Ex-líder do Make Up, Ian Svenonius apresenta seu novo álbum Escape-ism neste sábado e domingo no Centro Cultural São Paulo (mais informações aqui). No sábado, ele participa de um bate-papo com Antonio Bivar, autor do livro O Que É Punk?, que está ganhando nova edição com ilustrações de Kiko Dinucci, e Tina Ramos, uma das primeiras mulheres do movimento punk paulista, com mediação feita por Rodrigo Brandão (mais informações aqui). O bate-papo começa às 17h no sábado na Praça das Bibliotecas do CCSP e os shows acontecem na Sala Adoniran Barbosa (sábado às 19h e domingo às 18h). Vamos lá?
O vocalista dos Mustache e os Apaches, o gaúcho Pedro Pastoriz, apresenta seu primeiro disco solo, Projeções, nesta quinta-feira no CCSP, às 21h (mais informações aqui), quando também aproveita a oportunidade para lançar o clipe da ótima “Restaurante Lótus”, que abre o disco.
O laboratório Segundamente parte para um novo tipo de experimento ao apresentar a sessão Sem Palavras, dedicadas a trabalhos instrumentais de diferentes artistas, que tomarão as segundas-feiras de junho no Centro da Terra. São quatro apresentações que captam o ótimo momento da cena em São Paulo – e no Brasil. Para esta primeira sessão serão quatro shows diferentes com artistas que expandem os limites desta cena para diferentes lugares. A primeira segunda-feira, dia 4, é de improviso livre com os músicos Victor Vieira-Branco, Mariá Portugal, Arthur DeCloedt e Thomas Rohrer. Na segunda segunda-feira temos a colisão do jazz com o rock do grupo Vruumm, no dia 11. No dia 18 é a vez do projeto Solaris, incursão individual do vibrafonista e baterista Richard Ribeiro. E o mês termina com o grupo Música de Selvagem, dia 25, tocando músicas de seu novo disco, Volume Único – e é a única noite que deve contar com vocais, do músico Sessa, convidado pelo grupo. As apresentações começam sempre às 20h (mais informações no site do Centro da Terra) e eu conversei com os responsáveis por cada noite para saber o que podemos esperar deste novo formato do Segundamente.
Rohrer + Decloedt + Portugal + Vieira-Branco, por Victor Vieira-Branco
https://soundcloud.com/trabalhosujo/sem-palavras-2018-rohrer-decloedt-portugal-vieira-branco
Vruumm, por Anderson Quevedo
https://soundcloud.com/trabalhosujo/sem-palavras-2018-vruumm
Solaris, por Richard Ribeiro
https://soundcloud.com/trabalhosujo/sem-palavras-2018-solaris
Música de Selvagem, por Arthur DeCloedt
https://soundcloud.com/trabalhosujo/sem-palavras-2018-musica-de-selvagem
E é com imenso prazer que anuncio a primeira temporada no Centro da Terra a cargo de uma banda, quando o grupo paulistano Garotas Suecas atravessa as terças-feiras de junho com quatro shows diferentes. Na primeira terça, dia 5, batizada de Karaokê, o grupo convidou vocalistas amigos para cantar músicas de seu repertório – são nomes como Rafael Castro, Betina, Luiz Thunderbird, Nasi, Luiza Lian, Teago do Maglore, Herman da Mel Azul, entre outros. Na segunda, no dia dos namorados, eles partem para um repertório romântico na noite batizada de Valentinos. Na terceira terça, dia 19, eles voltam para a garagem tocando o material dos primeiros EPs da banda. E, finalmente, no dia 26, fazem uma noite chamada Sexteto, incluindo os ex-integrantes da banda, Sal e Sessa. Conversei com os quatro Garotas – Irina Bertolucci, os irmãos Nico e Tomaz Paoliello e Fernando Perdido – sobre o mês que encaraão no Centro da Terra a partir da próxima semana (mais informações aqui).
Como vocês bolaram as quatro noites que irão fazer no Centro da Terra?
Irina: A temporada nos colocou o desafio de pensar onde estamos hoje e como chegamos até aqui. Por isso o nome Identidade: foi uma busca tanto pelas nossas raízes quando pelas nossas ramificações sonoras. O que fez o Garotas Suecas chegar em 2018 do jeito que chegamos.
Começamos por homenagear as pessoas que cruzamos pelo caminho ao longo desses 13 anos de shows, desde inferninhos passando por casas históricas de shows, festivais, televisão… Passamos pode esses lugares acompanhados de bandas “irmãs”, ídolos e parceiros. Pra toda essa gente linda que faz a cena da música alternativa brasileira acontecer, bolamos a noite Karaokê na qual nove cantores cantam GS com a gente.
A segunda noite caiu no dia dos namorados, e, românticos que somos, não conseguimos fugir do clima mela-cueca nesse show: os clássicos melados do cancioneiro sueco foram combinados com as serenatas dos nossos ídolos que entraram no nosso repertório em alguma parte do caminho. Valentinos vai ser só love, pra levar o mozão.
A terceira noite vai ser uma diversão total: De volta pra Garagem. O repertório desse show é baseado nos primeiros três anos da banda, quando foram lançados nossos três primeiros EPs. Nessa época circulávamos pelos cafofos de SP, fomos pra NY com a roupa do corpo, dormimos muito no chão… Como ainda estávamos engatinhando, além do repertório autoral da banda, tocávamos alguns covers podrêra dos nossos ídolos garageiros e/ou brasileiros, que também serão tocados! Essa noite é pros nossos fãs de longa data que pedem nossas músicas mais antigas e a gente nunca sabe tocar! Dia 19 vai rolar tudo isso!
A última noite vai ser histórica. Sexteto vai ser isso mesmo que você está pensando. Chamamos nossos amados ex-guitarrista e ex-vocalista, Sessa e Guilherme Sal a compartilharem uma noite cheia de emoção com a gente. O Sessa saiu da banda para terminar a faculdade em NY, em 2011. Hoje toca com Yonatan Gat e também está lançando um disco solo logo mais. O Sal saiu da banda em 2014, pois estava buscando outros caminhos profissionais. Nesse show vamos tocar músicas deles dos nossos dois primeiros LPs, dos EPs, e o que mais a gente quiser.
Como será a primeira noite e quem vocês convidaram para participar?
Irina: Chamamos várias pessoas com quem dividimos algum tipo de história para escolher uma música nossa pra cantar. Teremos a Betina, cantora paranaense que está com um discão lindo no forno, o Fernando Soares, vocalista da banda 2de1, o Dr Herman, vocalista e tocador de keytar no Mel Azul, nossa banda irmã de selo e de vida, o Thunder quem já demos inúmeras entrevistas e com quem já dividimos palco também! Vai ter também a Luiza Liam, que cantou com a gente como backing vocal no nosso primeiro disco – saudades, Côro das Cabrocha Linda! – antes de seguir sua maravilhosa carreira solo, o Nasi, que gravou uma música nossa para a abertura de seu programa de TV – ah, ele também é do Ira! Não tamo de brincadeira, não, o Rafael Gregório, vocalista da banda Circo Motel, o plural e agitador cultural Rafael Castro, e o maravilhoso e ídolo Teago, da banda Maglore. A gente também vai cantar músicas que tem normalmente outro vocalista principal. E se o público quiser cantar também vai poder! Por que Karaokê sem bagunça não é Karaokê.
Como será a segunda terça-feira?
Tomaz: A segunda terça-feira coincide com o Dia dos Namorados e para esse dia pensamos um setlist especial para os casais apaixonados e para os solteiros em busca de aventuras, ou para os casais em busca de aventuras e os solteiros apaixonados. Preparamos um repertório só com as músicas mais românticas do Garotas Suecas em arranjos especiais, e mais algumas versões românticas de músicas nacionais e internacionais que tocamos ao longo da nossa carreira. O figurino e o cenário também foram pensados especialmente para o clima de romance.
A terceira terça-feira pode ser uma surpresa para os novos fãs.
Perdido: Tomara que seja uma boa surpresa! Acho que como passamos por diferentes fases ao longo dos anos, nossa origem pode ser desconhecida para alguns. A idéia é apresentar esse pedaço da nossa identidade, o que nos moldou para o que somos.
E como será a quarta noite?
Nico: A quarta noite da temporada terá Garotas Suecas em sua formação original. Convidamos Guilherme Saldanha e Sesa para o palco e nos tornaremos por uma noite, um sexteto novamente. Tocaremos músicas do começo da banda e focaremos nas composições que ambos escreveram enquanto eles estiveram na banda. Mas bem provável de termos surpresas ainda nesse repertório.
Visitar diferentes fases da banda teve um efeito terapêutico para a banda?
Perdido: Acho que somente os shows dirão isso, os ensaios podem dar uma idéia do que será, mas somente na hora “H” que todos os sentimentos afloram, especialmente se estiver sendo terapêutico para a plateia também, essa troca em si, independente da temporada já é uma terapia pra nós.
Alguma noite a mais foi imaginada e ficou de fora?
Tomaz: Pensamos em diversas ideias de shows, mas algumas seriam muito difíceis de realizar. Por exemplo, tivemos a ideia de fazer um show em que nós tocássemos apenas outros instrumentos diferentes dos nossos de origem. Então eu tocaria ou bateria, ou baixo, ou piano ao longo de todo o show. Mas honestamente, ou ficaria muito ruim ou precisaria de meses para ficar ok. Na verdade era uma ideia péssima mas que entrou na lista inicial… Outro show muito louco seria chamar quatro músicos, cada um para os instrumentos que nós tocamos, que cada um de nós fosse fã, para ensaiar e tocar nossas músicas. E a gente ficaria na platéia. Não conseguimos nem chegar a cogitar os nomes de tão despropositada que foi a ideia.
O fato dos shows serem num teatro muda a dinâmica das apresentações?
Nico: Muda sim. Em cada palco que tocamos pensamos em uma dinâmica diferente. Seja ele em um festival, inferninho, balada, show ao ar livre etc… Como esses shows serão em um teatro sentado e com um clima mais intimista teremos achar um equilíbrio entre músicas mais agitadas e baladas. Em um show como esse, o público está muito atento aos detalhes sonoros, corporais e cenográficos. A iluminação também é essencial para vestir o espetáculo e colocar todos no mesmo clima para a apresentação.
Rever diferentes fases da banda ajuda vocês a perceberem o próprio amadurecimento? Vocês conversaram sobre isso durante a elaboração da temporada?
Tomaz: Sim, essa ideia de retomar algumas fases da nossa carreira veio exatamente como uma celebração disso. Há pouco tempo completamos dez anos de banda e não fizemos nenhum show comemorativo porque estávamos num processo de lançamento de disco novo e não faria sentido pra gente naquele momento. A temporada foi uma oportunidade de fazer isso agora, com algum atraso. A diferença entre o nosso material mais antigo e o atual é gritante! As músicas antigas são muito mais precárias, mas tem muita coisa lá que conseguimos perceber que nos acompanha até hoje. E tem, é claro, o frescor e o charme daquele momento. Essa experiência é legal demais para percebermos o que mudou e o que ficou. É muito engraçado durante os ensaios quando não conseguimos tocar ou cantar algumas coisas que fizemos há dez anos, dá uma raivinha do seu eu do passado.
A Virada Cultural paulistana acontece no próximo fim de semana, dias 19 e 20 de maio, e pela segunda vez faço a sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural São Paulo virar a noite de sábado e adentrar o domingo com o filé da atual música brasileira, com o primeiro show da volta da Orchestra Santa Massa do DJ Dolores (com formação completa) descambando num show do Negro Leo, passando por uma noite voltada ao novo rap brasileiro (Flip, Bivolt, Nill, Diomedes Chinaski) com a presença de novos veteranos da cena (como Ordem Natural, Erick Jay, De Leve, DJ PG e Síntese), voltando num domingo que abre com o encontro dos Metá Metá com Tantão e os Fita, segue com Giovani Cidreira, passa pelo BNegão e seus Seletores de Frequência tocando seu clássico disco de estreia, Enxugando Gelo recém-relançado em vinil, e encerra-se com um show completo de Luedji Luna. É tudo de graça, só precisa passar antes na bilheteria para garantir o ingresso (mais informações aqui). Vamos lá?
18h – Orchestra Santa Massa
19h – Negro Léo
23h – Flip
0h – Erick Jay
1h – Bivolt
2h – DJ PG
3h – Diomedes Chanaski
4h – Síntese
5h – De Leve, Ordem Natural e Nill
12h – Metá Metá + Tantão e os Fita
14h – Giovani Cidreira
16h – Bnegão & Os Seletores de Frequência tocam Enxugando Gelo
18h – Luedji Luna
Finalmente conhecerei o império musical que Fabrício Nobre montou há vinte anos no meio do cerrado brasileiro – parto nessa sexta-feira para a vigésima edição do sensacional Bananada, que traz Gilberto Gil, Kalouv, Ema Stoned, Carne Doce, Rincon Sapiência, Nação Zumbi, Meridien Brothers, Deafkids, Jorge Cabeleira, Francisco El Hombre, Emicida, Ava Rocha, Boogarins e muito mais (mais informações aqui).
Entrevistei Fernando Dotta e Rafael Farah para a revista Trip, fundadores da Balaclava Records, núcleo de produção indie que, com a nova edição de seu festival, dá passos firmes para se estabelecer como um dos principais players do mercado independente brasileiro. Um trecho da conversa com os dois:
O selo ainda contou com a sorte ao fechar a vinda de sua primeira turnê com um artista gringo poucos meses antes de seu disco projetá-lo para um público maior: “Foi um choque”, lembra Dotta. “Era uma aposta, a gente fechou o show dele um mês antes do lançamento do disco Salad Days e o disco tinha acabado de vazar na internet. No dia do show todas as pessoas estavam cantando todas as músicas no Sesc Belenzinho”. Farah completa ao lembrar de outro momento emblemático com o indie alto astral. “Um ano depois tínhamos a Audio lotada para ver o show dele e uma turnê que passava por sete cidades do Brasil — e isso só um ano depois do primeiro show. E o mais legal foi que o Mac era o único headliner gringo e o povo chegou cedo, pra ver as outras bandas brasileiras”.
A segunda vinda de DeMarco para o Brasil foi na segunda edição do Balaclava Fest, que o selo lançou em abril de 2015 no Centro Cultural São Paulo, ao trazer o fundador do Superchunk e dono da gravadora Merge para apresentar-se sozinho em São Paulo. Em novembro daquele ano, trouxeram Mac DeMarco acompanhado de artistas como Mahmed, Terno Rei, Séculos Apaixonados, Jovem Palerosi e Nuven. As outras edições do Balaclava Fest trouxeram o Swervedriver (no Cine Joia, em maio de 2016), Mild High Club (no Clash Club, em novembro daquele ano), Slowdive, Clearance e Widowspeak (no Cine Joia, em maio de 2017) e Washed Out e Homeshake (no Tropical Butantã, em novembro do ano passado), além de uma edição em Porto Alegre (com Yuck e Tops, em novembro de 2016). Todas as edições do Balaclava Fest contaram com pelo menos duas bandas brasileiras em cada show, e não apenas bandas que pertenciam ao selo. Além dos artistas do festival, também fizeram shows do Sebadoh e do Tycho, além de levar as bandas Câmera e Terno Rei para tocar no festival espanhol Primavera em 2015.
Mas eles sabem que não conseguiriam fazer o que fazem se não fossem os pioneiros do rock independente brasileiro, como o selo carioca Midsummer Madness, que citam como referência. “Um cara que nos ajudou muito foi o [produtor mineiro Marcos] Boffa, que nos ajudou muito e deu várias consultorias, e também o [produtor sergipano] Bruno Montalvão, que já tinha uma expertise de produção, a gente não sabia como começar uma planilha”, reconhecem. Mas mesmo estando numa fase relativamente estável, sabem que não é fácil. “É mais insistência. A gente sabe que não pode deixar a bola baixar, porque senão acaba”, resume Dotta.
A íntegra pode ser lida aqui.
O cantor e compositor capixaba Juliano Gauche lança seu terceiro disco, Afastamento, coproduzido por Fernando Catatau, em show gratuito nesta quinta-feira no Centro Cultural São Paulo, a partir das 21h (mais informações aqui).
O Brasil ainda tem um enorme débito com o resto da América Latina, para quem historicamente sempre deu as costas, mas a música parece estar disposta a reverter esse processo. Enquanto os hermanos da América espanhola bem conhecem os grandes nomes da nossa música – os históricos e os atuais -, aos poucos nomes manjados no resto do continente dão as caras por aqui graças a iniciativas heroicas de produtores, músicos e outros agentes deste novo mercado independente brasileiro. É o caso dos Meridian Brothers, um dos grandes nomes da música colombiana, que passeia pelo Brasil durante a semana, com passagens pelo Rio de Janeiro (onde tocam nesta quarta, na Audio Rebel), Goiânia (sexta no festival Bananada) e Brasília (domingo na Cervejaria Criolina). No meio do percurso, passam por São Paulo nesta quinta, quando tocam no lançamento da festa WahWah, que também é o nome de guerra da dupla de DJs Maurício Fleury (tecladista e guitarrista do Bixiga 70) e Giu Nunes, dedicada à expansão do conceito de psicodelia para além do padrão sessentista, “forma antropofágica e sincrônica, buscando a transcendência dos sentidos no som de sintetizadores, ecos de fita, instrumentos ancestrais e distorções de guitarra”, como explicam (mais informações aqui). Os dois conversaram com o guitarrista, produtor e compositor Eblis Álvarez dos Meridian Brothers, e mandam o papo direto aqui para o Trabalho Sujo e o show ainda contará com a participação da Ava Rocha.
O Meridian Brothers é um projeto que já tem seus vinte anos e passaram de um projeto solo e laboratório de sonoridades para uma banda. Quando começaram estes experimentos com a música latina?
Meridian Brothers é um grupo que começou como uma espécie de laboratório, um lugar de experimentação de diferentes ideias que eram alternativas para o momento nos anos 90 e que, aos poucos, foi virando uma banda com exatamente a mesma intenção: tocar ao vivo certas ideias que não tinham nada a ver com os formatos tradicionais do rock ou a música de canção. Depois, paulatinamente, fomos incluindo a música latina na ideia como resultado de uma investigação que havíamos começado a fazer em Bogotá, com muitos músicos indo a festivais, comprando discos de música tradicional. Eu fazia parte desse movimento e tive também essa mesma ideia dos músicos dessa época de começar a incluir música latina em formatos de rock experimental.
Quais são as suas maiores influências na música?
As influências são muitas. No entanto, para apontar, digamos que o que mais influencia os Meridian Brothers, mais que os artistas, são os formatos. Existem certos tipos de formato como a música eletrônica, o rock, certos gêneros que vão se transformando de disco para disco e de época em época que nos influenciaram, de formatos de música latina a formatos de rock experimental, experimentos com eletrônica, além da relação entre esses formatos e certos artistas importantes, mas que foram muitos. De qualquer forma, quanto a essa pergunta, sobre o que nos influencia, pode-se ver que também há um pensamento originário da música acadêmica ocidental, a música clássica, porque dentro de tantos anos de transformação sempre se volta às músicas populares e seu papel nos contextos sociais e no contexto fonográfico.
Há uma presença psicodélica muito forte na sonoridade de vocês e também a utilização de recursos eletrônicos. Como isso se mistura aos elementos latinos? Existe diferença entre o que fazem no estúdio e no palco?
Sim, temos muitos componentes eletrônicos que, imediatamente, podem bem remeter ou ir até a psicodelia. No entanto, são mais experimentos de programação, esquemas técnicos ou de ‘settings’ e portanto é um pouco casual que se chegue à psicodelia. Quanto à diferença entre o estúdio e ao vivo, sempre tive a ideia do estúdio como um espécie de espaço ideal com todas as possibilidades dentro dele e a ideia é fazer ao vivo o máximo possível parecido com o que se fez no estúdio.
Este esforço para fazer com o que ao vivo soe como em estúdio nos levou a muitas possibilidades e desenvolvimentos técnicos que não seriam possíveis se não houvesse esse rigor para fazer as coisas ao vivo parecidas com o que tivemos no estúdio, então desenvolvemos várias técnicas como as transformações da voz, novas coisas dramáticas, tocar com sequências que se combinam com a percussão… Todo esse tipo de coisa surgiu a partir de querer imitar tudo o que se faz em estúdio e quando você está em estúdio, não pensa em como vai ser ao vivo, a solução vem depois.
Vocês têm influência da Tropicália? O que conhecem e gostam da música brasileira atual?
Perfeitamente, somos muito influenciados pela Tropicália, pessoalmente penso que a Tropicália é uma das respostas mais perfeitas à combinação de rock global e músicas tradicionais e por isso realmente nos interessa muito esse movimento e o que ouvimos, ou o que eu, como compositor, ouvi foi todo o básico como Gilberto Gil, de Caetano Veloso, Novos Baianos, Gal Costa etc. E sobre o que eu gosto mais das coisas novas: eu sou muito fã da Ava Rocha, que vai participar do show com a gente, ultimamente tenho ouvido muito a cantora Soledad, que me parece ser de São Paulo (ela é do Ceará)… O Terno também me parece um grande grupo, gosto muito dos Boogarins, gosto muito da Tulipa também e por aí vai…
É fácil encontrar temas religiosos e ligados ao sofrimento em suas composições, existe uma relação entre esses temas e questões sócio-políticas? É possível traçar um paralelo entre Brasil e Colômbia nesse sentido?
Em nossa música criamos cenas fictícias e personagens às vezes esquisitos, às vezes bizarros, e sim, há um inconsciente político, um inconsciente também um pouco de sofrimento em parte porque as situações latinoamericanas atuais são bem difíceis em nosso país e então ficamos tocados pelas coisas que acontecem na Colômbia e isso termina se ligando a diferentes temas das canções. Quanto ao paralelo entre Brasil e Colômbia, digamos que em toda a América Latina estamos sofrendo uma entrada forte da exploração de recursos por parte de grandes grupos econômicos estrangeiros com a permissão de políticos de tendências de direita e o que fazem é privatizar várias entidades que antes eram do Estado, o que permite a entrada de monopólio, há crescimento da desigualdade social. Esse é o paralelo que encontro entre Brasil e Colômbia e que está acontecendo muito também no resto da América Latina.
O que podemos esperar desta primeira apresentação em São Paulo?
O que o público de São Paulo pode esperar é uma varredura por muitas das composições dos últimos quatro discos dos Meridian Brothers e que são bastante variados, com focos diferentes: o disco Desesperanza, de 2012, é um disco dedicado à salsa, Los Suicidas, de 2015, é um disco de órgão instrumental, Salvadora Robot, de 2014, é um disco com um escopo mais amplo, influenciado por músicas do caribe colombiano e, por último, ¿Donde Estás Maria?, de 2017, que é um disco muito inspirado nos formatos da Tropicália brasileira e de MPB, vamos tocar umas três canções deste último trabalho. Então, o que se pode esperar é um resumo de todas essas coisas que fizemos nos últimos anos, mostrar a nossa música no Brasil é uma honra para nós do Meridian Brothers.
Um dos grandes nomes da música popular contemporânea, o músico e compositor Edgard Scandurra é mais conhecido como a força cerebral e emotiva do Ira!, mas tem uma carreira solo paralela que ergue-se tão importante, embora não tão popular, quanto o trabalho de sua banda original. Um dos principais nomes da música paulistana desde os anos 80, Edgard Scandurra trilhou uma carreira solo ímpar, com projetos paralelos, tributos e discos solo que flertam com o rock clássico, o punk, a música eletrônica, o pós-punk, o noise e a canção francesa. Convidei-o para dissecar sua musicalidade solo na programação do Segundamente do mês de maio e ele dividiu suas quatro segundas em quatro shows diferentes: na primeira segunda, dia 7, ele recria seu primeiro disco solo, Amigos Invisíveis, de 1989; na segunda, dia 14, ele volta para o início dos anos 80, quando fez parte das bandas Mercenárias e Smack; na terceira segunda-feira, dia 21, ele visita suas canções de formação apenas no piano e guitarra (indo de Aphrodite’s Child a Eric Carmen) no espetáculo Lembranças Afetivas; e ele finalmente encerra seu mês no Centro da Terra mostrando sua faceta eletrônica ao tocar com os filhos no projeto Benzina aka Scandurra. Conversei com ele sobre estas quatro apresentações, que ele batizou de Operário do Rock (mais informações aqui).
Quando foi que você se viu como um operário do rock?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/edgard-scandurra-operario-do-rock-quando-foi-que-voce-se-viu-como-um-operario-do-rock
Como Operário do Rock virou o o mote da temporada?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/edgard-scandurra-operario-do-rock-como-operario-do-rock-virou-o-o-mote-da-temporada
Fale sobre a primeira noite, Amigos Invisíveis.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/edgard-scandurra-operario-do-rock-fale-sobre-a-primeira-noite-amigos-invisiveis
A segunda noite é Smack e Mercenárias.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/edgard-scandurra-operario-do-rock-a-segunda-noite-e-smack-e-mercenarias
E a terceira noite? É a primeira vez que você usa esse formato?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/edgard-scandurra-operario-do-rock-e-a-terceira-noite-e-a-primeira-vez-que-voce-usa-esse-formato
A última noite é do Benzina aka Scandurra. Como ele funcionará ao vivo?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/edgard-scandurra-operario-do-rock-a-ultima-noite-e-do-benzina-aka-scandurra-como-sera-ao-vivo
Quais projetos ficaram de fora dessa temporada?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/edgard-scandurra-operario-do-rock-quais-projetos-ficaram-de-fora-dessa-temporada
Você acredita que a temporada funcionará como uma terapia?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/edgard-scandurra-operario-do-rock-voce-acredita-que-a-temporada-funcionara-como-uma-terapia












