
Só vi agora essa matéria que a Renata fez pro Metrópolis me pedindo pra traçar a conexão entre alguns livros e discos clássicos, mostrando como a literatura é fonte de inspiração pra música pop.
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Quando a pandemia começou, ainda nos primeiros meses de 2020 em que ninguém sabia nada e a paranoia estava ligada no último, um dos primeiros assombros artísticos foi a vinda do single “Murder Most Foul“, que, por mais de quinze minutos, Bob Dylan fazia um réquiem para o século 20 apontando o assassinato de John Kennedy como ponto focal tanto para o início da decadência dos EUA e o surgimento da cena cultural em que ele mesmo apareceu, como se a morte do presidente tivesse arruinado um sonho que só conseguiu sobreviver graças à cultura pop. Com uma música épica, Dylan temia pela própria vida, ele que estava às vésperas de completar 80 anos e se via dentro do grupo de risco pandêmico – e nos contava isso, fazendo-nos temer pela morte de seus contemporâneos. E à medida em que a pandemia foi arrefecendo e voltamos ao convívio presencial com todos os famigerados protocolos de segurança, Dylan anunciou sua primeira live, batizada de Shadow Kingdom. Mas a live não era ao vivo e sim uma versão teatralizada do que seria um show, com a banda tocando com máscaras enquanto ouvíamos instrumentos que não pareciam estar no palco. Misturando uma paródia de live com a tentativa de recriar um inferninho blueseiro (um dos temas do disco que lançou durante a pandemia, o ótimo Rough and Rowdy Ways) Dylan enfileira só clássicos do início de sua carreira – então tome “It’s All Over Now Baby Blue”, “Queen Jane Approximately”, “Just Like Tom Thumb’s Blues”, “Forever Young”, “Tombstone Blues”, “Pledging My Time” e tantas outras, além da ótima inédita “Sierra’s Theme”. O filme deve aparecer em algum desses streaming por esses dias (assista ao trailer abaixo) e a trilha sonora já é um disco que está nas plataformas digitais – Dylan está soando muito bem e o clima lyncheano deste cabaré de mentira ajuda a aumentar sua presença no palco. O velho, inclusive, está em turnê neste exato momento – imagina se ele vem pro Brasil? Continue

Nesta quarta-feira acontece a última exibição de um filme no Centro da Terra antes da realização da edição deste ano do festival de documentários In Edit (cês viram que saiu a programação completa? Depois comento aqui), com quem firmamos esta parceria no início do ano. E para fechar esta fase, o filme escolhido foi Manguebit, de Jura Capela, que conta a história de um dos movimentos mais importantes da música brasileira nos últimos 50 anos, que não apenas lançou a geração de artistas como Chico Science & Nação Zumbi, Otto, Mundo Livre S/A, Mestre Ambrósio e Karina Buhr, como influenciou cenas locais de todo o país a valorizar a sua própria cidade. Com entrevistas com todo mundo que esteve envolvido com o movimento e cenas de arquivo maravilhosas, o documentário é uma introdução perfeita àquela transformação cultural e o melhor documento sobre aquele período já feito. O filme começa a ser exibido a partir das 20h, os ingressos podem ser comprados neste link e o trailer pode ser visto abaixo: Continue

A primeira apresentação da minitemporada que o Atønito está fazendo no Centro da Terra não apenas brincou com comunicação na música instrumental (como é a premissa dos dois shows, batizados Notas e Sílabas), como também apontou para os novos rumos do trio formado por Cuca Ferreira, Ro Fonseca e agora Priscila Brigante. Como explicou o saxofonista no meio do show desta terça-feira, o grupo foi fundado em 2016, quando começamos a entrar no pesadelo que assolou nossos últimos anos e sua motivação artística era uma resposta à carga pesada desses dias, o que deu a tônica da primeira metade do show, impecável. A segunda metade parte de uma nova fase do grupo, que passa a compor sem o clima trágico dos anos passados e para isso convidou o guitarrista Lucio Maia para juntar-se ao grupo e inspirá-lo para novos horizontes. E na semana que vem quem conduz a segunda parte do show é Luiza Lian.
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Bem bonita a primeira apresentação que Desirée Marantes e Sue fizeram na abertura de sua temporada no Centro da Terra. As duas tocaram temas de suas respectivas autorias revezando-se entre os instrumentos que dominam – Desi disparando efeitos, tocando violino, synths eletrônicos e piano; Sue entre os beats e a guitarra elétrica – e abrindo espaço para as intervenções de suas convidadas de hoje: Dharma Jhaz trocando diferentes instrumentos de sopro (flautas e sax), além de rimar, e Carol Costa com suas texturas visuais projetadas enquanto elas construíam, sempre juntas, paisagens musicais que nos envolviam em uma sensação, ao mesmo tempo acolhedora e incômoda (com as estátuas de gesso que espalharam pelo teatro), com temas se entrelaçando quase sempre em longas incursões instrumentais.
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O segundo dia da segunda edição do Mita desse ano estava mais tranquilo do que no primeiro e isso era evidente devido à quantidade de público, menor que no sábado. Mas alguns problemas persistiam, como filas e corredores estreitos com muita gente ao mesmo tempo. Mas pelo menos deu pra esquecer o pesadelo que foi o dia anterior, embora enfileirar atrações como Capital Inicial e NXZero não seja propriamente um sonho (longe disso). A própria mistura das três atrações internacionais não poderia ser mais díspares: Haim, Mars Volta e Florence and the Machine funcionariam num mesmo evento com dezenas de artistas (algo cada vez mais cansativo hoje em dia), mas como únicas atrações internacionais em um evento pago (e caro) não faz propriamente com que os fãs dos grupos se misturem, mas que muitos deles sequer pensem em ir ao show, preferindo opções mais específicas.
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O sábado lindo foi de Lana Del Rey, mas os caminhos para chegar em seu paraíso, os fãs sabem, nunca acontecem sem dor e sofrimento. Mesmo com um dia maravilhoso de outono como há tempos não acontecia, a segunda edição do Mita em São Paulo primou pela confusão e bagunça, tanto em termos na programação quanto na produção, mas quem pode ver o show da cantora norte-americana com alguma condição assistiu ao seu cabaré lyncheano numa apresentação soberba, show que poderia tranquilamente acontecer fora de um festival.
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Que maravilha esse tributo que os pernambucanos Zé Manoel e Amaro Freitas estão fazendo ao Clube da Esquina e que aconteceu nessa sexta-feira na Casa Natura. Em alguns momentos os dois dividem o piano, mas em grande parte do show os dois conduzem sua veneração a esta sagrada igreja mineira de som cada um em seu plano – um no canto, outro no piano. Zé assume seu lado crooner e canta lindamente quase todo o show, acompanhado do piano forte de Amaro, tornado delicado graças ao disco homenageado. O público acompanhou tudo quase em silêncio, sussurrando os hits mais conhecidos, a não ser quando eram instigados por um dos dois a soltar a voz ou bater palmas (ou quando Amaro sacava o celular no meio do show para filmar o público cantando junto). Uma noite de chorar.
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Na primeira das duas apresentações que está fazendo em São Paulo, no Sesc Avenida Paulista, a guitarrista norte-americana Ava Mendonza desconstruiu seu instrumento despedaçando riffs e solos em cima de bases tensas e fritas conduzidas pela cozinha do grupo de jazz Full Blast (uma espécie de Morphine do mal), formada pelo baixista Marino Pliakas e pelo baterista Michael Wertmueller. Os dois criam uma atmosfera densa e quase táctil: Wertmueller deixa sua bateria soar quase como IDM eletrônica, enquanto Pliakas conduz suas duras linhas de baixo em algum lugar entre o hardcore e o industrial. Esta combinação transforma-se numa rede de segurança em que a guitarrista pode atirar-se sem medo, soltando ainda mais seu instrumento e fritando todo o público com ela. Neste sábado tem mais, vale conferir.
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Mais uma edição do programa que faço com André Graciotti sobre cinema que é dedicada à televisão. Afinal, o encerramento de Succession, série que acompanhava a família Roy, dona de um conglomerado de mídia nos EUA, e toda a trama sobre quem sucederia seu fundador, manteve o mesmo altíssimo nível que expõe desde as primeiras temporadas, se firmando como uma das grandes séries de todos os tempos. Conversamos sobre esta aula de narrativa audiovisual e todas as questões e críticas que a série aborda em suas quatro temporadas.
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