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Desde o começo do ano corre solto o boato que os Rolling Stones estariam preparando mais um novo álbum para começar mais uma nova turnê no meio deste ano e há algumas semanas algumas pistas começaram a aparecer – tanto na internet quanto nas ruas inglesas, em cartazes espalhados com um QR-code – ligando o grupo a uma banda chamada The Cockroaches (“As Baratas”, em inglês). O nome já foi usado pelos Stones em 1977, quando, promovendo o disco que haviam lançado um ano antes (o ótimo Black & Blue), se apresentaram após o show da banda canadense April Wine com este pseudônimo no clube El Mocambo, com capacidade de apenas 300 pessoas, em Toronto, no Canadá (show que foi lançado pelo grupo como o disco ao vivo El Mocambo 1977, em 2022). O QR-code dos cartazes levava para o site thecockroaches.com que, além de vender uma camiseta com a pergunta “WHO THE FUCK ARE THE COCKROACHES?” no mesmo padrão da camiseta que o guitarrista Keith Richards usava nos anos 70 para tirar onda com o vocalista Mick Jagger, também anunciava que no sábado haveria uma revelação – esta veio na forma de coordenadas geográficas em que era possível encontrar um automaticamente raro vinil da banda em questão, nada menos que os próprios Stones com um single que, pelo que se consta, chama-se “Rough and Twisted”. É uma música no padrão clássico do grupo, mostrando-o afiado mesmo aos 64 anos de carreira. Ainda não há informações sobre o lançamento oficial do single, sobre o novo disco ou sobre a nova turnê. Mas é questão de tempo…

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No último dia do mês passado, Bruce Springsteen deu início à sua nova turnê pelos Estados Unidos e escolheu a dedo a cidade inicial: a mesma Minneapolis que viu no primeiro mês deste ano, agentes da milícia de Donald Trump contra imigrantes matar dois inocentes sem nenhum motivo. Bruce, que tornou-se um dos artistas mais ativos contra o atual presidente dos EUA, não apenas participou de protestos e lançou uma música contra a infame ICE (“Streets of Minneapolis”), como transformou sua nova turnê numa contínua manifestação contra o déspota estadunidense. Batizada de Land of Hope and Dreams, a turnê conta com o ex-Rage Against the Machine Tom Morello (outro forte antagonista de Trump no mundo da música) como show de abertura e, em sua primeira noite, fez várias versões para músicas alheias, como sua reverência à Patti Smith (em “Because the Night”), e outras que confrontam o belicismo dos EUA, como “Chimes of Freedom” de Bob Dylan e “War” dos Temptations, que abriu a noite. Mas o ápice do show foi quando chamou Morello ao palco para celebrar o músico nativo mais importante daquela cidade, ao tocar “Purple Rain” do Prince pela primeira vez em dez anos. “Para o maestro!”, cumprimentou o público ao entoar os primeiros acordes em sua guitarra. Emocionante

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O clássico grupo português Buraka Som Sistema anunciou seu retorno às atividades no meio do ano passado, quando disseram que fariam o primeiro show em dez anos no festival Nos Alive, na capital de seu país, no dia 11 de julho deste ano. Apesar de nascido em Portugal, o grupo, que tornou o gênero angola kuduro uma sensação global, é formado por integrantes de diversos países e acaba de lançar “Puro Mambo”, single que marca a volta com sua formação clássica do longo hiato iniciado em 2016: o angolano Kalaf Epalanga, hoje incensado escritor que antes rimava no grupo com seu outro sobrenome, Kalaf Ângelo; o português João Barbosa, mais conhecido como Branko; a cearense Blaya, nascida Karla Rodrigues, que começou como dançarina mas logo passou a cantar; o cubano criado em Angola Andro Carvalho, que tornou-se conhecido como Conductor; e o português Rui Pité, que apresenta-se como Riot. “Puro Mambo”, lançado nesta sexta, é o início de uma série de celebrações ao redor do grupo: além de ser a primeira música lançada em doze anos e de marcar a volta aos palcos dez anos depois do último show, também comemora os 20 anos da gravadora Enchufada, criada por eles mesmos pra lançar seus próprios discos. E o show em Portugal não será único – e eles já estão anunciando shows em outros países. Será que chega ao Brasil?

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Falei outro dia do novo grupo pernambucano Mayara Iara Dimitria e elas liberaram em primeira mão para o Trabalho Sujo a íntegra da live que gravaram no Estúdio Casona, no Recife. Entre a psicodelia, o experimental e o indie rock, o trio formado por Iara Adeodato (guitarra), Mayara (synth) e Dimitria (bateria) é o primeiro lançamento do novo selo Precarian Tapes, do Benke Ferraz, guitarrista dos Boogarins. Elas já estão marcando mais shows e devem começar a rodar pelo Brasil em breve…

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Houve um período entre os anos 80 e os anos 90, no final do século passado, que a música pop que dominava as paradas de sucesso pelo mundo começava a parecer cada vez mais artificial e distante da vida das pessoas, fazendo com que vários novos artistas buscassem outro tipo de som para fugir dos clichês que dominavam as rádios da época – e nessas buscas, encontravam outros artistas iniciantes com as mesmas frustrações. Antes do indie inglês explodir no britpop, aquela cena musical buscava expandir suas fronteiras misturando melodia e ruído, algo sintetizado na clássica fita C86, que revelou uma nova safra de bandas britânicas em 1986 que, mais tarde, mudaria o pop daquela ilha. E entre nomes como o Primal Scream, os Pastels, os Soup Dragons, os Shop Assistants e o McCarthy (a semente do Stereolab), estava o Wedding Present, que três anos depois lançaria o clássico álbum Bizarro. Na época deste disco, o baixista da banda, Keith Gregory, foi para os EUA e voltou com alguns discos de bandas desconhecidas e escolheu a música “Box Elder”, de uma delas para incluir em seus shows. A faixa era uma das músicas do primeiro lançamento de uma banda completamente desconhecida, o EP Slay Tracks (1933-1969), de um grupo chamado Pavement. A versão chamou atenção do histórico radialista inglês John Peel, que, curioso como só ele, foi atrás da tal banda e ajudou-a a ser mais conhecida para além de seu grupo de amigos em Nova York. A versão do Wedding Present para “Box Elder” depois foi incluída na edição em CD do disco Bizarro e muitos achavam que, quando o Pavement começou a chamar atenção do público em seu país, eles é que estavam tocando uma música da banda inglesa. Para lembrar esse impulso inicial a uma das bandas mais importantes do indie rock, o Wedding Present voltou a incluir a faixa do Pavement no repertório da turnê que acabou de começar a fazer pelos Estados Unidos.

Assista abaixo, quando emendam “Box Elder” com sua ótima “Kennedy”, no show que fizeram na quarta passada, em Cambridge: Continue

“Feixe de Fogo é um disco em trânsito”, me explica Buhr sobre seu quinto álbum, o primeiro em que adota apenas seu sobrenome como nome artístico, que chega ao público nesta sexta-feira, e marca mais um lançamento brasileiro de 2026 que indica a ótima safra que vem sendo colhida este ano. O fogo do álbum já vinha aquecendo com o lançamento do primeiro single, “Ânsia”, e agora tem mais uma amostra com o clipe da faixa-título, antecipado em primeira mão para o Trabalho Sujo. O trânsito que se refere não é apenas o de gênero, uma vez que assumiu-se uma pessoa não-binária (daí a troca de nome), mas também pelo fato de ter sido feito em diversas cidades: “Foi gravado de forma independente, por quase dois anos, entre Fortaleza, Sobral, Salvador, Recife e São Paulo, em dez estúdios diferentes”, reforçando que a natureza do disco juntou pessoas de todos esses lugares e além. Produzido por Buhr e Rami Freitas (que toca vários instrumentos no disco), Feixe de Fogo conta com participações de nomes diferentes e conhecidos como Fernando Catatau, Arto Lindsay, Josyara, Regis Damasceno, Russo Passapusso, Edgard Scandurra, o maestro Ubiratan Marques, os baixos de Mau, Izma Xavier e Dadi, os synths de Susannah Quetzal e de Briar Aguarrás, entre outros. . “O momento de escolher a ordem do disco também foi cheia de caminhos, onde botar ‘70 Cigarros’, que é cena de novela, e ‘Oxê’, quase prima da Comadre Fulozinha, que são bem fora da curva das outras? Mas aí são muitas curvas no disco e elas foram se encaixando muito bem”, lembra da natureza mutante do disco. “Eu trocando mensagens com Arto Lindsay, que também tem asas nos pés, e a gente combinando de se achar em alguma dessas cidades – conseguimos em São Paulo! Negadeza, Josyara e Dadi gravando do Rio, me mandando e perguntando ‘tá bom?’”. O disco está nessa vibe – inclusive de astral.

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A britânica Arlo Parks acaba de lançar seu terceiro álbum Ambiguous Desire e na rodada de divulgação do disco acabou por saudar sua conterrânea PinkPantheress ao cantar a grudenta “Stateside” (a mesma que foi causou a sensação ao ser escolhida pela patinadora norte-americana Alysa Liu para ser sua trilha sonora nas Olimpíadas de Inverno) em sua participação no programa BBC Radio 1 Live Lounge, deixando a canção suave mas sem perder seu ritmo. Ficou joia.

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O Pink Floyd anunciou uma nova coletânea chamada Eight Tracks, que, como o título indica, reúne oito faixas do período em que a banda começou a se erguer depois da saída do líder e fundador Syd Barrett até seus últimos anos de vida, quando caminhavam pelo planeta como uma das maiores bandas de rock do mundo. O lançamento, que chega ao público no dia 5 de junho e já está em pré-venda, quase não traz nenhuma novidade ao enfileirar os maiores hits da banda num mesmo disco: “Money”, “Wish You Were Here”, “Another Brick In The Wall, Part 2”, “Time” and “Comfortably Numb”, além de números menos conhecidos mas que mostram a evolução da banda (como “One Of These Days” que abre o primeiro grande disco da banda após a saída de Barrett, Meddle) e ‘Wot’s… Uh The Deal” (do subestimado Obscured by Clouds). A função da coletânea parece ser apenas criar um ponto de partida para novos ouvintes, algo que o Pink Floyd nunca teve uma compilação concisa: Relics (lançada em 71) e A Nice Pair (de 73) apresentava a primeira fase da banda aos fãs que chegaram após o clássico Dark Side of the Moon, A Collection of Great Dance Songs (de 81) é superficial e desorganizada e o mastodonte Echoes (de 2001) tenta abraçar toda a carreira da banda em apenas dois discos. Ao focar em poucas faixas, a nova coletânea ainda traz um trocadilho com um formato de música que tentou decolar nos anos 70, que eram cartuchos de fita conhecidos como 8-Track, que traziam faixas extras para fazer os ouvintes buscarem aquela nova versão. A única verdadeira novidade de 8-Track é justamente a versão completa de “Pigs on the Wind” do disco Animals, que no LP foi dividida em duas partes, no início e no final do disco. Na edição, tiraram o solo de David Gilmour, que aparece na íntegra nesta versão que só os fãs mais roxos da banda tiveram contato.

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Se um herói que filma um show na íntegra salva o deleite dos fãs que não puderam estar presente, imagina quando mais de um deles registra um show homérico e reúnem seus diferentes materiais num mesmo vídeo? Pois tome o show que o My Bloody Valentine fez no Royal Albert Hall londrino no final do mês passado na íntegra. A relação com todas as músicas vem a seguir. Tragam eles, Primavera!

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O Luna está transformando sua residência de três dias no Bowery Ballroom, em Nova York, em um evento anual como faz o Yo La Tengo todo ano em seu hanukkah. Já que seus integrantes não moram mais na maior cidade dos EUA (o casal Dean Wareham e Britta Phillips está Los Angeles, o baterista Lee Wall foi pro Texas e o guitarrista Sean Eden pra São Francisco), esse acaba sendo o vínculo da banda com a cidade. E como o evento do Yo La Tengo, eles resolveram abrir para versões nos três shows que fizeram no fim de semana. Começaram sexta com o tema do filme Perdidos na Noite e depois passaram pelo já tradicional cover que fazem de “Sweet Child O’Mine” dos Guns N’ Roses, que emendaram com outra versão que fazem sempre do Donovan (a sensacional “Season of the Witch”) e duas do Dream Syndicate (“That’s What You Always Say” e Tell Me When It’s Over”) com a presença do guitarrista da banda original Steve Wynn. No sábado tocaram a balada “Drive” dos Cars e “Femme Fatale” do Velvet Underground logo de saída, para depois arrematar com duas versões de Lou Reed (“New Sensations” e “Satellite of Love”), uma do Suicide (“23 Mnutes in Brussels”) e a lendária “Marquee Moon” do Television), repetida também no domingo, que também teve repetecos de “Drive” e da música do Suicide, além de uma versão para “Blue Thunder”, música do Galaxie 500, a banda anterior de Dean. E não custa lembrar que Dean e Britta estão vindo pro Brasil pra tocar as músicas do Galaxie no início de maio.

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