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E o Sonic Youth, que acabou faz quase dez anos mas segue lançando discos? Desta vez é o pirata Walls Have Ears que vai ser relançado oficialmente no início do ano que vem. O disco registra a segunda turnê que o grupo fez pelo Reino Unido, quando já era a atração principal (diferente de 1983, quando abriu para Danielle Dax e SPK), e o fim da primeira fase da banda, pouco antes do baterista Bob Bert deixar o grupo para a entrada de Steve Shelley. O disco duplo foi lançado originalmente em 1986 e sua nova versão já está em pré-venda. O grupo antecipa uma das faixas do álbum, a versão encurtada (encurtada mas com oito minutos!) de “Expressway To Yr. Skull”. E quando é que o Sonic Youth volta, hein?

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Tatá Aeroplano criou o formato Andarilho Urbano no meio deste ano, quando passou a filosofar sobre os tempos em que atravessamos costurando estes ensaios falados com suas canções – e de outros artistas – acompanhado apenas de seu violão e estreou a apresentação em São Paulo nesta terça-feira, no Centro da Terra, depois de passar por . A natureza viva da noite, que tem um roteiro mas fica à mercê dos acontecimentos, o fizeram revisitar sua “Outono à Toa” por conta da passagem de Lanny Gordin e tirar a camisa devido ao calor da noite. No decorrer da apresentação, revisitou seus clássicos “Cama”, “Step Psicodélico”, “Pareço Moderno” e “30 Anos Essa Noite”, além de passear por músicas de Jorge Mautner (“Ressureições”) e Angela Ro Rô (“Balada da Arrasada”). O bardo paulista ainda contou com participações especiais nesta noite, primeiro com sua companheira Malu Maria e do compadre João Rafael, com quem cantou “Night Purpurina”. Foi demais.

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Encontro em transe

Bem bonito o encerramento da temporada Prémistura que Chicão Montorfano fez nesta primeira segunda de dezembro no Centro da Terra. Ao convidar artistas sonoros de diferentes fronteiras musicais, conseguiu atirá-los todo no vazio do improviso livre sem que tivessem amarras já estabelecidas. Já havia um vínculo entre três dos convidados – Chicão já havia feito outros improvisos ao lado de Bernardo Pacheco e Barulhista, cada um deles trazendo sua bagagem cultural para a mistura: o dono da noite com sua formação erudita e apreço pela eletrônica, Berna distorcendo tudo ao vivo com sua mesa de som e pedais enfileirados, pegando no baixo elétrico por alguns momentos, e o Barulhista usando seu computador como uma MPC de ruídos digitais que disparava ao vivo. Ao acrescentar a essa mistura o violino abrasivo de Wanessa Dourado, Chicão soltou um pavio de pólvora que misturava drones e loops com ecos de música caribenha, tango e choro, conduzidos pelas cordas e arcos da musicista, levando o resultado à pradaria ambient com toques asiáticos. Os quatro se encontraram em meio ao transe, numa apresentação abstrata que soava lírica e contemplativa, mesmo nos momentos mais agressivos. Agora resta Chicão lançar o disco!

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Fora o calor dilacerante que atravessou esse fim de semana, a segunda edição do Primavera Sound em São Paulo funcionou redondissimamente bem. Ótimos shows sempre no horário, poucas filas e fácil acesso ao festival, que ainda conseguiu utilizar bem o espaço do Autódromo sem transformar um festival de música numa feira de marcas.

Mesmo que boa parte do elenco não fosse formada por artistas que vivem seu melhor momento hoje (como foi a edição passada do festival), o Primavera São Paulo teve showzaços que arrebatou fãs com ótimo som e bom tratamento pro público (distribuição de água na grade, algo que deveria se tornar regra) em instâncias tão diferentes quanto Cansei de Ser Sexy, Bad Religion ou Slowdive.

Os shows de Beck e Pet Shop Boys merecem destaque, afinal passaram por diferentes momentos de suas carreiras sem fazer concessões para os hits e botando todo mundo pra cantar junto. O bardo norte-americano ia do solo de gaita ao funk setentista, passando pelo rap de araque de seus primeiros hits e delicadas canções ao violão, mostrando-se um showman completo. Já a dupla inglesa conduziu sua apresentação austera e impecável, Neil Tennant com a mesma voz e fleuma de sempre, claramente emocionado com o público, que recebia os velhos hits com novos arranjos como bênçãos.

Outro momento especial foi quando Marisa Monte recebeu Roberto de Carvalho para celebrar Rita Lee, o que valeu até um momento de interação da diva com o público, algo tão raro.

Mas desde o anúncio das atrações, o Primavera teve um só dono: Robert Smith e seu Cure fizeram uma apresentação transcendental, um show hipnótico e alto astral, denso e pop, melancólico e esperançoso, psicodélico e existencialista, atravessando duas horas e meias de crises sentimentais, odes românticas e hits radiofônicos como se a nossa vida dependesse disso (e ah como depende…). São Bob era transparente sobre como estava feliz com a repercussão do público, que manteve-se gigantesco até o final das duas horas e meia de apresentação do Cure. É meio redundante citar os grandes momentos do último show de domingo sem falar nele inteiro, quem foi sabe. E é claro que eu filmei uns trechos desse fim de semana nota 10…

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Qualquer apresentação ao vivo da Espetacular Charanga do França é aquele jorro de energia vital que faz até o proverbial defunto levantar-se do caixão. Mas neste primeiro dia de dezembro de 2023 na Casa de Francisca, a alta vibração foi ainda mais intensa, especialmente depois do discurso de abertura feito por seu maestro, Thiago França, que ajudou a acordar a consciência de como finalmente desentalamos essa época de morte que atravessamos nos últimos anos e, como ele mesmo pôs, “comemorar o livramento” dessa época tão depret. E tome sambas clássicos, axé music, Britney Spears, pagodeira, “Eva” e todo o repertório de hits alheios em versões carnavalescas que não deixaram ninguém parado. Foi de lavar a alma.

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Beyoncé pegou todo mundo de surpresa mais uma vez ao lançar uma música sem nenhum aviso prévio: “My House”, que apareceu nessa sexta-feira, é a música que encerra o filme que a diva lançou para registrar a versão ao vivo do maravilhoso disco que ela lançou no ano passado, Renaissance. A faixa é boa mas não o suficiente para estar no disco em si, funciona mais como o que de fato é – a música que toca nos créditos finais de um filme, fazendo referências ao todo mas funcionando mais como um desfecho do que como um single novo propriamente dito. O que reforça o que ela está falando nas entrelinhas, que ela está terminando esse capítulo e que o ato II dessa nova fase, que deve chamar-se Enlightenment ou Illuminism, está chegando. E como nossa musa é afeita a surpresas, não duvido nada que ela possa lançar esse disco ainda esse ano (dez anos depois de ela ter lançado seu disco homônimo também sem alarde, em pleno mês de dezembro).

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Quando a quinta-feira termina com Arrigo Barnabé, é que foi daqueles dias. Perdi o André Prando, que esquentou o Inferninho Trabalho Sujo no Picles logo cedo, abrindo terreno para as tradicionais duas horas de Xepa Sounds, quando o Thiago França encara hits pop de todas as épocas ao lado dois terços da percussão de sua Charanga, os compadres Samba Sam e Wellington Pimpa, passeando entre novos clássicos da dance music e aquela pagodeira que todo mundo canta junto. Depois que eu e a Fran assumimos a pista ainda começou a chegar uma quantidade absurda de gente que vai saber como é que as coisas terminaram…

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E não vamos deixar de falar do Lanny, que, como seu irmão Tony nos informa, será velado entre as 14h e as 16h desta quarta-feira, no Cemitério da Vila Formosa. O Kiko pinçou um vídeo com o guitar hero filmado por Sganzerla que está nos extras do DVD do Bandido da Luz Vermelha. O trecho foi utilizado por Gregorio Gananian no documentário que ele fez sobre o guitarrista, Inaudito (que pode ser visto na íntegra abaixo). Separei um trecho da entrevista que o Gregório deu pra Carime sobre o documentário, publicada no Scream & Yell do Marcelo:

“Rogério Sganzerla na filmagem. Ela não tinha som. A Helena Ignez liberou para a gente a imagem. Eu falei para ela, e essa filmagem é uma sobra de um material que o Rogério não concluiu. Era uma espécie de continuação do Bandido da Luz Vermelha, e eu sabia que existia essa cena com o Lanny. Quando estávamos na China eu falei que queria muito fazer aquela pergunta de qual foi o show mais incrível que ele já fez, e fizeram essa pergunta e ele falou dessa performance maravilhosa: ‘Tirei a guitarra, tomei um choque elétrico e morri’. Chama-se ‘A Morte do Guitarrista’. Ela aparece um pouquinho depois da metade do filme, e então aparecem estas imagens, e aquela coisa completamente nonsense que ele contou aconteceu! De repente quem assiste se pergunta: ‘Pera aí, então o que o cara está falando é realmente verdade’. Conversando com o Negro Leo sobre fazer a trilha para essa parte, ele viu aquilo lá sem nada, e falou: ‘Vamos tirar tudo de música nessa sequência de arquivo'”.

Ave Lanny!

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E o velho Paul não estava pra brincadeira, olha esse setlist do show que ele fez nesta terça à tarde no Clube do Choro em Brasília, que o cara abriu com nada menos que “A Hard Day’s Night?”

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Num outro patamar

Bruno Berle apresentou seu disco de estreia, No Reino dos Afetos, pela primeira vez na íntegra, convidando amigos músicos e compositores que fizeram parte deste processo quando ainda morava em Maceió. Ao seu lado, dividindo-se entre diferentes instrumentos e formações estavam Marina Nemésio, João Menezes, Batataboy e Phylipe Nunes Araújo, seus conterrâneos, que revezavam-se entre piano, guitarra, violão, MPC, percussão e baixo elétrico para elevar para outro patamar um disco gravado com poucos recursos e que fez seu autor um nome tão reconhecido, a ponto de lotar o Centro da Terra.

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