
Entrevistei o pessoal do Bixiga 70 sobre seu terceiro disco pra edição de hoje da Ilustrada – o disco vai ser lançado com shows hoje e amanhã na choperia do Sesc Pompeia. Vai ser foda!
Banda Bixiga 70 apresenta disco composto a 20 mãos
Só com criações coletivas, terceiro álbum está disponível para download
Os dez integrantes do grupo paulistano de música instrumental Bixiga 70 são tachativos em afirmar que estão mais juntos do que nunca: “É o fim de um ciclo”, comemoram. A união está explícita na ficha técnica de seu terceiro disco, mais uma vez batizado apenas com o nome da banda, que sublinha que todo o trabalho foi composto, arranjado e produzido coletivamente, diferentemente dos dois anteriores, em que cada músico trazia um tema para ser desenvolvido em grupo.
“Acho que a gente conseguiu chegar em um lugar coletivo graças à dinâmica desses cinco anos juntos”, explica o baterista e um dos fundadores da banda, Décio 7. “Bixiga 70”, o novo disco, já está para download gratuito no site da banda (www.bixiga70.com.br) e marca uma maturidade musical em que as diferentes influências de músicos se diluem no groove instrumental ritualístico próprio das apresentações do grupo.
Diferentes musicalidades – nordestinas, caribenhas, jamaicanas, africanas, jazz, cumbia, funk – se fundem num caldo grosso cada vez mais característico do som paulistano da banda. “A gente tá muito embriagado nisso, de curtir o lance dos dez estarem muito alinhados em fazer som juntos”, emenda o saxofonista Cuca Ferreira.
O novo disco também traz uma mudança em relação às composições, que desta vez foram realizadas em estúdio, ao contrário dos discos anteriores, quando eram compostas entre ensaios e passagens de som. “Chegamos no estúdio sem nenhuma ideia pré-concebida, tudo foi composto do zero no estúdio”, explica o guitarrista e tecladista Maurício Fleury. Após sua terceira turnê europeia, no meio do ano passado, o Bixiga 70 voltou ao Brasil e descobriu que tinha um prazo estreito para entregar o disco contemplado através de um edital – este foi o primeiro disco da banda que não foi autoproduzido. A data-limite obrigou os dez integrantes a se enfurnar no estúdio-casa da banda, o Traquitana.
Localizado no número 70 da rua 13 de maio, no baixo do Bixiga (daí o nome), o estúdio é o motivo de existência da banda, que começou quando Décio e o guitarrista Cris Scabello passaram a tomar conta do lugar, mudando seu nome para Traquitana. A história daquele endereço remete à virada dos anos 60 para os 70, quando ali funcionava o bar Telecoteco da Paróquia, ponto favorito dos músicos profissionais da época para beber – e tocar – após o expediente. Reza a lenda que nomes como Sarah Vaughan e Stevie Wonder se apresentaram no local, quando estiveram no Brasil. “Foi aqui que o Benito di Paula lançou o ‘Retalhos de Cetim’”, lembra Décio.
Foram 45 dias em que a banda não arredou pé do Traquitana até fechar o disco que será lançado em dois shows no Sesc Pompeia, nos dias 16 e 17 da semana que vem. Forte influência no novo trabalho foi a parte final da viagem europeia, quando a banda passou pelo Marrocos e, além de um show, ainda pode coordenar um workshop que teve momentos cruciais para o desenvolvimento do novo disco. “Teve um cara que eu tive que parar e pedir pra ele me ensinar como é que ele tirava microtons africanos de um instrumento europeu, o saxofone, que não foi feito para tocar aquilo”, entusiasma-se Cuca.
Além de alinhada musicalmente, a banda também divide os trabalhos do lado empresarial: Cris toma conta do administrativo da banda, Maurício cuida das mídias sociais e das negociações com selos e turnês pela Europa, função dividida com o saxofonista Daniel Nogueira, que também cuida da divulgação nos Estados Unidos, enquanto Décio e o trompetista Daniel Gralha cuidam da parte técnica e de logística de shows. Completam a banda o baixista Marcelo Dworecki, o trombonista Douglas Antunes e os percussionistas Rômulo Nardes e Gustávo Cék.
BIXIGA 70
Artista Bixiga 70
Gravadora independente
Quanto gratuito, para download no site bixiga70.com.br
Lançamento qui. (16) e sex. (17), no Sesc Pompeia, ingressos esgotados

E o Kevin Parker segue mostrando suas duas músicas novas antes de revelar todo o conteúdo do novo álbum do Tame Impala, chamado de Currents. Desta vez foi a vez da hipnótica “Let it Happen”, no programa do Conan O’Brien.

Cara, eu não tava animado com essa volta dos Replacements até que vi o setlist do show de Seattle, no início da turnê na semana passada, e comecei a caçar os vídeos desse show online… Putamerda, que parada foda. Pena que ninguém vai trazer os Rolling Stones do indie americano dos anos 80 pro Brasil.
“Seen Your Video” e “Color Me Impressed”
“The Ledge”
“I’ll Be You”, “Anywhere’s Better Than Here”, “Take Me Down To The Hospital”, “Tommy Gets His Tonsils Out”, “I’m In Trouble”, “Left Of The Dial”, “Can’t Hardly Wait”, “Bastards Of Young”, “Skyway” e “Alex Chilton”
“Within Your Reach”, “Can’t Hardly Wait”, “Bastards of Young” e “My Boy Lollipop”
“20th Century Boy”
“I’m In Trouble”, “Kissing In Action”, “Left of the Dial” e “Valentine”

O Blur tirou o fim de semana para mostrar duas músicas de seu novo disco no programa do Jools Holland, mantendo bem a expectativa em relação ao lançamento. Enquanto a grudenta “Ong Ong” cutuca de leve as raízes gospel da música pop, “I Broadcast” gira ao redor de um riff de guitarra que parece saído do final dos anos 90 da banda.

O jovem Kevin Parker já começou a mostrar o terceiro disco do Tame Impala, já batizado de Currents, ao vivo. Começou com o início de sua turnê norte-americaa nesta quarta-feira, na cidade de Pomona, na região de Los Angeles, na Califórnia, quando a banda revelou as duas músicas que já havia revelado “Let it Happen” e “‘Cause I’m a Man”, que crescem bastante (especificamente a segunda metade da primeira) ao vivo, saca só:
Tem gente lamentando esse novo rumo estético da banda, mas eu tô apostando que eles, de novo, vão deixar todo mundo de cara.

Mais uma bola dentro do pessoal da Balaclava, que, por falar no Mac, vai trazer o vocalista do Superchunk para tocar no Brasil no final deste mês em seu próprio Balaclava Fest. O evento acontecerá em dois dias (25 e 26) no Centro Cultural São Paulo e ainda terá a presença dos americanos dos Shivas e dos brasileiros Sheds e Soundscapes. Lineup redondinho, delimitado numa estética guitar indie limpinha que vem se tornando a marca do selo, um festival com apenas quatro bandas em dois dias com ingressos a vinte reais (a inteira!) é daquelas utopias que, nos anos 90, quando o Superchunk veio para o Brasil pela primeira vez, ninguém botaria fé que ia rolar. Palmas pra Balaclava!

Grimes aproveitou o primeiro de abril pra avisar que estaria abrindo a segunda parte da turnê de Lana Del Rey pelos Estados Unidos. Imagina um show desses…

Se não deu pro Johnny Marr vir pro Brasil no auge dos Smiths, talvez sua atual fase seja a melhor época de sua carreira – por isso é bola dentro do Festival da Cultura Inglesa. Explico o porquê no meu blog no UOL: http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/03/johnny-marr-vem-para-o-brasil-na-hora-certa/
***

O Festival da Cultura Inglesa vem se confirmando como um dos principais eventos do calendário cultural de São Paulo graças a uma programação constante e coesa. Fui curador das duas primeiras edições em que o evento começou a trazer artistas britânicos para fazer shows gratuitos na cidade (em 2011 e 2012) e nas ocasiões trouxemos Franz Ferdinand, Miles Kane, Blood Red Shoes, The Horrors, We Have Band e Gang of Four. De lá pra cá o festival seguiu bem seu rumo, trazendo Kate Nash em 2013 e Jesus & Mary Chain no ano passado e, para 2015, sua principal atração é o guitarrista Johnny Marr.
Seu nome não é tão conhecido como seus riffs precisos que funcionavam como espinha dorsal para todas as músicas dos Smiths durante a curta existência da banda nos anos 80. Entre 1982 e 1987, a banda liderada por Morrissey e pelo guitarrista reescreveu a história do rock mundial como uma espécie de antítese à desenvoltura dos Rolling Stones – uma banda doce (nas melodias de Marr) e ácida (nas letras de seu vocalista) que reeducava a música pop para o nascimento da estética roqueira introvertida que com o tempo seria referida como indie.
E tudo isso antes de completar 24 anos – prodígio é pouco! O fato de ser lembrado pelo legado dos Smiths ofusca uma longa carreira como guitarrista convidado e session man que segue a tradição dos velhos músicos do início do século passado, que andavam quilômetros sozinhos apenas com seus instrumentos, prontos para tocar com quem viesse pelo caminho.
Marr tocou e gravou com quem quis: Bryan Ferry, Talking Heads, Paul McCartney, Beth Orton, Everything but the Girl, Oasis, Crowded House, Pet Shop Boys, Pharrell, Beck, Jane Birkin, Cult, Lydia Lunch, Black Uhuru, Sandie Shaw, além de criar grupos passageiros com integrantes de bandas como Radiohead, Pearl Jam, Kula Shaker, Echo & the Bunnymen e o filho de Ringo Starr (Zak). Fundou o Electronic com o Bernard Sumner do New Order, foi integrante oficial por curto período de bandas tão diferentes como The The, Pretenders, Cribs e Modest Mouse e participou da trilha sonora de Inception, de Christopher Nolan.
Ao atingir o primeiro escalão do rock na tenra idade, Johnny Marr saiu dos Smiths e passou a trilhar os caminhos que quis no mundo do topo do pop dos últimos trinta anos. Antes de completar 50 anos, em 2013, assumiu sua carreira solo e desde então lançou dois discos, The Messenger e Playland, este último inspirado no livro Homo Ludens, do historiador holandês Johan Huizinga, que discute a importância do jogo no desenvolvimento da cultura humana. Os discos não são brilhantes mas estão longe de serem medianos e funcionam como credenciais para Marr seguir desbravando o planeta com sua munheca mole conduzindo sua indefectível guitarra. E sem nenhum drama em relação ao passado, sempre tocando hits dos Smiths e do Electronic em suas apresentações.
E assim ele chega mais uma vez ao Brasil, depois de uma grata apresentação à tarde no Lollapalooza do ano passado, desta vez como atração principal de um evento. O timing é perfeito: Marr está escrevendo sua autobiografia (“chegou a hora de contar a minha história”, disse à Rolling Stone) e começa a falar sobre dirigir seu primeiro filme, como revelou à BBC, sem dar maiores detalhes.
Esperto, Marr pode estar preparando também um filme para acompanhar o lançamento da autobiografia, que ele mesmo está escrevendo, sem ghostwritter, como disse na mesma entrevista à BBC em que também falou que já escreveu um terço do livro, que será lançado no segundo semestre de 2016. Marr também revelou que irá “honrar os Smiths” no livro, que ainda não tem título.
Assistiremos, portanto, o show de Johnny Marr num momento de reflexão sobre a própria carreira que pode render bons frutos, como esta recente versão que ele gravou para um clássico de outra banda contemporânea sua, “I Feel You”, do Depeche Mode.
O show de Johnny Marr acontecerá no dia 21 de junho, no Memorial da América Latina, em São Paulo.

Ao completar duas décadas em atividade, a banda escocesa Mogwai foi convidada pelo pessoal do festival All Tomorrow Parties para comemorar seu aniversário fazendo a curadoria de uma An ATP Session at the Roundhouse, em Londres. Serão seis dias de apresentações entre os dias 24 de junho e 6 de julho e além dos shows do próprio Mogwai, ainda haverá shows do Public Enemy, do rapper GZA, do Tortoise, do Godspeed You! Black Emperor, Jesus & Mary Chain tocando o Psychocandy na íntegra, Bardo Pond, Prolapse, Lightning Bolt, entre outros. Programaço.

No sábado o Weezer apresentou-se no festival Burgerama, na Califórnia, nos EUA, e no meio do show o vocalista Rivers Cuomo chamou ninguém menos que seu próprio pai para acompanhá-lo – tocando bateria! – na versão ao vivo de “Back To The Shack”, uma das faixas do novo disco da banda, Everything Will Be Alright In The End.
Dá pra ver a música inteira no vídeo deste fã que filmou o show todo (o pai de Rivers entra no palco aos 30 minutos):