
O Yo La Tengo despede-se de 2023 em um EP ao vivo batizado de The Bunker Sessions, que reúne quatro músicas do disco que lançou no início do ano ao gravá-las, como o título entrega, como um show no estúdio Bunker, que fica no Brooklyn, em sua cidade-natal. Foi um ano agitado para nosso trio nova-iorquino favorito, que lançou o elogiado This Stupid World em fevereiro e passou o resto do ano para cima e para baixo em shows pelos Estados Unidos, Canadá, Europa e Japão = e eles bem que podiam dar um pulo aqui no Brasil, né? Além das faixas do novo disco, o EP lançado nesta terça ainda traz uma bela versão para o clássico “Stockholm Syndrome”, gravado em uma das obras-primas do grupo, I Can Hear The Heart Beating As One, lançado há 25 anos. Dá pra assistir à sessão inteira que gerou o EP abaixo: Continue

“A palavra é pra ser esquecida, a sensação é que fica”. Maravilhosa a estreia da temporada Prémistura que Chicão Montorfano promoveu nesta segunda-feira no Centro da Terra, ao dar mais detalhes de seu primeiro disco (Mistura, que terá seu primeiro terço lançado ainda este ano, e que foi gravado há inacreditáveis quinze anos), mostrando suas canções inéditas ao lado da cantora e percussionista Marcela Sgavioli, além de conectar-se com sua verve teatral ao invocar o mestre Zé Celso Martinez Corrêa exatos quatro meses após sua passagem ao relembrar das Bacantes que fez a direção musical ao lado da cantora Letícia Coura. Foi a primeira vez que mostrou suas belíssimas canções em público, em dueto com sua companheira Marcela – e que voz maravilhosa que ela tem! Também foi a primeira vez que tocou violão num teatro, quando puxou uma sequência de composições nascidas durante a pandemia que rotulou de “bossas novas bad”. A apresentação expandiu sua natureza musical e passou a ganhar contornos teatrais com a entrada de Coura, empunhando seu cavaquinho e sua voz igualmente maravilhosa, e colocando coroas de louros no palco – e no público. Logo estávamos em terreno dionisíaco de uma peça escrita 700 anos antes de Cristo e mexendo com nossas sensações como faz há milênios – incluindo no fantástico final abrupto que esfregou em nossa cara o papel da arte. Uma noite ímpar.
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Rock and Roll Hall of Fame é uma besteira que só serve pra afagar o ego dos agraciados e alimentar a indústria ao redor deles (como a maioria dos prêmios), mas de vez em quando proporciona uns momentos fantásticos, como ver a St. Vincent tocando “Running Up That Hill” da Kate Bush – que por sua vez não compareceu para receber o prêmio, por que, né? Sente o drama: Continue

Ney Matogrosso acompanhado apenas de um piano. Essa única frase resume todas as sensações que quem esteve no Sesc Pinheiros nessa sexta-feira pode experimentar, afinal de contas se a voz e a presença de Ney é um acontecimento em qualquer situação cênica, colocá-las à luz de um único instrumento reforça o intimismo quase microscópico com um dos maiores nomes de nossa cultura. O show surgiu como parte do último grande esforço promovido pelo saudoso Danilo Miranda, o sujeito que transformou São Paulo usando cultura e, ao fazer isso, repaginou a vida cultural de todo o Brasil ao transformar o Sesc em uma máquina de arte. Antes do apagar das luzes da noite,´fomos recebidos por um retrato do homem Sesc falecido no início da semana com uma frase que agradecia pela “construção de um legado inspirador”, saudação que motivou aplausos espontâneos logo que o público se acomodou, as luzes foram desligadas e apenas o telão iluminava a audiência, que começou a salva de palmas no mesmo instante. Danilo promoveu uma série de eventos com artistas mais velhos em diversas unidades do Sesc para comemorar os 60 anos do programa Trabalho Social com a Pessoa Idosa promovido pela instituição. O primeiro evento desta série que começou em setembro foi um debate que contou com as presenças de Fernanda Montenegro, Ignácio de Loyola Brandão, Zezé Mota, Marika Gidali e o próprio Danilo, finalizando com a tal apresentação de Ney acompanhado apenas de um pianista. O que deveria ser só um show comemorativo para uma ocasião caiu no gosto do intérprete, que resolveu fazer mais destes. Acompanhado do ótimo – virtuoso e discreto – Leandro Braga, Ney passeou por seu próprio repertório, que também é uma amostra do melhor da canção brasileira, em versões deslumbrantes para Marina Lima (“Nada Por Mim”), Noel Rosa (“Último Desejo”), Cartola (“Sim”), Jacob do Bandolim (“Doce de Coco”), Roberto Carlos (“A Distância”), Frejat e Cazuza (“Poema”), Caetano Veloso (“Ela e Eu” e “Sorte”) e Mutantes (“Balada do Louco”), além de relíquias específicas de nossa canção como a provocante “Amendoim Torradinho” de Henrique Beltrão e a sensual “Da Cor do Pecado” de Bororó e duas jóias dos Secos e Molhados (“Fala” e “Rosa de Hiroshima”, ambas de arrepiar). Com figurino preto coberto com um blazer florido, ele quase não falou com o público nem conversou entre as canções e ainda pinçou uma música inédita em seu repertório, a deliciosa “Rua, Na Chuva, Na Fazenda”, de Hyldon, transformando a sequência de faixas em uma tela impressionista sobre nosso cancioneiro, conduzido pelo timbre único de um de nossos maiores intérpretes. Uma apresentação avassaladora, se tiver a oportunidade de vê-la, não pense duas vezes.
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O papa do underground nova-iorquino Lou Reed uniu dois discípulos de diferentes gerações em uma de suas canções mais emblemáticas de sua carreira solo. A jovem Lindsey Jordan (que também atende como o grupo de uma mulher só Snail Mail) e o velho Thurston Moore (um dos pilares do Sonic Youth) se uniram para celebrar o fundador do Velvet Underground numa versão correta e bonita para o clássico “Satellite of Love”, que Reed gravou em seu disco mais memorável, Transformer, de 1972.
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“Now and Then” parecia ser o ponto final que os Beatles colocaram em sua história, como um dia já fizeram ao batizar a última música de seu último disco de “The End”, mas o clipe dirigido por Peter Jackson (que mais uma vez me fez chorar com Beatles) lançado nesta sexta abre uma possibilidade considerável: a de que o próximo projeto do grupo não seja uma caixa de um disco específico ou algum registro ao vivo e sim uma volta ao Anthology que o grupo ergueu em sua própria homenagem nos anos 90. Além de vermos várias imagens que nunca tínhamos visto (quem é beatlemaníaco sabe do que eu tô falando), Jackson ainda comentou que a Apple desenterrou 14 horas de gravações inéditas de George, Paul e Ringo em 1995, incluindo tentativas de fazer “Now and Then” acontecer naquela época, além de ter recebido vídeos caseiros de Sean Lennon e Olivia Harrison com imagens nunca vistas de John e George. É uma possibilidade vaga, mas ela já está no ar, ainda mais se a gente lembrar da cultura cada vez mais audiovisual em que estamos imersos.
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(Foto: Maria Cau Levy/Divulgação)
Saiu nessa sexta-feira o terceiro volume da série Broovin, que consolidou o nome do compadre Bruno Bruni como um dos novos talentos da atual cena paulistana. Acompanho seu trabalho desde o início dessa trilogia, quando ele começou praticamente sozinho a construir células de groove que viravam canções e aos poucos foi engrossando o caldo, primeiro ao vivo e depois nos discos. Broovin 3 encerra essa trilogia de início de carreira e pela primeira vez ele pode gravar com uma big band completa – e me chamou para escrever o texto de apresentação do álbum, que também marca sua ida para os Estados Unidos, onde foi estudar arranjo e composição de jazz.
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O Inferninho dessa quinta-feira foi uma sessão atordoo vindo de dois lugares extremos do ruído. A noite começou com o show inacreditável do Monch Monch, overdose de barulho elétrico concentrado e atirado em cima da plateia num ventilador de sujeira, caos cavalgado pelo carisma irrefreável do mentor da bagaça, Lucas Monch, despedindo-se do Brasil antes de embarcar numa temporada sem passagem de volta pra Portugal – e de lá vai saber pra onde. Depois veio a versão quarteto do Test – o QuarTest – e se Barata e João sozinhos já cimentavam uma parede de som extremo apenas com guitarra, vocal e batera ouvido adentro, juntos do Berna no baixo e do Sarine na percussão criavam duas novas camadas de densidade pra apresentação, cada um deles frequência sonora distinta. Depois e eu Fran seguimos na pista, abrindo os trabalhos com a nova dos Beatles e emendando Gilberto Gil com Dua Lipa e terminando a noite só no forró (é, pois é…).
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Este 2 de novembro marca os 25 anos do lançamento do maravilhoso Roseland NYC Live, terceiro volume da discografia do Portishead que registrou o grupo ao vivo na casa de shows nova-iorquina que batiza o álbum. Acompanhado por uma orquestra com 28 músicos, o quarteto inglês consolida sua ascensão nos anos 90 ao tocar o repertório de seus dois discos de estúdio em uma noite de gala, especificamente brilhante para a vocalista Beth Gibbons, que se joga nas músicas. Aproveitando o aniversário do disco, o grupo atualiza a gravação com duas músicas novas que não estiveram no lançamento original (“Undenied” e “Numb”) e uma (“Western Eyes”) que originalmente foi editada para caber no CD na íntegra, remasterizando o disco original. Mas o mais importante do anúncio é que ele termina avisando que o grupo deve ter mais novidades em breve. Disco novo? Turnê?
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“Às vezes nos ensaios a gente brinca de tocar músicas dos outros, improvisar em cima”, lembra o vocalista e guitarrista da banda André Medeiros Lanches, err, André Medeiros, sobre a versão que estão lançado do clássico “Telefone” da Gang 90. “‘Telefone’ veio assim, saiu com facilidade, e sentimos que seria divertida nos shows. Só percebemos que a Gang 90 não está no radar de muita gente quando começaram a perguntar se a música era nossa, mesmo a gente apresentando como versão.” Esta ainda não está nas plataformas de áudio, o grupo de Juiz de Fora começou a lançar seus primeiros singles este ano e consagrou sua versão em uma sessão gravada com outras duas de suas músicas no estúdio LaDoBê, que é onde tanto a Lanches quanto sua banda irmã Varanda gravam suas músicas, e que antecipam em primeira mão para o Trabalho Sujo. O disco completo, contudo, só no ano que vem: “Ficamos um tempo aguardando o resultado de alguns editais, pra fazermos com mais grana”, conta a baixista Stephanie Fernandes. “Sentíamos que precisávamos lançar mais coisa antes, o que já estamos fazendo, e o plano é começarmos a gravar por conta própria e talvez com uma produção mais parruda, no início do ano.”
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