Março está chegando e com ele virá o primeiro disco que o Jesus & Mary Chain lança desde o longínquo Munki, a obra-prima auto-indulgente que o grupo lançou em 1998 como se fosse seu Abbey Road. Mais de uma década depois de voltar à estrada, a banda liderada pelos irmãos Reid voltou ao estúdio no final do ano passado e seu Damage and Joy foi produzido pelo músico Youth, o fundador do Killing Joke que já trabalhou com Cult, Sugarcubes, The Verve, Paul McCartney e The Orb. E além da faixa “Amputation”, que o grupo revelou ainda no final do ano passado…
…agora eles mostraram mais um novo single, “Always Sad”, este acompanhados pelo doce vocal de Bernadette Denning.
As duas faixas apontam um rumo interessante para o novo álbum: mais melódico que de costume, as composições de Jim Reid parecem abandonar a jaqueta de couro do rock’n’roll para vestir a camisa de flanela do pop perfeito perseguido por conterrâneos escoceses anteriores (Bay City Rollers, Aztec Camera, Simple Minds, Wet Wet Wet, Cocteau Twins, Pastels) e posteriores (Belle & Sebastian, Teenage Fanclub, Franz Ferdinand, Primal Scream, Delgados, Bis) à sua revelação. As duas canções são barulhentas mas não propriamente pesadas, esvaziando o tradicional wall-of-sound que o grupo jogou sobre esta tradição do pop da Escócia e que ajudou a mante-la acesa até nos anos menos melódicos do pop (da virada dos anos 80 para os anos 90) e encaixando-se perfeitamente neste cânone, sem precisar do alarde que precisou para entrar na história da música pop e do rock independente.
A escorragadia “Friend Zone” é mais um cartão de visitas que o sinuoso Thundercat dá para seu próximo disco, batizado escancaradamente de Drunk.
A nova faixa reclama sobre a clássica e infame faixa intermediária entre a amizade e a paixão sobre um groove sinuoso e falsetes honestos, alinhando-se perfeitamente ao clima que o músico e compositor já havia mostrado nas duas músicas anteriores, “Bus In These Streets”, que foi mostrada no ano passado…
…e “Show You The Way”, mostra no início do ano, esta com a participação de Michael McDonald (vocalista dos Doobie Brothers e do Steely Dan) e Kenny Loggins, dando o tom retrô específico do disco, que estará oficialmente entre nós na semana que vem (ou seja, a qualquer minuto nas entranhas da internet) e conta com o ar de graça de jovens mestres como Kendrick Lamar, Pharrell, Wiz Khalifa, Kamasi Washington e Flying Lotus.
Sheeeeeeet!
Dois jovens ídolos, Alex Turner, dos Arctic Monkeys, e Lana Del Rey soltam a voz cantando “Tiny Dancer” ao lado de Miles Kane, que completa a dupla Last Shadow Puppets ao lado de Turner, e do baixista do Tame Impala, Cam Avery.
Gente como a gente.
Eu, Tiê, Rico Dalasam e Maria Gadu fomos convidados para participar da transmissão ao vivo pelo Facebook que a TNT Brasil fez em sua página pouco antes da hora do Grammy 2017. Na transmissão conversamos sobre os indicados da edição do ano, além de particularidades sobre o mundo da música pop neste início deano.
Clássico palco para diferentes cenas musicais de todo o país, a Casa de Francisca despediu-se do bairro dos Jardins em São Paulo, no final do ano passado, quando mudou-se para o palacete no centro da cidade. A última noite da casa original foi também a primeira em que o Metá Metá – uma conjuração curada e curtida na própria Casa – apresentou-se em sua formação completa, como um quinteto, no palco da Rua José Maria Lisboa. Esta última apresentação, na véspera da véspera de natal do ano passado, foi registrada pelo francês Vincent Moon:
Era uma inevitável piada infame, mas veio em boa hora. Os Black Angels batizaram seu novo disco, que será lançado em abril, fazendo-o soar como a música do Velvet Underground que o inspirou, “Black Angel’s Death Song”. Death Song, o disco, no entanto, não vem apenas da trocadilho, mas do fato de ter sido composto e gravado durante o período de gestação do atual mal que assombra nosso futuro: a campanha eleitoral e a eleição de Donald Trump ao posto político mais importante do planeta. A primeira música mostrada, “Currency”, dá o tom da psicodelia bad vibe característica do grupo.
Ana Garcia manda notícias do Recife e começa a planejar o 2017 do festival Coquetel Molotov. Antes de botar às mãos na massa, um balanço para tentar ver o tamanho do desafio, já que a edição do ano passado – que reuniu Céu, BaianaSystem, Karol Conká, Boogarins, Jaloo, Rakta, Ventre, entre outros – foi tranquilamente o melhor festival de 2016. Pra esse ano ela repete a meta do ano passado – além de um grande evento central no Recife, o festival também se espalha por Belo Jardim (no interior do Pernambuco), Belo Horizonte e Salvador, além de tentar dar a cara tanto no Rio quanto em São Paulo. A edição do festival deve acontecer novamente em outubro e a Ana passou em primeira mão para o Trabalho Sujo um vídeo dando uma geral na edição do ano passado.
Grimes segue colhendo os frutos de seu excelente Art Angels, lançado no final de 2015. Ela se reúne novamente com Janelle Monáe para transformar a deliciosa “Venus Fly” das duas em um curta – dirigido por ela mesma – que mistura cultura oriental, estética de ficção científica e movimentos de filmes de ação às já características sensibilidade plástica e psicodelia fashion de nossa querida heroína canadense. Mas o delírio mesmo deste novo clipe é a versão em baixa velocidade da mesma música, escondida na cena de créditos, que começa em quase cinco minutos do vídeo – que filé!
O lançamento do clipe também foi motivo para que ela falasse sobre fazer arte em tempos pesados como os atuais, em um post no Instagram:
“Às vezes parece fútil fazer arte neste clima político cruel e extremo, mas alguns dos momentos mais iluminados dos últimos meses para mim e para muito de vocês, suspeito, veio de ver a incrível e positiva visão que Janelle Monáe tem do futuro, especialmente quando estamos sendo apresentados a tantas possibilidades de futuros distópicos. Obrigado por dar tanto tempo, energia e criatividade para este projeto. Como diretora, editora e diretora criativa, eu também acho que seja meu trabalho mais forte, e não vejo a hora de compartilhar com vocês.”
Ela também publicou a playlist Grimes’ Deep Vibes no Tidal, que alguma boa alma subiu também no YouTube, e que reúne Smashing Pumpkins, Lana Del Rey, Harry Nilsson, Rihanna, Fifth Harmony, Deftones, entre outros:
Não consigo deixar de admirar esse sujeito: canta um sambinha e emenda três covers do Bowie… Quem mais?
“I’m not Rihanna, I’m not Madonna I’m not Mariah or Ariana / I’ve been around in this world causing drama”, canta a cingalesa M.I.A. em seu recém-lançado single “P.O.W.A.”, que veio junto com um clipe de coreografia à Chemical Brothers.









