“Chained to the Rhythm”, o single novo da Katy Perry, é o hino à passividade da cultura pop atual que precisávamos ouvir, servida mastigada para reforçar o consumismo, a apatia e o conformismo. “Estamos malucos? Vivendo nossas vidas através de lentes, presos em nossas cercas brancas como ornamentos, confortáveis vivendo em uma bolha, confortáveis em não ver o problema. Você não se sente só aí em cima na utopia, onde nada será suficiente?”, ela canta sobre uma base dance ironicamente genérica, para reforçar, no refrão, “aumente o volume, é sua música favorita! Dance, dance, dance ao som da distorção. Vamos, aumenta, deixa repetir, se sacudindo como um gasto morto-vivo. É, achamos que estamos livres, beba, essa é por minha conta. Estamos todos acorrentados ao ritmo.”
Qual ritmo? O da pista de dança? O da política? O do Facebook? O do shopping center? O da televisão? O do trânsito? Abrindo a geladeira mesmo sem ter fome, como se só precisássemos saber que tudo continua exatamente do mesmo jeito. E tanto o lyric vídeo com seus hamsters vendo hamsters e suas comidinhas de brinquedo ao fato do single ter sido lançado junto com o momento “Katy Perry ficou loira” reforçam o protesto. Sem contar sua apresentação minimalista no Grammy deste ano, em que ela parte do conceito dos cercados individuais que comenta na letra para uma crítica contra o muro de Trump – e contra o muro político que é Trump.
Já é um dos grandes acontecimentos de 2017.
O programa No Ar, da emissora de rádio estatal portuguesa Antena 3, registrou um especial sobre a passagem do grupo Autoramas por terras lusitanas em que eles aproveitaram para eternizar sua versão que fazem para o clássico new wave tuga do grupo Salada de Frutas, “Robot”, que tocam quando se apresentam no país.
E aqui vem a íntegra do programa, que ainda traz apresentações ao vivo das músicas “Quando a Polícia Chegar”, “Paciência”, “Música de Amor” e “Verão” e uma entrevista em que o casal Érika Martins e Gabriel Thomaz defende sua já clássica filosofia sobre rock’n’roll e diversão.
E se você não conhece o “Robot” original, prepare-se:
“Você se apronta, se arruma toda – para ir para nenhum lugar em especial”, Lana Del Rey canta em “Love” ,o primeiro single de seu novo disco, ainda sem título nem data de lançamento. O andamento sóbrio da balada – marcada por um baixo que caminha a passos firmes e por explosões de cordas – e a forma como ela se refere ao ouvinte – “Look at you kids… – deixa claro que ela cada vez mais assume o papel de madrinha, no caso, dos próprios fãs. A citação a “Don’t Worry Baby”, dos Beach Boys, deixa isso ainda mais evidente.
Depois da soturna “Invisível”, o grupo BaianaSystem surge com outra faixa nova, desta vez uma versão para “Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua”, hit do mito setentista Sérgio Sampaio, que foi gravada com exclusividade para um comercial da Apple, ao ao lado da rapper Yzalú com o intuito de aproveitar a época do carnaval. Infelizmente, só dá pra ouvir um pedaço da música, numa propaganda feita para o YouTube. Se você quiser ouvi-la na íntegra, tem que pagar.
Mas já já a música aparece por aí…
Março está chegando e com ele virá o primeiro disco que o Jesus & Mary Chain lança desde o longínquo Munki, a obra-prima auto-indulgente que o grupo lançou em 1998 como se fosse seu Abbey Road. Mais de uma década depois de voltar à estrada, a banda liderada pelos irmãos Reid voltou ao estúdio no final do ano passado e seu Damage and Joy foi produzido pelo músico Youth, o fundador do Killing Joke que já trabalhou com Cult, Sugarcubes, The Verve, Paul McCartney e The Orb. E além da faixa “Amputation”, que o grupo revelou ainda no final do ano passado…
…agora eles mostraram mais um novo single, “Always Sad”, este acompanhados pelo doce vocal de Bernadette Denning.
As duas faixas apontam um rumo interessante para o novo álbum: mais melódico que de costume, as composições de Jim Reid parecem abandonar a jaqueta de couro do rock’n’roll para vestir a camisa de flanela do pop perfeito perseguido por conterrâneos escoceses anteriores (Bay City Rollers, Aztec Camera, Simple Minds, Wet Wet Wet, Cocteau Twins, Pastels) e posteriores (Belle & Sebastian, Teenage Fanclub, Franz Ferdinand, Primal Scream, Delgados, Bis) à sua revelação. As duas canções são barulhentas mas não propriamente pesadas, esvaziando o tradicional wall-of-sound que o grupo jogou sobre esta tradição do pop da Escócia e que ajudou a mante-la acesa até nos anos menos melódicos do pop (da virada dos anos 80 para os anos 90) e encaixando-se perfeitamente neste cânone, sem precisar do alarde que precisou para entrar na história da música pop e do rock independente.
A escorragadia “Friend Zone” é mais um cartão de visitas que o sinuoso Thundercat dá para seu próximo disco, batizado escancaradamente de Drunk.
A nova faixa reclama sobre a clássica e infame faixa intermediária entre a amizade e a paixão sobre um groove sinuoso e falsetes honestos, alinhando-se perfeitamente ao clima que o músico e compositor já havia mostrado nas duas músicas anteriores, “Bus In These Streets”, que foi mostrada no ano passado…
…e “Show You The Way”, mostra no início do ano, esta com a participação de Michael McDonald (vocalista dos Doobie Brothers e do Steely Dan) e Kenny Loggins, dando o tom retrô específico do disco, que estará oficialmente entre nós na semana que vem (ou seja, a qualquer minuto nas entranhas da internet) e conta com o ar de graça de jovens mestres como Kendrick Lamar, Pharrell, Wiz Khalifa, Kamasi Washington e Flying Lotus.
Sheeeeeeet!
Dois jovens ídolos, Alex Turner, dos Arctic Monkeys, e Lana Del Rey soltam a voz cantando “Tiny Dancer” ao lado de Miles Kane, que completa a dupla Last Shadow Puppets ao lado de Turner, e do baixista do Tame Impala, Cam Avery.
Gente como a gente.
Eu, Tiê, Rico Dalasam e Maria Gadu fomos convidados para participar da transmissão ao vivo pelo Facebook que a TNT Brasil fez em sua página pouco antes da hora do Grammy 2017. Na transmissão conversamos sobre os indicados da edição do ano, além de particularidades sobre o mundo da música pop neste início deano.
Clássico palco para diferentes cenas musicais de todo o país, a Casa de Francisca despediu-se do bairro dos Jardins em São Paulo, no final do ano passado, quando mudou-se para o palacete no centro da cidade. A última noite da casa original foi também a primeira em que o Metá Metá – uma conjuração curada e curtida na própria Casa – apresentou-se em sua formação completa, como um quinteto, no palco da Rua José Maria Lisboa. Esta última apresentação, na véspera da véspera de natal do ano passado, foi registrada pelo francês Vincent Moon:
Era uma inevitável piada infame, mas veio em boa hora. Os Black Angels batizaram seu novo disco, que será lançado em abril, fazendo-o soar como a música do Velvet Underground que o inspirou, “Black Angel’s Death Song”. Death Song, o disco, no entanto, não vem apenas da trocadilho, mas do fato de ter sido composto e gravado durante o período de gestação do atual mal que assombra nosso futuro: a campanha eleitoral e a eleição de Donald Trump ao posto político mais importante do planeta. A primeira música mostrada, “Currency”, dá o tom da psicodelia bad vibe característica do grupo.









