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O quinto disco dos Shins já tem data de lançamento marcada – Heartworms sai em março e é quase inteiramente produzido pelo líder da banda, James Mercer. Para anunciar o lançamento, a banda mostrou o segundo single (“Name for You”, dedicado à filha de James) e a capa (acima) do novo disco:

“Dead Alive”, o primeiro single, já havia sido mostrado no ano passado.

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Juliana Kehl escolheu o início de 2017 para retomar sua carreira, interrompida por questões pessoais há quatro anos. De lá pra cá, a cena paulistana que ela pertencia floresceu e tornou-se um dos principais cenários da música brasileira atual e foi natural que recomeçasse ao lado dos velhos amigos. Assim, seu segundo disco, Lua Full, que ela lança nesta sexta-feira nas plataformas digitais e com um show no teatro do Sesc Pompéia no dia 20 de janeiro, reúne vários amigos – desde os produtores Gustavo Ruiz e Luiz Chagas (respectivamente irmão e pai – e guitarristas – de Tulipa Ruiz), Marcelo Jeneci, Thiago Pethit, Serena Assumpção, Zé Pi e a irmã Maria Rita Kehl, O trabalho começou a ser divulgado na semana passada, quando ela lançou o clipe de “Ladainha”, composição de Alice Ruiz, Alzira Espíndola e Estrela Ruiz Leminski. Outra versão do disco é “Desterro”, de Reginaldo Rossi.

A capa do disco, que ela adianta com exclusividade para o Trabalho Sujo, foi feita por ela mesma. “Sou formada em artes plásticas e me meti a fazer a arte dos discos, o que torna tudo um verdadeiro parto”, explica. “Criei seguramente umas dez capas diferentes, todas com fotos. Um dia joguei tudo fora e resolvi fazer um desenho baseado num selfie que tirei no estúdio durante a gravação, e pronto, finalizei em um dia.”

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O show de lançamento deve ter participações de Thiago Pethit e do Zé Pi e “algumas surpresas para o repertório”, como ela adiantou. Abaixo, o papo que tive por email com ela sobre o disco Lua Full, batizado em homenagem à música que compôs com Serena Assumpção.

Por que você ficou tanto tempo sem gravar?
Foi um hiato de quatro anos. A última coisa que gravei antes do Lua Full foi uma faixa no disco Mulheres de Péricles lançado pelo Jóia Moderna. Em 2012 engravidei de gêmeas, foi uma gravidez chatinha, com repouso. Elas nasceram um pouco prematuras e foi tudo bem difícil no começo e logo em seguida me separei. Minha vida virou um turbilhão e precisei me dedicar integralmente às meninas e à minha recuperação. Tive depressão pós-parto, o combo todo.

O que fez você achar que era a hora de voltar?
Uma hora fiquei forte de novo, terminei a tarefa de juntar os caquinhos. Voltei a pensar em música e a compor. Aliás, a primeira canção que ficou pronta foi “Lua Full”, parceria minha com a Serena Assumpção. Era muito forte a vontade de cantar, ouvir minha própria voz soando de novo.

E como esta ideia começou a se materializar em disco?
Quando tinha uma meia dúzia de músicas prontas liguei pro Gustavo Ruiz e sugeri que ele e o Luiz Chagas, pai dele, produzissem o disco. Sou muito fã dos dois, tenho um amor enorme por essa família. Por coisas do destino, a estreia do Gustavo como produtor foi no meu primeiro disco e a estreia do Chagas no Lua Full. Eu gosto da ideia de uma dupla produzindo, meu primeiro disco foi assim – produzido pelo Gustavo Ruiz e Dipa -, queria repetir a experiência.

Fale sobre os produtores e as participações do disco.
O Gustavo e o Chagas têm um entrosamento quase hipnótico, são complementares tanto na linguagem quando no temperamento pra conduzir o trabalho no estúdio. O Gustavo é um erudito, minucioso, preciso, o Chagas tem um tempo só dele, uma interferência econômica no ambiente, mas quando toca já vem com um riff pronto, uma frase de guitarra genial.
A história da canção “Anoiteceu” começou em 2008 quando vi o Zé Pi tocando a música na casa de uma amiga. Cheguei pra ele e falei “Zé, guarda essa música pra mim que vou gravar.” Ele gravou a música antes de mim, no disco solo dele, Rizar, de 2015, também produzido pelo Gustavo Ruiz. Mas acabamos criando um arranjo bem diferente da original, super intimista e melancólico, adoro essa canção. “Red Number” tinha que ser do Pethit. A gravação foi deliciosa, tão entrosada que o Gustavo Ruiz sugeriu, seriamente, que eu monte uma dupla com o Thiago estilo Jane e Herondy. Eu achei mais simpático PJ Harvey e Nick Cave.

Quando o disco foi concluído?
O trabalho foi concluído no começo de 2016 quando também faleceu minha querida amiga e parceira Serena Assumpção com quem eu compus “Lua Full”. Foi um choque e uma tristeza, um sentimento de impotência por perder alguém tão jovem e importante na minha vida. O nome do disco é uma homenagem para a Serena.

Como você vê a atual música popular brasileira?
Vou falar de aspectos menos artístico e mais práticos. Batalhei muito pra conseguir terminar meu disco e colocar ele na rua e vejo a maioria dos meus amigos fazendo o mesmo. Música no Brasil virou sinônimo de resistência, administracão permanente da incerteza, conseguir patrocínio, não conseguir patrocínio, sobreviver de música. Ao mesmo tempo, existe uma enorme necessidade em manter a chama acesa, a insistência na arte, música, cultura. Somos quase todos sobreviventes, com orgulho.

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Os goianos dos Boogarins despedem-se de 2016 oficializando “Olhos”, velha conhecida dos fãs, que encerra o ciclo do segundo disco da banda, o Manual.

Eis a mesma música em uma versão em 2013:

Mas pelo visto o terceiro disco – que já está gravado – vai para um lado completamente diferente… Eletrônico? E dizem que ele chega logo no começo do ano, que boa notícia! Será que eles mostram algo nos primeiros shows de 2017? O grupo toca na primeira edição baiana do Coquetel Molotov dia 14 de janeiro, depois em São Paulo no Sesc Pinheiros dia 27 e no dia seguinte no Circo Voador, no Rio de Janeiro, ao lado dos conterrâneos do Carne Doce.

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Ano pesado esse que termina, sob diversos pontos de vista. E foi pensando em lavar a alma que Pitty desenterrou uma das faixas de seu Agridoce, o projeto acústico ao lado do guitarrista Martin, que não foi para o disco de 2011. A escolhida para exorcizar 2016 é a clássica “Hallelujah”, de uma das grandes vítimas do ano, Leonard Cohen, que chega em primeira mão via Trabalho Sujo. “Tinha muita jam entre as sessões de gravação, tocávamos várias músicas de outros artistas, essa foi uma delas, uma sobra de estúdio que lembramos agora que existia”, lembra. “Não só por causa de Cohen, mas por todo o ano de 2016, que parece ter tido uma áurea mais densa, com tanta coisa acontecendo, decidimos compartilhar. Vi muita gente comentando sobre esse ano ter sido tenso. Que todas as perdas sejam curadas e que venha o ano novo. Que essa música e esse vídeo sirvam para fechar a tampa de 2016, levando embora as coisas pesadas, e abrir os caminhos para 2017”.

Tomara, viu, Pitty. Porque ô aninho brabo…

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O mestre Arthur Verocai, um dos maiores arranjadores de nossa música, está lançando um dos raros discos com seu próprio nome, que segue a linha do único – e cultuado – álbum de 1972. No Voo do Urubu reúne nomes como Seu Jorge, Danilo Caymmi, Vinícius Cantuária, Mano Brown e Criolo e os dois últimos puderam comparecer nos shows de lançamento que o maestro fez neste fim de semana, no Sesc Pinheiros, em São Paulo, ao lado de uma pequena orquestra de cordas e sopros. Filmei o momento em que Brown e Criolo dividiram o palco com o mestre.

No Voo do Urubu é um dos grandes discos de 2016.

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Dev Hynes dirigiu o clipe de sua ótima “Better than Me”, uma das grandes faixas de seu disco mais recene, Freetown Sound, feita em parceria com a deliciosa Carly Rae Jepsen, e também de 2016.

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Os Flaming Lips anunciaram disco novo para o ano que vem e Oczy Mlody, o estranho título do novo disco, estará entre nós no dia 13 de janeiro próximo. O grupo já mostrou três músicas do novo disco – o primeiro só com inéditas desde The Horror, de 2013 – e o astral de psicodelia solar parece concordar com a descrição feita por seu frontman, o infame Wayne Coyne, que descreveu o novo disco como “um encontro entre Syd Barrett e ASAP Rocky em que eles ficam presos num conto de fadas do futuro”, no texto do release divulgado no anúncio. As três músicas mostrada até agora foram “The Castle”…

…”How??”…

…e “Sunrise (Eyes Of The Young)”

O próprio título do novo álbum mistura polonês com química, como o próprio Wayne explica nestes dois vídeos:

Aquela loucura picareta que já conhecemos bem – mas desta vez sem a bad trip do disco anterior. Talvez seja uma boa forma pra começar 2017.

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Lô Borges começa 2017 revisitando seu disco mais clássico, que lançou com parcos dezenove anos. Seu disco homônimo de estreia, lembrado pelo par de tênis na capa, foi lançado em 1972, o annus mirabilis da música brasileira, e funciona como uma espécie de gêmeo mau do Clube da Esquina que o mineiro havia gravado com Milton Nascimento, Flávio Venturini, Beto Guedes, Toninho Horta, entre outros, meses antes. A influência óbvia dos Beatles e dos pioneiros da MPB saem do primeiro plano para dividir a cena com o jazz rock, um progressivo afeito ao folk, com direito a cravos, guitarras fuzz distorcidas, teclados elétricos, improvisos instrumentais e delírios psicodélicos (“sonhei que nunca existi e vi que nunca sonhei”). Ouvindo o disco do tênis dá para entender perfeitamente porque Milton nunca voltou ao ápice de sua carreira que foi seu primeiro disco.

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Lô Borges (1972) foi gravado ao lado dos amigos Beto Guedes, Toninho Horta, Robertinho Silva (do Som Imaginário) e Danilo Caymmi. É uma espécie de All Things Must Pass misturado com a psicodelia acústica do terceiro disco de Led Zeppelin, as rodinhas folk do Pink Floyd pré-Dark Side of the Moon e o tempo nublado pairando pelas estradas do interior de Minas Gerais, entre catedrais coloniais e montanhas mágicas cheias de cogumelos. Lô recria o disco de apenas meia hora ao lado de músicos mineiros capitaneados pelo cantor e compositor Pablo Castro em três shows nos dias 13, 14 e 15 de janeiro no Sesc Vila Mariana. Imperdível.

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Morre Andrea Tonacci, um dos grandes do cinema marginal brasileiro – e se você não o conhece, pare tudo o que está fazendo para assistir ao seu clássico Bang Bang, um dos grandes filmes da nossa cultura.