
“Cá estou, mais perto da sarjeta do que nunca. A passarela da fama de Hollywood, o primeiro lugar que eu vim quando cheguei em Los Angeles, depois dirigir através do país com David Lockery. Eu saí do meu carro em 1970, na esquina das ruas Hollywood e Vine e saí atravessando a rua até ganhar uma multa por atravessar na rua fora da faixa de pedestres, minha primeira, e nunca mais olhei para trás”. comemorou John Waters nesta segunda-feira, quando foi entronizado à eternidade do cinema norte-americano ao ter sua estrela da famigerada calçada da fama de Hollywood.
Ele dedicou a condecoração aos seus falecidos pais: “Pat e John Waters, que, apesar de ficarem horrorizados com meus primeiros filmes, e alguns dos mais recentes também, me encorajaram a continuar porque acho que eles devem ter pensado o que mais que eu poderia fazer além de estar no showbusiness?”
E depois de agradecer nominalmente diversos amigos – não apenas do cinema -, ele concluiu celebrando a atração turística da qual faz parte. “Passarela da fama de Hollywood, você é demais e espero que os rejeitados do showbusiness mais desesperados passem por aqui por cima de mim e sintam alguma espécie de respeito e força. Os esgotos deste boulevard mágico nunca secarão a sarjeta da minha gratidão, os detritos da minha carreira ou o desperdício da apreciação de Waters. Obrigado Hollywood, desta vez eu finalmente fui para além do vale das bonecas”, citando o clássico trash de Russ Meyer, com roteiro do crítico Roger Ebert, um dos pilares de sua formação. E ainda deu a deixa que, de repente, ano que vem, teremos a estrela de Divine, musa e estrela de sua maior obra, o infame Pink Flamingos.
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Uma provocação sobre lançar um disco de 2020 que ainda não havia sido propriamente lançado acabou tornando-se uma sessão de terapia aberta ao público sobre as dificuldades e o sentido de ser uma mulher artista musical no Brasil atual. Seja tocando seus instrumentos (violão e acordeão) ou apenas no gogó, a cantora e compositora Marília Calderón abriu suas angústias em público, trazendo à tona a personagem Cida, uma versão sua que lhe atormenta em pesadelos. Contando com a ajuda de uma girafa cênica – vivida genialmente pela atriz e sapateadora Paula Ravache, que a ajudou a conceituar o espetáculo -, ela ainda recebeu participações especiais – a atriz Zenaide e a cantora e poeta Socorro Lira – que a ajudaram a ampliar a intensidade de seu drama em canções confessionais que ajudaram a compartilhar sua decisão de encerrar a carreira nos palcos, numa apresentação que misturou show, teatro de revista, vaudeville e comédia. Eu mesmo duvido disso (e falei pra ela, mas dê tempo ao tempo), mas foi um processo bonito de se acompanhar.
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Comemorando os 25 anos do disco que viu o R.E.M. deixar de ser um quarteto para tornar-se um trio, após o baterista Bill Berry ter decidido se aposentar, o clássico grupo indie revisita seu ótimo Up em edição comemorativa que será lançada no dia 10 de novembro. Além do disco remasterizado, a nova edição ainda vem com um show inteirinho gravado à época do lançamento… durante as gravações do seriado Party of Five. Foi a primeira vez que a banda foi convidada a participar de um seriado, quando participou tocando no Palace Theatre, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Como estavam prestes a entrar em turnê, aproveitaram a oportunidade para ensaiar um show e fizeram praticamente uma apresentação privada para pouco mais de cem fãs, além de integrantes da equipe e do elenco do seriado (você lembra: Neve Campbell e Jennifer Love Hewitt no auge de suas famas, Matthew Fox antes de tornar-se o Jack de Lost). Além da música incluída no seriado “At My Most Beautiful”, single de lançamento do novo disco, o grupo ainda tocou clássicos como “What’s the Frequency, Kenneth?”, “Losing My Religion”, “It’s the End of the World As We Know It (And I Feel Fine)” e “Man on the Moon”. E para anunciar o novo lançamento, que já está em pré-venda, o grupo antecipou mais uma faixa do show que nunca foi lançado, “Daysleeper”, outra faixa de Up.
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Na próxima sexta-feira as Breeders lançam a edição comemorativa dos 30 anos do clássico dos anos 90 Last Splash, o disco que consagrou a banda das irmãs Kim e Kelley Deal como algo maior do que um projeto posterior aos Pixies (algo que, ironicamente, aconteceu com a carreira solo de Frank Black). E além do disco remasterizado na íntegra, a nova edição ainda traz um compacto com duas faixas inéditas, esquecidas nos arquivos da banda da época do disco: a novíssima “Go Man Go”, composta com o ex-vocalista de sua banda anterior, quando ele ainda chamava-se Black Francis, e uma inacreditável versão de “Divine Hammer” com o guitarrista do Dinosaur Jr., J. Mascis, nos vocais. O grupo havia mandado uma demo da música para que ele pusesse guitarras e não acreditaram quando ouviram que ele assumiu os vocais da faixa que é uma das grandes assinaturas musicais do grupo. Rebatizada de “Divine Mascis” ela foi apresentada ao público nesta quarta e é de chorar.
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Pesado esse show que a Bike fez com o Tagore nessa terça-feira no Centro da Terra, enfileirando hits da lisergia brasileira que colocava os dois artistas num cânone viajandão que enfileirava Arnaldo Baptista solo (LSD), Pedro Santos (“Um Só”), Cérebro Eletrônico (“Pareço Moderno”), Júpiter Maçã (“Um Lugar do Caralho”), Fábio (“Lindo Sonho Delirante”), Tom Zé (“Parque Industrial”) e Violeta de Outono (“Declínio de Maio”), entre outros clássicos da música psicodélica brasileira, todos rearranjados com muito peso, microfonia e ritmo, cortesia da química entre os integrantes da banda paulista. O ápice da apresentação foi quando o grupo soltou Tagore em cima de dois hinos do udigrudi nordestino, quando emendou “Vou Danado pra Catende” de Alceu Valença com “Nas Paredes da Pedra Encantada Os Segredos Talhados por Sumé” do mitológico Paebirú, de Zé Ramalho e Lula Côrtes, que contou com uma interpretação possessa do vocalista pernambucano.
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Na terceira apresentação da temporada Águas Turvas que Dinho Almeida está fazendo no Centro da Terra, ele finalmente pode começar sem pisar em ovos e se nas duas segundas-feiras anteriores o guitarrista dos Boogarins esteve sozinho no palco a maior parte do tempo (apenas dividindo-o no final da segunda noite, com os irmãos Bebé e Felipe Salvego), nesta ele começou com um grupo de amigos que é praticamente sua família paulistana: o casal Carabobina – Raphael Vaz, baixista de seu grupo, e Alejandra Juliani -, com seu sotaque andino-psicodélico e a violinista gaúcha Desirée Marantes moram na mesma vila que o compositor goiano, tornando o encontro praticamente um programa de família, que ainda contou com as texturas e beats eletrônicos do parceiro Bruno Abdalah. Juntos, este grupo de camaradas deixou Dinho à vontade para fazer a noite mais experimental de sua temporada até agora, buscando pontos além da melodia e da canção, explorando camadas de drone e som horizontal com sua voz e guitarra elétrica. Uma noite hipnotizante.
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Quem voltou a dar o de sua graça foi Johnny Jewel, a cabeça por trás dos saudosos Chromatics e capo do selo Italians Do It Better, que acaba de anunciar o lançamento da trilha sonora do filme holandês The Witch, escrito e dirigido por Fien Troch. Com influências confessas John Carpenter, Goblin, e Tangerine Dream, a trilha foi anunciada com a música batizada com o nome da protagonista do filme, uma adolescente de quinze anos chamada “Holly”. É inevitável perceber as referências à trilha do Suspiria de Dario Argento que a banda prog italiana Goblin compôs em 1977. A trilha já está em pré-venda e deverá ser lançada no dia 13 de outubro.
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Joni Mitchell segue abrindo seus arquivos e a próxima caixa de lançamentos está prevista para o início do mês que vem: Joni Mitchell Archives, Vol. 3: The Asylum Years (1972-1975), já em pré-venda, como o título entrega cobre o período em que a cantora e compositora canadense esteve na gravadora Asylum e gravou os discos For the Roses (1972), Court and Spark (1974) e The Hissing of Summer Lawns (1975), inspirados pela mudança drástica que fez em sua carreira naquele período, quando parou de fazer shows e mudou-se para a região de Sunshine Coast, na costa oeste canadense. O novo cenário mudou o ritmo e os temas de suas canções, além de aproximar sua musicalidade do jazz. Como as caixas anteriores, The Early Years (1963-1967) lançada em 2020, e The Reprise Albums (1968-1971), de 2021, esta também reúne uma série de gravações inéditas tiradas do arquivo da própria Joni com supervisão dela mesma. E além de duas faixas gravadas com Graham Nash e David Crosby e versões alternativas para cada uma das faixas dos discos, o lançamento ainda traz músicas que a compositora e musicista deixou de fora de sua discografia, como esta maravilhosa “Like Veils Said Lorraine”, que ela mostra antes do lançamento e que muito artista daria alguns anos de vida para ter composto.
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Quem foi ao Sesc Avenida Paulista nesta quinta-feira pode aproveitar mais uma avalanche sonora provocada pelo Test em sua versão hiperbólica, a Test Big Band, e só quem esteve presente tem noção do impacto que foi essa primeira apresentação que o grupo faz neste formato depois da pandemia. Além dos heróis João e Barata, os responsáveis por esse cataclisma de som que o público pode assistir, eles contaram com Sarine na percussão, Bernardo Pacheco no baixo, Alex Dias no contrabaixo acústico, Rayra da Costa nos eletrônicos, Livia Cianciulli no saxofone, Romulo Alexis no trompete, Flavio Lazzarin na bateria, Tomas Moreira, Chris Justtino e Jonnata Doll nos vocais e Maureen Schramm na luz. Vida longa ao Test!
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O Campo Magnético que batizou o encontro de Maurício Takara e Guizado nesta quarta-feira no Centro da Terra é o da convivência artística. Os dois já participaram juntos de inúmeros shows e projetos, tocando seus próprios trabalhos ou em bandas de outros artistas numa amizade que atravessa décadas. Mas os dois nunca tinham estado sozinhos num mesmo espaço para criar juntos e entraram numa sintonia fina cada um com suas ferramentas: Takara disparando samples, bases eletrônicas, puxando percussão e até um trumpete piccolo, enquanto Guizado conduziu a partir de seu instrumento, o trumpete, processado por um computador, em que adicionava efeitos, e também sampleando a própria voz. Foram duas longas imersões em que a conexão musical dos dois era quase palpável.
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