com qualidade, que os sons estão batendo e que não deixamos nada a desejar para o resto do mundo. Acho que demorou um pouco, mas está rolando. Tem importância também para os produtores e beatmakers espalhados pelo Brasil verem o que está sendo feito, se compararem e elevarem o nível. Muita gente ficou de fora e eu já teria na manga os volumes 2 e 3. Outro ponto foi aproximar esses produtores entre si – muitos já se conheciam, talvez a maioria -, mas não todos. E o ponto principal é com o publico, pra que ele veja que existe uma cena local legítima .

O que você tem achado do cenário musical brasileiro pós-internet? Mudou muita coisa?
O mundo mudou 100% depois da internet, tudo ficou muito mais fácil. Informação não vale praticamente mais nada. A dificuldade que tínhamos pra conseguir uma música, vindo de uma fita cassete ou vinil, eram incoparáveis pra quem aperta um play num aplicativo de streaming ou no YouTube. Por ser tudo tão fácil, as coisas são mais descartáveis, a competição é muito maior, o publico é expert e troca de música e modas diarimente. Também há os tutorias para produzir e programas baratos ou piratas, homestudios dentro de um laptop que eleveram o nível. Tudo mudou. Se antes 1 em 1000 se destacava, hoje talvez seja 1 em 10.000. Por um lado ficou fácil demais, por outro, muito mais difícil…

Buuum Beats Vol.1 – Faixa a faixa, por Zégon

Ruxell – “Bun Bun”
“Um dos caras mais maduros da cena.”

Bad$ista – “Loca”
“É uma das faixas mais originais, caiu meu queixo quando veio.”

Braap – “SQUELCH”
“Eles têm umas músicas bem loucas. Quando o cara é DJ mesmo, produz com suingue especial.”

DKVPZ & Tropkillaz – “Don’t Give Up”
“Os moleques são foda demais. Tão entre os mais ricos em produção no momento.”

D`Maduro & Furo – “Too Good”
“Conheci eles em Amsterdã. Únicos gringos na parada, mas a faixa encaixou bem na coletânea.”

Thai ft Stal – “Slowdown”
“Eu gosto de paradas que não são comuns. O Thai produz muito e mandou essa faixa inesperada.”

Leo Justi & Pesadão Tropical – “Hallelujah”
“O que eu mais gostei é que não tem clichê, não segue moda.”

Viní – “Tudo Nosso”
“É um mano muito dedicado, que tem um puta bom gosto e com essa visão do que tem que ter cara do Brasil. Ele tá preparado pro game.”

Coyote Beatz – “Caaaaralho”
“É um cara muito talentoso, puta beatmaker. O moleque que veio do rap. Eu tô dando força pros caras começarem a fazer música sem depender de MC.”

Marginal Men & Ruxell – “Fuuudeu”
“Essa música vai pegar. É legal essa parada dos 130 BPM que cai pra metade, funciona muito bem no mix e na pista.”

Sydney & Leo Justi – “Aquecimento das Arabias”
“Adoro o Sidney, adoro melodia árabe.”

Tropkillaz & Leo Justi ft MC Carol e MC Tchelinho – “Toca na Pista”
“Sou fã da MC Carol desde sempre, ela nem sabe o quanto escreve bem. Fora o punch e a personalidade.”

E-Cologyc ft Faísca – “Alucinação”
“É um produtor prodígio, que transita bem entre o electro e o trap. Ainda conta com a participação do Mc Faisca e seu flow sinistro.”

Maffalda – “904”
“Ouvi umas coisas dele e fiquei impressionado. Esse cara vai surpreender.”

Atman – “Break Loose”
“Achei essa bem dinâmica, por isso entrou.”

Scorsi – “Torch”
“Muito bem resolvido, tem melodia forte”.

Flying Buff – “Don’t Lie”
“O Lucas é ‘meu sobrinho’, um moleque muito dedicado que vem fazendo coisas boas desde o dia um.”

Mauro Telefunksoul – “Afro”
“É um lance pra pista com a pegada da Bahia. Tem originalidade.”

DHZ – “Batendo”
“Eles são completos pra ir pra estrada, produzir, ter fãs. Tão fazendo direitinho.”

Hurakan – “Meus Heróis”
“Puta MC, puta beatmaker, puta letrista. Achei que tinha que ter um rap não óbvio pra fechar.”

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A cantora paraense Aíla esta lançando seu segundo álbum Cada Verso um Contra-Ataque (que pode ser baixado aqui) e chamou o compadre Lucas Santtana para fazer uma versão de protesto para o hit “Baile de Favela”, do MC João. Na versão, que ela libera em primeira mão para o Trabalho Sujo, os dois chamam os nomes das escolas ocupadas pelos estudantes em São Paulo no ano passado, em mais um aceno da nova música brasileira aos jovens ativistas deste século.

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“Belle & Sebastian curte as Olimpíaas, ama o ideal olímpico e a ideia de que o mundo se reúne uma vez a cada quatro anos para um grande ‘dia de esportes'”, escreveu o líder do grupo escocês, Stuart Murdoch, ao apresentar uma música instrumental em homenagem aos jogos olímpicos. “Não podemos fazer parte disso, apesar de adorarmos. Então gravamos uma música com o Rio na cabeça, especialmente o atletismo. Ei-la: ‘Olympic Village, 6AM”:

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“É um disco que se de uma certa forma talvez seja o mais elaborado, também é o mais simples”, me explica Tim Bernardes, vocalista e guitarrista d’O Terno, ao se referir à capa do novo disco de sua banda, Melhor do que Parece, que você vê em primeira mão aqui no Trabalho Sujo.

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Também falei com a artista da capa, a designer Talita Hoffman, sobre a cara do novo disco da banda: “Ouvi o disco várias vezes e o que saltou foi o clima alegre os arranjos mais complexos”, lembra. “A recomendação da banda foi pra que a capa fosse simples e direta, trabalhada com alguma tipografia que traduzisse o novo som – mas eles deixaram a criação bem aberta, o que foi ótimo – e fomos afinando até que chegamos nesse resultado. Acho que esse disco é mais vibrante e contemporâneo, e foi o que eu tentei trazer para a capa.”

Talita tem razão: como prenunciava o single “Culpa”, o novo disco d’O Terno se localiza em algum lugar entre o Brill Building que e as irmãs Haim, em busca do pop perfeito, ainda que tocado com instrumentos que caracterizam o trio como uma banda de rock. Ao se referir à capa, Tim deixa escapar que o disco é “solar” e que funciona como um contraponto ao tom cinza do disco anterior, batizado apenas com o nome da banda. “A Talita tem em comum com a gente as referências de pop art sessentista, mas buscando uma linguagem de hoje em dia, das coisas novas que estão sendo feitas hoje”, explica, “pop no bom sentido”. Abaixo, o papo com Tim sobre o novo álbum e o nome das músicas de Melhor do que Parece:

O começo

O produtor

Rock?

Barcelona

A capa

E depois?

“Culpa”
“Nó”
“Não Espero Mais”
“Depois que a Dor Passar”
“Lua Cheia”
“O Orgulho e o Perdão”
“Volta”
“Minas Gerais”
“Deixa Fugir”
“Vamos Assumir”
“A História Mais Velha do Mundo”
“Melhor do que Parece”

A foto que ilustra o post é de Marco Lafer e Melhor do que Parece será lançado no dia 26 de agosto.