
A temporada Eu Nem Tinha Nascido que o Gabriel Thomaz começou nesta segunda-feira no Centro da Terra veio com o gás todo – e ele trouxe os Autoramas para começar tudo com o pé na porta. A nova encarnação do grupo, que conta com o baterista Igor Sciallis, o baixista Jairo Fajer e a tecladista – que também toca castanholas – Luma Lumee fez essa temporada começar com o dedo na tomada, quando o grupo revisitou seu repertório clássico, incluindo músicas de seu disco de estreia que comemora aniversário de 25 anos neste 2024, como “Autodestruição”, “Ex-Amigo” e a irresistível “Catchy Chorus”. Esta última fechou a noite com o grupo chamando todo mundo pro palco, transformando tudo numa grande zona, mas – como o show todo – sem precisar sair de sua área-base, o rock para dançar! E antes de terminar o show, Gabriel anunciou a programação das próximas segundas-feiras, avisando que, na próxima, quando toca com seu projeto solo Multi-Homem, contará com as presenças de Tatá Aeroplano e BNegão! Como o próprio Gabriel sempre diz: rrrrrock!
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(Foto: Gabriela Krueger/Divulgação)
Conheci a Gabrielli Motta no momento em que seu Monstro Bom estava começando a ganhar forma. Conjunto que ela formou entre São Paulo e Osasco como um veículo pra suas canções, o grupo está prestes a lançar seu primeiro EP, batizado de Verde Limão, e antecipa o primeiro single, que leva o nome da banda, que será lançado nesta terça-feira, em primeira mão para o Trabalho Sujo. “Foi a segunda música que mostrei para os meninos há um pouco mais de um ano, quando abri meu baú de composições para eles, confiando no nosso reencontro depois de anos sem tocar juntos”, conta a própria Gabi, que canta e toca guitarra, explicando que a música foi a faísca pra banda começar a existir de fato. “A guitarra base limpa se manteve, mas dessa vez como caminho por onde as guitarras precisas do Fe (Felipe Aranha) seguiriam, junto com o baixão do Igor (Beares) e a bateria centrada do Ian (Ferreira)! Gravamos em Osasco, no estúdio que fica na casa da família do Felipe e onde somos muito bem recebidos todo domingo – religiosamente.” “Foi incrível ver amigos e amigos de amigos que já sabiam cantar a música antes mesmo de ela ter sido lançada, sem poderem dar play no Spotify”, lembra a vocalista sobre os primeiros shows que vêm fazendo. “Estamos felizes em cruzar essa fronteira e chegar a novos lugares!”
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E entre rever parentes e compadres e ter alguns dias de descanso em Brasília, ainda calhou de estar na minha cidade ao mesmo tempo em que a querida Tulipa Ruiz – quando finalmente pude assistir a um show de seu Habilidades Extraordinárias, menos de um mês após a passagem do mestre Luiz Chagas, pai dela e de seu guitarrista quase univitelino Gustavo Ruiz. Pudemos conversar bastante sobre a ida do mestre, mentor, jornalista e guitarrista num papo em que ela comentou sobre as cartas do velho Chagas que revisitou nestes últimos dias e a lembrança sobre sua importância também como tradutor – algo que nunca pude conversar com o velho guru: são deles as traduções clássicas para Misto Quente do Bukowski, Lady Sings the Blues (a biografia de Billie Holiday), 13 de Pete Townsend e da primeira edição de Flashbacks, do Timothy Leary, só pra ficar nos livros lançados pela Brasiliense. O show em Brasília, que fez parte do encerramento do primeiro dia do Festival Coma, que ainda atravessa o próximo fim de semana, foi o segundo que os dois fizeram depois da ida do pai e ambos me falaram como o show anterior, em São Luís no Maranhão, os reenergizou positivamente, algo que Tulipa deixou claro ao revisitar o número mais clássico de seu pai, a gigantesca “Às Vezes”. Salve, meu!
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Tirei uns dias de descanso na minha cidade-natal, mas assistir a shows é trabalho e diversão ao mesmo tempo – além de ser motivo para finalmente visitar o novo Sesi Lab, unidade do Sesi que tomou o lugar do antigo Touring, em frente ao mitológico Conic, que recebe uma vez por mês artistas escolhidos pela curadoria da comadre Roberta Martinelli. Só o Sesi Lab – com sua exposição permanente de experimentos científicos que encanta adultos e crianças – já vale a visita, mas o show mensal também reúne um bom recorte da noite brasiliense e calhei de assistir a mais um show dos manos do Mombojó, segunda apresentação que vejo deles nesse ano, tocando o disco Carne de Caju, em que veneram o mestre Alceu Valença entre seus próprios hits. E o show em Brasília teve um gostinho pernambucandango a mais quando Felipe S. convidou Fabinho Trummer, o líder da clássica banda Eddie, que agora está morando em Brasília, para dividir os vocais na clássica “Coração Bobo”. Showzão.
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O aniversário é dela mas quem ganha o presente somos nós. Charli XCX completa 27 anos neste dia 2 de agosto e aproveitou a data para tirar mais uma surpresa dessa caixa de Pandora chamada Brat, disco que aos poucos consolida-se como um dos principais lançamentos deste 2024. Depois de lançar duas versões do álbum, ela vem aos poucos revisitando as músicas do mesmo disco com convidadas especiais. A primeira delas foi Lorde, que ela chamou para dividir uma nova versão de “Girl, So Confusing”, que muitos diziam ser sobre a cantora neozelandesa, com a própria, rebatizada didaticamente como “The Girl, So Confusing Version with Lorde”. Agora é a vez de ela chamar ninguém menos que Billie Eilish como convidada para “Guess”, música que apareceu na segunda versão de Brat – também didaticamente batizada de Brat and It’s the Same but There’s Three More Songs So It’s Not – e que ganha nova versão com outra dona do ano (embora seu Hit Me Hard and Soft, lançado há pouco, não tenha batido direito por aqui, apesar da expectativa.
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Maravilhosa a apresentação que o grupo Música de Montagem fez nesta terça-feira, encerrando a programação de música de julho no Centro da Terra. Liderado pelo professor Sergio Molina, que salta do violão para o piano em quase todas as músicas, regendo o resto do grupo enquanto faz os vocais, o grupo conta com um time de instrumentistas que reúne características quase antagônicas quando falamos de música: concisão e exuberância. Todos eles – da baterista Priscila Brigante à baixista Clara Bastos, passando pelo guitarrista Vitor Ishida e pela voz e presença da fantástica Xofan – dominam tanto seus instrumentos quanto têm plena noção de exibir seu virtuosismo apenas em momentos específicos, preferindo manter a coesão das canções, que passeiam por territórios espinhosos sem nunca perder a ênfase no pop. A presença dos dois convidados da noite – a elegante Ana Deriggi e o apaixonante Rubi – só aumentaram o sarrafo de uma apresentação para ser aplaudida de pé. Excelente!
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Direto de Sorocaba, Dabliueme foi o convidado final da temporada BNegron Convida, que o MC BNegão conduziu às segundas-feiras de julho no Centro da Terra. Sozinho em sua MPC, o produtor e poeta fez incursões por diferentes raízes da música brasileira, misturando João Donato, Elis Regina, Tincoãs e Aldir Blanc entre beats e loops e seus versos falados para depois receber o anfitrião da temporada, com quem dividiu o palco por três números, cada um apontando para um lado diferente.
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E a produtora O2, que anunciou levar o clássico Stop Making Sense para várias salas de cinema no Brasil, não apenas acaba de confirmar em sua conta no Instagram que a estreia do filme acontece mesmo no dia 29 de agosto, como deixou escapar que teremos inclusive uma versão para Imax! Ainda não sabemos em quais cidades o filme vai passar, mas imagina isso!
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Por falar em Ryuichi Sakamoto, o primeiro álbum póstumo do mestre japonês será lançado no próximo dia 9 de agosto. Opus é a trilha sonora do documentário de mesmo nome dirigido pelo filho do músico, Neo Sora, em 2022. Gravado no próprio estúdio do músico, o clássico NHK 509 Studio em Tóquio, Opus captura o que o mestre queria que fosse a versão definitiva de 20 de suas composições, quando, já sabendo do câncer que contava seus dias, chamou o filho para registrar um concerto particular altamente emotivo, que reúne tanto suas composições para trilha sonora quanto canções do tempo de sua seminal banda eletrônica, Yellow Magic Orchestra. O documentário recebeu críticas emotivas quando foi mostrado em festivais no ano passado e estreia nesta semana no serviço de streaming da distribuidora Criterion, que não pode ser visto no Brasil. Alguém podia agitar uma exibição num cinema por aqui, hein…
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“A próxima composição é para meu amigo, Ryuichi Sakamoto”, disse Ralf Hütter durante a apresentação do Kraftwerk no Fuji Rock Festival, que aconteceu no país de origem do músico homenageado, falecido em 2023. “Somos amigos para sempre. Desde nosso primeiro concerto do Kraftwerk em Tóquio, em 1981. Quando tocamos no No Nukes Festival em 2012, Sakamoto escreveu uma nova letra em japonês para ‘Radioactivity’, que tocamos naquele show”, concluiu, antes de apresentar uma rara versão de música alheia em um show da banda alemã, quando tocaram uma versão maravilhosa para “Merry Christmas, Mr Lawrence”, a primeira trilha sonora escrita por Sakamoto, arte em que ele tornaria-se um mestre. A música tem o mesmo título do filme que Nagisa Ōshima dirigiu em 1983 e que ainda conta com a participação de David Bowie. A mesma música que lentamente foi transformando-se em “Radioactivity”. Lindo demais… Assista abaixo: Continue