Eis o primeiro samba absurdo composto pela parceria tripla de Rodrigo Campos, Juçara Marçal e Gui Amabis.
A ideia do projeto nasceu de Rodrigo Campos que, inspirado pelo livro O Mito de Sísifo, de Albert Camus, resolveu encarar o absurdo como tema – e para isso chamou Juçara Marçal para cantar e Gui Amabis para disparar beats e samples no palco. As letras das canções foram compostas por Nuno Ramos. Os três contam como Sambas do Absurdo – que vai virar disco – nasceu no vídeo abaixo:
Vi na Bravo.
O primeiro disco solo do Kiko Dinucci já pode ser baixado em seu site oficial – e, como eu disse, é uma pedrada.
A capa é uma imagem de Kiko tomando um enquadro da polícia. Uma imagem representativa dessa época bizarra que estamos vivendo.
O YouTuber norte-americano Evan Puschak, dono do canal NerdWriter, analisa, usando Louis C.K. como ponto de partida, a forma que comediantes agem na área cinzenta da moral justamente para testar seus limites – se arriscando em nome da sociedade.
Muito bom.
Continuando o resgates das minhas colunas da Caros Amigos para o Trabalho Sujo, segue o texto que escrevi para a edição de dezembro do ano passado sobre o festival brasiliense Satélite 061, que reuniu Elza Soares e Gal Costa debaixo da mítica torre de TV da capital do país.
Duas estrelas sob a Torre
Festival brasiliense Satélite 061 superou os problemas de produção com dois shows históricos de Elza Soares e Gal Costa
“Vida dura de quem trabalha acreditando na arte independente e que faz na raça mesmo”, ri Marta Carvalho, presidenta da Ossos do Ofício, associação multicultural que realiza o festival Satélite 061, a cuja quinta edição pude comparecer no final do mês de setembro, em Brasília. Ela ri quando peço para que ela conte a história de que ouvi falar, sobre como ela conseguiu pagar os artistas que se apresentaram em seu festival dois anos antes. “No ano de 2014, o festival contava somente com um pequeno patrocínio da Petrobras e para que acontecesse eu tinha que utilizar verba da Secretaria de Cultura para estruturas e cachês artísticos”, conta.
“Logo após o festival, o governo contingenciou as verbas para cultura inclusive vetando os pagamentos de eventos já executados. Sem opção, me uni a vários artistas do movimento cultural do Distrito Federal e fi zemos um plano radical: entramos na Secretaria de Fazenda do DF e nos acorrentamos. Só sairíamos de lá após termos as datas concretas da liberação dos recursos. Foi difícil, mas necessário para que pudéssemos honrar com os nossos compromissos.”
O festival também passou por maus bocados na edição deste ano, quando uma improvável tempestade no início da primavera – época em que não chove em Brasília –, danificou o equipamento no primeiro dia, atrasando a programação. “Com o atraso, tivemos que cancelar o show do BaianaSystem, mas que já marcamos nova data para acontecer. Será dia 18 de novembro, no Museu da República, dentro da programação do Festival Favela Sounds, que eu contribuo com a direção artística”, explica Marta. A queda do BaianaSystem da programação foi um baque num elenco maravilhoso.
O festival, que reunia várias bandas da cidade, entre grupos de rap, bandas de rock e sambistas, tinha escalado uma seleção de artistas que fazia a ponte entre a tradicional música brasileira e a atual música independente moderna, fazendo um contraponto ao outro grande festival da cidade, o Porão do Rock, por não se basear no rock como gênero-base. Assim, tínhamos o veterano Di Melo ao lado do novato Fióti, o irmão de Emicida, que agora lança sua carreira como soulman (com direito a participação do irmão como percussionista e vocalista de apoio ele só foi rimar em “África Nossa”, versão para o hino da diva caboverdiana Cesária Évora). O rock dos Autoramas – que agora é um quarteto – e o rap / R&B de Drik Barbosa. O free jazz elétrico do trumpetista Guizado e a MPB teatral de As Bahias e a Cozinha Mineira.
O raggatech samba-reggae do BaianaSystem seria a liga perfeita para misturar estes diferentes gêneros ancestrais e modernos, principalmente pelo fato do grupo estar lançando um dos melhores discos deste ano, o elétrico Duas Cidades. Mas as duas maiores estrelas do festival foram dois monstros sagrados de nossa música popular, duas divas de histórias díspares que vivem momentos semelhantes nesta segunda década do século 21.
“Elza Soares e Gal Costa têm biografias distintas, mas nunca tiveram seus títulos colocados em xeque, estrelas de dois Rios de Janeiros e de dois Brasis de épocas diferentes, encarnações de mulheres fortes relativas a recortes específicos de nossas culturas”
Elza Soares e Gal Costa têm biografias distintas, mas nunca tiveram seus títulos colocados em xeque, estrelas de dois Rios de Janeiros e de dois Brasis de épocas diferentes, encarnações de mulheres fortes relativas a recortes específicos de nossas culturas. As duas tiveram um ótimo 2015 quando, cercadas de novos músicos, fizeram álbuns ousados para suas carreiras: Elza Soares cercou-se da nova vanguarda paulistana (Rômulo Froes, Kiko Dinucci, Marcelo Cabral, Rodrigo Campos, Celso Sim, José Miguel Wisnik, Thiago França, Douglas Germano, os metais do Bixiga 70 – todos sob a batuta do percussionista Guilherme Kastrup) para lançar o poderoso Mulher do Fim do Mundo, talvez o disco brasileiro mais importante desta década.
Gal fez seu Estratosférica um oposto solar, diurno e carioca do disco paulista de Elza, reunindo composições de Céu, Mallu Magalhães, Marcelo Camelo, Lirinha, Alberto Continentino, Antônio Cícero, Arnaldo Antunes e Caetano Veloso, sob a produção de Kassin e Moreno Veloso. Elza trouxe seu espetáculo pleno, inclusive o cenário de Anna Turra que a coloca central, num trono, cantando a íntegra de seu disco intenso, além de músicas clássicas de seu repertório, como “A Carne” e “Malandro”. Gal foi intimista e, em vez da apresentação de seu novo disco, preferiu desfi lar seu rosário de clássicos ao lado do músico Guilherme Monteiro, no espetáculo Espelho D’Água. É uma sequência de clássicos sem par na música brasileira – “Baby”, “Vaca Profana”, “Tigresa”, “Negro Amor”, “Coração Vagabundo”, “Passarinho”, “Folhetim”, “Sua Estupidez”, “Meu Nome é Gal”, “Dom de Iludir”, “Tuareg” – todas entre a guitarra e o violão e voz intacta da cantora, que completava 71 anos (“54”, brincou) naquele mesmo 26 de setembro.
O público, entregue à sua majestade, não acreditava no que assistia e cantou parabéns para a baiana no palco mais de uma vez. Satisfeita com o resultado da quinta edição do festival, que mesmo com o tropeço do sábado conseguiu reunir 50 mil pessoas aos pés da monumental Torre de TV de Brasília, um dos cartões postais da cidade, a organizadora Marta nem acredita o quanto já conseguiu neste tempo, mas esquiva-se da modéstia. “Esse ano eu fui bem além e vi que é possível ir cada vez mais”, comemora, cravando a sexta edição do festival para o ano que vem, sonhando com dois grandes nomes: o rapper ganês Blitz The Ambassador e o cantor Ney Matogrosso. “Afi nal sonhar não me custa nada”, conclui, rindo.
O grupo baiano BaianaSystem aproveita o dia de Iemanjá para soltar uma faixa que poderia estar em seu Duas Cidades, com vocais do BNegão e de Russo Passapusso. “Invisível” fala sobre o contraste entre duas camadas da sociedade brasileira – a que se acha protagonista e a que se vê como coadjuvante.
E eu falei que eles vão tocar em São Paulo fim de semana que vem, né? Melhor show do ano passado fácil!
A MC brasiliense Flora Matos abre o ano com “Quando Você Vem” uma balada introspectiva produzida por ela mesma – numa música praticamente sem beats.
Ela foi pra uma praia sonora parecida com a que a Mahmundi está faz tempo, não acham?
O líder e vocalista do Pulp Jarvis Cocker e o músico e produtor canadense Chilly Gonzales (que já trabalhou com Peaches, Feist, Drake, Jamie Lidell e Daft Punk) já trabalharam juntos várias vezes, mas pela primeira vez criam uma obra inteira ao apresentar o disco Room 29, que será lançado no início de março, pela Deutsche Grammophon.
A obra, que também será apresentada ao vivo em diversas ocasiões durante a primavera e o verão no hemisfério norte, conta a história mal-assombrada de um piano num quarto do hotel Chateau Marmont, clássico refúgio hollywoodiano que foi palco para biografias de personagens tão diferentes quanto Jim Morrison, Sofia Coppola, Billy Wilder, Hunter S. Thompson, James Franco, F. Scott Fitzgerald, Tim Burton, Oliver Stone, Lana Del Rey, Dorothy Parker, Sharon Tate e Roman Polanski. Além do trailer acima, a dupla liberou duas músicas cossangüíneas, “Tearjerker” e “The Tearjerker Returns”, ouça-os:
A colaboração mais conhecida da dupla até então era sua participação no filme Six by Sondheim, da HBO, cantando a clássica “I’m Not Here” de Stephen Sondheim, no trecho dirigido por Todd Haynes.
Bom demais.
Fiel escudeiro e copiloto das viagens de Lulina, o pernambucano Léo Monstro prepara-se para o voo solo e lança o primeiro clipe de seu disco de estreia Solar (capa acima) em primeira mão no Trabalho Sujo. “Solar é meu primeiro álbum solo, é a primeira vez que lanço um trabalho com meu nome”, ele me explica por email. “Comecei a trabalhar nas músicas que viriam compor o disco no segundo semestre de 2013, após umas aulas de canto que fiz, juntamente com Lulina, pra ela se preparar para as gravações do Pantim (disco mais recente de Lulina). Como, até então só tinha composto músicas (para voz, no caso) com ela e cantava sempre a acompanhando, com as temáticas que ela propunha, nunca tinha explorado minha voz muito além. Durante essas aulas eu fui descobrindo novas possibilidades de cantar, novos registros, e isso me instigou a começar as composições, num celular – devo essa descoberta – e serei eternamente grato – a Sandra Ximenez. A partir daí as músicas foram aparecendo e fui percebendo que tinha um trabalho novo em mãos, dessa vez composto por mim pra eu mesmo cantar. Em 2014 a idéia se transformou em vontade e decidi que iria lançar meu primeiro álbum como Monstro. Como já era conhecido por esse nome, foi natural.”
“A partir da decisão de lançar o álbum fui focando mais e mais nas composições pra minha voz e, em no começo de 2015, tinha as músicas prontas – a última da leva foi ‘Analog Days’ (a música do primeiro clipe). Daí procurei o Pedro Penna com as bases do álbum já pré-produzidas e fomos ouvindo tudo, pensando em como incrementar aquilo. Este processo demorou quase um ano e meio, foi longo, mas permitiu que a gente trabalhasse bem cada música individualmente. No final de 2016 – finalmente! -, tava com tudo em mãos e pronto pra lançar. Aí foi só esperar aquele ano pesado terminar pra começar este ano com novas energias.”
“Durante todo este longo processo de 3 anos, fui registrando, com o mesmo celular que usei pra compor e pré-produzir o álbum, todos os lugares por onde passei, aleatoriamente”, ele explica o clipe da música que apresenta o disco. “Em nenhum momento, enquanto estava gravando, pensei em usar essas imagens, afinal eram imagens de viagens, amigos, festas – coisas que a gente faz hoje em dia sem nem perceber. Até que um dia peguei resolvi usar algumas dessas imagens – as mais abstratas e solares, a princípio – pra fazer um teaser pro lançamento do álbum. As imagens foram ganhando novo sentido conforme fui editando e, quando percebi, tinha virado clipe. Um clipe que funcionou como meu álbum de memórias, com lugares, amigos e situações pelas quais passei durante a concepção e gestação do Solar.”
A morte de George Michael fez os fãs debruçarem-se no YouTube atrás de raridades em vídeo do cantor e um dos itens que surgiram foi esta incrível edição do programa inglês Eight Days a Week do dia 25 de maio de 1984, quando o ainda vocalista do Wham!, prestes a lançar sua carreira solo, comenta sobre o filme sessão da tarde Breakin’, uma biografia sobre o grupo Joy Division, o novo disco da dupla Everything But the Girl e o relançamento de discos da Atlantic em solo britânico acompanhado de ninguém menos que um jovem Morrissey, ainda vocalista dos Smiths. Os dois lançavam singles naquela mesma época, duas músicas emblemáticas para a carreira de ambos, “Wake Me Up Before You Go-Go” e “Heaven Knows I’m Miserable Now”, respectivamente.
Vi no site Post-Punk.com.
“São Paulo tá morrendo e todo paulistano tá assistindo à cidade morrer”: Kiko Dinucci grunhe sobre a cidade em que cresceu com o mesmo ranger de dentes que parece sair de sua guitarra, um rosnado elétrico sujo punk tosco que soa como uma afronta, mas que cria uma textura sonora única e característica que atravessa seus diferentes projetos musicais. Seu primeiro disco solo, Cortes Curtos, que será lançado no mês que vem, traz esse mesmo ruído acompanhado pelos sempre fiéis compadres Marcelo Cabral (baixo e sintetizadores) e Sergio Machado (bateria), cadenciando o samba punk com cara das paredes eternamente pixadas em São Paulo. “Cortes Curtos foi pensado como o roteiro de um filme, no qual as canções que compõem o registro se intercalam para formar uma única narrativa de aproximadamente 40 minutos”, conta o guitarrista. Além do trio base, o disco ainda tem participações de Juçara Marçal, Tulipa Ruiz, Ná Ozzetti, Suzana Salles, Guilherme Held, Thiago França, Rodrigo Campos, entre outros. Abaixo, um curta feito pelo pessoal do Doble Chapa, antecipado em primeira mão para o Trabalho Sujo, dá o tom do disco gravado em cinco dias, além dos títulos de suas músicas. O disco é uma declaração de amor pessimista para São Paulo, com canções que são polaroides de cenas urbanas (minha favorita é a balbúrdia sonora de “Uma Hora da Manhã” e o instrumental etéreo do final de “Crack para Ninar”.
“No Escuro”
“Desmonto Sua Cabeça”
“Fear of Pop”
“Chorei”
“Terra de Um Beijo Só”
“Uma Hora da Manhã”
“Seus Olhos”
“O Inferno Tem Sede”
“A Morena do Facebook”
“Quem Te Come”
“Inferno Particular”
“Chorinho”
“Vazio da Morte”
“Crack Para Ninar”
“A Gente Se Fode Bem Pra Caramba”









