Dona de um dos melhores discos desse ano, Ava Rocha volta ao palco da Serralheira nesta terça e quarta, repetindo um dos grandes momentos da música brasileira em 2015 quando ela deixou embasbacada uma plateia que reunia músicos, artistas e cabeças da atual cena paulistana. Acompanhada de uma banda afiadíssima (o sambista noise Marcos Campello, o guitarrista experimental Eduardo Manso, o baixista harmonizador Felipe Zenícola e a bateria precisa de Thomas Harres), Ava domina o palco sem o menor compromisso, dona de uma presença tão expansiva e intensa quanto a personalidade exposta no disco que leva seu nome completo, Ava Patrya Yndia Yracema.
“No palco eu procuro não reproduzir o disco mas aproveitar alguns elementos que compõem a poética sonora, isso tem sido transcriado pelos músicos que estão tocando comigo ao vivo”, me explica a cantora. “Esse é o show que eu tenho feito por agora, de lançamento do disco, experimentando o repertório do disco e o do show que contempla varias outras músicas e experimentações. Também tem um viés performático, então o palco é um espaço onde eu estou experimentando e desenvolvendo também um pensamento cênico.” Além das músicas do disco, ela ainda cantou músicas anteriores como “Oloruzui” e “Canção de Protesto”, o poema musicado “Spring” e versões para clássicos brasileiros como “Iracema” de Adoniran Barbosa e “Canoa Canoa” de Milton Nascimento, todas registradas nos vídeos que fiz, abaixo:
Pergunto a ela sobre como anda esta nova cena carioca que viu nascer seu novo disco e ela disse que é “uma zona cheia de muros, mas há vontade para derrubá-los e serão”, disse com a convicção de quem mistura experimentalismo free com canções que tocariam numa rádio AM do meio do século passado. “Nenhum ambiente cultural pode fluir pleno numa cidade que vive tantas injustiças, dentro desse sitema corroído”, continua, “há, no entanto, muito desejo e um fortalecimento do ambiente por conta da rede das pessoas que integram esse ambiente: artistas, músicos, compositores, produtores, gestores, críticos, público etc. Enfim há muita explosão criativa, muita experimentação, muita coisa linda acontecendo mas tem essa dificuldade, o espaço social totalmente deteriorado. O ambiente é por tanto de resistência e ardor.” O Rio tem características específicas, mas ela também está falando sobre o resto do Brasil.
Mais uma música nova do próximo disco do Foals, desta vez “A Knife In The Ocean”, apresentada ao vivo no estúdio Maida Vale da BBC londrina.
A banda também mostrou a versão ao vivo pro primeiro single, “What Went Down”.
Imagine você estar assistindo a um show do Portishead quando, de repente, Beth Gibbons chama ninguém menos que Thom Yorke para dividir o holofote e os vocais com ela na deslumbrante “The Rip”. Aconteceu sábado passado no festival Latitude, na cidade de Suffolk, na Inglaterra, e, felizmente, alguém filmou:
Demais.
O grupo escocês Chvrches volta a dar notícias e agenda o lançamento de seu segundo disco para o dia 25 de setembro, como disseram em seu Tumblr. O disco chama-se Every Open Eye e a banda divulgou tanto a capa do disco quanto o nome e a ordem das faixas, além do primeiro single, “Leave a Trace”.
Você já sabia que o Hot Chip, que toca no Brasil em novembro dentro da programação do Sónar São Paulo, estava tocando “Dancing in the Dark” do Bruce Springsteen em seus shows, mas durante o festival escocês T in the Park, que aconteceu no início do mês, o grupo inglês resolveu emendar a versão pro hit dos anos 80 com um hit mais recente, a excelente “All My Friends” do LCD Soundsystem, cantada pelo guitarrista Al Doyle.
Taylor Swift continua enfileirando convidados na turnê de seu arrebatador 1989 – e depois de convocar Drake para dividir o palco com ela no hit dele “Can’t Feel My Face”, desta vez foi a vez de chamar uma amiga que “voou 19 horas”, como a própria Taylor disse ao brincar de adivinhação com o público de Washington no show de segunda. A neozelandesa foi ovacionada pelo público da rainha do pop de 2015, com quem dividiu os vocais de seu hit “Royals”.
E Lorde tá devendo disco pra esse ano…
E uma das características da atual turnê de lançamento do ótimo disco que Taylor Swift lançou no ano passado é a presença de convidados em alguns shows (o show que vi teve Ed Sheeran, bleh). Sexta passada foi a vez da menina chamar ninguém menos que Abel Tesfaye, o produtor e MC conhecido como The Weeknd, pra dividir os vocais com o autor de um dos hits desse verão no hemisfério norte, a irresistível “Can’t Feel My Face“.
Não foi a única atração do mesmo show, quando ela reuniu Lena Dunham, Hailee Steinfeld, Lily Aldridge e Gigi Hadid para recriar os personagens do clipe de “Bad Blood” no palco:
Não achei vídeo disso, se alguém achar por aí, manda aê nos comentários.
Roger Waters segue expandindo o muro de seus traumas de infância para todo o planeta e transforma o registro da turnê que fez com seu The Wall nos últimos anos em seu gesto mais superlativo a respeito do disco duplo que encerrou a fase clássica do Pink Floyd. O documentário Roger Waters The Wall será lançado no final de setembro e vem recolhendo elogios entusiasmados nas exibições que já rolaram. Além de cenas dos shows e dos bastidores também há entrevistas com Roger Waters no local em que seu pai foi assassinado durante a Segunda Guerra Mundial e no cemitério em que ele está enterrado.
Brian Wilson apresentou-se no PNC Bank Arts Center, em Nova Jérsei, na quarta passada, quando foi visitado no palco por um dos filhos mais ilustres daquela pequena cidade: Bruce Springsteen chegou quietinho, quase à paisana no bis, cantarolou “Barbara Ann” ao lado do outro beach boy Al Jardine e ganhou uma guitarra para acompanhar o pai da praia norte-americana no seminal hit “Surfin’ U.S.A.”. Duas pessoas registraram o encontro abaixo:
Não agradeça a mim, agradeça ao já clássico blog NYC Taper, responsável por registros piratas dos grandes autores indies de nossa época. Desta vez coube ao site registrar a íntegra do primeiro show acústico da história do Wilco, que o grupo fez no fim do mês passado, na edição deste ano de seu evento pessoal Solid Sound Festival. Eles separaram a faixa “Hesitanting Beauty” em que Jeff Tweedy festejou o casamento gay no meio da canção.
O show inteiro (setlist a seguir) pode ser baixado aqui e a foto que ilustra o post é de Robert Loerzel, da Underground Bee.










