Uma marcha fúnebre para estes tempos nefastos: assim é “Pássaro Azul”, música nova que o cearense Jonnata Doll lança em primeira mão no Trabalho Sujo e que chega às plataformas digitais nesta sexta-feira. Gravada dentro do programa Dragão Sessions, do Centro Cultural Dragão do Mar, ela foi produzida por Yuri Kalil – o sexto integrante do Cidadão Instigado – e foi inspirada pelo poema homônimo de Charles Bukowski.
“Um dia estava andando na rua da Consolação em São Paulo, lembrado do poema mais famoso do velho Bukowski, Pássaro Azul – se não, vá ler agora”, explica Jonnata. “O passarim do velho safado para mim, parecia ser a fragilidade, sensibilidade e a tristeza que ele escondia do mundo por baixo de uma casca de durão. Mas aí pensei: E eu? O que eu guardo dentro de mim e não mostro para geral? Luto, pelos amores perdidos, amigos mortos e amigos que morrerão, luto pela morte da minha capacidade de entender totalmente meus vícios a fim de extingui-los. Luto e ansiedade pelo sério risco de uma política governamental que pensa a diferença morrer de forma precoce neste país.”
Composta a letra, ela foi musicada pelo guitarrista dos Garotos Solventes, Edson Van Gogh, e juntos encontraram o andamento da música entre a batida de “Pavão Mysteriozo”, do conterrâneo Ednardo, e do maracatu cearense, “que é mais lento que o pernambucano e que para nós evoca a algo parecido com uma marcha fúnebre.” A bateria, gravada pelo paulistano Clayton Martin, também do Cidadão Instigado, segurou o ritmo original: “Acabou que não ficou exatamente um maracatu e sim uma intenção de maracatu, pois muitas vezes uma ideia que te inspira é só um ponto de partida”
Jonnata já está na pré-produção de seu novo álbum, que, segundo me contou, refletirá ainda mais as tensões políticas destes nossos dias e será produzido pelo guitarrista Fernando Catatau no final deste ano, para ser lançado do início de 2019.
Lê Almeida segue explorando os rumos do próximo disco de sua nova banda, Oruã, e entrega em primeira mão para o Trabalho Sujo sua ótima versão para “Mother Sky”, do grupo alemão Can. “Já faz um tempo que tamos gravando o nosso segundo disco, Romã, e em meio a shows e sessões de gravação no Escritório começamos a gravar esses covers. O primeiro deles é ‘Mother Sky’ do Can, que já tocamos em alguns shows e quase sempre não funciona muito, até pessoas próximas dizem que não entendem muito bem, porém na nossa gravação acho que conseguimos soar o tanto pesado e agressivo que queríamos”, explica o herói do indie fluminense, que abre seu Escritório mais uma vez para comemorar o aniversário do baterista Phill neste sábado (mais informações aqui), quando lançam oficialmente sua versão do grupo kraut.
E Lê já anuncia que outra versão vem aí. “O próximo cover que vamos lançar vai sair num split em tributo ao Charlie Brown Jr. junto com a Marianaa, um conjunto amigo nosso lá de Campo dos Goytacazes”. Vamos ver.
Lana Del Rey lança mais uma música nova – a mágica “Venice Bitch” tem nove minutos e a música mais etérea que ela já gravou – e anuncia que seu próximo disco, agora batizado de Norman Fucking Rockwell, sairá no início de 2019. Produzido pelo mesmo Jack Antonoff que fez 1989 e Reputation de Taylor Swift, Melodrama de Lorde e Masseduction, de St. Vincent, a faixa segue a linha da música que lançou na semana passada, “Mariners Apartment Complex“, que aos poucos retira Lana do mood dos anos 50, mas desta vez a traz para os anos 70, com blips sintéticos retrô e uma atmosfera ainda mais hipnótica que a faixa anterior. É uma das melhores músicas de Lana, embora demore pra você perceber isso.
Um dos fundadores do Sheik Tosado e percussionista da Nação Zumbi, Gustavo Da Lua começa a revelar seu segundo disco solo, o sucessor de RadianteSuingaBrutoAmor, de 2015. Batizado apenas com o nome do músico, o disco segue sua busca por uma sonoridade ao mesmo tempo nordestina, caribenha e africana, como dá para perceber pelo primeiro single “Ponte Sinai”, que ele lança em primeira mão no Trabalho Sujo.
Com dois de seus integrantes morando em São Paulo, dois no Recife e um no sul da Bahia, o grupo Mombojó inevitavelmente entrou num estágio de hibernação. Foi o período em que lançaram a colaboração com a vocalista do Stereolab Laetitia Sadier e que o vocalista Felipe S. lançou seu primeiro disco solo, mas também foi o tempo para arquitetarem uma volta que os tornasse viáveis como integrantes de uma banda mesmo com as distâncias geográficas no meio. Pioneiro no uso da internet para publicar seu trabalho, o grupo agora vem usando a rede para encurtar estas conexões e anuncia o sexto disco da banda, MMBJ12, que será lançado uma canção por vez até completar doze faixas no ano que vem. O primeiro single é a faixa “Ontem Quis”, que antecipa uma pequena turnê que o grupo faz entre setembro e outubro, passando pelo Rio de Janeiro (dia 11), Belo Horizonte (dia 12), São Paulo (dia 20) e Recife (dia 5).
Bati um papo com o Felipe sobre esta nova fase do grupo, que aproveitou para fazer um balanço destes anos no Mombojó.
Como aconteceu esta volta do Mombojó? Há quanto tempo vocês estavam parados?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mombojo-2018-como-aconteceu-esta-volta-do-mombojo-ha-quanto-tempo-voces-estavam-parados
Como vocês farão nesta nova fase, ainda mais morando em estados diferentes?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mombojo-2018-como-voces-fazer-nesta-nova-fase-ainda-mais-morando-em-estados-diferentes
O ciclo com Laetitia Sadier foi concluído?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mombojo-2018-o-ciclo-com-laetitia-sadier-foi-concluido
O quanto o sucesso do Del Rey atrapalhou a boa fase do Mombojó?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mombojo-2018-o-quanto-o-sucesso-do-del-rey-atrapalhou-a-boa-fase-do-mombojo
Vocês são digitais desde que surgiram. Ainda faz sentido prensar um disco?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mombojo-2018-voces-sao-digitais-desde-que-surgiram-ainda-faz-sentido-prensar-um-disco
Você continua fazendo seu trabalho solo?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mombojo-2018-voce-continua-com-seu-trabalho-solo
Como você vê as mudanças no mercado independente desde que vocês começaram?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mombojo-2018-como-voce-ve-as-mudancas-no-mercado-independente-desde-que-comecaram
E os shows?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mombojo-2018-ha-previsao-de-shows
A cantora baiana Josyara lança seu segundo disco, produzido por Junix, do BaianaSystem, ainda este mês e antecipa a faixa-título, “Mansa Fúria”, em primeira mão para o Trabalho Sujo.
Vem quente…
Começando a preparar seu quarto disco, batizado de Tuda, Bárbara Eugenia lança mais um single reforçando a vibe “Brasil Caribe Tropical Bahia Hippie Style” que determinou ao novo disco no início do ano, quando apresentou sua versão para “Sintonia”, de Moraes Moreira. “Confusão”, faixa em parceria com Felipe Cordeiro, e não só produziu a faixa, como fará durante seu próximo disco, como também dirigiu o clipe, reforçando a ideia que irá segurar ela mesma as rédeas do próximo trabalho, prometido para o segundo semestre. A faixa também mostra sua afeição em relação aos timbres eletrônicos, que devem dominar o disco, e que serão sublinhados pela nova aquisição de sua banda, a tecladista Cris Botarelli, que também toca e canta no Far from Alaska.
A cantora cearense lança o primeiro single de seu novo trabalho, “De Manhã, Logo Cedo”, composta por Juliano Gauche e produzida por Daniel Ganjaman, lançada em primeira mão no Trabalho Sujo.
O single é um lançamento do selo paulistano EAEO.
A cantora francesa Laure Briard encontrou porto seguro no Brasil e acaba de gravar o EP Coração Louco no estúdio Mestre Felino, em Mogi das Cruzes, ao lado dos locais Hierofante Púrpura, com produção do guitarrista dos Boogarins Benke Ferraz. Este foi instrumental ao reunir seus companheiros de banda – o guitarrista Dinho e o baterista Ynaiã Benthroldo – para participar da gravação, que, entre outras, gerou a bossa novinha lo-fi “Cravado”, lançada em primeira mão no Trabalho Sujo.
“Essa talvez seja a música mais pop do EP”, conta Benke. “É um sambinha bem simples, mas bem carismático, por isso, já que não somos sambistas, optamos por um arranjo mais lo-fi captando Dinho e Ynaiã tocando ao vivo juntos na sala, violão e bateria respectivamente. A roupagem mais crua da canção junto do sotaque de Laure cantando as letras em português soaram especiais de cara”. A cantora lembra da primeira vez que ouviu a música e como se apaixonou à primeira audição. “Escutei Dinho tocar a música na guitarra e na mesma hora me apaixonei. E ele simplesmente disse que poderia me dar para gravar. A letra fala muito o que estava sentindo no momento”, lembra, se referindo à música composta pela irmã de Dinho, Flávia Carolina. Além de Ynaiã, Dinho e Laure, a faixa também conta com Benke tocando baixo. É o segundo single que ela mostra deste próximo disco, o primeiro foi “Janela”, composição dela mesma:
Coração Louco será lançado em junho pela gravadora francesa Midnight Special Records.
A banda mineira Moons, projeto paralelo do André Travassos, guitarrista da falecida banda mineira Câmera, está prestes a lançar seu segundo álbum, antecipa mais um single “Fire Walks With Me” em primeira mão para o Trabalho Sujo.
O single foi obviamente inspirado pelo seriado de David Lynch, como explica o próprio André: “Passei anos da minha vida ouvindo amigos falarem mil maravilhas de Twin Peaks. Me lembro vagamente da série sendo exibida na TV aberta do Brasil mas até o final do ano passado não tinha tido interesse suficiente para uma aproximação. Foi quando me deparei com um vídeo onde o compositor da trilha Angelo Badalamenti, sentado a beira de um fender Rhodes, narra como foi guiado por David Lynch para compor a música tema de Laura Palmer. Dali em diante mergulhei de cabeça na série. Me apaixonei por diversos personagens, o carisma de cada um deles, a história surreal e envolvente, a bucólica cidade, suas matas, mistérios e o típico café americano Double R. E, apesar de toda tensão, desejei por vezes estar ali. Poucas vezes me identifiquei tanto com personagens com Harry, Andy, Agent Cooper, Hawk e Gordon! Ah como eu queria ser um dos Bookhouse Boys. Fire Walks with Me, a música, não é propriamente sobre a série em si. Mas faz referência direta já que seu nome vem da frase que permeia toda a série e acompanha Dale Cooper como uma charada a ser desvendada.” O single estará disponível em todas as plataformas digitais a partir dessa sexta-feira e o disco, Thinking Out Loud, será lançado na próxima semana.










