As três irmãs californianas Danielle, Este e Alana Haim mostram a capa do segundo disco, o nome das músicas e a versão oficial para “Right Now”, a música que elas escolheram para mostrar o novo álbum, Something To Tell You, em versão ao vivo no estúdio, filmada pelo Paul Thomas Anderson.
“Want You Back”
“Nothing’s Wrong”
“Little of Your Love”
“Ready for You”
“Something to Tell You”
“You Never Knew”
“Kept Me Crying”
“Found it in Silence”
“Walking Away”
“Right Now”
“Night So Long”
O disco sai no começo de julho.
Comecei a conversar com a Ana Cañas no ano passado, quando ela estava saindo de seu disco mais recente, Tô na Vida, e começando a ensaiar a série de shows Mulher Galáxia, que apresentou no início do ano ao lado do baixista Fábio Sá. No meio deste processo, ela me mostrou uma música completamente diferente das que já tinha feito. “Respeita” originalmente gravada apenas com voz e violão, havia sido inspirada em um documentário sobre hip hop e cutucava feridas que falam diretamente a essa era feminina (e não só feminista) que estamos atravessando. Ela me disse que iria levar a música para ser produzida pelo Instituto e que queria chamar o João Wainer e pela Isa Brandt para dirigir o clipe – e o papo culminou com o lançamento do clipe que acontece neste sábado, no Centro Cultural São Paulo, às 19h, quando ela promete transformar o lançamento de “Respeita” em um manifesto para dar voz a todas as mulheres.
Mais informações sobre o show aqui – e o clipe acaba de sair do forno:
Grande notícia: além dos temas de Angelo Badalamenti, a trilha sonora da nova versão de Twin Peaks, que estreia este mês, será assinada por Johnny Jewell, líder da banda Chromatics. Falei sobre como isso é uma boa notícia para os fãs da série no meu blog no UOL. Jewell acaba de lançar a trilha, com o título de Windswept, antes mesmo do lançamento da nova temporada.
Estamos às vésperas de voltar a um universo fictício em que a realidade e o sobrenatural se superpõem com estilo. A terceira temporada de Twin Peaks está a algumas semanas de distância entre seus criadores e, nós, seu público. A série que David Lynch produziu no início dos anos 90 era um alienígena na TV norte-americana e subvertia a estética de telefilme dos anos 80 ao misturar um assassinato numa cidadezinha do interior dos Estados Unidos que começa a ser investigado por um agente do FBI com uma camada de surrealismo de horror inimaginável até para a TV de hoje em da.
Foi, no entanto, um alienígena viral: contaminou o DNA das séries de TV de tal forma que mudou a perspectiva para todos os profissionais da área. A partir de Twin Peaks, que teve meras duas temporadas e terminou de forma abrupta, toda produção de TV nos Estados Unidos começou a mudar e os seriados, antes meros passatempos temáticos com gêneros bem estabelecidos (como o próprio conceito de sitcom, a “comédia de situação”), se tornaram obras autorais, com nível de complexidade mais exigente que o cinema. Twin Peaks abriu um caminho que foi percorrido por Arquivo X, Seinfeld e Buffy – A Caça-Vampiros (que, não parece, mas é bem importante), cada um contribuindo à sua maneira, para chegarmos à chamada nova era de ouro da televisão, que pariu obras como Sopranos, The Wire, Lost, Mad Men, Walking Dead, Six Feet Under, Breaking Bad, Game of Thrones. Todos estes seriam bem diferentes – outros talvez nem existissem – não fosse a série do início dos anos 90. É o que nos lembra mais um teaser da próxima temporada, que menciona indiretamente alguns destes programas:
E são tantos teasers… Além dos que já haviam mostrado o Agente Cooper em 2017 e a volta de Angelo Badalamenti à trilha sonora, a série também lançou o teaser sobre locações que eu publiquei na semana passada e este sobre os velhos personagens hoje:
Esse outro abaixo – e, presumidamente, outros – está escondido no canal do YouTube onde a série vem publicando estes teasers e só aparece para os americanos que procuram “What is the Black Lodge?” no Google.
E vão continuar surgindo novos teasers até a data da exibição do primeiro episódio da terceira temporada, dia 21 de maio, no canal norte-americano Showtime. Mas esse excesso de publicidade me preocupa.
Porque alimenta uma expectativa que invariavelmente nos leva à frustração. E várias histórias clássicas foram ressuscitadas recentemente com alarde para encontrar produções fracas (a décima temporada de Arquivo X), forçadas (a última temporada de Arrested Development) ou vazias (como os filmes mais recentes da série Alien). Claro que há exemplos bem-sucedidos do outro lado (como a empolgante ressurreição de Battlestar Galactica, a brilhante reinvenção de Westworld e os filmes mais recentes da série Jornada e Guerra nas Estrelas), mas esse incessante bumbo batido pelo marketing da empresa me causa uma sensação ruim – além da lista de novos atores da série que inclui dezenas de nomes conhecidos (Michael Cera, Monica Belucci e até o Eddie Vedder!). Isso sem contar a inevitável máquina de memes da internet, que já está ligada no tema faz tempo – e, com a proximidade da estreia, irá aumentar sua produção consideravelmente. Como esta bela recriação que ilustrador Pakoto Martinez fez para a abertura da série:
Mas essa má sensação foi embora a partir do anúncio de que Johnny Jewell, líder do grupo norte-americano Chromatics, iria tomar conta da trilha sonora da série que não fosse escrita por seu compositor original, Angelo Badalamenti. Jewell é conhecido por sintetizar tensões em teclados vintage e vozes femininas sussurradas sobre guitarras que ecoam no espaço, em diferentes bandas sendo o Chromatics, a mais conhecida delas. E para quem questiona essa escolha, ouça o disco Windswept, que ele já lançou nas plataformas digitais. Eis sua capa:
E o disco pode ser ouvido na íntegra na playlist abaixo:
Aí tudo faz sentido. Mesmo a Monica Belucci, o Eddie Vedder, o Michael Cera. Tudo se encaixa nesse ambiente bizarro chamado Twin Peaks.
O National finalmente anunciou seu novo disco, mais um influenciado pelos tempos tensos que vivemos, a partir do lançamento da faixa “The System Only Dreams in Total Darkness”. Descrita pelo vocalista e principal compositor da banda Matt Berninger em uma entrevista para o Pitchfork como “um retrato abstrato da estranha época em que estamos vivendo”, o single parece capturar a tensão impregnada em Sleep Well Beast, o sétimo disco da banda, cuja capa e os títulos das músicas na ordem vem a seguir.
“Nobody Else Will Be There”
“Day I Die”
“Walk It Back”
“The System Only Dreams in Total Darkness”
“Born to Beg”
“Turtleneck”
“Empire Line”
“I’ll Still Destroy You”
“Guilty Party”
“Carin at the Liquor Store”
“Dark Side of the Gym”
“Sleep Well Beast”
O disco está previsto para ser lançado em setembro.
Atualizando mais uma rodada de republicações das minhas colunas na Caros Amigos, resgato a coluna que escrevi para a edição de janeiro deste ano, sobre o festival maranhense BR-135, que aconteceu no final do ano passado. Antes do texto, os vídeos que fiz durante a passagem por lá:
Reerguer o Maranhão
Há cinco anos, o Festival BR-135 ocupa o centro histórico de São Luís e ajuda a cultura independente local a ganhar voz
O centro histórico de São Luís, uma das cidades mais antigas do Brasil, padece. O lugar é o centro nervoso da capital maranhense e ali ficam algumas das principais instituições da cidade – a prefeitura, a junta comercial, a capitania dos portos, o centro de criatividade, o mercado, o teatro João do Vale, a igreja matriz. Construções coloniais seculares, erguidas entre ruas de calçamento numa cidade fundada por franceses no século 17, completamente abandonadas pelo poder público e político, convertida em uma região em que poucos se arriscam após a noite, devido à falta de segurança que caracteriza os centros de dezenas de cidades de grande porte no Brasil.
Mas durante alguns dias de novembro, este mesmo centro foi tomado por populares de todas as idades, classes, etnias e gêneros. Uma autêntica mistura humana espalhava-se pelas pequenas ruas de um bairro outrora abandonado sem o menor tumulto, sem o menor alarde. Por trás daquela motivação erguia-se um festival de música que, por três dias, trouxe artistas veteranos e novatos, locais e de outras cidades, para dois pequenos palcos colocados em dois pontos estratégicos daquele centro, além de promover rodadas de negócios entre agentes, empresários e bandas, debates e palestras, exibição de documentários, discotecagens e apresentações de costumes tradicionais da cultura local. Uma transformação brusca e feliz, espalhando boas vibrações para esquinas da capital maranhense que normalmente se evita.
E tudo isso começou por conta da vontade de um casal. “Nós começamos na raça, na camaradagem e vontade coletiva de fazer algo”, explica Luciana Simões, metade da dupla Criolina, responsável pela criação e produção do festival BR-135. “Cobrávamos um ingresso de R$ 10 no Circo da Cidade para pagar um bom som e organizávamos cada edição conforme a adesão dos artistas. O bacana dessa época é que reuníamos a velha guarda e os jovens artistas, brechó, poesia, cultura popular. Era um palco para quem tinha trabalho pra mostrar.”
Nesta fase, o BR-135 era um projeto local e mensal – tinha foco no futuro, mas Luciana e seu parceiro Alê Muniz sabiam que era preciso começar no trabalho de base. E ela continua, praticamente ditando um manual de como sondar uma cena e criar algo com corpo. “Ali era também um laboratório para melhorar. Iniciamos sabendo que reunir a cena era o mais urgente, então fizemos dois anos sem convidados de fora, apenas identificando a cena local, fortalecendo e tentando conectar as bandas novas aos mestres da cultura popular. Nesses dois anos homenageando compositores antigos, resgatando com shows temáticos álbuns antigos que fazem parte da nossa formação musical como o Bandeira de Aço, disco de Papete, lançado em julho de 1978, pela Discos Marcus Pereira, e show em homenagem a João do Vale interpretado pela nova cena local.”
Mas há três anos, o festival deu um salto e deixou de ser uma atração mensal para tornar-se um grande evento anual. “No terceiro ano percebemos que já conseguíamos reunir a cena e contribuir para que nossa música entrasse no mapa. Convidamos as pessoas de outros estados para conhecer o que estava acontecendo aqui, oferecendo um ambiente de encontro, de troca de ideias, de discussões e espaço para shows”, continua. “Em 2014, abrimos com show de Céu, pela primeira vez em São Luís, no Teatro Arthur Azevedo, e nos dias seguintes ocupamos duas praças do centro histórico reunindo maranhenses e artistas convidados de outros cantos do país: os paraenses Felipe Cordeiro e Dona Onete, a banda pernambucana Mombojó, além de 14 grupos selecionadas entre 273 inscritas. Paralelamente começamos o Conecta Música, com palestras, workshops, oficinas e rodada de negócios. Chamamos Roger de Renor, do Ocupe Estelita, o músico Marcelo Yuka e Maurício Bussab, da Tratore, além de André Martinez, da Aprax e Marcelo Arêde, do conexão Vivo. Nos anos seguintes: Arnaldo Antunes,Orquestra brasileira de Música Jamaicana, Siba e Curumim. No Conecta Música recebe os jornalistas Patrícia Palumbo, Otávio Rodrigues e Roberta Martinelli, os produtores musicais Melina Hickson, Otávio Argento, Paulo André, Marcelo Damaso e Anderson Foca”.
Fui convidado para participar de uma das mesas da edição deste ano – e para conferir a visível transformação que o casal está impondo à própria cidade. Criada em 2006, a dupla Criolina nasceu em São Paulo, quando os dois maranhenses Luciana Simões e Alê Muniz começaram a compor juntos para “fazer um som que desinfetasse os ouvidos da musica maçante e corriqueira da velha MPB e MPM – a música popular maranhense”, explica Luciana. A dupla lançou seu primeiro disco em 2006, talvez o ano mais complicado para quem trabalha com música desde a explosão do download livre na virada do sécul. “A Criolina nasceu na época da quebra das gravadoras e da mudança do formato de CD pra MP3, pirataria, etc. Aí veio a angústia de querer saber como a banda iria entrar em contato com o público, uma banda independente, sem contrato com gravadora, sem lenço, sem documento. Não havia estrutura pra circular, levar a gente de um lugar para outro. Aí pensamos numa saída que se mostrasse viável: formar bandas com músicos das cidades por onde a gente desejava passar, incorporando a cultura desses locais e conhecendo o país de uma forma mais profunda.”
A transformação começou lentamente e localmente, primeiro com os shows mensais e depois com o festival anual. A edição de 2016 reuniu nomes de peso tanto da velha guarda, quanto da música contemporânea e do novíssimo pop brasileiro, além de várias bandas locais. Assim, pude ver shows do veterano Di Melo, do duo Strobo, da poderosa Nação Zumbi (tocando seu clássico Afrociberdelia na íntegra), dos chapados Du Souto, a dupla de DJs Venga Venga, a cantora Lei Di Dai e da sensação Liniker e os Caramellows, que fechou o festival levando o público ao delírio. Entre as atrações de fora, locais como Nubia, Nathalia Ferro, Beto Ehongue, O Vórtice, Royal Dogs e números tradicionais como o Boi de Santa Fé, o Tambor de Crioula de Mestre Felipe, a Orquestra de Berimbaus Mandigueiros do Amanhã e o High Vibes Sound System, comandado por Tarcisio Selektor, misturavam-se a um mercado de produtos independentes, barracas de comida local, artistas de rua, performances e DJs. Tudo sob um calor firme de trinta e quase quarenta graus e um clima de paz e tranquilidade, entre pessoas de todas idades, classes sociais e orientações sexuais. “Nos surpreendemos com o público que sempre entendeu e abraçou a proposta do festival e que só cresce a cada ano”, comemora Luciana, contando quase 50 mil pessoas nos três dias de festival. “Percebemos que as pessoas estão sedentas por ver seus artistas preferidos, de perfil independente, que nunca vieram aqui e que dificilmente viriam” – e, principalmente, no centro esquecido da capital. “Escolhemos ocupar o centro histórico por ser a alma da cidade, um território cultural querido e à margem. Era uma forma de conectar as pessoas à esse espaço através da música, da arte”, conclui a produtora e artista, fazendo planos para 2017. “Ano que vem queremos ampliar a ocupação do centro histórico de São Luís e aumentar a programação, crescendo sem perder a identidade de promover diálogos, trazer a cena do Brasil e apresentar a nossa, sempre com uma festa de som, amor e paz, mantendo o diferencial de convidar artistas nacionais importantes e valorizar a cena local contemporânea que tem uma identidade rica e diversa, destacando o reggae e a cultura popular, principalmente bumba meu boi e tambor de crioula.”
“Temos muita admiração pela luta dessas cidades que conseguiram essa sinergia, como Recife, Salvador e Belém”, explica. “Por isso nos preocupamos em estimular diálogos com produtores, gestores e jornalistas desses lugares. Temos consciência de que ainda não chegamos no nível deles. Mas São Luís pela força da sua cultura popular e a vocação cultural pode num período curto ser tão conhecido quanto essas cidades. Nós temos uma voz própria e ela há de ser ouvida num tempo muito mais curto do que muita gente imagina. O Festival BR135 briga por isso e acreditamos e estimulamos em nossas falas que qualquer artista pode e deve assumir um papel de protagonismo, como vem acontecendo com outros artistas e seus projetos , outros projetos devem acontecer para fortalecer e validar a cena.”
Já é uma tradição do palco Sunset, do Rock in Rio, reunir diferentes nomes da música que nunca trabalharam juntos num mesmo show. O encontro da Nação Zumbi com Ney Matogrosso é uma das promessas da edição deste ano e os dois acabam de lançar a versão que fizeram para “Amor”, clássico dos Secos e Molhados:
A conexão, no entanto, ficou aquém do esperado. A junção entre os vocais de Jorge Du Peixe e Ney deixou ambos deslocados, como coadjuvantes em busca de um protagonista, e a guitarra pesada de Lucio Maia dá uma conotação errada para o verso “suave coisa nenhuma” imortalizado pela canção. Acho que se enfatizassem no lado mais doce e bucólico do disco mais recente da Nação e deixassem claro que Ney é a estrela do encontro (como ele é em qualquer situação em que esteja), as coisas fluirem melhor e soariam mais fluidas. Tomara que azeitem melhor isso.
A dupla norte-americana MGMT, formada por Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser, acaba de anunciar que está com disco novo prestes a sair – e fez isso através de sua conta no Instagram, compartilhando um vídeo com trechos de algumas músicas novas e avisando o nome do disco: Little Dark Age. O título pode ser traduzido como Pequena Era Sombria ou Pequena Idade Média, que é uma visão interessante sobre a época que estamos vivendo. O problema é que a Idade Média original durou mil anos, o que não dá pra ser propriamente otimista se pensarmos que esta época cogitada pelo nome do novo disco seja propriamente breve…
A banda já tocou músicas do novo disco em seu show mais recente, como anuncia a página da apresentação do grupo no festival Memphis’ Beale Street Music Festival, sexta passada, no Setlist.fm: “Little Dark Age”, “James”, “Me and Michael” e “When You Die”. Duas delas foram registradas por fãs, veja só:
Como a maioria das pessoas que passaram por isso, também arregalei os olhos quando a Susan me disse que “tinha umas músicas”. Afinal, Susan Souza é jornalista e estava sempre ali no meio da galera trocando ideia, nos shows, nas festas, conversando sobre música e eventualmente discotecando – mas nada dava a enteder que ela tinha um trabalho artístico autoral (embora ela já tivesse tocado em algumas bandas antes, até cover). O mais próximo disso era sua ligação com a dança flamenca – que mais tarde, fui entender, também com a música flamenca. Mas há uns três anos ela vem trabalhando essa nova faceta, batizada de Cinnamon Tapes, em que ela compõe, canta e toca suas próprias músicas, muito como uma forma de exorcizar dores e fantasmas pessoais, lapidando lentamente até que o destino lhe deu a oportunidade de gravar com o baterista do Sonic Youth, Steve Shelley, que também produziu seu primeiro disco. O primeiro gostinho de sua nova personalidade vem agora na próxima segunda, dia 15, quando ela abre o show da dupla norte-americana Widowspeak no Breve, como parte das comemorações do aniversário de cinco anos da Balaclava Records (mais informações aqui), que irá lançar seu disco. Ela não quer liberar nem um single antes de estar 100% pronto, por isso o trecho que foi utilizado no teaser do show, abaixo, pode dar a entender que ela trilha exatamente o mesmo caminho que Chan Marshall traçou com seu nome Cat Power. Batizado de Nabia, o disco é tão influenciado por indie rock e folk quanto por música brasileira (inclusive com letras em português) e música flamenca – e ela conta como foi sua iniciação musical neste papo que tivemos.
Desde quando você compõe? E como tomou coragem pra começar a mostrar suas músicas?
Quando criança, eu brincava de solfejar melodias. Gravava em fita cassete e ia cantando por cima umas letras que inventava na hora. Por isso Cinnamon Tapes é meu nome artístico: “Tapes” vem dessas fitas que eu gravava naquela época e “Cinnamon”, a canela, é um sabor/essência que me fortalece, é como uma poção mágica para mim. Infelizmente, perdi essas fitas da infância em mudanças de casa. Comecei a explorar o violão de náilon por volta dos 12 anos e a guitarra aos 19. A coragem para mostrar meu trabalho só veio há três anos quando percebi, em terapia, que eu boicotava minhas habilidades. Por ter vivenciado situações difíceis e quadros de depressão, eu tinha dificuldade de me validar como artista. Esse disco marca um processo sincero de autoaceitação, além de ser um tratado feminista que assinei comigo mesma. Por muito tempo, alguns homens me influenciaram a achar que minhas poesias, minha voz ou meu jeito de tocar não eram bons o bastante.
Como esse processo evoluiu para um disco?
Muitas amigas e amigos contribuíram para que eu investisse na carreira. Meu processo terapêutico também foi fundamental para que eu cortasse vínculos ruins, dentro e fora de mim, que atrapalhavam a concretização do disco. Fiquei muito mais focada e aproveitei as férias do meu trabalho paralelo como produtora de vídeo para fazer as gravações do disco no meu tempo livre, mantendo sempre essa jornada múltipla de trabalhos. Por isso demorou tanto tempo para ficar pronto, pois preciso ter outro emprego para manter as contas em dia.
Quais são as suas inspirações e influências?
O disco se chama Nabia, que é o nome dessa personagem que veio das águas e que atua como um alter ego meu. Ela é um tipo de sereia mística que se permite viver em terra firme e suas vivências são contadas nas músicas. Acho que foi fácil desenvolver essa personagem porque também sou atriz de formação. Na sonoridade fui muito influenciada por Nara Leão, PJ Harvey, Cat Power, Baden Powell, Radiohead, Maria Bethânia, Nina Simone, Gal Costa, Neil Young, Sonic Youth, Paco de Lucia e La Niña de Los Peines. Em resumo: artistas indies, brasilidades e flamenco.
Você sempre soube que deveria trabalhar com essa sonoridade, com esse formato?
Tudo é propositalmente muito sutil, minha guitarra é quase toda dedilhada e aproveitamos muito as pausas, os silêncios. Eu queria climas etéreos e que remetessem aos ambientes da personagem. Além do Steve Shelley, também contei com colaborações do Emil Amos e do Paulo Kishimoto. Todos entenderam que eu queria gravar de um jeito simples e extrair beleza dos detalhes. Estou bem feliz com o resultado, foi registrado com muita harmonia e respeito.
E como foi que o Steve Shelley entrou nessa história?
Estava em um bar com meu amigo André Palugan quando falei que acharia muito legal se tivesse um baterista como o Steve Shelley no disco, porque sempre gostei do Sonic Youth, é uma banda que me conectou a muita gente. Meu amigo então me convenceu a escrever uma mensagem para o Steve pelo Instagram, naquele mesmo momento, perguntando se ele tocaria no meu disco! Steve respondeu uns meses depois pedindo para ouvir minhas demos. Isso foi no final de 2015. Nós não nos conhecíamos até então e eu nem de longe imaginava que essa abordagem teria esse desfecho. Enviei três canções só voz e violão, ele gostou e, para a minha surpresa, não apenas gravou as baterias como fez a produção. Ele me incentivou a compor mais músicas para que completasse um álbum. Fui para Hoboken, New Jersey, em abril de 2016 e fevereiro de 2017. Gravamos e mixamos no estúdio para onde o Sonic Youth migrou depois que fecharam o estúdio da Murray Street.
Disco gravado, agora o próximo passo é lançá-lo. Em que pé está isso?
Vai ser finalizado nos Estados Unidos agora em maio ainda e espero que esteja disponível o quanto antes. O lançamento será pela Balaclava Records.
E o show, quando é o primeiro show e qual vai ser o formato?
Será no dia 15 de maio, no Breve. Vamos tocar antes do Widowspeak e estou muito feliz por isso! Será um show mais curto para nos apresentar de leve, uma degustação. Serei acompanhada por Caca Amaral (bateria), Guilherme Braga (guitarra) e Martim Batista (baixo), que estão me ajudando a recriar os arranjos para deixar o show ainda mais encorpado.
Em meio à turnê norte-americana de seu disco do ano passado, PJ Harvey lança um single com duas músicas que sobraram das sessões do ótimo The Hope Six Demolition Project, “A Dog Called Money” e “”, ambas carregadas com o mesmo sentimento político pesado e melancólico, embora cada uma delas corra para um caminho diferente – a primeira é mais impositiva, a segunda mais bucólica:
O Mombojó finalmente lança o EP que gravou com a vocalista do Stereolab, Laetitia Sadier. O disco pode ser ouvido e baixado no site que o grupo fez para o projeto, chamado de Summer Long. Abaixo, um minidocumentário sobre o encontro.













