Cuidado ao clicar quando for assistir ao novo clipe do duo francês Justice – “Pleasure” é um delírio existencialista softcore.
O grupo baiano BaianaSystem mostra a raivosa e pensativa “Capim Guiné”, single gravado com a rapper angolana Titica e a musa baiana Margareth Meneses, que eles colocam em prática num dos palcos do Rock in Rio na próxima sexta-feira.
Conversei com Elza Soares sobre sua apresentação na edição do Rock in Rio deste ano para a cobertura do festival que estou fazendo para o UOL.
Dos melhores momentos do Rock in Rio foi a aula que Grandmaster Flash deu no sábado, salvando da noite ao encerrar a tenda eletrônica do Rock in Rio
“Falar de afetividade e amor é muito importante”, me disse em entrevista após sua participação no Rock in Rio.
Radiohead, o grupo mais importante do mundo hoje, se une ao trilheiro dos filmes de Christopher Nolan, Hans Zimmer, para fazer a trilha sonora de um especial da BBC – comento sobre isso no meu blog no UOL.
“Bloom”, uma das músicas mais densas do penúltimo disco do grupo inglês Radiohead, King of Limbs, está sendo regravada para o programa Blue Planet II, da emissora britânica BBC, ao lado do alemão Hans Zimmer, um dos principais compositores de trilhas sonoras atualmente. O grupo e o compositor recriam a música ao lado da BBC Concert Orchestra nos estúdios londrinos AIR e a nova versão, rebatizada de “(Ocean) Bloom” será revelada ao público no dia 27 deste mês. É a primeira vez que ambos trabalham juntos.
O vocalista do Radiohead, Thom Yorke, explicou, em comunicado oficial, que a faixa original do Radiohead foi inspirada na primeira versão da série Blue Planet, lançada em 2001, que retrata a vida animal in natura.: “Por isso é ótimo poder fechar o ciclo com a música e imaginá-la para esta incrível e marcante sequência. Hans é um compositor prodigioso que passeia por vários gêneros musicais, então foi libertador para nós trabalharmos com alguém tão talentoso e ver como ele teceu juntos o som da série e a canção”.
“‘Bloom’ parece ter sido escrita antes de seu tempo uma vez que ela reflete lindamente as formas de vida e paisagens marinhas impressionantes, às quais os espectadores são apresentados em Blue Planet II”, completou o compositor alemão, autor de trilhas dos filmes de Christopher Nolan (como a trilogia Batman, Inception e o recente Dunkirk). “Trabalhar com Thom, Jonny e os rapazes tem sido uma diversão maravilhosa e tem me dado uma visão interessante do mundo musical deles”, concluiu.
A série deve ser exibida no Brasil no ano que vem pelo canal Discovery e a versão original de “Bloom” vem abaixo:
A carreira solo de Xenia França, grande estrela do grupo paulistano Aláfia, está prestes a começar oficialmente. “Por que tu me chamas se não me conhece?”, canta desafiadora no primeiro single de seu álbum de estreia, “Pra Que Me Chamas?”, lançado em primeira mão no Trabalho Sujo.
A faixa cruza sonoridades afro-americanas distintas e completamentares – norte-americana, caribenha e brasileira. Ela concentra-se na raiz latina desse encontro: “A música faz um passeio pelos ritmos cubano e baiano, traçando uma ponte entre os dois lugares, influenciados pela cultura iorubá através da diáspora com a presença dos tambores sagrados – Batá, no caso da santeria cubana, e rum, rumpi e lé, do candomblé -, além da presença do timbau, estabelecendo uma simbiose entre eles. A característica principal é a linguagem eletrônica que dá a liga contemporânea ao som. A estética usada dá uma nova roupagem a herança musical deixada pelos meus ancestrais.”
O refrão tem sua frase retirada de um oríki utilizado em Cuba – “Pa que tu me llamas si tu no me conoces?” -, em referência ao orixá Eleguá, equivalente ao Exú no candomblé brasileiro. “A música fala basicamente sobre apropriação cultural”, ela continua. “Estigma do racismo ainda presente no Brasil, onde o corpo negro é invisibilizado e negligenciado porém os símbolos de sua cultura são adotados por um grupo cultural diferente. O refrão amarra todo o conceito. A letra questiona a banalização e o uso desses símbolos sem o devido fundamento e seus reais valores e significados.”
O disco, que chama-se apenas Xenia e foi bancado pela Natura Musical, chega às plataformas digitais no final do mês e será lançado no Auditório Ibirapuera no dia 15 de outubro.
O espírito de Alfred Hitchcock, diretor de clássicos do cinema como Um Corpo Que Cai, Janela Indiscreta e Psicose paira sobre as três temporadas de Twin Peaks, como podemos ver nesta montagem feita por um fã destes dois ícones da cultura contemporânea.
Já se passaram sete anos desde que a carioca Nina Becker lançou músicas com seu próprio nome – no disco duplo Azul e Vermelho. De lá pra cá, ela gravou o disco Gambito Budapeste, em dupla com o hoje ex-marido Marcelo Callado, e participou do segundo disco da Orquestra Imperial (ambos trabalhos de 2012) e lançou o disco-tributo a Dolores Duran em 2014. Agora ela prepara-se para o lançamento de Acrílico e antecipa o disco com a faixa “Voo Rasante”, incendiariamente pós-tropicalista, da guitarra psicodélica ao groove meio roqueiro setentista. A faixa – como o disco, previsto para o fim deste mês – foi gravada ao lado de Pedro Sá (guitarra), Rafael Vernet (teclados), Alberto Continentino (baixo) e Tutty Moreno (bateria) e mostra que ela não está pra brincadeira.
O assunto da minha coluna Tudo Tanto na revista Caros Amigos no mês de maio foi a trajetória de Kiko Dinucci até o lançamento de seu primeiro disco solo, Cortes Curtos – antes disso, os vídeos que fiz do lançamento do disco no Sesc Pompeia:
Ninguém disse que ia ser fácil
O primeiro som que se ouve é uma frequência elétrica distorcida, a microfonia de uma guitarra posta em primeiro plano como um manifesto, parede de ruído intensa e palpá- vel, que se estica por alguns dez segundos antes do ritmo começar — primeiro pela repetição de um riff entrecortado, depois pela entrada da frenética guitarra base, seguido pelo galope torto do baixo junto com a bateria e finalmente com a entrada dos vocais sincopados, agudos e agressivos de Tulipa Ruiz e Juçara Marçal. De repente, a música para — e o dono do disco entoa uma melodia acompanhado nota a nota por seu instrumento, a guitarra.
“No escuro, no escuro / Uma pedra vira um muro.” As primeiras palavras ditas por Kiko Dinucci em seu primeiro disco solo, Cortes Curtos, lançado por conta própria no início deste ano, resumem a tensão política, urbana e estética contida não apenas nesta obra, mas em toda sua carreira musical. Na verdade, antes mesmo da entrada da voz, o primeiro som emitido pelo disco já sintetiza a natureza de sua musicalidade: agressiva, suja, elétrica e feroz. A sonoridade encarnada por Kiko e sua guitarra não é apenas uma assinatura sonora, mas uma mão que esmurra a mesa antes de virá-la, uma carta de intenções que vai muito além do som. Ninguém disse que ia ser fácil.
Kiko é a arma secreta do grupo de músicos que começou a causar na cena de São Paulo na virada da primeira para a segunda década do século. Referido como nova vanguarda paulista, samba sujo ou Clube da Encruza, o grupo formado por Juçara Marçal, Rodrigo Campos, Rômulo Froes, Thiago França, Sergio Machado, Marcelo Cabral e o próprio Kiko Dinucci, desdobra-se em grupos como Sambanzo, Metá Metá, Passo Torto e Sambas do Absurdo, além de reunir agregados como Tulipa Ruiz, Ava Rocha, Ná Ozzetti, Gui Amabis, eventuais parceiros e as carreiras solo de cada um de seus integrantes. Membro mais prolífico da turma, Kiko, no entanto, nunca tinha lançado um disco solo — embora já somasse quase duas dezenas de discos em que participou, em dez anos de carreira ininterrupta.
Uma trajetória que começou no apertado Ó do Borogodó, tradicional bar de samba entre a Vila Madalena e o bairro de Pinheiros, em São Paulo, quando começou sua carreira fonográfica liderando o Bando Afromacarrônico com o disco Pastiche Nagô, de 2008 (relançado em vinil no ano passado, pelo selo Marafo Records). O Kiko sambista já era uma reinvenção do primeiro Kiko musical, o Kiko punk, que traduzia o cinza e os pixos da São Paulo da virada do século com a mesma virulência e poluição de sua cidade natal. Ao descobrir a natureza marginal do samba paulistano, ele aos poucos foi dominando esta nova linguagem e a partir do Bando Macarrônico começou a aproximá-las.
Cortes Curtos é o ápice dessa junção — e por isso mesmo o disco que assina sozinho. Embora toda a turma esteja presente — a banda base é Kiko, o baixo de Marcelo Cabral e a bateria de Sergio Machado, a mesma cozinha do Metá Metá, e pelos créditos surgem vários nomes conhecidos, como Tulipa, Juçara, Ná, Thiago e Rodrigo, além de novos agregados como Guilherme Held, Suzana Salles, Rafa Barreto e Guilherme Valerio —, o disco é uma obra inteira de Kiko. E é mais do que uma obra apenas visual — é um filme sonoro.
As referências vão além do título, tradução literal de Short Cuts — Retratos da Vida, o filme multifacetado de 1993 em que Robert Altman fez as pazes com Hollywood. Cortes Curtos reúne, em suas canções, uma série de cenas que flagram humores diferentes, todos paulistanos. Da melancolia ao escracho, da putaria à solidão, das ruas cheias de transeuntes às calçadas vazias da noite, o disco perambula por São Paulo como faz o próprio Kiko, um flaneur pessimista, um vagabundo desconfiado, um punk niilista, capturando uma fauna bizarra de emoções e personagens que parecem ainda mais estranhos quando observados isoladamente — mas que integram um paisagem ao mesmo tempo pesada e invisível, o mosaico cinzento que forma São Paulo, “terra de um beijo só”, como cantarola o verso da poetisa Anna Zepa que batiza a faixa de mesmo nome.
A natureza cinematográfica do disco não é acidental, afinal Kiko já tem dois longa-metragens nas costas, entre eles a ode aos cinemas de rua Breve Em Nenhum Cinema, de 2016, além de manter o blog cinéfilo O Olho Derramado, que atualiza de forma bissexta, mas que contrapõe textos sobre O Iluminado de Kubrick, o Melancolia de Lars Von Trier, Branco Sai, Preto Fica de Adirley Queirós e O Som Ao Redor de Kleber Mendonça Filho.
A referência à sétima arte também é parte da construção do cânone paulistano pessoal de Kiko, que junta os sambistas da velha guarda (como Paulo Vanzolini, Geraldo Filme, Adoniran Barbosa) a cronistas clássicos do submundo da cidade (como o dramaturgo Plinio Marcos, o músico Itamar Assumpção, o escritor João Antônio), cineastas da Boca do Lixo e do cinema Marginal (Carlos Reichenbach, Luiz Castelini, Julio Bressane, Rogério Sganzerla, Ozualdo Candeias, Andrea Tonacci, Walter Hugo Khouri) e o punk rock e o hardcore local (de bandas como Ratos de Porão, Olho Seco e Cólera, entre outros), a vanguarda do Lira Paulistana (Ná Ozzetti, Arrigo Barnabé, Língua de Trapo, Rumo, Itamar, Premeditando o Breque e Cida Moreira) e sua própria geração. Tudo se encontra em Cortes Curtos.
Que, ao contrário do que se poderia supor, foi apresentado ao público como um único take, tanto na versão para download em seu site www.kikodinucci.com.br, como em sua versão no YouTube. Nos dois formatos só é possível ouvir as quinze faixas que compõem o disco de uma vez só. Se você quiser pular as faixas, deve comprar a versão em CD. Ninguém falou que seria fácil.









