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Não bastasse estar à toda com seus Chromatics (sacando versão dupla do ótimo disco que lançou ano passado, seguido de música inédita), o norte-americano Johnny Jewel parece ter entrado num flow criativo intenso – e acaba de lançar uma versão estridente e sinuosa para a clássica “Bizarre Love Triangle” com mais uma de suas inúmeras bandas, desta vez o trio Desire, composto por ele, o comparsa de Chromatics Nat Walker e a cantora canadense Megan Louise.

Uma versão bem simples, mas absorta no universo sonoro de nosso herói.

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A banda canadense Tops lança o segundo single (“Witching Hour”) antes do lançamento de seu novo álbum, I Feel Alive, e confirma uma suspeita que a faixa-título, anunciada em janeiro, já havia cogitado: o grupo aos poucos está deixando a sonoridade retrô que o caracterizava para abraçar uma atmosfera mais moderna, embora não abandone seu senso melódico nem queira soar contemporâneo demais. Ou seja: mudando um pouco para não mudar muito – e assim os fãs suspiram aliviados.

I Feel Alive (veja o clipe da faixa-título abaixo) será lançado em abril e traz um close na vocalista Jane Penny na capa (acima) e a seguinte ordem de músicas.

“Direct Sunlight”
“I Feel Alive”
“Pirouette”
“Ballads & Sad Movies”
“Colder & Closer”
“Witching Hour”
“Take Down”
“Drowning In Paradise”
“OK Fine Whatever”
“Looking To Remember”
“Too Much”

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O cantor e compositor paulista Bruno Schiavo mostra as composições de seu primeiro disco A Vida Só Começou da edição desta semana da Sexta Trabalho Sujo, no Estúdio Bixiga, a partir das 21h (mais informações aqui). Schiavo lançou “Califórnia”, a primeira música de seu disco em primeira mão aqui no Trabalho Sujo e lançou há pouco a ótima “Orestes Revisitado” – e o disco sai logo após o carnaval. Mas dá pra sacar antes, no show desta sexta. Vamos?

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Há 70 anos, uma dupla de músicos eletrificava uma espécie de violão montado num corpo maciço para inaugurar uma novidade no carnaval baiano: um cortejo itinerante guiado por um carro, em que os músicos, em vez de andar no chão com o público, apresentavam-se alguns centímetros acima do chão. A eletricidade que aumentava o volume do novo instrumento, que emulava as frases musicais ditas por naipes de sopro nos blocos mais tradicionais da época (de influência pernambucana), serviu como desculpa para batizar o novo formato de apresentação – era o trio elétrico fundado por Dodô e Osmar, que a princípio desfilou como “dupla elétrica” escrito na porta do velho Ford 1929 e que mudou o nome para trio com a entrada do músico Temístocles Aragão no ano seguinte. O experimento fez tanto sucesso que no ano seguinte conseguiu patrocínio, elevando ainda mais aquele palco itinerante que moldaria o carnaval de Salvador numa caçamba de caminhão.

O novíssimo instrumento – chamado no início de “pau elétrico” – foi a primeira guitarra elétrica da história do Brasil e desde 1950 vem se modernizando até ser reconhecido pelo nome que se tornaria oficial: a guitarra baiana. Junto com os tambores dos blocos afro, o pequeno instrumento é a cara da música de rua baiana e passou por diferentes fases, até ser reinventado há uma década pelo grupo BaianaSystem, que teve seu nome inclusive tirado do instrumento (fundindo-o com outra inspiração do grupo, os soundsystems jamaicanos).

Foto: Cartaxo

Foto: Cartaxo

Por isso a aproximação do Baiana com Armandinho, filho de Osmar Macedo, herdeiro do trio elétrico criado pelo pai e ele mesmo um divisor de águas da história do instrumento, a partir dos anos 70, não é propriamente uma surpresa – era inevitável. Depois de dois singles produzidos por Daniel Ganjaman depois do lançamento do excelente O Futuro Não Demora (os outros foram “Cabeça de Papel” e “Miçanga“), o grupo vem agora com “Corrida Elétrica”, faixa instrumental produzida por eles mesmos, que coloca dois guitar heroes baianos, Armandinho e Beto Barreto, num páreo de solos que não deixa ninguém parado – e que remete à Autobahn do Kraftwerk para além do design da capa.

Pisa fundo, Baiana!

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A cantora baiana Luedji Luna e o rapper gaúcho Zudizilla transformam o namoro em música e lançam o primeiro single juntos. “Proveito” é mais um passo da cantora, que promete seu segundo disco para este ano, rumo ao hip hop, depois do EP de remixes que lançou ano passado com o DJ Nyack. É um futuro bem interessante para sua carreira…

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Um dos pais do rock gaúcho como o conhecemos hoje, o mestre Frank Jorge está prestes a gravar um novo disco produzido por ninguém menos que Kassin: “Quero revisitar brega brasileiro 1970 com referências do rock mundial da mesma época, CBGB’s… Se conseguiremos fazer? Boa questão”, ele me antecipa. Enquanto o disco toma forma antes das gravações começarem, ele compartilha uma sessão que fez ao vivo no início do ano, contando com seus dois filhos como músicos de sua banda: Érico, de 20 anos, na guitarra e Glória, 15, na bateria. Foi a segunda vez que tocaram juntos – a primeira foi em dezembro do ano passado (na foto acima). Na sessão abaixo, gravada em janeiro deste ano, além de Frank, Érico e Glória, está o baixista Regis Sam.

Pai coruja, Frank reforça que os dois tocam juntos na banda Flanelas Desbotadas (que, olha só, tem futuro) e “a Glória toca na Orquestra de Bateria e Percussão Batucas, organizada pela Biba Meira, há quatro anos”, comenta orgulhoso da filha tocando no projeto da primeira baterista do Defalla.

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“Delete Forever” é a quinta música do que Grimes do álbum Miss Anthropocene, que ela finalmente releva ao público no fim da semana que vem – mas essa mistura de balada ruim do Oasis e visual de anime de 20 anos atrás parece confirmar uma suspeita que seu disco será mais decepcionante que o disco novo da La Roux.

Tomara que não, mas ao que tudo indica…

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Pedra fundamental na discografia do Sonic Youth, “White Kross”, do clássico Sister, de 1987, ganha uma senhora releitura grindcore a cargo de um dos principais nomes do gênero, o grupo inglês Napalm Death, que ao lançar sua primeira música inédita em quatro anos no single Logic Ravaged By Brute Force colocou a música do grupo nova-iorquino no lado B.

Vocês lembram da original, claro…

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Esbarrei sem querer num vídeo com cenas que sobraram de uma entrevista de 2010 que o beastie boy Adrock deu pra marca de softwares de produção musical Reason. Como o vídeo original, feito pela própria marca, tinha foco no programa que eles vendem, muita coisa boa ficou de fora – e nessas cenas, ele conta como fez o beat pro primeiro hit de LL Cool J (e como o descobriu), o fato de ter sido a primeira banda a ter o termo “sample” associado à música (numa batalha legal), sobre fazer fitas de beats usando os velhos toca-fitas duplos (“coisa de homem das cavernas, batendo pedra pra fazer fogo”, ele ri), como conheceram Mario Caldato e outras histórias.

Muito bom. Que banda eram os Beastie Boys.

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Letícia aos poucos começa a revelar seu próximo álbum e adiantou para o jornal O Globo o título e a arte da capa: Letrux Aos Prantos é o nome do sucessor do ótimo Em Noite de Climão, que ela apresentou anunciando que “o choro é livre e que bom, pelo menos isso ainda nos é permitido. Sorte de quem chora, como eu”. A pintura que faz parte da capa – e não é a capa em si – foi feita por Maria Flexa a partir de uma foto feita por Victor Jobim: “Coloquei uma composição de Bach que me faz chorar desde criança e ele me fotografou”, explica a cantora carioca, que ainda antecipou participações de Lovefoxxx e Liniker no novo disco, que será lançado no dia 13 de março.

Como pede o clima intenso das faixas (“Tem de tudo, até samba. Um samba meio Twin Peaks, meio David Lynch, mas é um samba”, disse ao jornal), o disco não terá single de apresentação e chega todo de uma vez só.

Atualização (12 de fevereiro): Letícia finalmente revelou a capa de seu novo disco (ointura da Maria Flexa, foto Ana Alexandrino e arte gráfica de Pedro Colombo) e escreveu sobre o conceito por trás dela:

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Desde criança, choro com o concerto para 2 violinos em Ré menor do Bach. Meu pai tinha alguma coletânea de música clássica (mais tarde Thiago Vivas me ensinou que deveria ser coletânea barroca, risos). Eu amava dar play, ouvir tudo deitada na cama, e tinha a hora exata do pranto. Eu sentia o trajeto da lágrima inteiro dentro de mim e tinha o auge momento de botar pra fora. Passei anos sem ouvir, depois lembrei de tal obra magnânima e que alegria ela sempre existir. Quando fui no ateliê da Maria Flexa, pintora que fez o quadro, levei minha caixinha de som e convoquei Bach pra chorar na frente dela e do namorado, Victor Jobim, que me fotografou (analogicamente), chorando. Nunca tinha visto Maria nem Victor na vida. Mas chorei na frente deles. Choro um bocado. Sempre fui llorona. E sempre me foi permitido ser. “Menina não chora”. Isso não rolava. Isso nos era permitido. E eu aproveitei. Choro de tristeza, de raiva, de horror, de gozo, de saudade, de alegria. Choro com vídeos de superação, luto, bichinhos nascendo, bebês aprendendo algo. Choro de gargalhar (the lícia esse choro). Convoquei Ana Alexandrino minha fotógrafa de sempre, caprina, pra me registrar segurando esse quadro da Maria. O Climão teve aquele meu carão na capa. Aos prantos tenho outro rosto, em forma de pintura. Sou antiga, não posso evitar cronos pra mim. Já havia trabalhado com Pedro Colombo fazendo o clipe de Puro Disfarce. Pedro conseguiu reunir elementos dessa fotografia, desse quadro, desse álbum, dessas músicas, da minha água, e elaborar essa belíssima capa do próximo disco. Vestido Ateliê Guto Carvalhoneto, styling Luiz Wachelke.
E lá vou eu ouvir o concerto para 2 violinos em Ré menor. Recomendo.

E ainda linkou o tal concerto: “quem quiser chorar, 4:22 era a hora em que eu não sabia se estava viva”.