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O tradicional festival folk norte-americano de Newport começou nessa sexta-feira e Beck fez uma aparição surpresa quando fez questão de reverenciar o cânone musical que construiu a reputação do evento, em especial a importância do mestre Bob Dylan, de quem ele cantou a clássica “Maggie’s Farm” logo na abertura. No resto da apresentação, ele ainda saudou Fred Neil (cantando “The Other Side of This Life”), Jimmie Rodgers (com “Waiting for a Train”) e Blind Willie Johnson (com “God Moves on the Water”), além de canções de seu próprio repertório que passeiam por esta seara – como “John Hardy”, “Stagger Lee”, “The Golden Age”, “Lost Cause” e “One Foot in the Grave”, para encerrar a noite com uma versão country de sua clássica “Loser”. Mandou bem!

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Boogarins abstrato

Só quem foi sabe. Os Boogarins levaram o público que lotou o Picles no aniversário de primeiro ano do Inferninho Trabalho Sujo para lugares distantes dentro de si mesmo ao improvisar por quase duas horas em mais uma Sessão de Cura e Libertação – estava lembrando com eles, após a sessão, que a última que eles fizeram com público presente foi quando os chamei para tocar no Centro Cultural São Paulo quando fazia curadoria de lá. De alguma forma, portanto, o quarteto goiano estancou o pesadelo que atravessamos nos últimos anos, com Dinho soltando na voz os demônios em nome de todos os presentes, Benke derretendo-se nas paredes enquanto sua guitarra rasgava o ambiente, Fefel entre o baixo e o synth criando linhas melódicas que funcionavam como bases para o metrônomo preciso – e free – do baterista Ynaiã Benthroldo. Uma noite épica que continuou comigo e a Fran naquela pistinha que todos conhecemos bem. E em breve teremos grandes novidades sobre o Inferninho…

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E quem diria que ouviríamos uma música nova do Black Future, um dos principais nomes do pós-punk brasileiro, em pleno 2024? A culpa é do diretor Paulo Severo, que dirigiu o documentário Black Future: Eu Sou o Rio, que esteve na edição deste ano do festival In Edit, e usou uma música inédita do grupo, gravada depois do período em que banda estava em atividade, para encerrar seu filme. “Eu Quero Tocar a Lapa” já existia, mas só foi registrada em 2006, quando o grupo se reuniu para tentar relançar seu único LP, Eu Sou o Rio, de 1988, com produção de Thomas Pappon, algo que nunca aconteceu, até hoje. Não conseguiram chegar a um acordo com a gravadora multinacional que detém os direitos do disco e gravaram a música inédita, que finalmente vai ser lançada nessa sexta-feira, em todas as plataformas digitais, e que você ouve em primeira mão – com direito a assistir ao clipe divulgado pelo diretor – aqui no Trabalho Sujo. “Essa música surgiu com a ideia de reunir a banda em estúdio, depois de muito tempo sem se apresentarem juntos, e acabou virando o videoclipe que encerra o documentário”, explica o diretor. “E está valendo pois a música do Black continua atual 38 anos depois.” Severo reforça que Eu Sou o Rio nunca foi lançado em nenhum outro formato desde seu lançamento original. “Nem em CD e também não está em nenhuma das plataformas de streaming de música, continua existindo apenas em vinil e só é encontrado em sebos e na mão de colecionadores – e não são baratos”, continua o diretor, que anima-se com a possibilidade de um novo interesse no grupo permitir não apenas o relançamento do disco, mas também dos clipes que fizeram nos anos 80. “Nada está descartado, nem a volta da banda, nem músicas novas.” Tomara que role!

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Airporto

Imagina você chegando em Paris e o Air está tocando “Playground Love” com o vocalista do Phoenix em pleno terminal? Mais um vídeo fodaço do Blogothèque, que filmou esse encontro – que não acontecia ao vivo há 20 anos – no terraço do aeroporto parisiense. Assista abaixo: Continue

Eis o que esperávamos: finalmente o gostinho de Bob Dylan que teremos da interpretação do fenômeno pop Timothée Chalamet, escalado para viver o menestrel norte-americano em sua primeira cinebiografia, no primeiro trailer de A Complete Unknown, de James Mangold, que estreia no final deste ano – e ele vem com música. Depois de vagar de óculos escuros na noite nova-iorquina do início dos anos 60, passando por lugares-chave do período com o Café Wha? e o Chelsea Hotel, o Dylan de Chalamet sobe ao palco para cantar o início de “A Hard Rain’s a-Gonna Fall” e… não faz feio. Não é nada estarrecedor, no entanto, mas não compromete nem a imagem de Dylan para as novas gerações nem a reputação do ator como talento em ascensão. É claro que poucas cenas não fazem um filme, mas o pouco que é mostrado neste primeiro aperitivo faz a aguçar a expectativa para um outro tipo de filme… Muito bem…

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Luiza Villa voltou ao palco do Blue Note nesta terça-feira para celebrar sua reverência a Joni Mitchell e algumas pequenas mudanças no show mudaram completamente a dinâmica da noite. O primeiro veio por um problema técnico, que impossibilitou que o jovem maestro Pedro Abujamra usasse seu teclado, deixando-o à vontade com o piano da casa, dando uma súbita elegância que os timbres elétricos do teclado ofuscam dos arranjos da compositora canadense. O outro detalhe foi caso pensado, quando Luiza passou a tocar menos guitarra ou violão – embora ainda siga tocando-os em momentos-chave da noite -, deixando-a mais solta para improvisar com sua voz e sua presença de palco. Os dois estavam o tempo todo próximos do resto da Orfeu Menino – a banda que os cinco têm juntos, completa pela guitarra de Tomé Antunes (que decidiu tocar de pé desta vez), o contrabaixo solista de João Pedro Ferrari e a bateria de Tommy Coelho, agora com congas -, deixando o show ainda mais elétrico e direto no ponto, na melhor apresentação que vi do grupo até agora.

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Dentro de um sonho

O público que foi ao Centro da Terra foi hipnotizado pela mistura de sensações propostas pelo projeto Onira, que contou com participações especiais que aprofundaram ainda mais o estado de sonho encapsulado pela dupla formada por Jovem Palerosi e Tatiana Nascimento. Enquanto a contrabaixista Lea Arafah dava uma dimensão mais orgânica e grave às texturas sonoras, a dupla formada por Daisy Serena e Bruna Isumavut transformavam o escuro do teatro em uma viagem visual para dentro. À frente, o produtor paulista criava texturas eletrônicas e andamentos de guitarra, enquanto a poeta brasiliense conduzia todos a um estado de vigília em que cânticos ancestrais e conversas triviais misturavam-se sem rumos definidos, criando um híbrido de confusão com perda que aumentava ainda mais a intensidade da noite.

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Morreu o último Four Top. Abdul Kareem “Duke” Fakir, de ascendência etíope e bengalesa, foi ele quem seguiu o chamado do amigo Levi Stubbs, que queria ser cantor, ainda na adolescência, motando a base do grupo, que depois seria completo com Renaldo “Obie” Benson e Lawrence Payton, uma das principais estrelas da constelação que era o elenco da gravadora Motown nos anos 60. Os Four Tops estavam no topo daquele panteão, ao lado das Supremes, dos Temptations e de Marvin Gaye e manteve-se em atividade – e com a mesmíssima formação – até 1997, quando Payton morreu de câncer no fígado. Depois foi a vez de Benson (em 2005) e Stubbs (em 2008), deixando Duke, a bela voz rascante que fazia músicas como “Baby I Need Your Loving”, “Reach Out I’ll Be There”, “Standing in the Shadows of Love” e “I Can’t Help Myself (Sugar Pie Honey Bunch)” atingir o céu da soul music. Morreu do coração, aos 88 anos. Obrigado pela música! Continue

A segunda noite da temporada BNegron Convida que o compadre BNegão está apresentando no Centro da Terra também foi a estreia de um mago das teclas e das produções no palco. Freelion, pseudônimo usado pelo baiano Sandro Mascarenhas para fundir sua mescla de ritmos caribenhos, reggae e pagodão eletrônico baiano, brilhou em sua primeira apresentação, misturando sozinho levadas primas em diferentes instrumentos, seja a escaleta, os sintetizadores, a MPC e até o piano do teatro – tudo para uma celebração de ritmo e groove que fez o público levantar-se das poltronas no final da apresentação. Ele ainda convidou o MC Dante Oxidante e o anfitrião da noite para subir no palco e fazer alguns números, entre elas a irresistível “Essa é Pra Tocar no Baile”, que fez com que todos dançassem no teatro. Estreia de responsa!

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Quando o Cure estava prestes a encerrar seu contrato com a gravadora Fitcion no início do século, Robert Smith sugeriu que o grupo lançasse uma nova coletânea, com a única condição que o próprio líder da banda escolhesse todas as músicas. A empolgação com o novo lançamento levou Smith a puxar uma gravação desta mesmo repertório em formato acústico e o grupo anunciou que finalmente disponibilizará este disco, lançado origtinalmente em 2001, nas plataformas digitais no próximo dia 9 de agosto – e vêm soltando clipes de versões em vídeo de algumas músicas, como “A Forest”, “The Lovecats” e “Close to Me”. O disco ao vivo, que é tocado pela formação do Cure que inclui Simon Gallup no baixo, Jason Cooper na bateria e percussão, Roger O’Donnell nos teclados e Boris Williams na percussão – além do próprio Bob, claro -, também será relançado em vinil (duplo, já em pré=venda) na mesma data de relançamento da versão online. Assista aos clipes abaixo: Continue