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20thcenturyflicks

O cineasta inglês Arthur Cauty fez um minidocumentário sobre o único estabelecimento que ainda aluga filmes (e até em VHS!), a inglesa 20th Century Flicks, que foi fundada nos anos 80 e sobrevive a todos os modismos – contando inclusive com duas salas de exibição, a Videodrome, para 18 pessoas, e a Kino, para 11. Que maravilha!

arca2020

A produtora venezuelana Arca, queridinha de titãs do pop atual como Björk, Kanye West, Frank Ocean e FKA Twigs, deu um xeque ao lançar seu novo single. Batizado com o incomum nome de “@@@@@”, sua nova obra de sessenta e dois minutos que enfileira diferentes climas e atmosferas sonoras cujo fluxo musical caminha entre um DJ set autoral, uma mixtape ou até mesmo um álbum sem as pausas entre as faixas. Mas ele preferiu chamar o novo material de single e com isso propõe subliminarmente uma discussão sobre formatos no pop atual.

Em um tempo em que artistas discutem o fim do formato álbum, a aposta em singles, a obrigatoriedade do clipe ou a ascensão dos EPs e mixtapes, “@@@@@” expande esta questão para todos os horizontes possíveis, mostrando como a retenção de atenção do ouvinte (e telespectador) por parcos minutos é uma briga apenas mercadológica e propõe uma canção enorme dividida em trinta partes – que ela chama de “quantum” -, cada uma dela com seu título específico, nomes como “Diva”, “Construct”, “Travesti”, “Amputee”, “Avasallada”, “Pacifier”, “Chipilina”, “X”, “Murciélaga” e “Bebé”. O próprio fato de ter sido lançado como um vídeo, traz a imagem pós-apocalíptica com a produtora nua e plugada sobre um carro em um ferro-velho em chamas, com sua própria imagem dançando em uma tela holográfica ao fundo, uma imagem única, em constante movimento e repetição, mas que se estende por toda a duração do clipe, como uma capa de disco em uma outra dimensão.

E é claro que não se trata apenas de formatos – e o som de Arca é um sobrevôo por paisagens que transcedem a imagem distópica do clipe. Ela passeia por horizontes alienígenas de todas as matizes possíveis, da intensidade noise industrial a um ricochete pós-techno de beats eletrônico, passando por planícies ambient, samples de risadas e acidentes de carro, enxames de breakcore, fogs de ruído elétrico, drill’n’bass, reggaton picotado e padrões repetitivos de glitches eletrônicos às vezes sobrepondo duas – ou mais – destas realidades musicais ao mesmo tempo. A sensação é de desprendimento da realidade, como se estivéssemos sonhando um sonho de outra pessoa – o da própria artista. Que, por sua vez, canta nas próprias faixas pela primeira vez.

O single estrou na semana passada na rádio NTS e logo depois a própria Arca explicou a temática deste trabalho: “‘@@@@@’ é uma transmissão enviada para este mundo a partir de um universo ficcional especulativo em que a forma fundamentalmente analógica da rádio FN pirata continua uma das poucas formas de se escapar da vigilância autoritária alimentada por uma consciência refém gerada por uma inteligência artificial pós-singularidade. A apresentadora do programa, conhecida como DIVA EXPERIMENTAL vive em múltiplos corpos no espaço devido à sua perseguição – e para matá-la, é preciso primeiro encontrar todos seus corpos. Os corpos que hospedam seus fetiches malucos por paralinguística quebram a quarta parede e nutrem uma fé mutante no amor em frente ao medo.”

Pesado. E como ela quis deixar claro: é um single.

stephen-malkmus-shadowbanned

Revelando mais uma faixa de seu novo álbum, Traditional Techniques, o mestre Stephen Malkmus agora olha para este mundo digital que coabitamos com um leve e bem-vindo estranhamento, seja apagando-se pixeladamente de velhos vídeos do Pavement ou transformando-se em uma máscara eletrônica tipo um filtro para vídeo selfies no Instagram – cujo tema é ele mesmo! A letra de “Shadowbanned” segue o tom macabro apocalíptico do clipe, falando em karma reddit, rios de Red Bull, paródias de TED Talks e momentos de picos de interação, numa letra meio beat, meio dada, sobre um country lento que parece rogar uma praga irônica: “Que a palavra se espalhe como um emoji quebrado”, canta, enquanto chapas de Malkmus utilizam o tal filtro e revelam seus rostos em microssegundos – pisque e perca Sharon Van Etten, Mac DeMarco, Kim Gordon, Jason Schwartzman, Kurt Vile, Conor Oberst, entre outros).

disclosure-2020

Não era um disco cheio, mas apenas um EP. Depois de lançar três faixas em seguida durante a semana, a dupla inglesa Disclosure fechou as novidades do mês reunindo as três e outras duas inéditas num EP lançado de surpresa nesta sexta, batizando-o com o nome da primeira faixa lançada. O EP Ecstasy ainda inclui “Tondo” e “Expressing What Matters”, além de incluir “Etran”, construída a partir de um sample da banda nigeriana Etran Finatawa, e “Get Close”, uma faixa antiga que o grupo nunca havia lançado. O novo disco funciona como chamariz pra série de shows que os irmãos Guy e Howard Lawrence farão este semestre, com passagens por festivais como Coachella (EUA) e Primavera (Espanha). Aumenta o som!

A capa e ordem das músicas do EP seguem abaixo.

disclosure-ecstasy-ep

“Ecstasy”
“Tondo”
“Expressing What Matters”
“Etran”
“Get Close”

INXS via National

nevertearusapart

Organizada pela cantora e compositora australiana Julia Stone, a coletânea Songs for Australia foi criada como uma forma de arrecadar fundos para as vítimas dos incêndios na Austrália, reunindo artistas de todo o mundo para doar versões para músicas conhecidas de artistas australianos – e assim Julia trouxe nomes como Damien Rice, Kurt Vile, Martha Wainwright, entre outros, para regravar músicas de Nick Cave, Goyte, Sia e outros tantos (além de ela mesma ter lançado o projeto com sua versão besta para “Beds Are Burning” do Midnight Oil). Nesta quinta-feira foi a vez do grupo norte-americano The National mostrar sua versão comportada para a bela “Never Tear Us Apart”, a maior balada do INXS.

O projeto, chamado Songs for Australia, está vendendo a coletânea em seu site, além de mostrar outras formas de colaborar com a iniciativa.

O vôo do Four Tet

baby-fourtet

Kieran Hebden reforça a chegada do novo novo álbum de seu projeto Four Tet, Sixteen Oceans, que chega agora em março, om um simples, belo e épico clipe para “Baby”, colaboração com Ellie Goulding, que lançou no início deste ano.

sza-justin-timberlake

A última vez que Justin Timberlake emplacou um hit foi quando fez a música-tema para o filme Trolls, “Can’t Stop the Feeling“, em 2016, que lhe valeu até um Grammy. Então talvez seja uma boa notícia que ele volta à pista de dança com outra música-tema para a mesma franquia infantil, que ganha continuação com o título de Trolls World Tour. E para ajudá-lo a voltar com estilo, Justin chamou SZA, que ajudou a temperar a ótima “The Other Side”, produzida pelo sueco Max Martin, o mago por trás de hits como “…Baby One More Time” de Britney Spears, “I Kissed a Girl”, “Roar” e “Dark Horse” de Katy Perry, “Shake It Off”, “Blank Space” e “Bad Blood” de Taylor Swift e “Can’t Feel My Face” do Weeknd – além de ter produzido a música de Justin no filme anterior.

Bem-vindo de volta à pista de dança, sentimos sua falta.

Mais uma pérola desenterrada pelo Mutlei: a íntegra do show do Teenage Fanclub no festival de Reading em 1992, aquele que, por algum motivo estranho e aleatório, passou na Bandeirantes naquele mesmo ano, causando comoção em quem acompanhava as notícias de música no conta-gotas da imprensa imprensa (lembre-se que não havia a internet como a conhecemos hoje naquele momnento). Showzão.

“So Far Gone”
“Mr. Tambourine Man”
“What You Do to Me”
“Star Sign”
“God Knows It’s True”
“Take the Skinheads Bowling”
“The Concept”
“Everything Flows”
“Satan”

funhouse_50

Um dos discos mais intensos da história do rock, o Fun House, segundo disco dos Stooges, ganha uma versão de aniversário que se desdobra numa caixa com 15 (!) LPs, que dissecam esta obra-prima do barulho com um microscópio, incluindo não apenas uma edição dupla do disco original em 45 RPM como todas as gravações feitas no estúdio, que já tinham aparecido na caixa The Complete Fun House Sessions, lançada em 2005, que chega pela primeira vez em vinil.

Além disso, a caixa também traz o pirata ao vivo Have Some Fun: Live At Ungano’s (gravado na casa de shows em Nova York no dia 17 de agosto de 1970, com o roadie Zeke Zettner no lugar do baixista Dave Alexander, que estava muito bêbado para subir no palco), dois compactos de sete polegadas (“Down On The Street” e “I Feel Alright”, “Down On The Street” (Single Mix) e “I Feel Alright” (Single Mix)), um livro com 28 páginas com fotos inéditas e um ensaio assinado por Henry Rollins, além de textos de Flea, Joan Jett, Shirley Manson, Thurston Moore, Tom Morello, Karen O, Mike Watt, entre outros, réplicas de pôsteres e flyers e um adaptador para ouvir discos 45 RPM. Esta versão terá apenas 1970 cópias e custa 400 dólares – e já está em pré-venda.

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George Eveyln já misturava funk, soul, reggae, hip hop e jazz em suas discotecagens na noite inglesa e arriscou levar aquela mistura em composições próprias no ótimo A World of Science, que lançou em 1991 sob o nome artístico Nightmares on Wax, num dos primeiros discos lançados pela gravadora Warp. Quatro anos depois, ele aperfeiçoou aquela mistura e ao lado de uma banda composta por Chris Dawkins na guitarra, Robin Taylor-Firth nos teclados, Hamlet Luton no baixo e Shovell na percussão e lançou um dos principais discos da história do trip hop, desbravando uma fronteira que misturava jazz funk com maconha que o Massive Attack abandonou logo após seu disco de estreia.

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Smokers Delight, lançado em 1995, é dessas obras-primas atemporais, a principal abordagem hip hop do gênero iniciado em Bristol pelo Massive Attack e pelo Portishead. Ao trabalhar com samples e trechos de outras músicas como pontos de partida de suas faixas, Evelyn ampliava o horizonte do mundo do rap para além do texto, conversando imediatamente com outros DJs que faziam isso em outros pontos do planeta no fim do século vinte, como DJ Shadow em Los Angeles, DJ Cam em Paris, o Company Flow em Nova York, Q-Bert e Dan the Automator em São Francisco, Rob Swift na Inglaterra e os Avalanches na Austrália, pioneiros que cultivaram o terreno que, na década seguinte, viu nascer carreiras de nomes como J Dilla, Madlib, RJD2, Flying Lotus, K Def, The Alchemist, entre muitos outros.

Pois o disco ressurge 25 anos depois em versão comemorativa em vinil que será relançada em abril (já em pré-venda) e que traz faixas extras inspiradas no disco original, reunida sob o nome de Sonic Buds. Além de duas músicas inéditas (“Aquaself” e “Let’s Ascend”, ouça esta a seguir), ainda há uma versão remixada para “Dreddoverboard” bem como uma versão ao vivo para “Nights Introlude” gravada em Chicago, nos EUA, em 2014.

smokersdelight

“Nights Introlude”
“Dreddoverboard”
“Pipes Honour”
“Me + You”
“Stars”
“Wait a Minute/Praying For A Jeepbeat”
“Groove St.”
“Time (To Listen)”
“(Man) Tha Journey”
“Bless My Soul”
“Cruise (Don’t Stop)”
“Mission Venice”
“What I’m Feelin (Good)”
“Rise”
“Rise (Reprise)”
“Gambia Via Vagator Beach”

‘Sonic Buds’
“Aquaself”
“Let’s Ascend”
“Dreddoverboard (Funk Mix)”
“Nights Introlude (Live In Chicago)”