
Escrevi sobre o Dia de Guerra nas Estrelas pra edição online Ilustrada de hoje, saca só:
Em 2015, fãs têm motivos de sobra para comemorar o ‘Star Wars Day’
Fãs da saga “Guerra nas Estrelas”, criada por George Lucas nos anos 70, estão com motivos de sobra para comemorar 2015. Afinal, neste ano eles estão vendo a materialização de algo que nem os mais entusiasmados podiam cogitar no início deste século: o episódio 7 da saga chega aos cinemas do mundo todo em dezembro deste ano.
As comemorações devem se concentrar nesta segunda-feira: afinal, em 4 de maio já é oficialmente comemorado o Star Wars Day —que, como acontece há alguns anos, também é festejado no Brasil.
A escolha da data vem de um infame trocadilho em inglês, misturando a pronúncia de “4 de maio” (“May the fourth”) com a bênção que os guerreiros sagrados da série de filmes dão uns aos outros, “que a Força esteja com você” (“may the Force be with you”).
As origens da brincadeira linguística remetem à chegada de Margareth Thatcher ao poder em 1979. O partido conservador inglês saudou a Dama de Ferro com um anúncio no jornal “London Evening News” no dia de sua posse como primeira ministra inglesa, em 4 de maio. Eles publicaram uma saudação que fazia alusão ao filme de maior sucesso no final daquela década: “May the fourth be with you, Maggie”.
DISNEY + LUCASFILM
Apesar do trocadilho existir há tempos, só a partir desta década que o 4 de maio começou a ser comemorado efetivamente. A princípio, em um encontro realizado no Canadá em 2011, que tinha exibição dos filmes, concurso de cosplay, jogos de adivinhação e premiações para as melhores paródias e homenagens feitas na internet.
O evento foi um sucesso e passou a se repetir ano a ano. A data ganhou Força —com o perdão do trocadilho— após a Disney ter comprado a Lucasfilm, produtora da saga, em 2012. Assim, a partir de 4 de maio de 2013 o Dia de Guerra nas Estrelas deixou de ser uma comemoração feita somente por fãs para ganhar chancela oficial da indústria do entretenimento.
A incorporação da Lucasfilm à Disney também impulsionou esta nova fase da franquia ao ressuscitar algo que era encarado pelos fãs como lenda urbana: a última trilogia da saga original.
O sucesso do primeiro “Guerra nas Estrelas”, em 1977, redesenhou a indústria do cinema como a conhecíamos. A saga inaugurou novos parâmetros no mercado: uma data única para o lançamento nacional de um filme, o foco no entretenimento e no público infanto-juvenil, a importância dos efeitos especiais na tela grande e o início da popularização em massa da ficção científica (mesmo que, na prática, “Guerra nas Estrelas” não tenha nada de sci-fi).
George Lucas não tinha como prever isso, embora apostasse todas suas fichas nesse sucesso. Quando o primeiro “Guerra nas Estrelas” tornou-se o grande campeão de bilheterias da temporada, o diretor e produtor sacou uma carta de sua manga: não era apenas um filme, eram três trilogias e o filme de 1977 era o quarto volume de uma saga enorme.
Só quando “Guerra nas Estrelas” reestreou no cinema para começar a divulgação do segundo filme, o grande “O Império Contra-Ataca” (1980), que Lucas adicionou o número do episódio (4) e um novo subtítulo (“Uma Nova Esperança”) ao primeiro filme. O sexto volume e terceiro filme (“O Retorno de Jedi”) veio em 1983, e assim Lucas encerrou a trilogia clássica, fazendo os fãs especularem sobre que histórias seriam contadas nos episódios 1, 2, 3, 7, 8 e 9.
Os três primeiros capítulos ganharam vida na virada do milênio: “A Ameaça Fantasma” (1999), “O Ataque dos Clones” (2002) e “A Vingança do Sith” (2005) contavam como o jovem Anakin Skywalker se transformaria no vilão Darth Vader. Os fãs, porém, ficaram frustrados com filmes enfadonhos e infantilizados, ao mesmo tempo superproduzidos e politicamente corretos.
As produções faturaram muito dinheiro e renovaram a franquia para uma nova geração. Mas, logo após a segunda trilogia, George Lucas começou a dar entrevistas anunciando que não iria fazer os três últimos filmes que havia prometido. Repetia que a história era composta apenas por seis longas e choramingava dizendo não ter vontade de se envolver com a série por ter sido avacalhado pelos velhos fãs devido às decisões que tomou nos três filmes mais recentes, como a inclusão de Jar-Jar Binks.
DESPERTAR DA FORÇA
Até que a Disney comprou a Lucasfilm e começou a rever esta história —o resultado é este 2015 agitadíssimo. O anúncio dos três novos filmes veio quase que simultaneamente à compra da empresa de George Lucas pela gigante de Walt Disney por US$ 4 bilhões, em 2012.
O sétimo episódio da saga, “O Despertar da Força”, foi agendado para dezembro de 2015, sob a direção do criador da série “Lost”, J.J. Abrams, o responsável por reapresentar a saga “Star Trek” para uma nova geração com os dois últimos filmes da franquia, em 2009 e 2013.
O elenco do novo filme foi apresentado no fim de abril de 2014, e une os novatos John Boyega, Daisy Ridley, Adam Driver, Oscar Isaac, Andy Serkis e Lupita Nyong’o aos veteranos Harrison Ford, Carrie Fisher, Mark Hamill, Anthony Daniels, Peter Mayhew e Kenny Baker. Estes últimos vivem os clássicos personagens da trilogia original (Han Solo, Princesa Leia, Luke Skywalker, C3PO, Chewbacca e R2D2, respectivamente).
O aquecimento para o 2015 de “Guerra nas Estrelas” começou ainda em dezembro do ano passado, quando foi divulgado um trailer de 90 segundos que instigou os fãs com novos cenários, novos personagens, um sabre de luz em forma de cruz e um voo rasante da Falcão Milenar de Han Solo.
Outro trailer, este com dois minutos, foi lançado em 16 de abril, provocando choro em muito marmanjo ao reapresentar Han Solo e Chewbacca em sua última cena.
O novo trailer foi o início do fim de semana Star Wars Celebration, uma espécie de Comic Con temática de “Guerra nas Estrelas” em Anaheim, Califórnia. Uma série de novidades sobre o próximo filme foi apresentada, mas sem entregar muito sobre a história. A celebração terminou com um novo anúncio: a série de filmes “Star Wars Anthology”, que contará histórias da saga paralelas às três trilogias.
O primeiro filme, “Rogue One”, conta como os Rebeldes conseguiram os planos para destruir a Estrela da Morte no filme de 1977 —não deve ter nada de Jedis ou sobre a Força, já que nesta época os Jedis eram tidos como extintos. O filme foi anunciado para 2016 e é uma prova de que a nova encarnação de “Star Wars” quer alcançar as mesmas proporções épicas do Marvel Cinematic Universe, a cronologia única que une todos os filmes do estúdio Marvel, desde o primeiro Homem de Ferro (de 2008) até as produções agendadas para 2019.
Pouco se sabe sobre “Episódio 7 – O Despertar da Força”, mas há várias pistas indicadas no trailer. Talvez a personagem de Daisy Ridley (Rey) seja da nova geração Skywalker, e possa se envolver com Finn (John Boyega), um provável stormtrooper fugitivo. Outra: o Império dos filmes anteriores não sucumbiu, e o sabre que Luke Skywalker segurava quando teve sua mão decepada por Darth Vader reapareceu misteriosamente.
Na única cena que apareceram no segundo teaser, Han Solo e Chewbacca estavam apontando armas para alguém. Uma nova versão do robô R2D2, batizada de BB8 (e que gira sobre uma esfera, em vez de arrastar-se com rodas), foi apresentada, mas não vimos ainda o que aconteceu com o androide C3PO.
4 DE MAIO
O 4 de maio, portanto, aumenta as expectativas em relação a mais revelações sobre o próximo episódio da saga. O dia já começou com o anúncio que o oitavo longa da série será filmado na Inglaterra e dirigido pelo norte-americano Rian Johnson (que assinou três dos melhores episódios de “Breaking Bad” e o filme “Looper: Assassinos do Futuro”, de 2012). O longa estreia apenas em 2017.
Aproveitando as comemorações, a revista “Vanity Fair” estampou a nova dupla de protagonistas Rey e Finn ao lado dos velhos conhecidos Han Solo e Chewbacca, além do simpático robozinho BB8, na capa de sua edição de junho, fotografados por Annie Leibovitz, uma das maiores retratistas de sua geração.
A publicação promete ainda extras com o elenco de “Star Wars 7” em seu site. O primeiro deles, um vídeo dos bastidores do ensaio com Leibovitz, foi divulgado no domingo.
E não são apenas novidades oficiais: na Austrália, um grupo de fãs construiu uma réplica gigante da nave Falcão Milênio usando blocos de Lego. No Brasil, há ao menos dois grandes encontros de fãs da saga programados para o 4 de maio: em São Paulo, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, às 19h30, e no Rio de Janeiro (Livraria Cultura Cine Vitória, no centro, às 19h30). Nos dois eventos, haverá bate-papos sobre o novo filme com presença de especialistas. No shopping Villa-Lobos há uma exposição de capacetes dos soldados do Império (os stormtroopers) customizados por artistas brasileiros.
A data de lançamento do primeiro “Guerra nas Estrelas”, em 25 de maio, também é comemorada anualmente, mas devido ao fato de coincidir com o “dia da toalha” (instituído duas semanas após a morte do escritor inglês Douglas Adams, o criador da série de livros “O Mochileiro das Galáxias”) e com o “glorioso 25 de maio” (da série “Discworld”, do autor inglês Terry Pratchett, morto em março ), a data é comumente referida como “o dia do orgulho nerd”. Mas isso é outra história.
STAR WARS DAY NO BRASIL
Em São Paulo
Quando: seg. (4), às 19h30
Onde: Livraria Cultura do Conjunto Nacional, av. Paulista, 2.073, Cerqueira César, tel. (11) 3170-4033
Quanto: grátis
No Rio
Quando: seg. (4), às 19h30
Onde: Livraria Cultura – Cine Vitória, r. Senador Dantas, 45, centro, tel. (21) 3916-2600
Quanto: grátis
Eis que o primeiro subproduto do documentário Montage of Heck acaba de ser anunciado: um disco composto apenas por gravações caseiras de Kurt Cobain. Falei sobre isso no meu blog do UOL http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/05/03/gravacoes-caseiras-de-kurt-cobain-serao-lancadas-em-disco-postumo/

Uma das maiores cantoras do século passado não tem o reconhecimento merecido por ser considerada “difícil” e por se envolver com causas sociais e políticas. Mas um documentário produzido pelo Netflix pode mudar este cenário. Escrevi sobre isso no meu blog do UOL: http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/05/01/nina-simone-e-a-a-profundidade-de-uma-das-maiores-cantoras-do-seculo-20/

Montage of Heck, que parece ser o documentário definitivo sobre Kurt Cobain, já tem data e locais de exibição nas salas de cinema do Brasil. Falei sobre isso lá no meu blog do UOL – além de incluir duas cenas do documentário em que o líder do Nirvana mostra que não era só um junkie depressivo avesso ao sucesso: http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/29/documentario-mostra-kurt-cobain-engracadinho-e-sera-exibido-no-brasil/

Escrevi sobre o novo Vingadores e como a importância do filme está em encerrar a fórmula da fase 2 da Marvel ao mesmo tempo em que lança as sementes para a fase 3: http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/28/o-novo-vingadores-da-varias-deixas-para-a-fase-3-da-marvel-no-cinema/

A Disney apresentou sua grade de lançamentos para os próximos dois anos em uma convenção em Las Vegas e ela é dona de tudo que a gente vai ver no cinema daqui em diante – comentei isso lá no meu blog no UOL http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/24/a-disney-e-dona-de-tudo-que-voce-vai-ver-no-cinema-nos-proximos-anos/

A minha coluna na revista Caros Amigos do mês passado foi sobre a renascença do vinil na era digital e o Clube do Vinil que a revista Noize inventou.
O clube do vinil
Sucateado no Brasil graças a uma conjunção de fatores econômicos e tecnológicos, o velho LP vive uma nova renascença e uma revista gaúcha lançou até um clube do disco
Das transformações que o meio digital provocou no mercado fonográfico sem dúvida a mais lamentável foi o sucateamento do vinil. Isso aconteceu com força aqui no Brasil e mesmo antes da popularização da banda larga – que permitiu a troca desenfreada e gratuita de arquivos digitais – na virada do milênio. Os velhos LPs pararam de ser fabricados no país porque o truque chamado CD chegou ao Brasil em um momento específico que fez a nova mídia tornar-se uma mina de ouro para as gravadoras multinacionais instaladas aqui.
O CD foi inventado nos anos 80 com a promessa de ser uma revolução audiófila. O som digital, dizia-se à época, era superior ao analógico em vinil. O disco prateado trazia outras vantagens: armazenava uma duração maior de músicas e barateava uma série de etapas do negócio, embora ninguém alardeasse isso. Menor, mais leve e mais barato de ser fabricado que o vinil, o CD permitia que custos logísticos (como transporte e armazenagem) caíssem bastante. Mas a desculpa “audiófila” foi suficiente para encarecer o preço do produto final, que, no Brasil, chegou a custar 150% – em média – a mais do que o preço do LP no início dos anos 90.
A novidade obrigou fãs – lentamente transformados em ouvintes e, depois, consumidores – a comprar novamente discografias inteiras em detrimento de uma subjetiva melhoria de qualidade. E com a substituição, a tragédia: coleções inteiras de vinis foram desfeitas em nome do avanço tecnológico sobre a fruição musical.
Historicamente fazia sentido: os discos de acetato foram substituídos pelos de vinil, que criou a era do álbum e trouxe o LP para o topo da cadeia do mercado, superpondo-se aos compactos. Depois veio a fita cassete que adicionou a portabilidade ao negócio – era possível escolher que música ouvir tanto em aparelhos de som portáteis e no carro (antes só dava para ouvir rádio). O Walkman (inventado pela Sony no iníco dos anos 1980) e as boomboxes (aparelhos de som portáteis com entrada para dois cassetes) mudaram hábitos e locais de audição de música. Era natural que outras tecnologias viessem mudar a nossa relação com a música. Aí veio o CD.
No Brasil, a popularização do CD aconteceu num momento específico: o auge do Plano Real inventado no governo Itamar Franco. A mudança econômica abriu uma onda desenfreada de consumo em que o CD player tornou-se um dos itens mais procurados por novos consumidores. Grandes gravadoras multinacionais, de olho em um público que em outras épocas nunca havia comprado disco, nem pestanejaram e colocaram todo o foco de seu negócio em artistas de rápido consumo, vendidos apenas em CD.
Foi a otimização de um processo iniciado nos anos 80, com o rock brasileiro e continuado com a lambada, quando testou-se mudanças de cenário a partir da massificação de novos artistas em torno de um novo gênero. O mesmo processo foi azeitado no início dos anos 90 com a triade sertanejo-axé-pagode veio que consolidou esse modus operandi, que fazia gravadoras mirar em artistas que vendiam muito rápido e traziam outros tantos artistas menores no vácuo. Eram discos que tinham uma ou duas músicas massificadas através do rádio como se fossem jingles (e eram, se você pensar que uma música, naquela época, era vista como um comercial para a venda de um produto, o disco), que vendiam CDs a rodo e sem a menor preocupação da criação de catálogo. Os executivos das gravadoras nos anos 90 só queriam saber de números e a qualidade musical da produção fonográfica da época cai ao mesmo tempo em que recordes de vendas de discos eram quebrados a cada ano.
Um dos efeitos colaterais disso foi o sucateamento das fábricas de vinil, que durante os anos 90 começaram a minguar e a ficar com os mercados de nicho que ainda lidavam com LPs, como o de música religiosa. O tocadiscos desapareceu dos lares brasileiros e junto com eles coleções inteiras foram parar em sebos de discos, muitas vezes vendidos a preço de banana quando não jogados fora.
Enquanto isso os vinis seguiam sendo vendido no exterior, embora numa proporção cada vez menor e, ironicamente, sendo comprados por um público cada vez mais interessado na qualidade sonora do LP, a mesma que, em tese, seria melhor no CD.
O LP começou o século 21 no Brasil literalmente no lixo. Coube primeiro a uma geração de novos fãs de música e velhos DJs a tarefa de manter o disco girando. A renascença do vinil começou a acontecer no exterior na metade da década passada, na medida em que a música digital ultrapassou o CD como formato. Velhos fãs sentiam a falta do elemento táctil no disco, novos fãs se encantavam com capas enormes e com o ritual de parar para ouvir música. A onda motivou a reabertura da última fábrica de vinis a fechar no Brasil, a Polysom, que começou a oferecer seus serviços para gravadoras que queriam reeditar clássicos e novos artistas que se ouvir em vinil.
Uma novidade específica pode alavancar ainda mais este cenário por aqui. A revista gaúcha Noize, que completa oito anos neste mês de março, deu uma guinada em sua linha editorial e criou um modelo de compra de discos chamado Noize Record Club. É isso mesmo: um clube do disco em que o assinante paga para receber discos de bandas brasileiras – em vinil – em casa.
“Há dois anos, já fazemos cada edição com um tema específico”, explica Rafael Rocha, um dos sócios da revista. “Com o clube, transferimos esses temas para o tema do disco do mês, que rege as matérias no editorial. Batemos muito em cima da reformulação da experiência de se escutar música. Com uma publicação inteira feita em cima do tema do disco, acreditamos que além de fazer o público parar para escutar música,estamos entregando uma nova forma de encarar o disco.”
O Clube foi lançado no fim do ano passado e já trouxe discos do grupo Apanhador Só e da Banda do Mar, de Marcelo Camelo e Mallu Magalhães. O processo de curadoria é interno e leva em conta “a exclusividade em cima dos títulos que serão lançados”, continua Rafael. Para saber mais informações, basta entrar no site do clube: http://www.noize.com.br/recordclub/

Falei sobre a renovação das séries Três é Demais e Demolidor no Netflix, que se tornou mais valioso do que a ABC e a Viacom neste início de 2015, em meu blog no UOL http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/22/netflix-ja-vale-mais-do-que-as-maiores-emissoras-de-tv-aberta-e-fechada-dos-eua/

Duas especulações que haviam sido cogitadas aqui neste blog foram confirmadas esta semana: além da confirmação da nova temporada do seriado Três é Demais, também foi anunciada a segunda temporada da série Demolidor. Os endossos têm a mesma fonte: o serviço de vídeo sob demanda Netflix, que irá produzir e exibir as duas novas temporadas, e chegam ao mesmo tempo em que a marca exibe seus músculos financeiros.
As ações do serviço dispararam no recém-fechado quadrimestre e a marca conseguiu crescer 14,7% nos últimos meses, segundo um relatório divulgado pelo site Deadline. Assim, o preço de mercado do Netflix sobe para US$ 32,9 bilhões, tornando o serviço mais valioso que o canal aberto mais caro dos Estados Unidos (a CBS, que avaliada em US$ 30,6 bilhões) e que a principal produtora de TV por assinatura do país (a Viacom, dona da MTV e do Nickelodeon, avaliada em US$ 28,8 bilhões).
O valor de mercado atingido pelo Netflix, óbvio, não diz respeito apenas às suas produções, que incluem hits como House of Cards e Orange is the New Black e as continuações de seriados que foram cancelados na TV a cabo, como The Killing e Arrested Development. O serviço cresce por oferecer um formato de consumo de conteúdo mais próprio da era digital do que o que é oferecido pelas TVs aberta e por assinatura.
As pessoas lentamente percebem que não precisam estar na frente da televisão num horário pré-estabelecido para assistir ao que querem. O formato sob demanda – que o espectador diz quando quer assistir o quê – ainda tem uma série de problemas para serem resolvidos (quem nunca perdeu vários minutos procurando o que assistir?), mas é irreversível. A TV tradicional só vai ter o monopólio da atenção em eventos ao vivo, sejam esportes ou notícias. E por enquanto.
A esperteza do Netflix, no entanto, está no fato de surfar essa boa onda financeira produzindo conteúdo. Podiam investir no serviço em si, em melhorias na interface, na navegação, em curadorias de filmes e em qualidade de transmissão. Preferem fidelizar seu público aproveitando os dados de audiência que conseguem levantar com mais precisão do que qualquer canal (afinal o espectador só assiste o que quer) e produzem seriados de acordo com o gosto que detectam a partir dos números de suas próprias exibições.
É um comportamento bem diferente de serviços similares em outras mídias. Ainda não ouvimos falar do Spotify bancando discos de artistas, por exemplo, embora a própria Amazon já tenha detectado essa tendência e começado ela mesma a produzir seus próprios seriados. E a colher frutos disso, como foi o caso da série Transparent, que ganhou dois Globos de Ouro (melhor série de comédia e melhor ator de série de comédia) no início deste ano.
E isso é só o começo de uma mudança ainda mais drástica que seguiremos acompanhando nos próximos anos…

Escrevi sobre uma estranha coincidência – proposital – entre os filmes da segunda fase da Marvel e Guerra nas Estrelas lá no meu blog do UOL: http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/23/alguem-percebeu-a-referencia-a-guerra-nas-estrelas-na-fase-2-da-marvel/

O líder do Superchunk e dono da gravadora Merge Mac McCaughan vem ao Brasil pela quarta vez lançar o primeiro disco que lança com seu próprio nome. O disco Non-Believers também está sendo lançado pelo selo brasileiro Balaclava Records, que organiza seu primeiro festival no Centro Cultural São Paulo com direito a shows dos norte-americanos Shivas, dos brasileiros Shed e Soundscapes, além do show de Mac, que acontece no sábado. Conversei com ele por telefone há alguns dias e a íntegra do papo saiu no site da Ilustrada.
‘Papa’ do indie e líder do Superchunk, Mac McCaughan lança disco em SP
Um dos papas da cultura indie norte-americana apresenta-se em São Paulo no próximo sábado (25). Mac McCaughan, 47, atravessou os anos 1990 como a voz e uma das guitarras do Superchunk, uma das bandas mais autossuficientes do underground. E, ao lançar seus próprios discos, consolidou a reputação de sua gravadora, a Merge, no século atual.
A Merge entrou nos anos 2000 colhendo os frutos plantados na década anterior e atingiu o topo das vendas ao emplacar o grupo Arcade Fire como um dos principais nomes do música pop – e não apenas indie – atual.
A gravadora ainda conta com outros nomes de peso, como Spoon, Caribou e She & Him, além de queridinhos da crítica como M. Ward, Lambchop, Neutral Milk Hotel e Camera Obscura. Sem falar dos veteranos do rock alternativo, como Lou Barlow, Stephin Merrit, Dinosaur Jr. e Robert Pollard.
É nesta última categoria que McCaughan entra para o elenco da própria gravadora, ao lançar o primeiro álbum com seu próprio nome, depois do último disco do Superchunk, “I Hate Music” (2013) e de seu projeto solo, Portastatic.
“Non Believers” acaba de sair nos EUA e será lançado primeiro no Brasil no Balaclava Fest, que acontece neste final de semana (25 e 26) no Centro Cultural São Paulo.
Em entrevista por telefone à “Ilustrada”, Mac falou da quarta vinda ao Brasil – a primeira sem o Superchunk – e da evolução da cena indie no Brasil, além de falar sobre a sonoridade de seu primeiro disco solo e a busca por autenticidade fora da internet. Leia, abaixo, os principais trechos da conversa.
O Superchunk veio ao Brasil pela primeira vez em 1998, quando pouquíssimas bandas indies de fora daqui se arriscavam a fazer turnês no país – algo que se tornou corriqueiro nos últimos 15 anos. Você consegue perceber essa evolução?
É bem interessante notar isso, na verdade. Fomos ao Brasil pela primeira vez graças aos esforços do Jefferson [Santos] e Marcos [Boffa] da Motor Music, que ficava em Belo Horizonte. Eles haviam levado o Fugazi para aí e o Ian [McKaye], falou que a gente precisava ir também, mas devíamos saber que era como excursionar com uma banda punk nos Estados Unidos em 1978. Ele disse que não havia lugares específicos para tocar. Às vezes eram casas de shows de rock, mas às vezes eram restaurantes, cafés, bares, o que fosse. E ele disse que isso era incrível, e é claro que queríamos ir.
Nos sentimos com muita sorte por termos tocado aí da primeira vez, acho que foi em 1998. Voltamos logo em 2000, e depois em 2011. Sempre nos divertimos aí. Estou feliz por ir a São Paulo nesta semana, mas gostaria de voltar e tocar em alguns dos lugares que tocamos há muito tempo, em cidades pequenas, que não são tão pequenas e sim grandes, mas de que eu nunca tinha ouvido falar.
Acho que agora é bem mais comum ter bandas excursionando por aí em todo tipo de festival. Muitas bandas da Merge já tocaram aí desde que nós tocamos no Brasil pela primeira vez. E agora acho que as coisas estão bem mais, digamos, profissionais.
Mas o que nos deixou mais impressionados desde a primeira vez foi o entusiasmo das pessoas em nossos shows. Não tínhamos nenhuma expectativa em relação a saberem nossas músicas, mas as pessoas sabiam todas as letras, basicamente por causa da internet, e isso foi muito cedo em relação ao acesso mundial das pessoas à rede. Foi ótimo.
Você já havia pensado em como a internet poderia mudar a relação entre músicos e fãs?
Acho que uma das primeiras vezes que pensamos nisso foi após o primeiro show que fizemos em São Paulo. Ficamos impressionados porque era tão difícil comprar nossos discos aí e mesmo assim as pessoas sabiam todas as letras. O lado ruim disso é que você pode saber todas as músicas sem nunca ter comprado um disco [risos], o que torna difícil ter uma banda. O mesmo aconteceu há alguns anos, quando voltamos depois que gravamos o disco “Majesty Shredding”.
Por que lançar um disco com seu próprio nome quando você já tem o Superchunk e lançava discos como Portastatic?
Acho que a resposta fácil é que quis tornar as coisas mais simples. Quando comecei a gravar com o nome de Portastatic, o Superchunk estava fazendo seu próprio som. Mas eu queria poder gravar outro tipo de som, em casa, um som mais calmo, fazer coisas diferentes que não eram definidas como sendo de uma banda de rock.
E assim o Portastatic me serviu com o bom propósito de ser uma existência paralela ao Superchunk nos anos 1990 e 2000. E quando o Superchunk parou em 2002, o Portastatic tornou-se uma banda de rock. Mas ainda era um bom lugar para experimentar músicas e sons diferentes.
E, nos últimos anos, quando o Superchunk voltou à ativa, gravando discos e fazendo shows, comecei a fazer apresentações solo com meu próprio nome, porque cheguei num ponto em que posso tocar músicas do Superchunk e do Portastatic, todas misturadas no mesmo setlist.
Acho que sem ter essa regra que adotava, que separava o que era para o Superchunk e o que era para o Portastatic, cheguei a um ponto mais divertido e mais simples para mim se eu as tocasse solo. E se eu estava fazendo shows com meu próprio nome, deveria gravar discos com meu próprio nome também, em vez de continuar com essa coisa à parte do Portastatic.
Resisti a essa ideia por muito tempo, acho que ter um nome de banda é mais cool [risos], mas cheguei num ponto em que eu tenho de aceitar que é o meu nome. Mesmo que ninguém vai aprender a soletrá-lo ou pronunciá-lo corretamente, é o nome que eu tenho.
Quando você começou a gravar o disco?
Comecei a trabalhar nele no ano passado, provavelmente na primavera [do hemisfério norte, entre março e junho], bem no começo. Fui terminá-lo no outono. Gravei e mixei todo o disco em casa, além de tocar tudo exceto em uma música, “Our Way Free”, em que eu não consegui fazer a bateria soar como eu queria que ela soasse.
Tentei diferentes baterias eletrônicas, tentei eu mesmo tocar bateria, mas não estava me sentindo satisfeito e quase tirei essa faixa do disco. Porém, mandei a música para o Michael Benjamin Lerner, da banda Telekinesis, que também grava pela Merg. Perguntei se ele podia ser o baterista naquela música. Ele me mandou de volta um mix em que basicamente havia acertado de primeira. Ele meio que salvou essa música. A Annie Hayden, que era do Spent, e Jenn Wasner, do Why Oak, cantam em uma música.
Mas no fundo era só eu mesmo, o que é um dos motivos para levar tanto tempo em um disco solo, em que você pode trabalhar em seu próprio ritmo. É uma das coisas legais disso. Eu tinha bem mais músicas do que as que acabaram no álbum, mas quando eu entendi qual era o mundo sonoro que eu estava fazendo, tirei as faixas que não se encaixavam nele. Ao fazer discos eu ainda quero ter um sentimento unificado – não que todas as músicas tenham que soar iguais, mas elas têm de funcionar juntas.
Li que você havia gravado o disco falando de uma sentimento nostálgico em relação a uma determinada época na música…
Não é propriamente nostalgia, mas poder explorar um tipo de música que descobrimos a uma certa idade e que ainda tem algum tipo de ressonância ou ainda criam uma emoção a que você ainda se apega. A maioria das coisas que você ouvia quando tinha 14, 15 anos e que ficam por toda a sua vida.
Já ouvi falar que o gosto musical das pessoas amadurece aos 23 anos.
Acho que isso tem uma certa verdade, porque quando eu tinha 23 anos era 1990, mas eu estava ouvindo muitos discos de 1985 em vez dos de 1990 [risos]. Mas acho que o disco explora esse período de tempo do início dos anos 80, quando houve muita transição na música e as pessoas começaram a sair do punk rock para outro lugar, mas eles não sabiam para onde e por isso experimentavam sons e instrumentos diferentes, a que não tinham acesso antes.
Quando eu estou gravando um disco e pego um instrumento que não sei tocar – ou mesmo uma guitarra ou teclado que nunca havia usado –, quase sempre isso funciona como um ótimo ponto de partida para compor uma música . E sinto a mesma coisa em relação a esse período, essa época em que as pessoas tinham essa nova tecnologia, mas não sabiam como dominá-la. E assim muita música interessante foi criada. Era nessa época em que eu pensava quando gravei o disco.
Um tipo de som que não tinha rótulo antes dos anos 1990, que depois começou a ser referido como “alternativo” ou “indie”.
É engraçado, quando eu estava no segundo grau, se referiam a bandas como R.E.M. como sendo “college rock”, porque as rádios college [universitárias] eram os lugares em que era possível ouvir essas bandas. Depois, isso virou “rock alternativo” ou outra coisa do tipo. Mas eu não me importava que nomes teriam, porque nessa época eu vinha ouvindo bandas que ainda gosto, como o The Who, os Rolling Stones, o AC/DC.
Eram essas bandas que eu ouvia quando tinha 12 anos. E quando você começa a ouvir punk rock ou new wave, tudo soava totalmente radical e novo que você não precisava de um nome especial para isso. Era apenas tudo diferente, sabe? Para nós, talvez por morar em uma cidade pequena [o Superchunk é de Chapell Hill, na Carolina do Norte], nunca nos prendemos a um rótulo ou outro.
Gostávamos de tudo: das bandas hardcore, R.E.M., Smiths, New Order. Gostávamos de tudo porque era tudo bem diferente do que tínhamos acesso antes
Mas me referia ao fato de que, antes destes rótulos, os fãs dessas bandas se reconheciam por identidade estética. As pessoas ficavam amigas porque gostavam dos mesmos discos que pouca gente escutava
Sim, era muito importante para a gente, especialmente por viver em um lugar que não era Nova York. Você não podia ir lá ver qualquer banda ou comprar qualquer disco, você tinha que ir lá e descobrir as coisas no boca a boca, como você está falando, por meio de uma comunidade que gostava das mesmas bandas.
Você acha que essa sensação de comunidade que existia antes na música acabou?
Acho que em algum nível isso ainda existe, mas você tem que trabalhar ainda mais pesado para descobrir. Porque tudo está disponível o tempo todo on-line. Então, para descobrir coisas no meio disso tudo, você precisa encontrar pessoas comprometidas com a música, que mantêm um certo entusiasmo por alguma banda. Não acho que tenha desaparecido, acho que só é mais difícil de encontrá-las. De alguma forma isso pode ser expressado on-line, no Tumblr ou no blog de alguém. E tudo bem, mas quando essa comunicação acontece pessoalmente é mais eficaz.
E como você trabalha com isso, sendo dono de uma gravadora?
Temos que usar todas as ferramentas, o que inclui a internet, para encontrar as pessoas que achamos que irão gostar do disco e poderão trazer o máximo de pessoas para aquele trabalho.
Mas gerar esse entusiasmo e essa conexão ainda é algo muito pessoal. Há duas bandas da Merge que acabaram de lançar discos – Waxahatchee e Moutain Goats – e elas são exemplos de artistas que, quando você vai vê-los, percebe que as pessoas que estão os assistindo não ouviram falar da banda num site e foram ver o show.
São fãs, muito leais, muito envolvidos. Ouviram muito os discos, estudaram as letras e tudo mais. Acho que isso é uma emoção importante de manter entre as pessoas engajadas e apoiando artistas e bandas de que gostam.
Para terminar, como é o formato do show aqui em São Paulo? Pode pedir para tocar Superchunk?
O show é basicamente eu sozinho, só que estarei tocando guitarra. Então será um show solo elétrico e eu vou tocar músicas do disco novo e do Superchunk. Provavelmente esta semana vou perguntar para as pessoas no Twitter se elas têm pedidos e vou tentar tocar o que elas querem ouvir. Toco muitas coisas, tanto músicas novas quanto velhas.
BALACLAVA FESTIVAL
Quando sáb. (25) e dom. (28).; Mac McCaughan se apresenta no sábado
Onde Centro Cultural São Paulo – r. Vergueiro, 1.000, Paraíso, São Paulo, tel. (11) 3397-4002
Quanto de R$ 10 (meia) a R$ 20
