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O vôo da Urubu

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A produtora Urubu, capitaneada pelo gaúcho Dudu Fraga, está dando um salto considerável em suas produções em seu primeiro ano de vida. Depois de trabalhar as carreiras de artistas experimentais como Maurício Takara e Baobá Stereo Club, ela agora começa a realizar eventos sazonais para ampliar suas crenças que “mitos como audiência versus crítica e influência versus alcance precisam andar juntas, que o popular deve ter relevância e o relevante popularidade. A partir disso, atuamos como produtora / idealizadora de projetos ligados a cultura, arte e entretenimento”, me explica o produtor por email.

As Urubu Sessions estreiam na semana que vem, em parceria com o selo inglês Jazz Re:freshed e a produtora British Underground, trazendo, na próxima segunda, shows com os artistas ingleses Nubya Garcia e Yussef Dayes. “Nubya é saxofonista e compositora e uma das principais forças por trás do ressurgimento da música influenciada pelo jazz no Reino Unido”, continua Dudu, contando que ela já dividiu trabalhos com o baterista Moses Boyd, o produtor de jungle Congo Natty, além de ter seus próprios trabalhos com grupos como o sexteto Maisha e o conjunto Nérija. Já o baterista Yussef é um dos nomes do Black Focus, lançado por Yussef Kamaal com o tecladista Kamaal Williams, além de integrante do United Vibrations. “Ele também construiu com o Black Focus uma fusão do lado sonhador do jazz-funk dos anos 70 com jungle, trip hop e house”, completa Dudu. A primeira edição acontece na Associação Cultural Cecília (mais informações aqui).

Segundo Dudu, as Urubu Sessions são “edições de conteúdo musical, sem formato definido, mas sempre utilizando o digital e ao vivo como plataformas, sempre em busca de artistas que estão evoluindo a estética da música popular a partir da sua desconstrução”. O projeto não deve ter nem lugar nem formato definido e a próxima edição deve acontecer no final do primeiro semestre do ano que vem. E o projeto não fará apenas shows com artistas internacionais e deve contemplar nomes brasileiro em suas próximas edições.

bobbygillespie

Os caras da Balaclava não param! Desta vez trazem o Primal Scream pra mais um show em São Paulo, no Tropical Butantã, no dia 28 de fevereiro do ano que vem (mais informações aqui). Imagina isso!

Segundamente 2017

Encerramos o primeiro ano do projeto Segundamente no Centro da Terra convidando quase todos os músicos que encabeçaram espetáculos nas segundas-feiras para um grande encontro (mais informações aqui).

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Iara Rennó encerra o ciclo de seu ótimo Arco e Flecha, dupla de discos que lançou no ano passado, nesta quarta-feira, no Sesc Pompeia, com a presença de ninguém menos que Elza Soares. “Elza é a grande homenageada desse projeto, porque em cada disco tem uma música feita pra ela: ‘O Que Me Arde’, no Arco, e ‘Invento’, no Flecha”, me explica a própria Iara por email. “Nossa história começou em 2002 num projeto que participei que ela era a madrinha da noite e me concedeu alguns minutos de dueto improvisado. Em 2006 ela interpretou uma parceria minha, a ‘Mandingueira’. Ela é muito generosa. E agora é a ‘cantora do milênio’, rainha da porra toda. É uma honra e uma grande responsabilidade trazê-la a este show. Mas o principal pra mim é isso: não é uma questão de modismo, é porque ela realmente faz parte da minha história.” Iara descolou um par de ingressos para sortear no Trabalho Sujo e, para concorrer, basta escolher sua música favorita dos dois discos e explicar o porquê (e não esqueça de deixar o seu email para explicar como vai ser o procedimento de retirar o ingresso). Falei mais um pouco com ela sobre o espetáculo desta quinta.

Arco e Flecha encerra seu ciclo. O que você pode falar deste projeto nesse encerramento?
Bom, primeiro acho que isso não quer dizer que nunca mais vai ter A&F – olha o apeguinho! Eu gosto de ter um menu de shows, então se quiserem muuuito e tiver estrutura, posso fazer. Porque já vinha sendo assim nos últimos dois anos: rolou Macuna, Arco, Flecha, A&F, show solo, etc. Mas, é verdade que este show duplo requer maior preparação, produção e estrutura. E isso, como se sabe, não é uma constante no mercado independente da música. Esse é um projeto que tem uma força especial, esse lance de dar vasão a duas facetas da minha produção, com parceiros incríveis e todo seu processo foi muito bonito, com todos os envolvidos. Ao mesmo tempo que dá vontade que ele continue acontecendo, porque ainda poderia alcançar muito mais, existe a necessidade de renovar. É muito doida a velocidade em que vivemos hoje: lancei dois discos há dezoito meses, e já é um fim de ciclo!

O que muda no show em relação aos shows anteriores? Serão duas bandas também?
Neste show terão duas músicas inéditas, uma com cada banda, uma de cada universo. Tem um lance diferente também, como o show foi sendo lapidado, ele tem uma concepção quase que de uma track só, as músicas vem num fluxo constante – eu já trabalhei assim outras vezes e gosto muito, porque mantém uma tensão no palco e platéia que acho interessante. A direção artística geral é minha, mas conto com a Anna Turra na luz e projeção, que são muito especiais. A Anna começou com a DonaZica lá atrás e é um dos grandes nomes hoje nessa área, fico muito feliz de tê-la com a gente. A montagem desse show varia conforme a estrutura do palco. Mas sim, serão as duas bandas, o show duplo! Com a maioria dos músicos originais dos discos: Curumin, Lucas Martins, Maurício Badé, Gustavo Cabelo, Mariá Portugal, Maria Beraldo e, de fora, Amilcar Rodrigues e Filipe Nader. E ainda vai ter performers baphônicas: Aretha Sadick, Jup do Bairro e Manoela Rangel.

Uma vez que encerrados Arco e Flecha, quais seus próximos planos?
Existem já repertórios e projetos que são uma espécie de continuidade em termos de linguagem e discurso, tanto da linha do Arco quanto da linha do Flecha. Mas não, não vou fazer disco duplo novamente, fiquem tranquilos! Na verdade ainda não sei direito o que fazer com essa produção. Talvez por hora montar uma banda ‘Arcoflex’ e experimentar coisas novas no palco. Mas, além disso, 2018 vem com dois projetos paralelo à persona ‘Iara Rennó’: o Macunaíma volta à cena, já que é aniversário de 90 anos da obra original e 10 anos de Macunaíma Ópera Tupi; e surge ainda um novo personagem, num outro ramo até então jamais explorado por mim, a Iaiá e os Erês, disco e show de músicas com e para crianças. É isso, enquanto alguns tentam destruir o país a gente segue reconstruindo, falando sobre a formação da cultura, de novo, falando com as gerações futuras, plantando uma semente…

Ave PJ Harvey

pj

A deusa inglesa faz um show impecável e pode mudar o paradigma dos shows de rock no Brasil – escrevi sobre isso no meu blog no UOL.

Antes mesmo do show extra que a cantora e compositora inglesa PJ Harvey fez nessa terça-feira em São Paulo começar, os presentes sabiam que estavam prestes a testemunhar algo histórico. Não apenas o show em si, segunda vinda de uma das principais artistas contemporâneas ao Brasil, mas o contexto em que ele se encaixava, tirando o nome mais importante do meio de um festival com várias outras bandas (o Popload Festival, que acontece nesta quarta) e pondo-a em um palco mais que adequado, perfeito, para uma apresentação daquele porte. O público era veterano – numa faixa etária entre os trinta e os cinquenta – e claramente todos passaram parte considerável de suas vidas escutando som alto e indo para shows e festivais insalubres para ver seus artistas preferidos ao vivo. É uma mentalidade que tem mudado, mas fãs de rock no Brasil ainda são vistos como adolescentes que topam qualquer roubada para encarar shows que realmente querem assistir – desde pagar ingressos com valores descolados da realidade brasileira a se submeter a condições precárias e mal-ajambradas apenas para satisfazer objetivos de cunho emocional.

A situação anterior àquele show era inversa: grande parte do público sequer havia pago para assistir ao espetáculo, que em vez de cobrar dinheiro, preferiu pedir para os fãs trocarem seus ingressos por trabalhos de assistência social. Um modelo de negócios radical, uma vez que dentro do recinto não era possível ver nenhuma marca patrocinadora. E o show aconteceu num teatro que, afora uma precisa consideração de um mago moderno (“teatro de shopping é gaveta“) atendia necessidades que o público brasileiro de rock nem sabia que tinha.

A sensação era de estar num evento de gala, mesmo que o público usasse, em sua maioria, jeans, tênis e camiseta (de banda). A atmosfera poderia ser vista como sisuda ou convencional demais para um show desta natureza, mas era apenas uma sensação que vinha de décadas assistindo a shows de rock no Brasil que não levavam o público em consideração. No teatro, com lugares marcados, visibilidade perfeita, som intacto, estávamos prontos para assistir não apenas a um show de rock de uma artista importante, mas um espetáculo transcendental de uma das maiores artistas da virada do século.

Baseado em seus dois discos mais recentes (Let England Shake de 2011 e The Hope Six Demolition Project de 2015, de fortes tons políticos), o show começou com um leve atraso de quinze minutos e trouxe todos os nove músicos que a acompanham em suas apresentações no exterior: Alain Johannes, Alessandro Stefana, Enrico Gabrielli, James Johnston, Jean-Marc Butty, Kenrick Rowe, Terry Edwards, Mick Harvey e John Parish subiram ao palco enfileirados como uma banda marcial, mantendo o clima solene e cívico que embala os discos mais recentes de Polly Jean. Revezando-se entre vários instrumentos, a banda se moldava em diferentes formações, que poderiam ter quatro guitarras, três saxofones (inclusive um tocado pela cantora) ou três teclados simultâneos, uma bateria desconstruída que por vezes retomava o aspecto de banda militar (acompanhada de acordeão, flautas e violino), vocais de apoio de timbre grave que mantinham o tom patriótico da noite – o de uma pátria sem nação, sem fronteiras, cuja abordagem política era essencialmente humanista.

Todo esse altar hierático perdia seu sentido protocolar assim que PJ fazia o ar vibrar com sua voz. Sua presença magnética recolhia-se aos momentos em que se calava – ela mesma indo para trás dos músicos por diversas vezes para fazer-se coadjuvante nos trechos instrumentais -, mas bastava ela se aproximar do microfone que a tensão política se dissipava para ganhar contornos ainda mais grandiosos e a solenidade tornava-se ritual, cerimonial.

PJ Harvey não é uma diva, nem uma musa. Ela não é uma mulher num pedestal esperando ser admirada, apenas uma inspiração por sua presença irresistível. Ela é um agente de transformação, uma maestra de sentimentos que canaliza o inconsciente coletivo em suas canções. Ela também não é uma sacerdotisa num ritual pagão que converge diferentes sensações (o sagrado feminino, a majestade da canção, a tradição bretã, as dores do mundo, a resistência, o blues). Todos os nove homens que a cercam se apequenam à sua voz e a força feminina surge arrebatadora de suas cordas vocais e da forma como se movimenta no palco.

PJ Harvey é uma deusa. Toda de preto, ela encarna nossos anseios e ilusões, nossas esperanças e vontades, nossa força e inspiração em palavras cuspidas, gestos de exaltação, cantos hipnóticos, mantras celestiais, dancinhas sedutoras, letras que acertam o fígado, olhares que atravessam o público. É como se ela pudesse olhar nos olhos de todas as pessoas naquele teatro, acertar o fundo de suas almas com questões que nos esquivamos de responder. O público, completamente embevecido por sua presença catártica, assistia pasmo a um repertório concedeu poucos momentos à nostalgia (quatro músicas do século passado – “50 ft Queenie”, “The River”, “Down By the Water” e “To Bring You My Love”, todas ao final do show – e três da década passada – “Shame”, “White Chalk” e “Dear Darkness”) e reforçava a mensagem de seus discos mais recentes: que o importante é o humano, não o institucional. Que o que sobra é a civilização, não são marcas nem o dinheiro. Que deveríamos viver a cultura e a arte, sublimes, não a política e a economia, rasteiras.

Deusa de seu próprio ritual, ela se dirigiu verbalmente poucas vezes ao público (dois “obrigada” e um “minha banda” em português antes de apresentar o público), mas nem precisava falar. Sua mensagem é ela mesma, sua oração é sua presença e estávamos todos boquiabertos concordando, “amém”. E certamente parte da magia deste ritual veio das condições perfeitas de temperatura e pressão que foram apresentadas neste show que, acredito, começa a mudar o paradigma dos shows de rock no Brasil. O melhor show do ano (da década?) até aqui.

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Duas entidades do novo rap brasileiro se encontram nesta quinta-feira na Sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural São Paulo: de um lado o bardo do rap mineiro que já passou pelo Quinto Andar e Subsolo e agora chega à sua carreira solo, do outro o ótimo grupo instrumental paulistano Projetonave, a banda do Manos e Minas que já acompanhou grandes nomes da black music brasileira. O encontro acontece no lançamento do disco 2 Atos, produzido por Gui Amabis, a partir das 21h (mais informações aqui).

Boogarins ♥ Céu

boogarins2017

Os Boogarins estiveram no programa da Roberta Martinelli e tocaram “Camadas”, a música que o Dinho compôs com a Céu em seu disco mais recente, o excelente Tropix.

Dá pra assistir à íntegra do Cultura Livre com a banda goiana logo abaixo:

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A crew feminina de rap e R&B dá as caras lança seu primeiro disco nesta quinta-feira, às 21h, na Sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural São Paulo (mais informações aqui).

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Encerrando a programação do Bicho de Quatro Cabeças no Centro Cultural São Paulo, o baterista do Hurtmold, Maurício Takara, apresenta seu projeto solo ao lado do Corte, banda formada por músicos do Bixiga 70 com a Alzira Espíndola, mais uma vez de graça, desta vez na Jardel Filho, às 19h (mais informações aqui).

vivamadeinbrazil

Começa nessa terça-feira, às 19h, no Centro Cultural São Paulo, a celebração do cinquentenário da mais longeva banda da história da música brasileira, o Made in Brazil. O evento Viva Made in Brazil será inaugurado com uma exposição dedicada à história do grupo, reunindo fotos raras, discos, cartazes e memorabilia da banda, seguido de um fim de semana cheio de atividades relacionadas à banda: além do primeiro corte do documentário Uma Banda Made in Brazil, que será lançado no ano que vem, sábado e domingo assistirão a bate-papos com Oswaldo Vecchione, o líder da banda (no sábado com a mediação feita por Gastão Moreira e no domingo feita por Tony Monteiro, da Road Crew), e dois shows diferentes: um acústico no sábado (às 19h) e outro elétrico no domingo (às 18h), com convidados especiais como Serguei, Theo Werneck, Netinho, Babalu, Eduardo Araujo, Clemente, João Gordo, entre outros. E o melhor: tudo de graça (mais informações aqui). A atividade Viva Made in Brazil é a primeira que leva o nome Viva, criado pela curadoria de música do Centro Cultural São Paulo para celebrar a importância de artistas consagrados da música brasileira, com a presença e participação dos próprios homenageados. Outros virão depois deste evento do Made in Brazil.