
Quase no fim da programação de novembro no Centro da Terra, temos o enorme prazer de receber o reencontro da carreira solo do baiano Teago Oliveira com os palcos. Líder do grupo pop Maglore, o cantor e compositor lançou disco novo de sua banda neste ano e aproveitou o momento para matar as saudades dos shows, suspensos desde o início da pandemia, mas não parou para dar atenção à sua carreira solo, iniciada pouco antes da quarentena quase eterna a que fomos submetidos. E assim, nesta última terça-feira do penúltimo mês do ano, ele retoma seus trabalhos sozinho no palco do Sumaré, mostrando Boa Sorte Ao Vivo, em que repassa músicas de seu disco de estreia em formato intimista, mostrando algumas novidades no percurso. Os ingressos esgotaram-se rapidamente, mas, como sempre, não custa passar no teatro pouco antes da apresentação, que começa pontualmente às 20h, para ver se, de repente, alguém desistiu ou algum ingresso sobrou.

O trompetista Amílcar Rodrigues e o baterista Guilherme Marques reuniram-se em um projeto de improviso livre que parte do casamento de seus dois instrumentos num duo aberto para novas experimentações. Vasculhando possibilidades dentro dos temas que desenvolveram para o que chamam de (I)Miscivel, eles tomam conta desta terça-feira no Centro da Terra convidando dois ases de seus instrumentos para explorar tais fronteiras sonoras – de um lado o contrabaixo de Marcelo Cabral e do outro o clarone de Maria Beraldo. É com esta formação que eles invadem o palco do Sumaré a partir das 20h, pontualmente – ainda há ingressos disponíveis neste link.

Quem sobe no palco do Centro da Terra nesta quarta-feira – e não na terça, porque foi feriado – é o grande Juliano Gauche, que apresenta pela primeira vez ao vivo as canções que estarão em seu próximo disco, que também batiza o espetáculo desta noite. Acompanhando-o neste Tenho Acordado Dentro dos Sonhos, que o reaproxima das guitarras elétricas, estão o tecladista Klaus Sena e o baterista Victor Bluhm. O espetáculo começa pontualmente às 20h e ainda tem ingressos disponíveis neste link.

O Trabalho Sujo completa 27 no próximo domingo, mas já antecipo aqui algumas atividades que estou fazendo para comemorar mais um aniversário. A primeira delas é a realização de mais uma edição do espetáculo Leonard Cohen: Dito e Lido que concebi e dirigi com a querida amiga Juliana Vettore e que desta vez acontece no Sesc Pinheiros. Mais uma vez reunimos Bárbara Eugênia, Jeanne Callegari, Jose Bárrickelo, Juliana R. e Michaela Schmaedel para celebrar a obra do mestre canadense, entre canções e poemas que passam por diferentes fases de sua carreira. O espetáculo acontece no dia 18 de novembro, na próxima sexta-feira, às 21h, e os ingressos já estão à venda no site do Sesc.

Que notícia pesada. Fuçando aqui nos meus arquivos, encontrei o vídeo de um show que Gal fez quando cobri a Flip pela primeira vez, em 2014. Já tinha visto outros shows dela e não tinha gostado do Recanto, seu disco mais recente à época, mas não tinha como não ir lá conferi-la tocando de graça na Praça da Matriz no centro de Parati. Acompanhada por um trio de meninos – Pedro Baby na guitarra, Domenico Lancelotti na bateria e Bruno Di Lullo no baixo -, ela não levou muito tempo para mostrar porque era uma das maiores cantoras do Brasil. Rever essa apresentação de “Vapor Barato” me trouxe a mesma sensação que tive ao vê-la ao vivo: a de estar minúsculo frente a uma gigante. Não consigo nem pensar em quais palavras usar para definir sua falta, por isso reforço sua presença eterna. É como ela diz na música de Jards que tornou sua: “Sim, eu estou tão cansado, mas não pra dizer que eu não acredito mais em você…”
Assista aqui. Continue

E na primeira terça-feira de novembro, temos o prazer de receber no Centro da Terra o espetáculo Nuvens, Peixes e Aspirinas, idealizado pela cantora e compositora paulistana Helô Ribeiro, a partir de seu segundo disco solo, A Paisagem Zero, inspirado nos primeiros livros do poeta João Cabral de Melo Neto, Pedra do Sono e O Engenheiro. Ao lado dos músicos Allen Alencar, Marcelo Dworecki, Nandinho Thomaz e Cuca Ferreira, ela recebe suas companheiras de Barbatuques Mairah Rocha e Luciana Cestari, além das atrizes Fernanda Dumbra e Marina Wisnik e da bailarina Deise Alves, numa apresentação multidisciplinar que conversa com a fase onírica – e considerada surrealista – do poeta pernambucano. A apresentação começa pontualmente às 20h e os ingressos para o espetáculo podem ser comprados neste link.

Femme Frame, temporada de um mês que Ava Rocha deu início nesta primeira segunda-feira de novembro no Centro da Terra, foi uma expedição rumo ao processo criativo da cantora e compositora carioca. Ela começou acompanhada apenas por Victoria dos Santos na percussão, seguida logo depois pela guitarra dissonante de Gabriel “Bubu” Mayall, até que recebe a aparição mágica dos irmãos Gustavo e Tulipa Ruiz . As duas cantoras se encontraram na bela “Lilith”, composta por ambas para o disco mais recente de Ava, Trança, e se engalfinharam num dueto que culminou essa peregrinação ao cérebro de Ava. As próximas noites terão novas surpresas, não dê mole!
Assista aqui. Continue

Que satisfação receber a maga Ava Rocha na temporada de novembro no Centro da Terra, quando ela apresenta a obra em construção Femme Frame. Inspirada em poemas que estão sendo escritos durante este mês, ela enfileira três segundas-feiras e uma quarta-feira mostrando seu repertório e deixando que o improviso tome conta de apresentações que contam com formações inéditas e minimalistas e aparições surpresa a cada nova noite. São instantes poéticos, pontos e cantos inventados, canções e composições, projeções imagéticas, criações do instante, no campo do improviso e da construção, orgânica, cinematográfica e teatral em que o espirito da voz é o fio condutor. Os ingressos já estão à venda neste link.

O segundo dia da versão paulistana do Primavera Sound correu ainda mais suave do que o primeiro. Talvez por não ter atrações tão midiáticas quanto Arctic Monkeys ou Björk, o domingo do festival atraiu um público mais afeito ao trabalho dos artistas – ou, melhor dizendo, das artistas. O festival consagrou uma versão feminina do pop contemporâneo que se traduzia tanto no público quanto no astral coletivo, deixando tudo mais receptivo e suave, tolerante e acolhedor. O domingo foi das mulheres e mesmo que Travis Scott tenha atraído uma enorme massa para o palco do patrocinador principal (o pior palco do evento, disparado), corações e mentes foram tragados pela alma fêmea do festival, que no segundo dia foi representada especificamente por Phoebe Bridgers, Jessie Ware (o melhor show de todo o fim de semana!), Lorde e Arca.
Vamos aos shows… Continue

Saldo do primeiro dia do Primavera Sound em São Paulo? Bons shows, boa estrutura interna, preços razoáveis, som funcionando bem em todos os palcos, uma multidão gigantesca mas dócil e respeitosa, um festival confortável uma vez que você estava lá. Mas nem tudo são flores: a localização no Anhembi tornou tanto a chegada quanto a saída do festival complicada: o enorme trânsito e a distância entre os portões obrigou muita gente a caminhar bastante antes de entrar no festival, além de ficar preso em um engarrafamento que poderia ter sido evitado. A saída então foi ainda mais tensa e além do evento não ter sincronizado com o metrô a possibilidade de deixar o transporte público funcionando por mais tempo, a quantidade de pessoas esperando táxi na saída do festival fez com que as taxas dos aplicativos disparassem e muita gente ficasse sem sinal para pedir condução. A falta de sinalização (tanto dentro quanto fora do evento) e de preparo para que os funcionários pudessem indicar os locais de saída deixaram ainda mais gente perdida. E isso que eu saí antes do festival acabar…
Mas vamos aos shows.
Assista aqui. Continue