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Show

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Fredrik Wilkingsson, um sueco fanático por Bob Dylan, passou por uma experiência de ouro graças a um reality show. O programa Experiment Ensam (Experimento Só) leva participantes para passar sozinho por situações que normalmente são vividas em multidões e Fredrik foi escolhido para assistir sozinho a um show de Bob Dylan. Além de ser uma experiência emocional intensa, ela ainda cutucou bem os princípios cogitados pelo programa, que fala sobre solidão, sociedade e aceitação social. No show, que pode ser assistido abaixo, Dylan tocou versões para “Heartbeat” de Buddy Holly ,”Blueberry Hill” de Fats Domino e “It’s Too Late (She’s Gone)” de Chuck Wills.

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Sexta passada a Vice completou 20 anos e fez uma festaça com uns shows improváveis, pois a empresa pediu a alguns artistas tocarem músicas que faziam sucesso quando a Vice nasceu. O quão inusitado é Stephen Malkmus cantando o hit “Remedy”, dos Black Crowes?

Stephen Malkmus rocking the stage at the VICE party #pavement #vice20 #brooklyn #ny

Um vídeo publicado por Larissa Gomes (@larissagomes) em

Mas nesse sentido nada supera Jarvis Cocker cantando a megabalada “The Power of Love”, hit dos anos 80 de Jennifer Rush (regravado no Brasil como “O Amor e o Poder”, da Rosana), que lançou a carreira de Celine Dion quando esta a regravou no início dos anos 90:

A noite ainda teve Scarlett Johannson cantando “Bizarre Love Triangle” do New Order…

#scarjo covering #neworder i died #vice20

Um vídeo publicado por Lily Streeter (@streetcircus) em

…e Sasha Klokova do trio russo Pussy Riot mandando ver no hino feminista “Deceptacon”, do Le Tigre:

Deve ter sido massa.

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A queridinha indie de 2014 Courtney Barnett toca tanto “Being Around” dos Lemonheads que a música já entrou em seu repertório. Então imagina a felicidade dela quando o próprio Evan Dando a chamou para fazer um dueto durante o show dos Lemonheads na cidade-natal de Courtney, Melbourne, na quarta passada.

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Os Hermanos anunciaram dois shows em 2015 – tocam nos dias 30 e 31 de outubro de 2015 no Jockey Club do Rio como parte das comemorações do aniversário de 450 anos do Rio de Janeiro. O tecladista da banda Bruno Medina comentou a volta repentina em seu blog:

De certa forma, posso dizer que não foram apenas os fãs que se surpreenderam com a novidade, visto que nós mesmos recebemos o convite poucas semanas antes da divulgação oficial, e, claro, aceitamos na hora.

Esta será uma ocasião especial em muitos sentidos, a começar pelo fato de termos sido incluídos numa programação que se destina a celebrar os principais símbolos da cidade, e isso não é pouca coisa, sobretudo se considerarmos o papel de protagonismo que o Rio sempre desempenhou no cenário cultural brasileiro.

Acredito que esse reconhecimento, que muito nos orgulha, tenha algo a ver com a constância com que o samba e o carnaval de rua, temáticas essencialmente cariocas, ainda que misturadas a outras influências, se fizeram presentes em nossos discos, reflexos naturais das vivências que permearam tanto a formação de nossa identidade artística quanto como indivíduos.

Também nem é preciso mencionar que este tem tudo para ser mais um emocionante encontro com o público que acompanhou de maneira tão carinhosa a evolução de nossa carreira, nos prestigiando quer fosse no diminuto segundo andar do Empório, nas temporadas do Canecão e da Fundição, no topo do Morro da Urca ou na imensidão das areias do Réveillon em Copacabana.

Resta saber se vão continuar ordenhando a velha vaca ou se os quatro se dispôem a lançar músicas novas (afinal, pedir um quinto disco já é demais, né…)

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Thurston Moore montou um mini-Sonic Youth para gravar seu novo disco solo, The Best Day. Primeiro veio o próprio Steve Shelley na batera, velho escudeiro de discos anteriores. Para o baixo chamou uma mulher (ninguém menos que que Debbie Googe, ex-My Bloody Valentine) tão experimetalista em seu instrumento quanto sua ex-mulher, Kim Gordon. E para a outra guitarra chamou um clone inglês de Lee Ranaldo, o inglês James Sedwards, um instrumentista educado no rock clássico (o glam era evidente em certos trechos de seu instrumento), mas completamente inserido no contexto de noise e microfonia proposto pelo velho indie.

Mas em sua recente apresentação em São Paulo, esse formato foi quebrado devido a um problema de saúde – Steve Shelley descobriu, no Brasil, que havia descolado a retina e por isso tinha de se afastar das baquetas. E o quanto antes, tanto que nem pode subir no palco do Cine Jóia. Em vez dele a produção chamou o baterista que acompanha Jair Naves, Babalu, que foi pego de surpresa com o convite e recebeu aulas de bateria do próprio Steve Shelley durante o ensaio (que deveria ser apenas uma passagem de som). O Lucio, que organizou o show, conta como foi a saga sônica de um baterista desconhecido para o palco com um dos grandes nomes do underground mundial.

Babalu entrou completamente em sintonia com o trio e, apesar do (natural) ar de insegurança no início do show, não comprometeu em nenhum momento, seguindo a cartilha que havia aprendido na mesma tarde à risca. Profissa. À sua frente, três veteranos das cordas elétricas duelavam-se entre espasmos de ruído e delicados dedilhados. O fio condutor foi basicamente o Best Day que Thurston acaba de lançar – a única fuga deste script foram “Pretty Bad” e “Ono Soul”, de seu primeiro disco solo, Psychic Hearts, a última também a única música de outro disco que ele tocou quando trouxe seu Demolished Thoughts ao mesmo palco paulistano há dois anos e meio (além de “It’s Only Rock’n’roll (But I Like It)”, dos Rolling Stones).

Thurston e sua guitarra já são um só faz muito tempo, então ele nem sequer precisa pensar para levá-la de um extremo a outro – é sua assinatura de palco, ao lado de seu grave vocal quase balbuciado e seu ar de criança de dois metros de altura. Esticando músicas do disco desse ano para além dos 10 minutos, ele inevitavelmente caía em breaks instrumentais em que desafiava os outros músicos a sair do formato canção, por mais bruta que fosse sua versão, quebrando-se em tsunamis de microfonia e marolinhas ambient, regendo seus músicos com o braço de seu instrumento. Um show catártico, conciso, intenso e reconfortável, uma vez que sempre podemos reconhecer os mesmos traços que desenharam a discografia de um grupo tão importante para aquele meio quanto o Sonic Youth. Venha mais, Thurston!

Abaixo os vídeos que fiz do show:

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Esqueci de comentar o show do Metronomy no Popload Festival, única atração do segundo dia que consegui assistir. Os caras tavam jogando para uma platéia apaixonada, que sabia todas as músicas, até as menos conhecidas. Então foi tranquilo pra eles, que deslizaram sua dance music de caixinha de música com ecos de indie rock sem a menor dificuldade, fazendo um show perfeito para os fãs. Gravei uns vídeos aí embaixo – fui chegando mais perto à medida em que o show foi rolando…

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O Dr. Dog é aquela pequena banda que cresce no palco – tanto que sua reputação aumenta à medida em que mais fãs das gravações passam pela experiência de vê-los ao vivo, o que explica o fenômeno que é esse culto quase secreto à banda da Filadélfia. Live at a Flamingo Hotel será lançado no início do ano que vem e vamos torcer por duas coisas: para que o disco saia também em DVD (bem provável, a partir do trailer abaixo) e que alguém se disponha a trazê-los para o Brasil.

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NovasFrequencias2014

Começou esta semana o festival Novas Frequências, organizado pelo vizinho dOEsquema Chico Dub, que em quatro anos conseguiu consolidar o melhor evento de música avançada no Brasil – que, por incrível que pareça, acontece no Rio de Janeiro, deixando São Paulo na poeira. A edição deste ano reúne 33 artistas, se espalhou por vários lugares da capital fluminense – indo do Oi Futuro Ipanema à Casa Daros, do Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto ao Audio Rebel e vai até o dia 14 deste mês. Bati um papo com o Chico sobre as dificuldades e o prazer de fazer um evento de música contemporânea em pleno balneário carioca (a programação completa dá pra ver no site oficial).

Antes a música de vanguarda era restrita a um gueto bem pequeno, mas com a internet esse conceito ganhou um público global – com players espalhados pelo mundo todo, em constante contato. Você já se considera parte dessa rede? Como o Novas Frequências é visto por essa comunidade?
Temos duas marquinhas na barra de logos da nossa comunicação visual que respondem à sua pergunta. Uma delas é a revista inglesa The Wire, sem dúvida a principal publicação do gênero no mundo todo, a Bíblia da música experimental. Ter a The Wire como media partner do Novas Frequências é uma espécie de prêmio, um puta respaldo que de alguma forma diz que estamos no caminho certo. Outra marquinha que me deixa muito orgulhoso e deveras animado com o futuro próximo é a marca de apoio do ICAS, sigla para International Cities of Advanced Sound. Somos o mais novo membro dessa rede que reúne alguns dos mais importantes festivais de culturas sonoras avançadas, música de vanguarda e artes relacionadas como o Mutek (Montreal, Canadá), Unsound (Cracóvia, Polônia), CTM (Berlim, Alemanha), Future Everything (Manchester, Inglaterra) e TodaysArt (Haia, Holanda). Estimular o diálogo, a troca de conhecimentos e o apoio mútuo entre organizações internacionais envolvidas com música e sons avançados são algumas das missões do ICAS.

Qual é a maior dificuldade em fazer uma curadoria de um evento dessa natureza?
São duas dificuldades relacionadas entre si: atrair o público e conquistar a atenção da mídia. Trabalhar com artistas desconhecidos do grande público é bem complicado! Muitas vezes o repórter quer escrever sobre o festival mas o editor veta a pauta por achar que “a programação do Novas Frequências é experimental demais para o seu público”. É claro que nunca iremos sair no Fantástico – e essa nem é a ideia, nunca foi -, mas na maioria dos casos tenho certeza que os editores acabam subestimando o público de uma maneira em geral. Conhecer coisas novas faz parte da natureza humana, não?

Sendo um recorte mais difícil, uma noite vazia não é necessariamente um noite fracassada. Como é lidar com essa contradição entre o sucesso comercial – para viabilizar um festival anual – e a dificuldade de atingir um público maior?
O festival passa hoje por um estágio muito complexo, mas ainda assim muito interessante de ser trabalhado. Muito desafiador. Que é o seguinte: como crescer? No ano passado vendemos todos os 6 dias no Oi Futuro Ipanema em 4 horas e muita gente ficou de fora. Ou seja, já existe uma demanda por espaços maiores. Só que o Rio de Janeiro é extremamente carente de palcos médios, espaços com boa infra para 300, 400 pessoas. Aqui é 8 ou 80, sabe? Ou é para 100 ou para acima de 1.000/ 1.500. Então o crescimento esse ano aconteceu de forma horizontal: muitos dias, 14 no total, para públicos que vão de 100 a 600 pessoas em vários lugares da cidade.
Mas é importante falar uma coisa. Não temos pressa para crescer, esse é um universo novo no Brasil que precisa ser trabalhado com muita calma, com muita estratégia. Queremos – e precisamos – formar público antes de dar saltos maiores. Só vamos crescer substancialmente se o mercado crescer: mais artistas locais, mais casas abertas a esse tipo de proposta sonora, mais interesse de iniciativas públicas e privadas, mais produtores, mais selos, mais jornalistas e veículos dispostos a cobrir essa cena e por aí vai.
Por outro lado, nos dá uma baita segurança ter tantos parceiros que acreditam no Novas Frequências e que de cara sacaram a importância do festival, principalmente a Oi, o Oi Futuro, o Governo do Rio de Janeiro e a Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro. São parceiros que cultivamos desde a primeira edição do Novas Frequências em 2011.

Você acha que essa música experimental terá um público ainda maior à medida em que o século passar? As pessoas estão ficando fartas da música pop?
As novas gerações são muito mais curiosas e exploradoras que as gerações passadas. Pra elas o conceito de nicho não existe. Tem um cara que trabalha com a gente que adora k-pop, saca tudo de indie e ama Sunn O))). A tendência por tanto não é as pessoas enjoarem do pop. A tendência é uma pequeníssima parcela desse público gigantesco estar mais aberto a ouvir e a descobrir novos sons e novas propostas.

Quais os seus maiores orgulhos na escalação deste ano?
De verdade mesmo? O maior orgulho é estar em 6 espaços da cidade – 8 contando com os espaços reservados para as oficinas – durante duas semanas com 33 artistas de 11 países. Sendo que dos 20 gringos, nenhum deles havia pisado em solo brasileiro antes.

Qual é o seu Novas Frequências dos sonhos? Um só com nomes vivos e outros com nomes que já morreram. Dá pra pensar nisso?
Prefiro não pensar em nomes que já morreram – para o Novas Frequências, o “passado” é muito menos interessante que o presente e que o futuro. Earth, Swans, Moritz Von Oswald Trio, Shackleton, Charlemagne Palestine, Pauline Oliveros, Lonnie Holley, The Caretaker e Chris Watson são nomes que sonho dia sim, dia sim.

E por que o festival não vem inteiro para São Paulo, já que você traz todo mundo até o Rio?
Levar o festival inteiro pra São Paulo nunca foi uma ideia, sabe? Porque se já é difícil levar dois ou três artistas para uma espécie de “showcase” ou “edição pocket”, imagina o festival inteiro… Existe um interesse muito grande do público paulistano pelo Novas Frequências, isso é fato. E diversos produtores locais independentes já tentaram levar artistas daqui do Rio pra SP. O que acontece é que o festival tem patrocínio no Rio, uma verba que precisa ser gasta aqui; para realizar o festival na cidade. Para acontecer aí de forma minimamente robusta, precisaríamos de outros parceiros, algo que infelizmente ainda não se concretizou. Já tive conversas com o Sesc (diversas unidades), com o MIS, com o CCSP e com as principais casas de shows alternativos de São Paulo. Mas por motivos de agenda, verba ou (falta de) interesse, as coisas nunca foram pra frente. Sigo tentando. Mas sozinho definitivamente não consigo levar o festival pra SP – ainda mais agora, que ele cresceu bastante.