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E minha coluna no 2 de ontem foi sobre música.

O som de 2011
Strokes? Melhor ir atrás do chillwave

O excesso de expectativa a respeito do novo disco dos Strokes só foi superado pelo excesso de frustração. Pudera: seu novo disco, Angles, apenas repete a velha fórmula de seus primeiros singles, já com 10 anos de idade, de requentar riffs pós-punk para uma geração acostumada a ouvir rock na pista de dança. Acostumada, diga-se, pelos próprios Strokes e pela geração que surgiu em sua esteira – nomes como White Stripes, Interpol, Rapture e outros grupos inspirados em bandas dos anos 80, como Joy Division, Cure e Television.

No início do século, aquele som fazia sentido. O rock havia se transformado num arremedo pasteurizado e corporativo do rock alternativo apresentado ao mundo pelo Nirvana. Era uma época em que a dance music e a música eletrônica haviam conseguido se firmar no mercado e que o hip hop dominava. Britney Spears estava começando e o N’Sync ainda existia. Guitarras faziam sentido naquela época.

Dez anos depois, não mais. Mas a geração que tinha 20 e poucos anos quando os Strokes surgiram não liga. E espera o novo disco da banda como se eles pudessem se reinventar ou, pior, recuperar o brilho de seus primeiros dias. Esqueça. O rock dos Strokes em 2011 faz tanto sentido quanto o rock corporativo de bandas como Coldplay, Muse e Travis – o rock que o mundo ouvia quando eles apareceram.

E o que faz sentido em 2011? Não há uma só resposta, mas, na minha opinião, nenhum tipo de música pop parece fazer mais sentido neste ano uma cena chamada… chillwave.

Embora seja rejeitado por seus principais nomes, o rótulo chillwave caracteriza-se por unir duas qualidades: uma é etária, a outra, tecnológica. A primeira diz respeito à idade de seus protagonistas. Jovens que nasceram nos anos 80, ouvindo dance music rasteira, de instrumentos sintéticos e texturas de plástico. Cresceram, gostando ou não, ouvindo esse tipo de som. E ao começar a compor seus trabalhos, recorreram à tal palheta de timbres para compor músicas, mas acabaram optando por outra abordagem. Em vez da dance music farofa, aquela sonoridade agora dava espaço para construções mais etéreas e líricas, quase zen. E, em vez de serem produzidas em grupo durante ensaios, esses artistas – quase sempre bandas de um homem só – usavam a solidão do quarto e o computador para compor.

Nomes como Memory Tapes, Ariel Pink e Neon Indian aos poucos começam a sair da obscuridade dos blogs de MP3 e ganhar um público maior. Tanto que o segundo disco de um desses artistas, Underneath the Pine do Toro y Moi, está sendo lançado no Brasil. E outro, Washed Out, teve seu melhor single (I Feel It All Around) transformado em abertura de seriado neste ano (o ótimo Portlandia). É um início tímido, mas é bem mais interessante do que tentar reviver os dias em que os Strokes importavam.

Cansou do Cansei?

Eu não. Tanto que vou hoje lá ver os caras no Clash. Quem vai? Abaixo, a materinha que fiz com eles pro Caderno 2 de hoje.

Cansei de Ser Sexy não descansa
Uma das mais bem-sucedidas bandas brasileiras no exterior se apresenta hoje em São Paulo e anuncia turnê pelos EUA e novo disco para agosto

Hoje começa a fase três do Cansei de Ser Sexy. A banda, que começou como uma piada interna de uma turma de meninas sob olhares carrancudos de críticos sem humor, conseguiu provar-se como mais do que uma simples modinha paulistana ou hype de internet e hoje é um dos grupos brasileiros mais bem-sucedidos no exterior. E depois de dois discos, começa a mostrar como será seu 2011 no primeiro show que a banda faz fora de festivais no Brasil desde 2006, hoje, no Clash Club, na Barra Funda.

O CSS, como é conhecido no exterior, lançou-se no mercado em 2003 quase como uma banda de brincadeira, usando a internet como principal plataforma – a título de curiosidade, no início da banda, ela possuía um único MP3 e cinco fotologs. Nasceu no meio de um grupo de meninas que eram ligadas à moda e foram organizadas pelo músico Adriano Cintra, que já tinha construído sua reputação no underground paulistano em bandas como Thee Butchers’ Orchestra, I Love Miami e Ultrasom. Adriano assumiu a bateria e domou a espontaneidade das meninas de tal forma que, em pouco tempo, elas eram uma banda – ainda que de dance music – de fato.

Foi um dos artistas que ajudaram a gravadora Trama a consagrar seu site de bandas iniciantes, o Trama Virtual, que mais tarde viraria um selo que lançaria CDs de verdade – principalmente graças ao sucesso da banda no exterior. Algo impensável para quem chochava a banda em seus primeiros dias, que a colocou ao lado dos principais artistas da primeira década do século, tocando nos maiores festivais do mundo e ganhando capa de revistas de moda e de música.

Desde que começou sua carreira no exterior, a banda só voltou para o Brasil em férias, até que passou por uma montanha-russa de emoções, principalmente devido a problemas com o antigo empresário, que deram o tom amargo do segundo disco, Donkey, de 2008. Mas se os problemas se refletiram nas composições, eles não atrapalharam a maratona de shows feita pela banda, disposta a consagrar o nome que havia conquistado nos últimos anos. Nesse período, se apresentaram duas vezes no Brasil, apenas em festivais, no Planeta Terra de 2007 e no SWU do ano passado.

“Foi ótimo”, lembra a guitarrista Ana Rezende, em entrevista por e-mail, falando sobre o show do ano passado. “É sempre muito bom tocar no Brasil. O público aqui é diferente de qualquer outro lugar e sempre é meio nostálgico pra gente, no melhor sentido da palavra. Nós nos sentimos literalmente em casa.”

A guitarrista disfarça sobre o disco novo, que já está gravado. “A gente ainda não pode falar porque a gravadora tem de fazer o anúncio antes, mas ele já está gravado, masterizado e pronto para ir para a fábrica. O primeiro single sai em maio e o disco sai em agosto.” A apresentação no Clash contará com algumas músicas novas, além do repertório já conhecido da banda, que inclui hits como Move, Let’s Make Love and Listen to Death from Above e Alala. A banda se apresentou no fim de semana passado no Chile, quando também mostrou uma música nova.

O show de hoje é encarado como o início dos trabalhos no ano. No próximo dia 15, o Cansei de Ser Sexy começa uma turnê de um mês e meio pelos Estados Unidos, fazendo dupla com a banda Sleigh Bells, mas não deixa de cogitar uma turnê pelo Brasil, rumor que já vem sendo ventilado há pelo menos um ano. “Queremos muito fazer uma turnê por umas oito cidades por aqui”, continua Ana. “É difícil viabilizar, mas é uma coisa que queremos muito. Vamos ver se a gente consegue!”, anima-se.

Publiquei a entrevista que fiz com o Miami Horror, que toca hoje em São Paulo, na edição de Caderno 2, que comemora 25 anos nesta quarta.

Sem nenhum complexo
“Estamos satisfeito por sermos pequenos”, diz Ben Plant, líder da banda Miami Horror, que se apresenta no Brasil

“Estamos satisfeitos com o nosso tamanho”, explica Ben Plant, vocalista e fundador do grupo australiano Miami Horror, que passa esta semana pelo Brasil em miniturnê. “Não somos uma banda grande, acho que não dá para dizer que não somos nem uma banda média. Somos uma banda pequena, que está em seu primeiro disco, tem alguns singles e remixes conhecidos por um público que é pequeno mas não é minúsculo, o que nos deixa à vontade para tocar uma carreira do jeito que nós queremos e sermos conhecidos fora de nosso país.”

O Miami Horror faz parte de uma cena de dance music que vem mexendo com a paisagem sonora da Austrália há cinco anos. São artistas cuja formação vem tanto do indie rock quanto da música eletrônica, uma cena que misturou alternativas para sobreviver no mercado pós-internet que vinham tanto da cena de rock independente local como da rotina das casas noturnas de Melbourne, principal centro urbano dessa nova safra de bandas. Entre os nomes da mesma geração do Miami estão Bag Raiders, Van She, Midnight Juggernauts, Empire of the Sun e Cut Copy. De todos esses, apenas o último não se apresentou por aqui (vem em junho), numa prova de que o Brasil já se firmou como polo para essa nova dance music da chamada era MySpace.

Mas hoje se o MySpace já não é lá grandes coisas (demissões afetam o portal e especula-se que ele seja vendido para o braço da música corporativa no YouTube, o Vevo), o mesmo não pode ser dito sobre essa geração. São artistas que se estabeleceram mesmo à revelia de uma crise no negócio da música que poderia ter tanto a ver com a chegada da internet e a popularização do MP3 quanto com a má administração econômica dos grandes grupos contratadores de música. Esses fatores fizeram com que uma fábrica de computadores (Apple) se tornasse um dos principais nomes no negócio da música no século 21.

O Miami Horror é um dos milhares de nomes desta geração, artistas que vivem na fronteira da canção tradicional com a cultura DJ, remixando e sendo remixado por outros tantos artistas. Foi graças a dois remixes (da velha “Music Sounds Better With You”, do Stardust, e da nova “Walking With a Ghost”, da dupla Tegan & Sara) que o grupo conseguiu chamar atenção. Sua geração, mais do que viver grudada a um site popular, se espalhava por toda a internet em uma plataforma que surgiu na virada do século, mas ganhou novo formato a partir do meio da década passada: os blogs de MP3. Feitos por amantes de música, eles simplesmente comentavam artistas novos de que gostavam sem o ranço das rádios ou gravadoras.

Os blogs de MP3 funcionam quase como organizadores da nova música na internet. E foi graças a um desses, o IM//UR feito por um brasileiro e uma australiana, que Ben Plant veio ao Brasil pela primeira vez, há dois anos, para discotecar representando sua banda, no já consagrado formato DJ set.

“Devo muito aos blogs de MP3 e ao download indiscriminado da música pela internet”, ele explica. “Tenho certeza de que nem 10% das pessoas que sabem o que é Miami Horror compraram o meu disco, o que, por um lado, é uma pena. Mas por outro, não, porque se dependessem da compra para conhecer nossa música, não estaríamos fora da Austrália e provavelmente não estaríamos vivendo apenas de fazer música. Não vou dizer que não devam fazer isso. Lamento, mas sei que é uma característica desta época.”

A entrevista foi realizada por telefone na semana passada, quando eles terminavam a turnê norte-americana e se preparavam para passar a atual semana no Brasil. Os shows desta semana fazem parte do lançamento do único álbum do grupo, Illumination, do ano passado, que chega às lojas brasileiras este mês pela gravadora EMI.

Pergunto se Ben não vê contradição ao lançar um álbum em uma época que parece ser movida pelos singles, devido ao aspecto viral do MP3, e ele concorda meio a contragosto. “Gosto da ideia de um disco, com uma capa, com um nome, que reúne um número determinado de canções. Pode ser que seja um conceito defasado ou que eu já esteja ultrapassado, mas cresci ouvindo música dessa forma, é assim que quero fazer música e espero que influencie gente a continuar fazendo música assim.”
A banda passou por Porto Alegre ontem e hoje toca em São Paulo em uma festa fechada, em uma casa noturna na Rua Augusta. Amanhã se apresenta no Circo Voador, no Rio, onde toca graças ao financiamento prévio barganhado pelos fãs do grupo – é o conhecido movimento Queremos, que aproveita a vinda de bandas estrangeiras para o Brasil para, reunindo uma quantia mínima de cariocas interessados no show, conseguir trazer a atração para a cidade. Plant elogia a iniciativa: “É mais um motivo para que eu queira estar envolvido nisso, vai ser uma experiência incrível.”

Formada em Melbourne, há quatro anos, o Miami Horror é cria da cabeça de Ben, hoje com 24 anos, que reuniu músicos para dar forma ao seu conceito musical, uma dance music sintética e sinuosa, com elementos da virada dos anos 70 para os 80, quando a disco music se metamorfoseava em house, com elementos de Giorgio Moroder, Prince, Michael Jackson e Electric Light Orchestra, mas atualizando essa linguagem para composições enxutas como as das bandas da geração pós-Strokes. Sua música mais conhecida é “Sometimes”, mas não toca no rádio, embora pareça ter sido feita para isso. Procure por ela no YouTube e confira.

Minha coluna no Caderno 2 essa semana foi sobre o “Curtir” do Google.

A guerra dos botões
Google copia “Curtir” do Facebook

O início de 2011 tem sido tenso para o Google. Nada que abale sua moral – atualmente. Mas uma série de acontecimentos mexeram com o site mais conhecido do mundo e não há dúvidas sobre o motivo dessas mudanças – chama-se Facebook. A rede social de Mark Zuckerberg não é apenas um Orkut global – mais do que ambiente digital de relacionamento pessoal, o “Feice” (como os brasileiros chamam o site) se tornou uma espécie de território seguro que abriga toda a internet.

As mudanças no Google começaram em fevereiro, quando seu CEO, Eric Schimdt, anunciou que deixaria o cargo em abril, ficando a vaga para Larry Page, um dos fundadores do site. No mesmo mês, o Google também se viu obrigado a mudar seu algoritmo de buscas, pois alguns sites conseguiam entender como trapacear o ranking de páginas oferecido a cada pesquisa, subindo degraus e figurando entre os primeiros resultados.
Na semana passada, o site apresentou mais uma novidade para melhorar suas buscas, um botão chamado “+1”. Após fazer uma busca sobre qualquer assunto e descobrir entre os primeiros resultados obtidos qual é o link que melhor se encaixa à pesquisa, basta clicar o “+1” para mostrar que o link é confiável e que alguém o recomendou.

Familiar? Demais. O botão “+1” é idêntico ao “Curtir” do Facebook, botãozinho mágico que ajudou o Feice a crescer ainda mais no segundo semestre de 2010. Mas por que o Google está copiando o Facebook?

A página inicial do Google pergunta para quem o visita o que ele quer da rede. Isso fazia sentido na virada do século. Hoje em dia, com a tonelada de informações que recebemos, não. Não queremos descobrir coisas novas. Nos anos 10 do século 21, queremos que nos digam o que vale a pena. Eis a sacada do Facebook, que, em vez de perguntar o que quer, oferece dicas de amigos. O Google tenta correr atrás, mas será que o “+ 1” pega?

Nesta edição do Link, publicamos a tradução de uma matéria do New York Times que fala da troca de cadeiras de executivos entre a Casa Branca e os dois maiores sites do mundo. Aproveitei o gancho pra falar do discurso que Obama fez no início do ano, para entender melhor este jogo de poder…

A estratégia de Obama junto ao Google e ao Facebook

Há trinta anos não poderíamos saber que algo chamado ‘internet’ nos levaria a uma revolução econômica. O que podemos fazer agora – o que os EUA fazem melhor do que qualquer um – é instigar a criatividade e a imaginação de nossa gente. Colocamos carros nas estradas e computadores nos escritórios”, disse Barack Obama, em janeiro passado, no tradicional discurso Estado da Nação que o presidente norte-americano apresenta no início de ano. “Somos a nação de (Thomas) Edison e dos irmãos Wright; do Google e do Facebook. Nos EUA, a inovação não só muda as nossas vidas. É como nós a vivemos.” E continuou: “Há meio século, quando os soviéticos nos ultrapassaram ao lançar no espaço um satélite chamado Sputnik, não tínhamos ideia que chegaríamos antes deles à Lua. Não existia tal ciência. Nem a Nasa. Mas depois de investir muito em pesquisa e educação, nós não só passamos os soviéticos como lançamos uma nova onda de inovação que criou milhões de novos empregos. Este é o momento Sputnik de nossa geração.”

Ou seja: a corrida espacial do século 21 acontecerá entre nossos computadores e celulares. O discurso de Obama só não diz com todas as letras que a internet é uma invenção norte-americana. Afinal, não é. A rede Arpanet foi sim criada pelo Pentágono e foram as universidades norte-americanas as primeiras a reconhecer naquela rede um objetivo mais prático do que o que deu origem a ela – inventada por militares, servia para salvar informações que pudessem ser destruídas no caso de um ataque inimigo. Mas a rede só se popularizou graças a uma invenção europeia, a World Wide Web.

Mas se Obama não diz literalmente que a internet é americana, ele sublinha que seus principais personagens atuais – Google e Facebook – são. E isso não fica só no discurso, como pode-se perceber no jantar em que o presidente norte-americano recebeu os principais nomes desta indústria (Zuckerberg, Jobs, dois nomes do Google, entre outros) em fevereiro, além da movimentação de executivos entre os dois sites e a Casa Branca.

Uma das principais especulações sobre essa dança das cadeiras, aliás, diz respeito a um dos personagens centrais desta indústria. Eric Schimdt já passou pela Bell, pelo histórico PARC da Xerox, pela Sun e pela Novell, antes de virar CEO do Google e entrar do conselho da Apple. No mesmo mês em que jantou com Obama, anunciou que deixaria o cargo no Google. Mas um rumor que ganhou força durante o mês de março é que ele assumiria o cargo que hoje é de Gary Locke, o secretário de Comércio dos EUA que veio reunir-se com a ministra da Cultura Ana de Hollanda no mês passado, conforme apurou a repórter Tatiana de Mello Dias no Link há duas semanas. Locke assumiria o cargo de embaixador dos EUA na China, cedendo a vaga para Schimdt – que deixa de ser o homem do Google para se tornar o homem do comércio exterior daquele país.

Será esse um novo tipo de imperialismo, em que filmes, discos e livros não precisam ser boicotados? Uma coisa é tentar execrar uma obra, outra coisa é convencer as pessoas a não usar esses dois sites… O problema é que internet não é só Google e Facebook. E como o próprio Obama disse, se Google e Facebook são seu Sputnik, pode ser que alguém reaja a isso com uma nova Nasa para o século digital.

Lembrei de uma matéria que fiz para a Ilustrada anos atrás, quando o primeiro encontro dos Beatles e de Bob Dylan completou 40 anos – reunião de cúpula que mudou o curso das carreiras dos dois artistas e, com elas, a história da cultura do século 20. Segue o texto abaixo:

Encontro entre Bob Dylan e os Beatles faz 40 anos

“Olhando em retrospecto, eu ainda vejo aquela noite como um dos grandes momentos da minha vida. Na verdade, eu tinha a consciência de que estava dando início ao encontro mais frutífero na história da música pop, pelo menos até então. Meu objetivo foi fazer acontecer o que aconteceu, que foi a melhor música de nossa época. Eu fico feliz com a idéia de que eu fui o arquiteto, um participante e o cronista de um momento-chave da história.”

Assim o jornalista norte-americano Al Aronowitz se refere ao clássico encontro que, exatamente há 40 anos, mudou a cara da música pop e da cultura popular, quando, no dia 28 de agosto de 1964, os Beatles foram apresentados a Bob Dylan e este os apresentou à maconha. O encontro, ocorrido no Delmonico Hotel, em Nova York, fez com que ambos artistas começassem a se enxergar como partes de um mesmo universo, cedendo atrativos musicais entre si –não havia mais consumismo infanto-juvenil de um lado e cabecismo adulto do outro, tudo era a mesma coisa. Nascia a música pop moderna.

O que a princípio parecia se tornar um breve alô entre jovens ícones se tornou um acelerador para novas certezas que ambas as carreiras vinham desenvolvendo. Fenômeno de mercado, os Beatles eram uma banda elétrica adolescente, cantando baladas de amor e petardos dançantes com maestria inigualável. Já o acústico Dylan nascera na mesma cena folk pacifista que habitava o bairro boêmio do Village e glorificava autores beat e músicos do povo.

Mas logo a seguir as coisas mudariam de figura. Dylan abraçaria a guitarra como um violão de maior alcance, ferindo seus próprios fãs puristas com decibéis de eletricidade distorcida, ao mesmo tempo em que deformava a própria lírica das canções de protesto para um panteão bíblico-pop que buscava a pureza da alma americana ao mesmo tempo em que se perdia em seus próprios pecados. Já os Beatles deixariam de lado o iê-iê-iê para mergulhar fundo em si mesmos, emergindo de seu experimentalismo intuitivo –parte nostálgico, parte ingênuo– com o melhor legado que o formato canção conheceu.

Aronowitz havia entrevistado John Lennon e descobriu que ele considerava Bob Dylan um “ego igual” e, amigo de Dylan, passou a pensar em como aproximar os dois artistas. Até que, naquele 28 de agosto, Al recebe um telefonema –era Lennon, de passagem com os Beatles por Nova York:

“Cadê ele?”.

“Quem?”

“Dylan!”

“Ah, ele está em Woodstock, mas eu posso trazê-lo!”

“Do it!” (Faça!), mandou John do outro lado da linha, e o jornalista percebeu que podia dar ignição na própria história. Aronowitz combinou com Dylan, que veio acompanhado do roadie Victor Maimudes, ao volante. Com Al no carro, foram em direção a Manhattan, chegando logo ao hotel na Park Avenue. Lá, os três alcançaram o andar em que os Beatles estavam, sendo recebidos por um amontoado de artistas, radialistas, policiais e jornalistas, bebendo cerveja e conversando, que esperavam a vez de entrar na suíte para conversar com os Beatles, que estavam na capa da revista “Life” daquela semana.

Dylan entrou rapidamente, e a recepção foi feita pelo empresário do grupo, Brian Epstein, que, ao perguntar, entre champanhe e vinhos franceses, o que Dylan gostaria de beber, ouviu o pedido por “vinho barato” –para despachar o roadie dos Beatles, Mal Evans, em busca da tal garrafa. O encontro vinha frio, e os Beatles ofereceram pílulas para Bob, que sugeriu que eles fumassem maconha. Os ingleses responderam que nunca haviam fumado –consideravam a maconha uma droga pesada como a heroína, restrita a músicos de jazz e escritores malditos.

Pasmo, Dylan perguntou sobre aquela música que eles compuseram sobre estar chapado. Sem entender o que ele queria dizer, o cantor folk citou uma passagem em que os Beatles cantavam “I get high! I get high! I get high!” (“Eu fico chapado”), e Lennon esclareceu que era “I Want to Hold Your Hand”, cuja letra, na verdade, dizia “I can’t hide! I can’t hide! I can’t hide!” (“Eu não posso esconder!”). Desfeito o mal-entendido, Dylan sugeriu que todos fumassem um baseado.

Os Beatles, Dylan, Mal, Victor, Brian, Al e o assessor de imprensa Derek Taylor se dirigiram ao fundo da suíte do hotel, onde se trancaram e fecharam as cortinas. Bob Dylan começou a enrolar o cigarro, mas deixou o fumo cair por duas vezes, deixando que seu roadie terminasse o serviço. Aceso, o cigarro foi passado para Lennon, que passou a vez para o baterista Ringo Starr, que, por desconhecer os rituais canábicos, fumou-o inteiro, sem passá-lo adiante. Isso fez com que Al incentivasse a produção de mais cigarros –e logo cada um tinha o seu.

“Foi muito engraçado!”, lembra Paul McCartney em suas memórias, “Many Years from Now”, “o negócio dos Beatles eram humor, tínhamos muito humor. Havia um lado do humor que usávamos como proteção e, com aquilo ainda por cima, as coisas ficaram mesmo hilárias”.

“Virou uma espécie de festinha”, continua Paul, “voltamos todos para a sala, bebemos e coisa e tal, mas não acho que alguém precisasse de mais fumo depois daquilo. Passei a noite toda correndo para lá e para cá, tentando achar papel e caneta porque, quando voltei para o quarto, descobri o sentido da vida. Queria contar ao meu pessoal como era aquilo. Eu era o grande descobridor, naquele mar de maconha, em Nova York”.

“Até a vinda do rap, a música pop era largamente derivada daquela noite no Delmonico. Aquele encontro não mudou apenas a música pop, mudou nosso tempo”, lembra Al Aronowitz, em sua coluna on-line “The Blacklisted Journalist”. Logo depois, Dylan lançaria, em seqüência, os discos “Bringing It All Back Home”, “Highway 61 Revisited” e “Blonde on Blonde”, enquanto os Beatles trariam “Rubber Soul”, “Revolver” e “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”. Pura história.

E minha coluna do Caderno 2 de hoje volta ao Charlie Sheen, mas pelos olhos do Brett Easton Ellis.

A queda do império
Charlie Sheen e a era digital

A essa altura do campeonato, você deve estar farto de ouvir falar em Charlie Sheen. O ator aprontou e desaprontou junto à produção do seriado Two and a Half Men, em que interpreta um personagem playboy mal-educado que vive uma vida de lazer e decadência, até que foi demitido. Antes de sua demissão, passou a provocar seus chefes com entrevistas em que jogava toda sua arrogância no ventilador, atirando contra tudo e todos que condenam seu estilo de vida com frases de efeito como “‘Não posso’ é o câncer do ‘acontecer’”, “morrer é para tolos”, além de um bordão que repetia quase como um mantra para suas bravatas: “Winning!”.

Demitido da emissora em que trabalhava, foi comemorar o feito no topo de um prédio, bradando contra todos enquanto agitava um facão e tomava uma bebida de uma garrafa escrita “sangue de tigre”.

Mas isso foi há duas semanas. Na semana passada, o escritor Brett Easton Ellis foi contra a massa que chiava do comportamento de Sheen e comemorou as ações do ator ao dizer que ele, na verdade, é uma “celebridade pós-império”, que dá às pessoas o que eles realmente querem ouvir. E o comparava a Lady Gaga, aos reality shows, ao Facebook e à apresentação de Ricky Gervais no Globo de Ouro deste ano. Mas Ellis não estava falando do império americano, não faz esse tipo de analogia barata.

O “império” em queda seria, no caso, toda a indústria de entretenimento que desmorona, principalmente, graças à internet. É ela que humaniza os ícones, destrói barreiras, conecta pessoas sem que elas precisem de um guia como antes. Em outras palavras, Charlie Sheen também é um ícone da era digital.

Telefone sem fio
Japão, CNN, Twiiter e o Godzilla

No dia da maior tragédia no Japão desde o fim da Segunda Guerra Mundial, um dos trending topics do Twitter era Godzilla. Mas olha como o monstrengo foi parar lá. Como é típico das emissoras de notícias em situações dessa proporção, a programação da rede CNN dedicou-se a comentar o acontecimento com todos os tipos de entrevistados. E um deles comparou a destruição do terremoto e do tsunami ao cenário de um filme de monstro. O telefone sem fio começou quando alguém ouviu a frase sendo dita na TV e perguntou no Twitter se a CNN havia feito alguma piada envolvendo o Godzilla.

Foi o suficiente para que milhares de seguidores da rede começassem a reclamar da falta de tato da apresentadora que estava no ar no momento, Rosemary Church. E, em poucas horas, ficou parecendo que o canal de notícias estava ironizando a tragédia. Prontamente, os responsáveis pela área digital da emissora anunciaram via Twitter que estavam checando para ver se aquilo havia sido dito mesmo e, logo depois, avisaram que era só um grande mal-entendido. Mas deve ter gente até hoje achando que a CNN pegou pesado demais…

Eu e a Helô assinamos o texto de capa dessa semana do Link, sobre o botão Curtir, do Facebook.

Curtindo a vida adoidado
Como um mísero botão transformou o Facebook em febre. E essa curtição toda mal começou…

É o gesto mínimo. O polegar levantado, os outros dedos fechados. Feito o sinal, não sobram dúvidas. O joinha, em toda sua simplicidade, virou a partícula elementar da autopublicação.

Uma das grandes discussões no início da chamada web 2.0 era se, no futuro, qualquer um seria produtor de conteúdo. Mas poucos se dispõem a participar da internet de forma ativa. Assim, aquele que não tem Twitter, nem blog, nem Tumblr, que não sobe vídeos no YouTube e não recomenda leituras no Google Reader, ele não publica nada. É um mero leitor passivo, acompanhando a era da autopublicação do lado de fora.

Até o Facebook
A rede social reduziu a autopublicação a sua unidade mais básica, o que une Twitter, YouTube, Flickr e Tumblr. Todos terminam no botão “publicar”. O Feice concentrou-se apenas neste gesto, o mínimo de interação possível entre homem e máquina, o clique no mouse que ativa um link.

E transformou o botão de publicar em um ato amigável, próprio de uma rede de “amigos”. Assim nascia o botão “curtir”.

Pegou. Primeiro, o botão era restrito às publicações dentro do Feice. Alguém indica um link e, em vez de escrever “legal” no comentário, basta apertar o polegar pra cima. A grande sacada de Mark Zuckerberg foi despregar o botão de sua rede – espalhando-o por toda a internet, hoje coalhada pelos joinhas.

Isso aumentou o tráfego de dados dentro da rede e fora dela – quase todos os sites que incluíram a função em sua programação tiveram representativos aumentos de audiência.

Mas o domínio da curtição está só em seus primeiros dias. A novidade desta semana foi a transformação de outro botão, o “Compartilhar” que está prestes a virar apenas “Curtir”. E quando você curte alguma coisa fora do Facebook ela é automaticamente postada no seu mural, abrindo inclusive a possibilidade de comentários – coisa que o Curtir atual não permite.

Com isso, ninguém mais curte em silêncio. Basta clicar no botão e a curtição é dividida com amigos automaticamente. Alguma dúvida de que isso aumentará ainda mais a audiência de sites, fora a do próprio Feice?

Como curtir
É uma ideia quase besta de tão simples, que aproveita da quase passividade de quem está navegando para torná-lo agente ativo do grande jogo que é a internet hoje. Mas é preciso saber curtir.

Pega mal curtir o que você publicou. Também não é legal ser serial liker e sair curtindo tudo por aí. É preciso dar valor a seu joinha. Curtir notícia ruim é esquisito. Curtir quando alguém muda o status de casado para solteiro, então, é grosseria pura.

São apenas algumas dicas desta etiqueta virtual que estamos aprendendo a usar. E curtir.

Minha coluna no 2 foi sobre o veículo de lançamento do novo single do Camelo.

A nova do Camelo
O YouTube é o novo rádio?

Como você ficava sabendo de uma música nova há uns dez anos? Muito provavelmente, pela rádio. Ou, se a música em questão não fosse tão popular, você esperaria o lançamento do disco e o compraria na loja. Mas em dez anos, graças à internet, muita coisa mudou. Rádios e lojas de discos continuam por aí, mas não são mais a forma exclusiva – ou pelo menos, não mais a primeira alternativa – para quem quer conhecer algum artista novo. Veja o que aconteceu nesta semana.

Marcelo Camelo, ex-vocalista do grupo carioca Los Hermanos, lançou seu primeiro disco solo em 2008 – um disco hermético e pouco pop, como se o compositor quisesse fugir da aura popular que sempre pairou sobre sua banda. Rodrigo Amarante, o outro vocalista do grupo, saiu pela tangente e montou o Little Joy com integrantes de outras bandas, incluindo o baterista dos Strokes, o brasileiro Fabrício Moretti. Sem a necessidade de fugir do clima pop dos Hermanos, o Little Joy parecia comemorar os prazeres da vida sem se preocupar com o que os ouvintes iriam dizer.

E isso criou uma expectativa: será que o próximo disco de Marcelo Camelo teria alguma influência de Little Joy? Será que Marcelo teria percebido que não precisava se preocupar tanto com o que as pessoas iriam pensar do seu trabalho e voltar a fazer música fácil?

Outro fator que influenciava essa nova fase de Camelo era o fato de ele estar namorando a pequena Mallu Magalhães, cantora revelada na internet com atributos pop que eram inevitavelmente influenciados pela banda do atual namorado, embora não diretamente. Será que a convivência com Mallu fez Camelo soar mais leve?

A partir da simples Ô ô (é, o nome da música é só isso), tudo indica que sim. A novidade, no entanto, não está apenas no fato de a música corresponder às expectativas do ouvinte que esperava algo mais pop e tranquilo. Mas sim o fato de Camelo ter escolhido a internet para lançar sua canção. Mais do que a internet, o YouTube. E em vez de simplesmente lançá-la, optou por apresentá-la aos poucos, com pequenos vídeos com poucos segundos da faixa, que começaram a ser postados na segunda-feira passada.

Dez segundos em um dia, 10 em outro, mais 10 na quarta-feira e na quinta-feira Ô ô era revelada integralmente. Os fãs, claro, amaram. Mas, mais do que agradar aos fãs, Camelo fez que sua nova música atingisse um público que, de outra forma, levaria mais tempo para ouvir a nova canção.

Sinal dos tempos. O YouTube é um dos principais veículos de comunicação de nossa época e muitos o utilizam como continuação da televisão (não deu para assistir ao Jô ou ao jogo no dia anterior? Alguém já subiu no YouTube, no dia seguinte), e mais gente ainda, como rádio. Sim, há muita gente que escuta música no YouTube. E Camelo sabe disso.

O que importa

Podia ser só mais uma celebridade surtando. “Galã de meia-idade sofre pressão de estúdio para largar as drogas”, “Seriado em risco devido aos surtos de estrela decadente”, “Sexo, drogas e Charlie Sheen” – material para programas de TV e jornalecos sensacionalistas. Mas o protagonista dessa história chama-se Charlie Sheen, um sujeito que, não bastasse ter nascido em Hollywood (ele tava em Apocalypse Now, Curtindo a Vida Adoidado, Wall Street, Platoon, Spin City e Top Gang), passou a última década preso num personagem dedicado a si mesmo (Uncle Charlie, o tio de Jake no seriado Two and a Half Men), curtindo seu ponto de vista em relação a uma vida dedicada aos excessos. E, quando ele resolveu contar sua versão da história, transformou-se numa espécie de filósofo maluco, pregando o fim do mundo para os idiotas e a vida eterna para gente que nem ele. “Tigerblood”.

A entrevista de Sheen vai além do mero sensacionalismo porque o ator nunca fingiu ser alguém diferente do que é. Estava no livro negro de Heidi Fleiss, “Madame Hollywood”, a cafetina que foi presa em 1995, e prontamente admitiu ser cliente. Nunca negou seu passado putanheiro e violento, resumindo tudo no bordão que usou na abertura de uma das vezes em que jogou sua merda no ventilador da América – e do mundo: “É tudo paixão”.

Paixão e foco. Eis as duas principais virtudes exaltadas pelo discurso de Sheen. Um discurso emblemático, implacável, que mistura elementos de auto-ajuda, filosofia maconheira de surfista, autoridade militar, poesia de rua, aula de inglês, mesa redonda de esportes e líder religioso (como bem disseca a Slate – já o NY Times percebe que “Sheen” já virou verbo). Charlie Sheen não está desabafando só por si mesmo. Perceba que seus esbravejos, xingamentos e afrontas não são apenas os de um playboy reclamando porque não deixam ele fazer o que quiser. É claro que há todo o glamour da autocelebração hollywoodiana, essência do ator-personagem. Mas é possível ouvir seu discurso e deixar de lado o fato de que ele bate em mulheres ou que ele faz apologia da autodestruição.

Ele está apenas botando o dedo na cara de quem só reclama, de quem vive conformado sua vidinha sem graça e cuja única ação que consegue por em prática é falar mal da vida alheia. Especialmente da vida de quem vive como quer. Não apenas Charlie Sheen. Mas todos nós.

Porque existe a possibilidade de você saber que a sua vida merece ser vivida de forma plena, sem limites, pura entrega. Uma vida abastecida pela paixão – e isso não quer dizer propriamente uma vida feliz. O próprio conceito de “felicidade” se mistura com o de “conformismo”, se a imagem da felicidade é a da família do comercial de margarina. Apesar dos sorrisos, eles não estão felizes assim. Estão sim, conformados. Mas não satisfeitos.

É isso que Charlie Sheen prega: vá viver a sua vida, levante-se dessa poltrona e pare de viver pelas outras pessoas. No fim das contas, a única coisa que você vai ter é a sua própria experiência, por isso esqueça viagens pelo Discovery Channel, festas no Twitter, discussões por SMS ou amigos do Facebook. Encontre mais gente, saia mais, descubra o mundo, tenha foco, tenha um plano, PLANEJE MELHOR (como reza uma das inúmeras tags que Sheen pregou ao seu nome, com suas entrevistas). Transforme um mísero dia de aula em um desfile a céu aberto em que você possa cantar “Twist and Shout” como Ferris Bueller.

“‘NÃO POSSO’ É O CÂNCER DO ‘ACONTECER'”, esbraveja, como se Keith Richards tivesse caído na fonte da juventude nos anos 60 e não parecesse um maracujá humano dizendo que a vida loka é a que vale. Sheen esticou um pouco o rosto, mas tem a mesma cara de guri que tinha por toda sua carreira. E, ao não envelhecer (por enquanto, embora os jornais já estejam preparando seu obituário), ele mostra que essa autodestruição feliz não é necessariamente algo deprimente. Triste ou não, ela só diz respeito a seu protagonista.

Pode ser que tudo seja uma grande armação, que Sheen esteja preparando território para um filme do mesmo jeito que Joaquin Phoenix tentou há um ano (sem sucesso desde o início, mas Sheen é melhor ator que Phoenix). Pode ser que “Winning” seja uma marca de tênis, “Tigerblood” um energético e “Dying is for fools” um slogan de um plano de aposentadoria privada – e que Sheen tenha arquitetado isso como um grande plano (“I have a plan”) para capitalizar novas marcas a partir de alguns chiliques na TV. Mesmo que marcas se apropriem de seu nome, de suas expressões e de sua vida (quanto tempo vai levar pra aparecer livros e filmes sobre Charlie?), seu recado já foi dado.

Não me espanta isso acontecer na mesma época em que um texto que escrevi em 2003 (“A Sua Vida, Saca?“) ter voltado a circular online. Há muito oba-oba e pouco motivo para comemoração. É preciso festejar estar vivo, comemorar as amizades, os amores, as paixões. Fazer que a vida volte a ter sentido – e que sentido seja entendido não como significado, mas um verbo no particípio. O sentido da vida é tudo aquilo que foi sentido por cada um de nós.

É só isso que importa.

PS – Desligo as máquinas aqui até a segunda dia 15 (mais de uma semana de folga offline, em frente à praia, nada mal. Pode ser que tuíte algo ou que escreva algo no Feice, mas não prometo nada até o meio de março).
PS 2 – E se você curtiu esse papo todo de Ferris Bueller e Charlie Sheen, compra o Link desta segunda-feira que você não irá se arrepender. Sério.
PS 3 – JUÍZO, HEIN. Poucos têm sangue de tigre de verdade.
PS 4 – ZOL