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Single

hotchip2019

O grupo inglês Hot Chip nunca decepciona – e ao anunciar seu sétimo álbum, A Bath Full of Ecstasy, o fazem com uma ótima música, “Hungry Child”, que vem acompanhada de um clipe engraçadinho estrelado por Martin Starr e Milana Vayntrub, abaixo:

O disco marca a primeira vez que o grupo trabalha com produtores de fora, quando reuniu o francês Philippe Zdar (que já produziu Phoenix e Cassius) com o escocês Rodaidh McDonald (que já trabalhou com The XX e David Byrne), e será lançado no mês de junho. Abaixo, a capa feiosa e a relação das faixas do álbum.

Hot-Chop-A-Bath-Full-of-Ecstasy

“Melody of Love”
“Spell”
“Bath Full of Ecstasy”
“Echo”
“Hungry Child”
“Positive”
“Why Does My Mind”
“Clear Blue Skies”
“No God”

O disco já está em pré-venda

Foto: Caroline Bittencourt

Foto: Caroline Bittencourt

O grupo carioca Los Hermanos lançou “Corre Corre”, escrita por Marcelo Camelo, no primeiro de abril mas não é mentira – será que vem disco novo com a nova turnê? Aí sim!

“Rodei o mundo até
você se distrair
não tinha culpa ou direção
ou olhos pra guiar

Eu acho graça
que a vida passa
e a solidão é mais
Desculpa se não tive fé ou força pra lutar

Ah, fico à vontade mas você não vem
Espero tanto teus sinais
Ah, é madrugada mas não vem ninguém
de longe eu vejo o temporal

Corre, corre, corre
Doce é o vento que te leva
Eu não tenho mais a pressa
ou horas pra contar

Pela vida solta
todo o meu amor com ela
que esse azul do céu espera
Coragem pra mudar

Ah, fico à vontade mas você não vem
Espero tanto teus sinais
Ah, é madrugada mas não vem ninguém
de longe eu vejo o temporal

Corre, corre, corre
Doce é o vento que te leva
Eu não tenho mais a pressa
ou horas pra contar

Pela vida solta
todo o meu amor com ela
que esse azul do céu espera
Coragem pra mudar”

odair-e-as-bahias

Prestes a lançar mais um disco de protesto – Hibernar na Casa das Moças Ouvindo Rádio -, o “Bob Dylan da Central do Brasil” chamou Raquel Virgínia e Assucena Assucena das Bahia e a Cozinha Mineira para um dueto em “Chumbo Grosso”, primeiro single que ele antecipou para a minha coluna no Reverb, Tudo Tanto
confere lá.

Foto: Rafael Barion

Foto: Rafael Barion

O cantor e compositor paulistano Thiago Pethit lança o single “Noite Vazia” para anunciar o lançamento do novo disco, Mal dos Trópicos, produzido por Diogo Strausz. Bati um papo com ele sobre o que esperar do novo disco e ele, mesmo escondendo o jogo, falou deste disco, que considera “um disco escuro”. Leia lá na minha coluna Tudo Tanto, no Reverb.

noticias_tuas

Meu compadre Fabio Bianchini lança “Notícias Tuas”, um esporro elétrico triste e raivoso cantado em português por sua banda bissexta Gambitos para sublinhar a tenebrosa importância do momento histórico que vivemos às vésperas desta dura eleição. Ele diz que está entrando “aos 49 do segundo tempo de uma partida que a gente tá perdendo e em que tá apanhando, mas a bola ainda não parou de rolar. Talvez seja atrasado. Na verdade, a vontade de escrever sobre o momento histórico já vinha de algum tempo; pelo menos desde o golpe de 2016 e seus desdobramentos. Mas sempre ficava algo entre uma explicação do que todos víamos e uma imagética ao mesmo tempo cafona e que não falava de verdade do que se queria falar. O fortalecimento do bolsonarismo, principalmente para quem mora em Santa Catarina, criou um viés diferente, e bem mais pessoal, que, portanto, faz mais sentido explorar. É a frustração de ver pessoas amadas endossando ideias truculentas de combate às mais básicas noções de liberdade pessoal, dignidade, respeito mútuo, civilização e humanidade. É inevitável sentir decepção, descaso, até desamor mesmo e, a partir daí, algum ressentimento ao perceber são negligenciados os avisos de que isso coloca ameaças sérias à nossa liberdade, nossa integridade física e até nossa existência.”

Palavras duras que precisam ser ouvidas. Abaixo, a letra da música, para ficar bem claro o recado:

Quero muito que estejam vivos, com saúde e lucidez pra lembrar
qual foi a atitude quando ele disse que o correto é me exterminar

Quando disseram que gay tem que tomar um couro
Que deviam ter matado mais
Quando rasgaram a placa da Marielle
Quando disseram pra acabar os ativismos

Quero que tu esteja lá
sabendo bem de que lado ficou
Mas se não eu vou lembrar o teu lugar nesse horror

Quando sabiam que espalhavam mentira, pouco ligando se é verdade ou não
Não se importando com as consequências
Pra poder pensar que até tem razão

Quando mediram quilombola em arroba
Diz que não estupra porque não merece
Quando negaram qualquer terra pros índios
Quando mataram Mestre Moa

Quero que tu esteja lá
sabendo bem de que lado ficou
Mas se não eu vou lembrar o teu lugar nesse horror

E muita gente vai sumir e morrer
Antes de ser a minha vez
Mas quando eu não estiver mais aqui
Quem vai lembrar vai ser vocês

O medo nos sufoca
O choro nos afoga
Não tenho mais o que perder

Meu pai nem pediu desculpas por me botar nessa catapulta
que nos lançou na escuridão

Eu tenho tanto pra dizer
Eu tenho medo de viver
Não tenho medo de morrer por nós

jonnatadoll-passaroazul

Uma marcha fúnebre para estes tempos nefastos: assim é “Pássaro Azul”, música nova que o cearense Jonnata Doll lança em primeira mão no Trabalho Sujo e que chega às plataformas digitais nesta sexta-feira. Gravada dentro do programa Dragão Sessions, do Centro Cultural Dragão do Mar, ela foi produzida por Yuri Kalil – o sexto integrante do Cidadão Instigado – e foi inspirada pelo poema homônimo de Charles Bukowski.

“Um dia estava andando na rua da Consolação em São Paulo, lembrado do poema mais famoso do velho Bukowski, Pássaro Azul – se não, vá ler agora”, explica Jonnata. “O passarim do velho safado para mim, parecia ser a fragilidade, sensibilidade e a tristeza que ele escondia do mundo por baixo de uma casca de durão. Mas aí pensei: E eu? O que eu guardo dentro de mim e não mostro para geral? Luto, pelos amores perdidos, amigos mortos e amigos que morrerão, luto pela morte da minha capacidade de entender totalmente meus vícios a fim de extingui-los. Luto e ansiedade pelo sério risco de uma política governamental que pensa a diferença morrer de forma precoce neste país.”

Composta a letra, ela foi musicada pelo guitarrista dos Garotos Solventes, Edson Van Gogh, e juntos encontraram o andamento da música entre a batida de “Pavão Mysteriozo”, do conterrâneo Ednardo, e do maracatu cearense, “que é mais lento que o pernambucano e que para nós evoca a algo parecido com uma marcha fúnebre.” A bateria, gravada pelo paulistano Clayton Martin, também do Cidadão Instigado, segurou o ritmo original: “Acabou que não ficou exatamente um maracatu e sim uma intenção de maracatu, pois muitas vezes uma ideia que te inspira é só um ponto de partida”

Jonnata já está na pré-produção de seu novo álbum, que, segundo me contou, refletirá ainda mais as tensões políticas destes nossos dias e será produzido pelo guitarrista Fernando Catatau no final deste ano, para ser lançado do início de 2019.

Can via Oruã

Foto: Karin Santa Rosa

Foto: Karin Santa Rosa

Lê Almeida segue explorando os rumos do próximo disco de sua nova banda, Oruã, e entrega em primeira mão para o Trabalho Sujo sua ótima versão para “Mother Sky”, do grupo alemão Can. “Já faz um tempo que tamos gravando o nosso segundo disco, Romã, e em meio a shows e sessões de gravação no Escritório começamos a gravar esses covers. O primeiro deles é ‘Mother Sky’ do Can, que já tocamos em alguns shows e quase sempre não funciona muito, até pessoas próximas dizem que não entendem muito bem, porém na nossa gravação acho que conseguimos soar o tanto pesado e agressivo que queríamos”, explica o herói do indie fluminense, que abre seu Escritório mais uma vez para comemorar o aniversário do baterista Phill neste sábado (mais informações aqui), quando lançam oficialmente sua versão do grupo kraut.

E Lê já anuncia que outra versão vem aí. “O próximo cover que vamos lançar vai sair num split em tributo ao Charlie Brown Jr. junto com a Marianaa, um conjunto amigo nosso lá de Campo dos Goytacazes”. Vamos ver.

venice-bitch

Lana Del Rey lança mais uma música nova – a mágica “Venice Bitch” tem nove minutos e a música mais etérea que ela já gravou – e anuncia que seu próximo disco, agora batizado de Norman Fucking Rockwell, sairá no início de 2019. Produzido pelo mesmo Jack Antonoff que fez 1989 e Reputation de Taylor Swift, Melodrama de Lorde e Masseduction, de St. Vincent, a faixa segue a linha da música que lançou na semana passada, “Mariners Apartment Complex“, que aos poucos retira Lana do mood dos anos 50, mas desta vez a traz para os anos 70, com blips sintéticos retrô e uma atmosfera ainda mais hipnótica que a faixa anterior. É uma das melhores músicas de Lana, embora demore pra você perceber isso.

dalua

Um dos fundadores do Sheik Tosado e percussionista da Nação Zumbi, Gustavo Da Lua começa a revelar seu segundo disco solo, o sucessor de RadianteSuingaBrutoAmor, de 2015. Batizado apenas com o nome do músico, o disco segue sua busca por uma sonoridade ao mesmo tempo nordestina, caribenha e africana, como dá para perceber pelo primeiro single “Ponte Sinai”, que ele lança em primeira mão no Trabalho Sujo.

mombojo-2018

Com dois de seus integrantes morando em São Paulo, dois no Recife e um no sul da Bahia, o grupo Mombojó inevitavelmente entrou num estágio de hibernação. Foi o período em que lançaram a colaboração com a vocalista do Stereolab Laetitia Sadier e que o vocalista Felipe S. lançou seu primeiro disco solo, mas também foi o tempo para arquitetarem uma volta que os tornasse viáveis como integrantes de uma banda mesmo com as distâncias geográficas no meio. Pioneiro no uso da internet para publicar seu trabalho, o grupo agora vem usando a rede para encurtar estas conexões e anuncia o sexto disco da banda, MMBJ12, que será lançado uma canção por vez até completar doze faixas no ano que vem. O primeiro single é a faixa “Ontem Quis”, que antecipa uma pequena turnê que o grupo faz entre setembro e outubro, passando pelo Rio de Janeiro (dia 11), Belo Horizonte (dia 12), São Paulo (dia 20) e Recife (dia 5).

Bati um papo com o Felipe sobre esta nova fase do grupo, que aproveitou para fazer um balanço destes anos no Mombojó.

Como aconteceu esta volta do Mombojó? Há quanto tempo vocês estavam parados?
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Como vocês farão nesta nova fase, ainda mais morando em estados diferentes?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mombojo-2018-como-voces-fazer-nesta-nova-fase-ainda-mais-morando-em-estados-diferentes

O ciclo com Laetitia Sadier foi concluído?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mombojo-2018-o-ciclo-com-laetitia-sadier-foi-concluido

O quanto o sucesso do Del Rey atrapalhou a boa fase do Mombojó?
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Vocês são digitais desde que surgiram. Ainda faz sentido prensar um disco?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mombojo-2018-voces-sao-digitais-desde-que-surgiram-ainda-faz-sentido-prensar-um-disco

Você continua fazendo seu trabalho solo?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mombojo-2018-voce-continua-com-seu-trabalho-solo

Como você vê as mudanças no mercado independente desde que vocês começaram?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mombojo-2018-como-voce-ve-as-mudancas-no-mercado-independente-desde-que-comecaram

E os shows?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mombojo-2018-ha-previsao-de-shows

mombojo2018