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O dono dos Chromatics, o produtor Johnny Jewel, foi convidado para remixar a faixa-título do melhor álbum do ano passado, All Mirrors, de Angel Olsen, mas embora este encontro onírico pudesse nos levar para um lado doce e anestesiado (afinal, o ponto de contato entre os dois artistas é o clima da série Twin Peeaks), mas ele estranhamente a transporta para um outro lugar, uma pista de dança em que o soul dos anos 80 encontra o maximalismo do fim da primeira década do século – e o que parece desconfortável à primeira audição ganha camadas de sutilezas à medida em que nos acostumamos com o remix, uma jóia.

domesticated

Depois de casar (com a DJ Amandine de la Richardière) e ter filhos durante a década passada, o produtor francês Sébastien Tellier tem repensado bastante sua carreira e ao anunciar o novo álbum Domesticated com seu primeiro single, “Domestic Tasks”, deixa claro o quanto a vida do lar afetou sua estética, optando por uma toada mais tranquila e, por que não, caseira. Um bom tom para esta era quarentenada que vivemos.

O disco já está em pré-venda e sai no final de maio.

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Como a maioria dos músicos durante esta quarentena, Angel Olsen resolveu experimentar – e usou seu canal no IGTV do Instagram para iniciar uma série de versões de algumas de suas músicas favoritas. Tudo gravado com o celular, um filtro com cara de filme velho e ela cantando clássicos da Tori Amos e do Roxy Music – só a versão para “More Than This”, que abriu a nova fase, já valeu o projeto todo. Olha que deslumbrante:

Ela também gravou uma versão para o standard italiano “Il Cielo in una Stanza”:

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Il cielo in una stanza The sky in a room When you're here with me Quando sei qui con me This room has no more walls Questa stanza non ha più pareti But trees Ma alberi Infinite trees Alberi infiniti When you're here near me Quando tu sei qui vicino a me This purple ceiling Questo soffitto viola No, it no longer exists No, non esiste più I see the sky above us Io vedo il cielo sopra noi That we stay here Che restiamo qui Abandoned Abbandonati As if it were gone Come se non ci fosse più Nothing, nothing in the world anymore Niente, più niente al mondo He plays a harmonica Suona un'armonica It looks like an organ Mi sembra un organo That vibrates for you and me Che vibra per te e per me Up in the immensity of the sky Su nell'immensità del cielo He plays a harmonica Suona un'armonica It looks like an organ Mi sembra un organo That vibrates for you and me Che vibra per te e per me Grazie Mille, viva brocioli

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E seguiu para o piano, onde gravou “Winter”, da Tori Amos.

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Took several tries to get this one down, who knew ? I’m 15 again. I’m gonna continue to post these covers and short videos, mainly to stay limber and experiment-but I’ve decided to do a legit livestream for the band and crew and other musicians in need. I hope you’ll join me, it’ll be a mix of old and new and a few never played before..I’ll probably play about an hour or more. Thankyou all for your support during this surreal moment in time, I’ll do my best to throw some surprises in. Any requests? Still At Home: An Evening of Songs on Piano and Guitar. A ticketed livestream full set – this Saturday April 11 at 3pm PT / 6pm ET / 10pm GMT. Tickets are $12 in advance and $15 day of show with proceeds going to the MusiCares COVID-19 Relief Effort and directly to my touring band and crew who, like so many artists and musicians, have been affected. Ticket Link in bio. Anyone who purchases a ticket has 24 hours to view the set from when it initially airs. Buy tickets and view livestream at: angelolsen.veeps.com and at link in bio

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Ao lançar esta última, escreveu que, ao gravar esta versão voltou a ter 15 anos. E aproveitou para dizer que continuaria publicando estas versões, mas que faria uma live fechada para levantar fundos para sua banda e equipe neste sábado (mais informações aqui). Ela ainda acrescentou que aceita sugestões do público. Que artista!

pipo

O músico e produtor paulista Pipo Pegoraro começou o ano lançando seu ótimo Antropocósmico, disco de jazz funk instrumental que passeia pela música eletrônica, o pop do inicio dos anos 80 e pelo trip hop em uma viagem pesada ao lado do baterista Daniel Pinheiro, do trombonista Victor Fão e do percussionista Ricardo Braga. Pilotando sintetizadores e baixo, o músico e produtor lança o primeiro clipe deste trabalho em primeira mão no Trabalho Sujo, uma versão visual para a faixa-título em que o animador Vital Pasquale transformou o groove repetitivo da faixa em uma jornada retrô e psicodélica, misturando o espaço sideral, a geometria e o corpo humano como elementos de uma viagem intergalática – para dentro.

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Pelo visto o novo disco dos Strokes, The New Abnormal, que será lançado na próxima sexta, repassa as diferentes fases que a banda nova-iorquina – e depois do feliz single “Bad Decisions” revisitar seus primeiros anos, o grupo solta “Brooklyn Bridge to Chorus”, que parece ter saído diretamente da fase Angles da banda, de quase dez anos atrás (só que com mais guitarras que naquela época). Boa música.

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O mexicano Alan Palomo, o nome por trás do Neon Indian, encontrou uma forma bondosa de prestar seu débito à italo house ao ser convidado para fazer um set para o festival italiano Ortigia Sound System. Dedicou sua hora de mixagem a esse delicioso subgênero da disco music que caminha entre o épico e o cafona, o romântico e o robótico e decidiu que os fundos arrecadados com esta colaboração iriam para ajudar às vítimas do coronavírus na região do festival, em Siracusa. E ele viaja bonito, mostrando uma faceta desconhecida para seus fãs.

Risque – “Starlight”
Spanish Crash – “Life is Now Pt. 2”
Gang – “KKK (Club Mix)”
Mito – “Unit (Incl. Toccata E Fuga in Re Minore)”
Radiators – “I am Sure”
Gaznevada – “Special Agent Man (Female Version)”
B.W.H. – “Stop”
Talko – “The Hustle (Instrumental)”
Silvie Stone – “Charming Prince ”
The Creatures – “Machine’s Drama”
S.C.O.R.T.A. – “Pertini Dance (1984 Italo Mustache Edit)”
M-Basic – “OK Run”
La Bionda – “I Wanna Be Your Lover”
Evo – “Din Don”
Domina – “You’ve Got my Soul”
Frank Tavaglione – “Tumidanda (Italian Diversion)”
Lowell – “No Matter”
Maurice Mcgee – “Do I Do (Edit)”
Peter Richard – “Marlene”
Clio – “Faces”
Fabio Xeno – “It’s Droad Day Light”
Plustwo – “Melody”
Patrizia Pellegrino – “Il Mondo Di Una Nuovola”
Videoclub – “Lost Time”
The Immortals – “Ultimate Warlord”
Casco – “Cybernetic Love”

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Como quem não quer nada, Frank Ocean escorreu um single nesta sexta-feira revelando versões acústicas de duas músicas que já tinha mostrado trechos em remixes feitos por amigos: “Cayendo”, remixada pelo Sango, e “Dear April”, que ficou com a dupla francesa Justice. Nas novas versões, que possivelmente não serão as mesmas do disco que está vindo aí, ele afasta-se da vibe rap futurista que caracterizavam as duas faixas que havia mostrado (“DHL” e “In My Room“) para voltar-se ao soul sintético que é mais próximo de seu disco mais recente, Blonde – mas como são versões acústicas, não dá para saber se elas são próximas da versão que provavelmente está no disco. “Cayendo” especificamente se destaca, muito por Frank cantar em espanhol (“cayendo” quer dizer “caindo”).

E cada faixa tem uma silhueta de uma foto sua como marca, de acordo com o código que revelou logo que passou a mostrar as novas músicas – ou seja, elas realmente fazem parte do próximo disco.

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Como se não bastasse a pandemia, que já tinha estragado os planos de lançamento do primeiro disco solo de Ed O’Brien, guitarrista do Radiohead pegou o coronavírus ainda por cima. Enquanto esperamos que se recupere prontamente, ele segue o trabalho de divulgação do disco, que será lançado no próximo dia 17, e mostra mais uma nova faixa, a longa “Olympic”, que tem produção do guru eletrônico Flood e finalmente começa a revelar mais consistência do que as faixas que havia mostrado antes – que eram boas, mas só isso.

Com essa nova faixa, fica a esperança que o disco chegue perto dos outros trabalhos solo dos seus companheiros de banda – que nunca chegam perto de seu trabalho conjunto, mas mostram os diferentes aspectos individuais que explicam a força do Radiohead como um conjunto.

Quarentena indie

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Mesmo com seu Guitar Days inscrito em festivais de cinema (o que impede de disponibilizar o conteúdo online para garantir o ineditismo em uma competição), o diretor Caio Augusto Braga conseguiu uma brecha para exibir neste sábado seu documentário sobre as guitar bands brasileiras influenciadas pelo indie rock norte-americano e inglês a partir dos anos 90. Guitar Days pode ser assistido entre as 15h e as 18h deste sábado no link abaixo, e logo após esta exibição eu assumo o Instagram do documentário (@guitardaysdoc) para entrar ao vivo numa entrevista com o diretor – e outros nomes que fazem parte do documentário para falar sobre o filme. Além da exibição, haverá sorteio de brindes durante a live (mais informações aqui).

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Perdemos nesta sexta-feira um dos últimos gênios vivos da soul music, Bill Withers. Morreu do coração, não foi da epidemia.

Vou ter que fazer um Vida Fodona sobre ele, óbvio…