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A parceria da cantora curitibana Betina com o grupo sergipano Cidade Dormitório apareceu no disco que o grupo lançou no ano passado, mas só ganha clipe este ano, quando a diretora Alice Stamato convenceu os dois a retratar a romance descrito na faixa como uma relação lésbica. “Essa música de amor retrata o distanciamento, o desmembramento e o reconhecimento individual, assim como as placas tectônicas que se afastam após uma colisão”, teoriza Betina. “Ela destaca especialmente o momento da separação física e mental, mesmo que os indivíduos não consigam se afastar emocionalmente.” O clipe estreia nesta sexta-feira, mas já pode ser assistido em primeira mão aqui no Trabalho Sujo.

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(Foto: Juh Almeida/Divulgação)

Depois de acompanhar artistas como Fernando Catatau e Bárbara Eugênia, a pianista brasiliense Paola Lappicy começa a mostrar seu primeiro disco solo, abrindo os trabalhos com a faixa-título, “Choro Fácil”, que será lançada nessa sexta-feira mas que ela antecipa em primeira mão aqui para o Trabalho Sujo. A canção originalmente era só uma pequena vinheta de abertura apenas com piano e cello, “mas aí eu chamei mais gente pra tocar junto, foi virando outra coisa e eu comecei a bricnar com uma letra inspirada no Notícias Escrevinhadas na Beira da Estrada, da Matilde Campilho”, explica Paola. Ela já havia lançado duas músicas gravadas de forma quase caseira em 2019, mas boa parte do disco foi escrita nos últimos anos, já sob a péssima influência deste periodo horroroso de doença e extrema-direita, o que dá o tom triste e amedrontado do disco. “Eu fiz um pouco um movimento de abraçar isso, mas com um certo humor”, explica.

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Depois de uma temporada na Holanda, o cantor e compositor Gabriel Milliet voltou para o Brasil com a mala cheia de novas canções, boa parte delas falando sobre a distância e a saudade do Brasil e o fato de estar morando em outro país. De volta pra nossas bandas desde o ano passado, ele começou a pensar em seu primeiro álbum e começa a mostrá-lo a partir desta sexta, quando lança o primeiro single, “Silêncio Brutal”, que ele antecipa em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. Gabriel explica que escolheu essa música para começar seus trabalhos de forma menos racional, mais por ela parecer uma música de abertura: “Ela tem tanto o lado introspectivo e autobiográfico da poesia do álbum como um olhar pra São Paulo como um personagem longe e distante, que eu tinha saudade. Filmado e editado pelo próprio Gabriel numa câmera de VHS, o vídeo contrapõe imagens de São Paulo às do artista sozinho na mesma cidade, em cenas capturadas pelo amigo Pedro Pastoriz. “Trabalho fazendo trilha sonora pra audiovisual, achei legal estar do outro lado. Normalmente eu fico refém das imagens para fazer uma música que caiba, desta vez achei legal escolher que imagens vão estar na música”.

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Muito à vontade

Tila parecia nervosa mas no início da apresentação que fez nesta terça-feira no Centro da Terra, mas era só a apreensão natural de chegar no palco. Logo na segunda música de seu espetáculo Estelar ela já estava bem mais à vontade e foi ficando cada vez mais tranquila, deslizando sua voz macia entre músicas próprias e algumas alheias pinçadas a dedo, evidenciando a natureza feminina de sua apresentação: uma de Sílvia Machete (“Toda Bêbada Canta”), outra de Anelis Assumpção (“Eu Gosto Assim”), uma de Letícia Novaes nos tempos do Letuce (“Potência”) e ma música que Rita Lee compôs para Gal (“Me Recuso”), além de três do Péricles Cavalcanti (duas eternizadas por Gal, “O Céu e o Som” e “Quem Nasceu?”, e uma por Caetano, “Blues”). Acompanhada do trio Julio Lino, Yara Oliveira e Rafael Acerbi (este último também na direção musical da apresentação), ela ainda contou com a presença da diva Izzy Gordon, que ainda cantou uma música inédita de seu próximo disco. Começou bem.

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Voltamos às salas de cinema para assistir a uma obra-prima: Homem-Aranha: Através do Aranhaverso é um dos melhores filmes de super-herói de todos os tempos, senão o melhor. A continuação do desenho animado de 2018 supera o filme original em vários níveis, mesmo que você faça algumas ressalvas – e claro que eu e André Graciotti fazemos algumas em mais uma edição do nosso programa sobre cinema. Os saltos dados neste filme tanto no que diz respeito ao futuro dos super-heróis na telona, às possibilidades infinitas da animação e como este formato parece só estar começando são consideráveis e dedicamos um programa inteiro a essa discussão.

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Dentro do espelho

As duplas Antiprisma e Retrato provocaram uma imersão no Centro da Terra com seu espetáculo Reflexvs, quando contraporam suas duas características musicais a um conceito criado para mostrar a natureza dual do encontro dos dois grupos, que tocam como uma mesma banda mas mudam de cara quando assumem suas respectivas personalidades. Este conceito foi descrito pelo poeta Rodrigo Qohen, que narrou a primeira parte da apresentação com uma máquina de escrever enquanto cada uma das duplas apresentava-se sentada no chão do palco, apresentando suas características específicas Elisa Moreira e Victor José, do Antiprisma, puxaram para o folk e para o rock psicodélico, enquanto Ana Zumpano e Beeau Gomez, o Retrato, optaram pelo noise misturado com eletrônica. Na segunda parte da noite, Ana assumiu a bateria e Beeau foi para o baixo, formando a base do Antiprisma, que mostrou suas novíssimas canções pela primeira vez no palco – por vezes com instrumentos acústicos e em outras elétricos. Depois José assume o baixo e Beeau volta para a guitarra, enquanto Elisa segue na guitarra, mas deixa de cantar, deixando os vocais com o guitarrista e a baterista, mostrando as músicas do primeiro disco do Retrato. Uma apresentação conjunta que serviu para os dois grupos entenderem suas semelhanças e diferenças enquanto faziam isso na frente de todo mundo, contando com participações de outros músicos, como os sintetizadores de John Di Lallo, o contrabaixo acústico de Zé Mazzei e o violão e voz de Benti.

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E como a Olivia Rodrigo subiu alguns degraus neste novo single, hein? “Vampire”, lançado sexta passada, abre os trabalhos de seu segundo álbum, Guts (programado para sair em setembro), e evolui de uma balada lacrimosa e dramática para um soco na cara de um ex que não poupa palavras para tirar as vísceras de seu alvo: “Seis meses de tortura que você vendeu como um paraíso proibido, eu te amei de verdade, você deve rir dessa estupidez”, destila o rancor em seus versos à medida em que a música vai ficando mais agressiva, “Pois fiz grandes erros, mas você faz o pior deles parecer bom/ Eu devia ter estranhado que você só aparecia de noite/ Pensava que eu era esperta, mas você me fez parecer ingênua/ A forma como você me vendeu enquanto afundava seus dentes em mim/ Chupador de sangue, fodedor de fama, me sangrou até secar como um maldito vampiro”. Na primeira faixa do novo disco, ela segue um crescendo parecido com a faixa-título do segundo disco de Billie Eilish, Happier than Ever, mas trabalha com o mesmo assunto de uma forma muito mais intensa do que a de sua conterrânea da Califórnia. O clipe do novo single, dirigido por Petra Collins, transforma o início da faixa em uma citação de um clássico da Hammer (Drácula, o Perfil do Diabo, com Christopher Lee) num acidente de gravação que transforma-se numa perseguição policial e um ato de desespero, aumentando a tensão do clipe à medida em que a música torna-se mais trágica. Dá pra imaginar direitinho a convulsão catártica do público durante os shows…

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Egrégora musical

Às vésperas de lançar disco novo, Ava Rocha ainda encontrou tempo para revisitar mais um clássico da música brasileira que completa meio século neste 2023 neste fim de semana, no Sesc Ipiranga: o sexto disco de Gal Costa, Índia, que viu ela reunir uma constelação de nomes da música brasileira de seu tempo (Duprat, Verocai, Dominguinhos, Toninho Horta, Luizão, Wagner Tiso, Chico Batera, Wagner Tiso) para cantar um repertório repleto de canções modernas e tradicionais, de Lupicínio Rodrigues a Caetano Veloso, passando por uma música do folclore português arranjada por Gil, Tom Jobim, Luiz Melodia, Jards e Waly, Tuzé de Abreu e a guarânia que batiza o disco. Ava reuniu uma banda à altura do desafio e surfou na intensidade daquela onda e o show conduzido pelo violão de Negro Leo e o teclado de Chicão Montorfano, ainda contou com a bateria de Alana Ananias, o baixo de Pedro Dantas e a guitarra de Fernando Catatau. O resultado daquela egrégora de entidades fez o disco soar tão moderno e ousado quanto em seu lançamento e Ava, no centro daquele altar, invocou a presença de Gal com toda sua graça e força. Foi lindo – e tomara que ela possa voltar a esse repertório de vez em quando.

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Colosso brasileiro

Fazia tempo que um show não me emocionava tanto. Ver Edu Lobo às vésperas de completar 80 anos entregando-se a um repertório ao mesmo tempo mágico e intenso, tanto do ponto de vista temático quanto musical, me proporcionou uma sensação que há muito tempo não tinha, quando nostalgia e lembranças pessoais misturam-se à importância de uma obra com mais de 60 anos de idade e algumas canções tatuadas em nosso inconsciente como só hinos e orações conseguem se embrenhar. Com uma banda à sua altura – o maestro Cristóvão Bastos ao piano, o preciso Jurim Moreira na bateria, o gigante Jorge Helder no contrabaixo acústico e o grande Mauro Senise nas flautas e sax -, Edu ainda contou com o vocal e presença de palco deslumbrantes de Vanessa Moreno que, mesmo que caçula ao lado de mestres, estufou o peito e fez-se enorme. E olha que do lado de Edu Lobo isso não é fácil, afinal estamos falando de um compositor que é o ponto de convergência entre Chico Buarque e Tom Jobim, um lugar única na música brasileira – e do mundo. Mas ao contrário de seus compadres, Edu solta-se completamente no palco, deixando a timidez ou o tédio da labuta diária em último plano para encontrar com todos que vieram o reverenciar. E desfilou sua magnitude entre obras-primas de seu lado épico (“Casa Forte”, “Ave Rara”, “Vento Bravo”, “Zanzibar”, “Corrupião”) com suas celebrações à canção popular (“No Cordão da Saideira”, “Frevo Diabo”, “Choro Bandido”, “Gingado Dobrado”), suas deslumbrantes canções de amor (“A Mulher de Cada Porto”, “Noite de Verão”, “Sobre Todas as Coisas”, “Canto Triste” e “Pra Dizer Adeus”, desabei nessas duas últimas) e o cortejo do Circo Místico que ergueu com Chico (“Na Carreira”, “A História de Lily Braun”, “Ciranda da Bailarina” e “Beatriz”, esta acompanhado apenas do piano de Cristóvão), além de seus hits imortais (“Ponteio”, sua versão para “Trenzinho Caipira” de Villa-Lobos e “Corrida de Jangada”, que encerrou o show). Isso tudo completamente à vontade para brincar com sua idade, comemorar a inelegibilidade do “imbroxável”, como zombou, antes de levantar os dedos fazendo o L de Lula (para deleite do público), saudar seus velhos camaradas e elogiar a jovem cantora que o acompanhou nesta noite, além de apresentar uma música inédita, “Silêncio”. Um show para lavar a alma e começar bem a segunda metade de um ano que está sendo incrível.

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Jesus ao vivo

Sem lançar nada desde seu primeiro disco de inéditas deste século, Damage and Joy, que marcou o retorno da banda em 2017, o grupo escocês Jesus & Mary Chain quebra o jejum e anuncia seu terceiro disco ao vivo, Sunset 666, que será lançado no início de agosto. O registro vem de antes da pandemia, quando a banda abriu para o grupo Nine Inch Nails em uma temporada de seis datas no Hollywood Palladium, em Los Angeles, nos EUA, em dezembro daquele ano e as 12 primeiras faixas do álbum são da última aparição do grupo nesta leva de shows, no dia 15 de dezembro (as outras cinco são do show do dia 11). Entre as canções está o primeiro single do álbum, “Sometimes Always”, versão ao vivo para a canção do disco de 1994, Stoned & Dethroned, em que o vocalista Jim Reid dividia os vocais com Hope Sandoval, do Mazzy Star. Na nova versão, quem assume o vocal feminino é a ex-vocalista do grupo conterrâneo Belle & Sebastian, Isobel Campbell, que também canta na faixa “Black and Blues”, gravada no disco de 2017 com a vocalista Sky Ferreira. O disco já está em pré-venda e a ordem das faixas pode ser vista abaixo, bem como o primeiro single pode ser ouvido: Continue