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Calor do coração

“Essa música é sobre a Casa do Mancha, mas podia ser sobre o Picles também”, comentou o guitarrista Vicente Tassara antes de começar a minha música favorita de sua banda, os Pelados, “Yo La Tengo na Casa do Mancha”, quando se entregam ao transe do épico de quase oito minutos sobre a falta de adequação em ambientes públicos. E, realmente, tocando em mais uma edição lotada do Inferninho Trabalho Sujo, a banda fez jus à vibe da canção, da festa e do sobrado da Cardeal Arcoverde, reforçando a importância deste novo momento em que finalmente podemos estar numa pequena multidão e nos sentir bem novamente, quentes no inverno, acolhidos entre amigos, todo mundo doido e ouvindo música no talo. Foi uma boa forma de comemorar a boa notícia dessa sexta (sem precisar citar nomes, você sabe) e encerrar o primeiro semestre deste 2023 que até aqui tem sido um ótimo ano. E a festa foi daquelas, pra variar, mas quem foi sabe…

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Na edição da vez do meu programa sobre jornalismo, convido o casal Amanda Mont’Alvão e Vinicius Castro para contar a história do site Sounds Like Us bem quando eles comemoram aniversário. É a deixa para falar de um site escrito a quatro mãos e baseado em um jornalismo que cobre música de forma afetiva, inspirado mais pelas referências e memórias de seus autores do que por ganchos propriamente noticiosos. Conversei com os dois sobre a origem do site, como ele funciona como uma comunidade e sobre os planos futuros – além de dar uma cutucada pra que um deles possa acontecer e logo. A festa de aniversário acontece no Fffront, com direito a karaokê ao vivo de rock dos anos 90 com a banda Twinpines. O Fffront fica na rua Purpurina, 199, na Vila Madalena, e a festa acontece no dia 1° de julho de 2023 a partir das 19h, mais informações aqui).

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Na nova edição do meu programa sobre HQ lá do meu canal no YouTube, aproveito o lançamento do mais novo livro de Allan Sieber – seu primeiro trabalho infantil, As Sete Vidas do Gato Jouralbo, lançado pela Bebel Books – para conversar sobre sua trajetória nesta área. Sieber volta no tempo para lembrar do pai que lhe apresentou às artes gráficas, suas primeiras inspiirações, a descoberta da autopublicação pré-internet com seu clássico fanzine Glória! Glória! Aleluia!, suas incursões pela animação no comando da produtora Toscographics, a influência da paternidade em sua obra e como ele paga suas contas atualmente (tanto com seu diário online, quanto com a venda online de suas telas). Aproveito a deixa para falar sobre as semelhanças entre animação e quadrinhos, a dificuldade tecnológica para desenhar no computador e pinçar palavras de encorajamento para quem está pensando em viver desta arte. Allan lança seu novo livro neste fim de semana em São Paulo: nesta sexta, dia 30 de junho ele estará na Livraria Miúda, autografando seus livros a partir das 16h, e no dia 1° de julho, sábado, estará no Sesc Pompeia, quando participa de um bate-papo com a Bebel Abreu (da editora Bebel Books) e com outra lenda-viva do quadrinho brasileiro, Fábrio Zimbres, a partir das 17h30.

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Ainda não sabemos se o Blur toca no Brasil esse ano – nem se toca no Primavera ou no Popload -, mas o grupo inglês tem compromisso marcado neste julho com o lançamento de seu novo disco de inéditas, cuja expectativa aumenta com uma música nova: “St. Charles Square”, o segundo single de The Ballad of Darren, talvez seja o mais próximo que o grupo liderado por Damon Albarn tenha chegado de volta à sonoridade que o tornou popular nos anos 90, o britpop. A principal diferença é a força das guitarras de Graham Coxon, que nunca soaram tão barulhentas quanto nessa nova música.

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“Agora, vamos ver e ouvir um artista que, segundo ele, já transou com deus e o lobisomem. Ele vem da Bahia. Fez uma carreira rápida e cheia de sucessos marcados. Ele é Krig-ha, Bandolo! Ele é Ouro de Tolo! Ele é Mata Virgem! Abre-te Sésamo! Ele é Raul Seixas!”, assim a apresentadora da TV Cultura Aizita Nascimento anunciou a atração que encerraria o penúltimo dia do festival Música na Praia, que aconteceu na praia do Gonzaga, em Santos, no litoral paulista, entre os dias 7 a 14 de fevereiro de 1982, neste que seria um show histórico para a biografia do cantor, à época com parcos 38 anos. Com a mudança de ares da nova década, o bruxo baiano parecia ter sido ultrapassado e as vendas de seus discos caíam à medida em que as gravadoras, rádios e TVs pareciam ter perdido interesse em sua figura.

O festival santista traria shows de nomes consagrados (Erasmo Carlos, Benito di Paula, Zé Ramalho, Wanderléa) e novatos (Joanna, Roupa Nova, entre outros) e sua principal atração anunciada era Elis Regina, que morrera no dia 19 de janeiro daquele ano. A organização do festival preferiu não buscar nenhum outro nome para substituí-la (optando por um tocante momento em que um microfone era iluminado sozinho sem que houvesse mais ninguém no palco, enquanto tocava-se “Fascinação” no som do evento), o que tornou o show de Raul o mais disputado da semana. Reunindo mais de cem mil pessoas numa apresentação coalhada de hits (“Roque do Diabo”, “Trem das Sete”, “Abre-te Sésamo”, “Maluco Beleza”, “Al Capone”, “Sociedade Alternativa”, “Como Vovó Já Dizia”, “Aluga-se”, “Metamorfose Ambulante”, entre várias outras) , Raul fez um dos maiores shows de sua carreira que, por ter sido transmitido pela TV, acabou tornando-se um disco pirata clássico de sua discografia, item raro entre colecionadores atualmente.

“Essa época caótica que nós tamos vivendo aqui é prenúncio de um novo tempo! Tem que ser! A gente não para”, bradou no meio do show uma frase que poderia tranquilamente ser dita em 2023. A repercussão deste show fez com que Raul voltasse à boca das pessoas e no ano seguinte ele era contratado pela Rede Globo para compor a música-tema do especial infantil Plunct, Plact, Zuuum, tornando a faixa “Carimbador Maluco” seu primeiro grande hit da década. Se estivesse vivo, Raul, que morreu em 1989, completaria 78 anos e para comemorar o aniversário, o canal oficial do maluco beleza no YouTube disponibilizou a íntegra em vídeo deste show numa qualidade excelente tanto de som quanto de imagem. Por isso, toca Raul!

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Ao final de sua apresentação no Centro da Terra nesta terça-feira, Bruno Bruni começou a listar a quantidade de músicos que haviam participado de seu ainda não lançado terceiro disco – que, em vez de trazê-los todos para o palco, preferiu sampleá-los e armazenar em sua MPC – e perdeu a conta quando passou dos vinte convidados. Para não perder-se entre tantas pessoas, fez o show com seu teclado, a bateria de músicos pré-gravados e contou com o sax de Thomaz Souza o acompanhando por todas as músicas e uma sequência de vocalistas de tirar o fôlego – além de Marina Marchi e Flavia K., que já fazem parte de sua entourage musical, Bruni convidou Laura Lavieri, Marina Nemésio e Fernando Soares para acompanhá-los em músicas que nunca foram tocadas ao vivo, com a ênfase no groove que é a característica da trilogia Broovin, que está fechando com o lançamento do próximo álbum, semestre que vem. Foi bonito.

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Um novo Futurama

Não sei o que é mais impressionante: o fato de ninguém ter notado o quanto Futurama fez falta nos últimos dez anos ou que o segundo desenho animado mais conhecido de Matt Groening estar voltando ao ar como se nada tivesse acontecido. O serviço de streaming Hulu encomendou 20 novos episódios da série estrelada por Fry, Bender e Leela no início do ano e acabou de liberar o trailer da nova – a décima primeira – temporada do desenho, que estreia no próximo dia 24 e terá dez episódios, o que nos faz supor que a décima segunda temporada já está sendo produzida. O desenho estreou em 1999 e é uma extensa e hilária crítica à ideia de que o futuro é brilhante e que a tecnologia é nossa redentora. Pelo trailer, o desenho parece querer tirar o atraso dos anos sem o seriado com piadas sobre temas já manjados como criptomoedas e testes de covid, mas só o fato de termos seus episódios de volta nos faz dar um desconto para que seu universo em suspensão possa voltar a se realinhar com o nosso. Mesmo sem a popularidade dos Simpsons, a obra mais conhecida de seu criador, Futurama é mais complexo e certeiro que o seriado da família amarela (“não é ficção”, brincam seus autores desde o primeiro episódio, quando levam um jovem do final do século 20 para o ano 3000) e sua volta deve ser celebrada, abrindo uma nesga de esperança que o mundo possa voltar aos trilhos que parecem ter evaporado a partir de 2013.

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Transe infinito

Partes iguais de jazz funk e rock psicodélico diluídas em brumas de dreampop com pitadas de música erudita, beats eletrônicos, indie rock e noise e o resultado foi um pós-rock tão doce quanto intempestivo, uma apresentação ao vivo ao mesmo tempo improvisada e familiar, que convertia a estranheza do que era inventado instantaneamente numa sensação de sonho, tirando nossa noção de tempo enquanto nos mergulhavam no transe infinito. Assim foi a última noite da temporada Mil Fitas que Sue e Desirée Marantes fizeram no Centro da Terra nesta segunda-feira, quando reuniram o trio instrumental Ema Stoned, a produtora e musicista gaúcha Saskia e o guitarrista goiano Dinho Almeida. Estas almas se convertiam em música ao trocar de instrumentos para explorar novas fronteiras e assim Desirée revezava-se entre o violino, teclados e o piano, também explorado pela guitarrista do Ema Stoned Al Duarte e pela gaúcha Saskia, que também aventurou-se pelos vocais e com o baixo, enquanto a baterista Theo Charbel assumiu os vocais em certa passagem, enquanto a baixista de sua banda, Elke Lamers, experimentava nos teclados e synths enquanto Dinho cantava e tocava guitarra, como Sue, que também disparava beats e samples de vozes faladas. Foi a primeira vez que os seis tocaram juntos e parecia que se conheciam há anos de palco. Uma apresentação mágica, pronta para circular pelos palcos do Brasil – e que fechou lindamente a safra de shows conduzida pelas duas produtoras.

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A gente não tá pronto pra esses shows do Cure que vem aí: postei lá no #trabalhosujo a íntegra do primeiro show que o grupo fez em Nova York na semana passada e putaqueopariu vai ser muito foda. Há quem reclame que o começo do show é só música nova ou desconhecida e que os hits ficam pro final, mas esses infiéis nem deveriam pisar num show do Cure, que é muito mais do que sucessos comerciais pra se cantar junto e sim a criação dessa atmosfera pesada, melancólica e doce ao mesmo tempo. Dá uma sacada nesse setlist (aí embaixo) e na encostadinha de cabeça no ombro que o Robert Smith dá no Simon Gallup no final de “A Forest”. E a voz do sujeito, intacta! Vai ser foda demais 🖤

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Sem avisar ninguém, o guitarrista dos Boogarins, Benke Ferraz, lançou seu primeiro disco solo a partir de uma série de experimentos que vinha fazendo sempre que começava alguma produção, seja dos trabalhos de sua banda ou para outros artistas. Rock eletrônico lo-fi sem cara de canção, o disco tem cinco músicas e foi lançado com o nome Benkes, que o guitarrista usava quando ainda lançava suas músicas no Last.fm, antes dos Boogarins existir. “No meu processo de criação e produção eu acabo acumulando muitas ideias e propostas nos HDs e nas máquinas, tentando atingir sonoridades que façam jus ao que a galera espera”, ele me explica por Whatsapp, falando sobre o disco que só lançou no YouTube, batizado de Babymonster, “esses sons vêm desse lugar totalmente seguro da criação”. O título do disco é referência tanto à recém-patenidade do produtor (o EP sai no mesmo dia em que seu filho Rafael, que estampa a capa, completa cinco meses) quanto ao universo do pop coreano, que foi apresentado por sua filha mais velha, Letícia, que participa do disco tanto quanto sua mãe, Ana Garcia, a dona do festival Coquetel Molotov, que estreia sua voz em disco. “O nome Babymonster assim com os títulos das músicas em coreano tem muito a ver com a minha imersão no mundo do Kpop, não em termos estéticos e sonoros, mas tentar entender quão aleatório esse algoritmo que tanto nos sabota, pra jogar esse rock eletrônico com riffs, beats e sujeira pra uma molecada que nem saberia como procurar esse tipo de som”.

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