Todo esse papo saudosista de Brasília me fez desenterrar um texto que escrevi há quase dez anos, quando as lan houses começaram a aparecer. Publiquei o texto na coluna que mantinha na Fraude do Eduf (chamada Paranóia é Precaução) e também no Trabalho Sujo (na era Geocities). Tudo começou com um papo sobre pauta que me ativou a memória do meu primeiro contato exterior com os videogames (no caso, os fliperamas), que se deu ao mesmo tempo em que conheci o lado barra pesada da vida, felizmente como conheço até hoje, mera testemunha. O lugar chamava-se – chama-se – Conic e foi ali que eu comecei a perceber que a vida poderia ir muito além…
Boca do lixo
A porta de entrada para o underground
Outro dia, tava trocando uma idéia com o Tom Leão por email e ele me perguntou se eu não queria fazer um box em primeira pessoa pra uma matéria que ele tava fazendo. Falava de fliperama e da mutação em lan houses e queria um depoimento sobre a mutação de um prisma mais, er… old-skool. Meu péssimo hábito de ver emails sem freqüência me fez perder a deixa, mas já que ele tocou no assunto…
Fliperamas, no meu tempo, eram a boca do lixo. Desculpe soar saudosista e nostálgico, mas de vez em quando isso acontece. Imagine um bar, imundo, azulejado, cheio de gordura, mal-iluminado, naqueles lotes comerciais verticais, um simples corredor paralelo ao balcão e as poucas mesas enfileiradas à parede contrária. No fundo, a chapa de um lado e o caixa do outro. A clientela, tipica e rala, beira os quarenta anos, está desempregada e entregue ao ócio, a barba por fazer, quase sempre meio bêbada.
Agora tire o balcão e a chapa e as mesas, colocando, lado a lado, na parede em que ficavam as mesas quadradas de lata, máquinas de pinball, uma do lado da outra. Uma mais velha que a outra. Todas tão reconhecíveis quanto cada um dos mesmos velhos clientes, moleques grandes com mais de vinte anos, que têm a mesma expressão da clientela do bar do parágrafo anterior: quase-quarentona, desempregada, ociosa, barba por fazer, meio bêbada.
Eis um típico fliperama da minha infância nos anos 80. Viagens ao Rio e a algumas cidades do nordeste além de papos com conhecidos gaúchos e paulistanos vieram comprovar que aquele formato era quase universal, variando apenas de acordo com o tamanho do imóvel em questão. Mas o fato é que, nos anos 80, casas de jogos eletrônicos eram exatamente o contrário do que são hoje.
Você sabe o que é lan house? Imagine um cybercafé interligado num mesmo videogame do tipo Doom (daqueles que o jogador assume a mira em 3D do protagonista – a próxima vez que ler as letras FPS, saiba que elas significam First-Person Shooter – este tipo de jogo). Todas as pessoas no local estão na mesma partida, se agredindo mutuamente enquanto engolem litros de gatorade ou energético. Jogadores hardcore varam noites inteiras destruindo adversários menos encanados, que compraram poucas horas, apenas para matar o tempo e se inteirar socialmente. Pois qualquer máquina de lan house é um computador como o que você está lendo este texto agora, e você pode trocar as horas de combate virtual por uma seção interminável de ICQ ou pela típica zoeira fundo de ônibus que são as salas de bate-papo. Ou fazer tudo ao mesmo tempo: assim, a molecada gasta suas verdadeiras jovens tardes. Marcando encontros online e os consumando offline, como um correio elegante moderno. Assim é uma lan house – um paintball virtual e um shopping center sem corredores, tudo num lugar seguro e confortável.
(Recomendo, inclusive, safaris antropológicos nestas casas. Essa molecada tem mais cérebro que a geração anterior, de miolos derretidos como manteiga no copo gigantesco de pipoca, embora seja predominante – e presumível – seu claro posicionamento ideológico: sectário, individualista, preconceituoso, reacionário e direitosos. Mas são garotos e garotas de 14, 16 anos e o contato comunitário que a lan house aos poucos reacende é diametralmente oposto ao desfile de status que o shopping center se tornou. Fora que é uma molecada que cresce sem ranços artísticos e escuta Racionais, trilha sonora da Malhação, Anderson Noise e Nirvana sem distinção. Não tem dessas de “música de botão”, “não gosto porque não é cool” ou quebrar discos ruins – espasmos fascistas disfarçados de “gosto musical” que o rock’n’roll deixou de herança. Fora que das lan houses, os moleques vão pras raves – ou seja, uma adolescência não muito diferente da minha, que pulei dos fliperamas de rua para as festas de faculdade – só que há a mentalidade inclusiva da eletrônica, que é radicalmente diferente)
Quanta diferença. Casas de diversões eletrônicas, para os nascidos nos anos 70, significavam tudo que os pais não queriam para os filhos. A atmosfera, a vizinhança, as más companhias – tudo favorecia à degeneração do caráter dos filhos da classe média. Fliperamas de rua não eram casas seguras de lazer. Posicionados em endereços nada convidativos, estes estabelecimentos não apenas expunham jovens crianças à degradação humana, mas as entregavam a um mundo estranho e proibido. O underground.
Foram os fliperamas que me levaram ao Conic, por volta de 1985, 86… Faz muito tempo que eu não vou a Brasília, o que dizer de visitar o centro comercial do B, que cedeu às forças do mal… Brasília é o tal do aeroplano visto de cima, com duas metades bem distintas, norte e sul, as asas. O centro comercial da asa norte, de frente ao imponenente Teatro Nacional, floresceu como o principal shopping da cidade, chamado Conjunto Nacional (cuja fachada de neons é cartão postal candango). Atravessando o Eixo Monumental (a avenida que se estende pelo corpo do avião do mapa), damos de cara com o Conic, o Conjunto Nacional da Asa Sul. Há um estranho desequilíbrio nas forças racionais da capital, afinal a Asa Sul sempre foi, à maneira carioca, sinônimo de modernidade e contemporaneidade, enquanto a asa norte assumia ares de subúrbio. Mas, próximo ao encontro das asas, era o shopping do lado norte que se destacava, enquanto o do lado sul…
Haviam dois cinemas que ligavam o Conic com a vida real: o Atlântida (um dos principais palcos cinematográficos de Brasília, que viu a insólita e incendiária sessão de estréia de Rock Estrela) e o Bristol, além de algumas lojas de roupa no lado que ficava logo em frente ao posto do Touring. Eram eles quem fingiam-se como fachada família do Setor de Diversões Sul (nome técnico do Conic). Mas qualquer família em Brasília sabia o que acontecia nos corredores do fundo do shopping center.
Era o submundo. Havia o Cine Ritz, pornô, e uma loja de camisetas de heavy metal. Três famosas casas de massagens e o Teatro Dulcina. A infame Berlim Discos (a Baratos Afins de Brasília) e escritórios de advocacia de fachada. Lojas de instrumentos musicais, palco de bandas iniciantes, moleques matando aula, brigas de galera, skinheads, policiais fumando beque, cola de sapateiro debaixo da rampa, meninas dark, universitários, gangues punk, troca de fitas, sorrisos de putas e tchauzinhos de travestis. E fliperamas de rua.
Todos tinham a mesma cara: corredores imundos e engordurados, à meia-luz da tarde seca, com dois ou três fregueses grudados perto de uma ou outra máquina. Foi um acordo conjunto. A W3 havia ficado pequena para minha turma e todos os fliperamas de rua tinham nossas marcas. Era tempo de gangues e abreviaturas. Todos marcavam suas iniciais em todos os lugares, assinalando território. Tempo do império MTZ, de cyberpunks do terceiro mundo, pichando muros e scores de máquinas de pinball.
Mesmo sem saber, em nossa ingênua liberdade, éramos isso. Vivíamos a violência das ruas por puro glamour primitivo, latas de spray e joysticks mirando na apatia do sistema. Andávamos de skate e bicicleta, cheirávamos tudo o que parecia fazer mal (além de clorofórmio e lança-perfume) e entrávamos em brigas sem pestanejar. No som, ouvíamos fitas piratas de bandas de Brasília (o show do Legião na sala Villa-Lobos e o festival Rock na Rampa, com Beta Pictoris, Escola de Escândalo e outras dez bandas eram obrigatórios) e bandas que as influenciaram: Joy Division, Sex Pistols, Cure, Jam, Echo & the Bunnymen, Television, Buzzcocks, Clash, Bauhaus, Gang of Four, Talking Heads, Ramones, Dead Kennedys. Procurávamos uma menina que fosse cool como a Siouxsie e normal como a Molly Rigwald, visual que todas as meninas tentavam imitar – tirando as patricinhas, que giravam os olhos pra cima, meio assustadas, meio exultantes, quando descobriam, na marra, aquele universo.
Depois da W3, restava o Conic. O prédio, baixo (deve ter uns dez andares) e horizontal, nos olhava como uma risada cínica. Três moleques de BMX surradas, cruzados novos com a cara do Juscelino enfiados nos tênis sem meia, encarando o prédio como se este fosse cérbero. Cine pornô, teatro, drogas, punk, metal, cola, sexo, brigas, violência. Era como se o universo de perdedores e vagabundos das tiras do Angeli realmente existisse. Era o antônimo de sociedade, mas não era a barbárie. Este universo funcionava, à sua maneira, melhor do que o mundo que conhecíamos. Não sabíamos nada disso, mas era como se soubéssemos, o dia em que resolvemos, para jogar fliperama, entrar no Conic.
A princípio, uma volta de reconhecimento. O zerinho-ou-um definiu quem iria, sozinho, ao caixa, comprar cinco fichas e gastar apenas quatro, salvando a última longe dos olhos do caixa. Anos de perícia em bancas de jornal e supermercados nos qualificavam para aquele momento. O escolhido foi, jogou quatro partidas de 1941 e voltou como se tivesse jogado cinco. O golpe perfeito, se gabaria a seguir, orgulhoso de fingir cinco partidas com apenas quatro fichas. As preocupações da adolescência…
Em nossas baiques, descemos a rampa do Touring e pedimos “chumbo de pneu”. Simples assim. Prática comum entre os brasilienses, a extração do metal, ainda mole, dos vãos internos de pneus de borracha era “a” tática dos jovens brasilienses contra os “senhores do fliperama”. Simples, bastava dois sabonetes e uma ficha original para criar um molde. Depois, tirava-se a ficha e colocava-se o chumbo mole no vão esculpido entre os dois sabonetes. Há quem fizesse com couro, mas os resultados não eram satisfatórios, pois às vezes a ficha falsa caía, mas era tão leve que não pressionava o botão no interior da máquina.
Com as fichas feitas no sabão, não tinha segredo. Bastava comprar cinco fichas e, num processo inverso ao original, jogar dez partidas como se fossem cinco. Com o tempo, era preciso trocar de estabelecimentos, mas os três sujeitos do Conic caíam bonito na ficha de chumbo. Cheguei a comprar uma ficha falsa das mãos daqueles caras, prova que guardei do golpe perfeito.
Mas, aos poucos, o fliperama perdia o ar desafiador e era assimilado. Logo, o imenso sorriso cínico do Conic também era nosso. E todas as putas, os traficantes, os metaleiros, as meninas dark, as brigas, as alunas do teatro, as latas de cola, os discos punk, as camisas de metal, o sexo descompromissado, o cinema pornô, os advogados traficantes, os policiais corruptos – tudo era nosso.
E ao mesmo tempo, não era. E ao mesmo tempo, nós éramos dele. Uma sensação estranha, um sentimento de familiaridade com o desconhecido. É isso que chamamos de underground.
“Tell Her Tonight”
Uns reclamaram do som, outros da lotação, muitos do calor – mas tudo funcionou perfeitamente na quarta passagem do Franz Ferdinand pelo Brasil, a terceira por São Paulo. A banda lançou seu disco mais recente há mais de ano e não arrisca músicas novas ao mesmo tempo em que não faz mais o show de lançamento de Tonight. O show, portanto, acaba sendo uma grande geral que a banda fez em sua carreira de três discos. O que impressiona pela quantidade industrial de hits despejados pela banda como uma máquina de dançar.
“No You Girls”
O que me leva crer que o Franz seja a melhor banda de rock da primeira década do século. Talvez não seja a mais importante: afinal só existe porque, na virada do milênio, certo filhinho de papai dono de agência de modelos conseguiu emplacar sua banda tanto entre os indies quanto na pista de dança. Mas se os Strokes acertam – cada vez menos – quando o assunto é hit, seus discos vão de mal a pior. O mesmo não pode ser dito sobre o Franz, a única banda desta geração novo rock cujas faixas memoráveis são bem mais que a metade de seus álbuns. O que torna o repertório da noite tão extenso quanto o de uma banda com décadas de carreira.
“Can’t Stop Feeling”
A diferença é o dedo na tomada – e o Franz não para um segundo no palco. Enquanto o público pulava banhado pelo próprio suor cantando quase todas as letras das músicas, a banda se entregava, chegando bem perto dos fãs, exibindo-se em seus instrumentos num jogo de sedução típico no rock. Quatro marmanjos apaixonados por milhares de pessoas gritando suas músicas, dando tudo de si para o público sequer perceber que mais de duas horas tinham se passado.
“Walk Away”
O vocalista Alex Kapranos assume-se dono da banda e percorre toda extensão do palco como um zumbi disposto a comer todos os cérebros do público ao mesmo tempo. Divide as guitarras com Nicky McCarthy, seu braço-direito, feliz em ser o segundo nos holofotes. Os dois confrontam os fãs bem de perto, chegando na boca do palco, erguendo seus instrumentos a pouco mais de um metro das mãos do público na grade querendo tocá-los. O baixista Robert Hardy, de barba, age com alguma desconfiança, acompanhando os dois guitarristas como um segurança de celebridade – quando você menos percebe, ele está acompanhando os dois de perto, sem deixar o ritmo da música cair. Que, no caso, é responsabilidade do baterista topetudo Paul Thomson, um metrônomo humano que dita todo o ritmo da noite. Ocasionalmente a cozinha é acrescida da participação dos teclados tocados por Nicky – e o Franz deixa de ser uma banda de rock para dançar e vira quase um projeto paralelo electro-kraut de alguma banda pós-punk dos anos 80.
“This Fire”
E é esse equilíbrio entre o pop mais deslavado, quase anti-rock, new wave amarelo-limão, e o rock mais experimental, perigoso, artsy. Seus genes musicais combinam enzimas de B-52’s com Pere Ubu, Devo com Jam, Wire com Buzzcocks, Fall com Ramones, além de não ter vergonha de se misturar com bandas que frequentam outros guetos musicais (como o Clash pirando em reggae e hip hop, o Gang of Four descobrindo a disco music ou PiL dissecando krautrock e música eletrônica). E mesmo que tenham aprendido tudo que sabem pela cartilha dos Beatles, rezam na bíblia do patrono David Bowie.
“Shopping for Blood”
E como eles se entregam ao público. Gotas de suor escorrem pela cara da banda para logo depois banharem suas roupas, o fôlego cansado fica evidente depois que enfileiram dois ou três hits em seqüência enquanto correm pela frente do palco. Várias dobradinhas são feitas enquanto a banda toca – os dois guitarristas duelando instrumentos, baixista e baterista se olhando na marcação de tempo, baixista e guitarrista esperando a hora certa para virar o clima da música, baterista e tecladista despindo as referências rock para deixar tudo eletrônico, Kapranos sola com a guitarra na nuca, pouco antes de subir em um dos amplificadores do palco – enquanto Nicky sobe no outro – para terem uma visão privilegiada do público.
Franz Ferdinand na bateria
Quando os quatro assumem o kit de bateria posto em frente ao palco, o show – que já estava na mão da banda – vira um momento de hipnose coletiva. A percussão, no entanto, não cai para tentativas de agradar um público teoricamente acostumado ao samba (ao menos em seus inconscientes). Em vez disso mantém-se reta e binária, linear e robótica, como se pudesse mostrar que, indo para o rock ou para a música eletrônica, o Franz Ferdinand está falando sobre a mesma coisa.
“Darts of Pleasure”
O assunto da banda é música para dançar. Guitarras para chacoalhar quadris e teclados para bater cabeça. Mesmo com o clima de histeria fanática tomando conta do público, a sensação do show era de baile, de salão lotado de meninas prontas para serem tiradas para dançar. E a conotação adolescente ficava em segundo plano a partir da faixa etária da banda – o Kapranos é mais velho que eu -, quando grande parte da massa que cantarolava riffs e hits também já tinha deixado sua adolescência há pelo menos uma década.
“Lucid Dreams”
E é em “Lucid Dreams”, não por acaso a última música da apresentação, que todos os pontos do Franz Ferdinand se encontram. A adolescência tardia, o rock’n’roll primitivo, o pós-punk transgressor, a new wave descerebral, a dance music elétrica, a disco music valvulada – tudo converge no épico de doze minutos que é o centro de Tonight, o terceiro disco dos caras, e – por que não? – de sua carreira. Nem “Take Me Out” nem “Do You Want To?” – talvez seus dois maiores hits – não têm a presença e a força da faixa que encerrou o show, uma maratona de eletricidade e ruído que, ancorada no ritmo, prova que nenhum dos contemporâneos do Franz Ferdinand – Strokes, White Stripes, Interpol, Arctic Monkeys, pode listar – é tão promissor quanto eles.
“Valeu Brasil”
Eis meu texto de abertura do especial que fizemos pós-iPad no Link desta semana.
Sem teclado, nem mouse
A chegada do iPad é mais um degrau nas mudanças na forma de lidar com o computador. Touchscreen e sensores de movimento são só algumas das tecnologias que já existem
iPad, iPad, iPad. Desde o lançamento do tablet da Apple parece que não se fala em outra coisa quando o assunto é tecnologia, cultura digital ou comunicações. Lançado no início deste mês, o aparelho correspondeu às expectativas que o acompanham desde quando ele era só um rumor que ganhou força no final do ano passado, e só na primeira semana quase meio milhão de iPads foram vendidos.
Longe de ser uma unanimidade, o aparelho sublinha uma mudança maior do que a festejada pela Apple e seus fãs. Afinal, ele é um dos primeiros candidatos a substituir o computador pessoal abrindo mão de dois acessórios que o acompanham desde sua criação: o mouse e o teclado.
Essa mudança começou, não custa frisar, com o iPhone: foi o celular da Apple que levou ao abandono do conceito de telefone, substituído pelo de computador de bolso – o que alterou, inclusive, a forma como a internet se organiza, com a popularização dos aplicativos.
Mas entre o iPhone e o iPad, outras empresas apresentaram novidades que estão mudando completamente a forma de interação com as máquinas digitais.
Touchscreen e sensores de movimento aos poucos tornam a interação com o que está na tela mais intuitiva, menos burocrática e mais natural, liberando as mãos de quem tem de lidar com os aparelhos, sejam eles celulares, notebooks, netbooks ou tablets. Nesta edição, aproveitamos o furor em torno do iPad para falar sobre isto.
Irmãos Coen ou Tarantino? Atualmente fico com os Coen, mas por milímetros de predileção – Quentin está seedado pra sempre no torrent do meu coração do mesmo jeito que o Bergman no de algumas múmias da cinefilia dantanho. Jovens mestres, os três – os quatro, se somarmos David Lynch – elevaram o cultura white trash à condição de Arte, como Normal Rockwells pós-Nixon. Eletrodomésticos, quadrinhos, discos, carros, armas, drogas, malas cheias de dinheiro, estradas no deserto – elementos de um cenário em que sexo, mentiras, vingança e culpa atormentam personagens, quase sempre solitários – mesmo que sociais – sem rumo. O brasileiro Leandro Braga mashupou os dois à la Eclectic Method.
Fodaço.
Isso me lembra inclusive uma outra coisa que vinha comentando outro dia: como há uma casta de diretores que nasceu no vácuo da geração Coppola/Spielberg que, ratos de cineclube e escolados na técnica, parecem dirigir um grande filme, cortado por diferentes nuances. Além dos Coen, Lynch e Tarantino, completam esse time Woody Allen, Almodóvar e Martin Scorsese (que funciona como um tio mais novo para os outros). Não sei se eles são amigos, se eles se dão bem, se se conhecem (provavelmente sim). Mas seus filmes no século 21 parecem pedaços de um mesmo universo, filmados por diferentes ângulos, com filtros que coagulam emoções distintas. Nesse sentido não deixa de ser irônico o fato do Scorsese ter se transformado num diretor de filmes de época.
Materinha que fiz pro C2 Música, a edição semanal do Caderno 2 do Estadão dedicada ao tema, sobre a visita que fiz há menos de um mês à Polysom, a tão falada única fábrica de vinis da América Latina, que finalmente lançou seus primeiros discos. Ela conversa com o Personal Nerd que fiz pro Link há duas semanas.

Sulcos do acetato, primeira etapa na fabricação do vinil, vistos no microscópio da sala de corte
Fotos: Tasso Marcelo/AE

Fazendo disco: o pó de PVC é posto na extrusora…

…que depois sai pelo cilindro à direita, como uma massa mole…

…as matrizes do disco são postas na prensa, que é calibrada a cada prensagem…

…a massa de vinil é posta entre os dois rótulos do futuro LP e depois posta na prensa…

…que, uma vez fechada, é aberta para revelar o disco idêntico ao que você vai pegar na loja, ainda quente…
O que ele está fazendo aí?
Passar um dia na Polysom, única indústria de vinil da América Latina, é como viver nos tempos em que CDs e música digital não eram mais do que ficção
Uma massa mole e preta sai quente de uma máquina chamada extrusora. Moldada numa pequena bola que cabe na palma da mão, ela é disposta sobre um dos rótulos de papel do futuro disco ? o outro é aplicado por cima, formando uma espécie de sanduíche de massa de pó de PVC e papel, que é colocado em uma enorme prensa hidráulica. A máquina faz seu trabalho em poucos segundos: espreme o bolinho engraçado entre duas chapas horizontais que, ao se afastarem uma da outra, revelam um disco de vinil recém-prensado.
Esta operação simples e quase artesanal é a etapa final de um processo que chega ao fim após quase um ano. “A gente achava que em um mês dava para colocar isso para funcionar e já estamos há oito meses, sempre fazendo testes para ficar direito”, explica João Augusto, dono da gravadora Deckdisc e agora proprietário da Polysom, a única fábrica de discos de vinil da América Latina.
A fábrica fica em Belford Roxo, região metropolitana do Rio, e a ida do Aeroporto Santos Dumont ao portão da Polysom dura quase o mesmo tempo que o do voo Rio-São Paulo. Ao volante, Rafael Ramos, filho de João Augusto e diretor artístico da gravadora ? um dos principais entusiastas da reativação da Polysom -, recorda o feito, com o sorriso largo. “Nem parece que até outro dia isso era só uma provocação que eu fazia com o meu pai”, revela enquanto atravessamos a Linha Vermelha saindo do Rio.
É importante entender o papel de Rafael nesse processo, uma vez que ele faz parte de uma geração que viu os vinis nas coleções dos pais, assistiu à ascensão e posterior queda do CD, viveu os primeiros dias da música digital, sem suporte e sem disco, e redescobriu o velho disco preto quase no fim da primeira década do século.

“As pessoas compram pelo fetiche”, diz João Augusto, um dos donos da Polysom
E Rafael está longe de ser o único. Só nos EUA, no ano passado, foram vendidos 2 milhões e meio de vinis, um número a que João Augusto acrescenta um dado interessante: “47% desses compradores sequer tem toca-discos”, enfatiza citando uma pesquisa feita pelo instituto Nielsen Soundscan. “As pessoas compram pelo fetiche.”
As megastores brasileiras não demoraram a perceber isso, tanto que algumas já exibem prateleiras com vinis recém-fabricados – todos importados. “Mas a maioria das lojas não tem nem espaço para receber os discos”, conta João. E ele traduz esse novo interesse pelo vinil ao contar como foi que a cantora Pitty reagiu ao ver seu disco na versão vinil: “Agora, sim, somos uma banda de rock.”
Pitty faz parte da primeira safra de discos saída da gravadora, todos da Deckdisc. Além do relançamento de Chiaroscuro, a primeira leva ainda inclui outros discos da gravadora carioca: o solo da vocalista do Pato Fu Fernanda Takai e os discos mais recentes dos grupos Cachorro Grande e Nação Zumbi. Mas João é enfático ao dizer que a Polysom não é a fábrica da Deckdisc. “É dos sócios da Deckdisc, cobramos da Deck o mesmo que cobramos de qualquer um.”
Ele acredita que a primeira etapa do processo está terminando agora, com a fabricação dos primeiros discos. “Só agora é que as pessoas vão ver que é verdade”, festeja. E não está falando apenas dos consumidores, mas também das gravadoras e dos artistas. “Acredito que os artistas vão motivar muito este movimento”, diz João, contando que alguns deles – Jorge Ben Jor e Lenine – já abraçaram a ideia.
Resta saber como o mercado brasileiro reagirá aos lançamentos. A gravadora EMI é uma das que estão em conversações com a Polysom para o relançamento da discografia do grupo Legião Urbana. Se ainda é cedo para saber se o velho LP volta para valer às lojas, ao menos podemos comemorar que a única fábrica de vinil da América Latina fica no Brasil ? e já está funcionando.
Na linha de produção

Pré-análise do áudio. O operador mede a qualidade do som usando instrumentos específicos e sua experiência técnica, antes do áudio começar a se transformar num vinil.

Cabeça de corte. Esta máquina funciona como um toca-discos. A diferença é que, em vez de reproduzir o som, ela grava os sulcos no acetato.


Galvanoplastia. É a fase química do processo, em que o acetato original é colocado em tanques com nitrato de níquel. As partículas de níquel “grudam” no acetato, formando uma “capa”, que é retirada e funciona como um vinil em negativo.
Prensagem. A capa de níquel é colocada nas prensas, que depois recebem uma massa mole feita a partir de pó de PVC que, prensada, vira um disco.
Tão falando disso aí agora. Você já tem mais ou menos uma idéia do que esperar? Pois imagine: artistas gigantes que frequentam as paradas da Billboard e tem uma ou outra música tocando em rádios que você só ouve quando pega táxi + artistas que permitem quarentões pais de família que usam camisa pra dentro da calça no trabalho se comportar como adolescentes (usar camiseta preta! gritar em público! ficar bêbado! sair com os amigos ouvindo som alto no carro!) em shows feitos em estádio + aquelas bandas sub-Barão Vermelho (como se o Barão Vermelho por si só já não fosse um grande sub) que em algum lugar entre as orelhas de executivos de gravadora são o mais perto de rock’n’roll que pode ser consumido pelo público-médio brasileiro comprador de discos.
O que boa parte do público de um evento desses tem em comum é só a criação de uma espécie de ideal rock’n’roll na cabeça de gente que nunca gostou de rock ou que tem um CD do Phil Collins no carro pra quando quer parecer mais “descolado”. Justamente – é gente que usa esse tipo de termo, o “prafrentex” dos anos 00. E não é etário – o cara que tem idade pra ter ido ao Woodstock original devia estar reclamando dos hippies em 69 e o cara não tem idade para ter ido ao primeiro festival simplesmente nunca deve ter ouvido as bandas que tocaram lá – e, se ouvir, vai chamar de “porraloca” ou “mutcholoco”, apertando a voz pra ironizar na marra, enquanto entorna mais uma latinha de Bavária. No meio deles, um monte de meninas gritando “êêêêêêêêêêê” – como sempre tem, seja no show do Cordel, numa “festa rave”, na Pachá ou num “é bailão, é rodeio” da vida. E os próprios Wood & Stock do Angeli juntando os poucos trocados pra pagar centenas de dinheiros pra ver bandas que, saberão ao final do evento, desonraram toda uma geração. Se bem que o Wood vai aproveitar pra encoxar umas gatinhas.
Mas se meterem o Rage Against the Machine no elenco, vai rolar a descida ao inferno. Afinal não é todo dia que o Led Zeppelin da sua adolescência toca no seu país. O mais perto disso que podia acontecer era se o Red Hot (não o Chili Peppers, sou da geração que aprendeu o que era overdose de drogas com a morte de Hillel Slovak) viesse fazer um show tocando o BloodSugar de cabo a rabo.
Aliás, por falar nisso…
Updeite: Produtora diz que Woodstock no Brasil é ‘mera especulação’
Ufa.
Minha coluna no Caderno 2 de domingo foi sobre o iPad.
Um player de notícias?
O que a Apple quer com o iPad
Começou. Mais uma vez a Apple se dispõe a reinventar um nicho do mercado digital a partir do lançamento de um aparelho. A empresa já fez isso com o MP3 player e com o telefone celular, ao apresentar os aparelhos ao mercado sob os nomes mágicos de iPod e iPhone.
O primeiro tornava fácil e prática a utilização de um tocador de MP3 portátil graças à interface sofisticada característica dos produtos da empresa. Mas a arma secreta do aparelho era uma loja virtual em que era possível comprar música digital às pencas – ou melhor, às faixas. A iTunes surgiu logo depois que a indústria do disco optou por lutar contra a internet em vez de abraçá-la, no início do século, quando processou seus clientes que baixavam discos de graça graças ao software Napster.
E ensinou ao mercado norte-americano – e, posteriormente, ao mundo – que música online não era sinônimo de pirataria. O que, logicamente, fez com se vendesse cada vez mais iPods.
O mesmo aconteceu com o iPhone, quando a Apple transformou o acesso à internet em um recurso básico para a telefonia móvel. E o iPhone não era apenas um BlackBerry para não-executivos – o aparelho também levava para as massas o conceito de aplicativos, pequenos softwares que fazem operações específicas usando a internet.
E assim o telefone virava um dispositivo que pode encontrar seu carro no estacionamento de um shopping, descobrir que música está tocando na estação do metrô ou quais restaurantes ficam mais próximos do hotel em que você está. Como com o iPod, a Apple também lançou um ambiente virtual para reunir estes aplicativos – a App Store.
E agora, com o iPad, lançado ontem nos Estados Unidos, espera-se que o mesmo aconteça com outros tipos de conteúdo, principalmente editorial. Mas não é uma briga com o Kindle, que segue exemplar para a leitura de livros monocromáticos. O novo aparelho da Apple quebra as barreiras entre livro, site, blog, revista, jornal, rádio e TV e propõe à geração produtora de conteúdo editorial – profissional e amadora – a repensar o ambiente em que nos informamos e nos entretemos. Se irão conseguir é outra história.
O Google é conhecido por suas piadas de 1º de abril, mas elas são amadoras se comparadas às da loja online ThinkGeek.com, que todo ano lança produtos falsos para brincar com seus compradores. Este ano, além de um despertador inspirado na série Lost e de um porta iPad que lembra um fliperama, a loja anunciou este “bonequinho” ao lado – o monólito do filme 2001, de Stanley Kubrick, para colecionadores. Genial.
E não dá pra falar em música brasileira atual sem citar o Emicida. Leandro Roque de Oliveira já não é novidade faz tempo, mas só consegui ver um show do cara no mês passado, dentro da noite que o Rômulo e as meninas da Alavanca tão fazendo ali no CB, nas quintas-feiras. Venho acompanhando a ascensão do cara há um tempinho (até já tinha pautado a Ana para fazer um Vida Digital com ele) e é interessante perceber como ele é a síntese da mudança de ares que aconteceu na década passada com o hip hop brasileiro, ao mesmo tempo em que também é um reflexo do que também aconteceu com a MPB.
No lugar da marra e da cara de mau dos Racionais MCs e seus contemporâneos gangsta, surge um rapper quase sambista, quase malandro, quase manhoso, cantando sobre pobreza, miséria e violência sem separá-las da rotina, da felicidade e da família. Sem o pesar arrastado de beats de funk, ele prefere ancorar-se no samba e resume uma evolução que aconteceu no rap nacional. E mais especificamente no que diz respeito ao MC – e é possível ouvir enfileirados na voz de Leandro nomes tão diferentes quanto Sabotage, Marcelo D2, De Leve, Max B.O., Kamau, Marechal, Rappin’ Hood e todos aqueles que orbitaram entre o Instituto e o Quinto Andar, a Trama e o festival Indie Hip Hop, entre mixtapes e MP3s.
Ao mesmo tempo é estúpido mantê-lo apenas sob o rótulo do hip hop. Suas referências não são tão universais quanto as de seus compadres do microfone e das picapes – ele prefere samplear referências brasileiras e citar Cartola, enchentes em São Paulo e a novela das oito em vez de repetir a mesma ladainha de gangues e guerra urbana do rap do século passado. Como aconteceu antes com Sabotage, ele regula o equilíbrio entre o sambista, o rapper e o cronista com exatidão, assumindo o papel de trovador que nenhum outro cantor ou músico brasileiro atual – presos demais às egotrips, a conceitos abstratos e à correria para pagar as contas para assumir esse papel – se dispõe.
E ele também é bom de conversa: rendeu um ótimo papo com o PAS, uma boa matéria sobre samba com o Werneck e uma boa entrevista feita pela Stefanie, além do perfil feito pela Ana pro Link. Sai clicando e vai lendo – se você não o conhece ainda, está passando da hora.
Banda de singles memoráveis e álbuns irregulares, os Rolling Stones não têm um consenso tão unânime, seja entre fãs ou críticos, quanto outros colegas de panteão de rock clássico – como Beatles, Pink Floyd, Led Zeppelin ou Velvet Underground – no que diz respeito a que disco seria sua obra-prima. Há quem seja defensor de discos da fase da gravadora London, os fãs da psicodelia bad trip do Satanic Majesties Request, quem morra de amores pelo desespero de Let it Bleed (me conte entre estes), o groove branco de Sticky Fingers ou o vodu de Goat’s Head Soup. O mais perto do posto de melhor disco dos Rolling Stones é o maldito Exile on Main St., disco duplo de 1972, que conta com uma das melhores músicas do grupo (“Tumbling Dice”), embora esta não seja nem de longe uma das mais memoráveis da banda.
O disco segue o mesmo tom: Exile se dá ao luxo de banir até mesmo os refrões de muitas faixas – impensável quando o assunto é Stones – e outras o áudio é soterrado como se fosse sido gravado em um porão. Na verdade, foi – Exile é fruto da estada dos Stones na França, na pequena cidade de Villefranche-sur-Mer, perto de Nice, no litoral mediterrâneo em que Keith Richards alugou a villa Nellcôte, que havia sido usada como bunker nazista na Segunda Guerra Mundial. Produzido pelo mesmo Jimmy Miller que assinou os melhores discos do grupo, Exile foi quando o guitarrista assumiu o comando da banda, deixando pela primeira vez Mick Jagger como coadjuvante. Não que Richards fosse uma espécie de vice do vocalista, mas ele sempre preferiu a sombra e o segundo plano para curtir seus riffs e vocais esganiçados, funcionando como contraponto perfeito à paixão de Mick pelo jet set e pelos holofotes.
Em 1972, foi a vez de Richards mostrar que ele só preferia ficar à sombra e que se ele quisesse, os Stones podiam ser sombrios. Exile é uma incursão a um pântano de blues e boogie norte-americano interpretados por ingleses branquelos que se portavam como piratas – além de contar com a participação de nomes como Dr. John, Gram Parsons e Billy Preston nas faixas. O material de lenda em torno do disco é tão farto que rendeu o excelente Uma Temporada no Inferno com os Rolling Stones, mas fez com que o disco caísse num limbo depois que Jagger resolveu seus problemas pessoais e reassumiu a face dos Stones. Duplo, Exile aos poucos ia sendo esquecido pela banda (mas não pelos ouvintes) como uma espécie de noite mal dormida, um portal para uma realidade alternativa em que Mick mostrava-se desimportante e Keith assumia toda responsabilidade pela banda. No bolo sonoro do disco, os vocais são quase detalhes do disco e Jagger sempre reclamou que não consegue entender o que canta depois que o disco foi lançado (chegou até a sugerir uma remasterização para limpar o álbum, um verdadeiro sacrilégio). E como Paul McCartney nos Beatles, Jagger sempre fez com que a obra do outro autor demorasse para receber o tratamento adequado.
Até que não deu mais: a edição de luxo de Exile on Main St. sai em maio próximo, com 10 faixas inéditas, entre elas “Plundered My Soul”, “Dancing in the Light”, “Following the River” e “Pass the Wine”, além de versões alternativas para “Soul Survivor” e “Loving Cup”, uma edição em vinil com um encarte de 50 páginas e um documentário, chamado Stones in Exile, dirigido por Stephen Kijak, incluindo 10 minutos do lendário documentário fake Cocksucker Blues, nunca lançado. Algumas músicas inéditas receberam um retoque no estúdio, mas nada drástico. “Eu não quero interferir na Bíblia, sabe? Elas ainda têm aquele som ótimo do porão”, disse Richards à Rolling Stone americana.
Texto que escrevi pra matéria de capa sobre televisão que publicamos esta segunda no Link.
Ano de Copa do Mundo, ano de TV nova
Como sempre, o mercado aproveita o torneio para lançar novas tecnologias; convergência, transmissão digital e TV 3D são as de 2010
A Copa do Mundo não é o evento esportivo mais popular do planeta só pelo fato do futebol ser o esporte mais popular do mundo – mas também por ter a TV como sua principal aliada. Televisionado desde a edição de 1954, na Suíça, o evento ganhou ainda mais popularidade graças a avanços tecnológicos que foram introduzidos tanto nos aparelhos quanto na transmissão do torneio.
Não vai ser diferente em 2010, com um agravante: esta será a primeira Copa em que a internet surge como principal ameaça real à audiência da TV. Além disso, a legislação brasileira exige que qualquer aparelho de TV com 32 polegadas ou mais venha com decodificador de TV digital embutido até julho.
Junte essas novidades à corrida tecnológica que vem acontecendo na última década e temos o encerramento de um ciclo: TVs de tela fina deixaram de ser artigo de luxo para entrar na rotina das pessoas.
Isso sem contar uma série de recursos e tecnologias que vêm invadindo o vocabulário. A antiga divisão entre LCD e plasma de alguns anos já rendeu novas terminologias, como LED, HDMI, Full HD e TV 3D.
Com os novos modelos que se conectam à rede e ao PC, a TV ressurge não como um eletrodoméstico que estimula a passividade, mas como central de entretenimento doméstico que conecta internet, computador, game, celular, players portáteis e pendrives – tudo num mesmo aparelho que, aos poucos retoma o papel central que já teve na casa das pessoas e que ficou para trás com a ascensão da dupla computador e internet.
Este ciclo de renascimento não vai fechar em 2010. Mas durante este ano já veremos o que é promessa há alguns anos chegar ao mercado de fato.
Por outro lado, a popularização da tela fina ainda não foi o suficiente para determinar o fim da velha TV de tubo, que ainda é o modelo que mais vende no Brasil – embora não seja o tipo de aparelho mais popular no mundo. Além de emperrar a onda de conectividade total dos modelos mais novos, o tubo de raios catódicos, quando descartado, agride muito mais o meio ambiente do que as TVs finas.
Nesta edição, tentamos entender o que irá acontecer com um dos aparelhos mais populares que existem em um ano que pode definir de vez seu papel nos lares do mundo.





