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Emicida ♥ Claudinho e Buchecha

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Foram vários os pontos altos do show que Emicida apresentou na semana passada no Sesc Pinheiros: além de repaginar seu último disco e alternar entre o agogô, a caixinha de fósforo e a MPB, Leandro cantou Adoniran Barbosa, Sampa Crew, Código Fatal, resgatou várias antigas que não tocava há eras e puxou para o palco, pela primeira vez, “Papel Rima e Coração“. Mas ninguém acreditou quando ele começou a puxar “Nosso Sonho”, do Claudinho e Buchecha, e todo mundo cantou junto. Foi demais:

Eis os vídeos que fiz do show da quinta-feira.

Eis o vinil d’O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui, do Emicida

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Emicida lança seu disco mais recente em vinil num show nessa quinta e sexta no Sesc Pinheiros e eu tenho um par de ingressos aqui pra sortear para o primeiro dia. E o show que o rapper apresentará nessa semana não é o mesmo em que lançou o mesmo álbum, há um ano, no mesmo Teatro Paulo Autran. Para apresentar o vinil d’O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui, Emicida também desenterrou clássicos de sua curta e notável carreira, como “E.M.I.C.I.D.A” , “Só Mais Uma Noite”, “Cacariacô”, “Rua Augusta” e “Então Toma” e vai inclusive assumir a MPC em uma das músicas. Ainda há ingressos à venda, mas quem quiser concorrer a um par de ingressos pra essa quinta-feira é só contar qual é a sua música favorita do Emicida e explicar por quê (e não esqueça de colocar seu email pra que eu entre em contato). Abaixo os vídeos que fiz do show de lançamento desse disco mais recente, no ano passado.

Quem é João Donato

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Não é uma pergunta. Um dos nomes mais importantes da música brasileira se explica ao teclado, conversando fiado, esquecendo-se dos anos e lugares pois sua entrega é total à música. No último dia do mês passado, celebrando o aniversário do clássico disco Quem é Quem, de 1973, João Donato revisitou seus próprios standards em excelente companhia. Num show bolado pelo compadre Ronaldo e apresentado no teatro do Sesc Pinheiros, João recebeu novos e velhos amigos – as cantoras Mariana Aydar e Tulipa Ruiz (que arrepiou os pelos da nuca do público numa “Até Quem Sabe?” deslumbrante), o mestre Marcos Valle e uma versão amaciada do Bixiga 70 – e fez um show sublime, uma ode à sua própria musicalidade preguiçosa e audaz. Fiz uns vídeos e postei aí embaixo, quem quiser conferir se estou exagerando é só apertar o play – e boa viagem (e quem quiser saber mais sobre o Quem é Quem, o Ronaldo criou uma tag em seu blog só pra falar do disco)

 

“Música é luz”: como foi o show de lançamento do disco novo do Emicida

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O jovem Emicida cada vez mais se consolida como um dos principais nomes da nova música brasileira. Já deixou a esfera do hip hop há algum tempo, mas em vez de simplesmente expandir seus horizontes para outros gêneros, prefere fazer que esses venham para a roda do rap, a rinha de rimas em que aprendeu a ser artista. Lançou seu novo disco O Glorioso Retorno De Quem Nunca Esteve Aqui em duas noites de gala no teatro do Sesc Pinheiros em São Paulo, na terça e quarta da semana passada, e pude assistir ao show da segunda noite (quarta, 18 de setembro) – apenas para atestar sua maturidade e compromisso com o espetáculo.

Pois por mais que Leandro cante a importância da música em sua obra (seja ao ironizar a relação entre música em dinheiro ou simplesmente ao celebrar que “música é luz” em “Hino Vira Lata”), é evidente que o MC ultrapassou a música e tornou-se um showman. Mais do que simplesmente ser um mestre de cerimônias das próprias qualidades e defeitos, Emicida transforma cada gesto num momento para ser eternizado, cada verso em frase de guerra ou oração, cada recepção de um novo colaborador (e foram tantos!) em uma cerimônia de reverências, sempre acompanhado da banda formada por Doni Jr. (violão, cavaco e guitarra), Anna Tréa (violão e guitarra), Carlos Café (percussão), Samuel Bueno (baixo) e seu fiel escudeiro, o DJ Nyack.

E isso não pára apenas no palco. É seu domínio da platéia que impressiona. Ele consegue suplantar aquela zona cinzenta entre o você e o vocês e conversa com as centenas de pessoas presentes como se encontrasse cada uma delas casualmente num elevador, numa fila, num ônibus. Emicida é aquele cara transforma o tédio em história, o mágico que sublinha nossa rotina para nos surpreender com uma beleza distante dos nossos olhos. E ao conversar com a multidão, ele não parece que está falando num púlpito nem num palanque – parece olhar nos olhos de cada um dos presentes (aí os óculos escuros são providenciais) e contar-lhes uma coisa que ninguém mais percebeu. Ele troca a sedução natural de qualquer artista por um carisma que é bruto em sua intensidade, mas refinadíssimo no detalhe. A beca que lhe acompanha ao subir ao palco tira o ar moleque do boné e camiseta mas não parece exigir um respeito falso. Ele é sincero.

E, no palco, recebeu cada um dos artistas que participam de seu novo disco para recriar aqueles momentos eternizados em disco que, aos poucos, transformam este Glorioso Retorno em um dos melhores discos desta década. Na parceria com Pitty, “Hoje Cedo”, ele reforça um refrão que tem a tristeza dos samples usados por Eminem em seus momentos menos cínicos e um ar emo/new metal que contamina toda canção, deixando-a livre para Emicida vociferar seus versos.


Emicida + Pitty – “Hoje Cedo”

Um dos principais momentos do disco e do show, a bela “Crisântemo” já tem sua importância ao transformar o drama violento da favela em dor universal, num grande momento da música brasileira. A presença da mãe de Leandro, Dona Jacira, que não subiu ao palco na noite anterior, é forte e solene, e deixa a teatralidade da segunda parte da canção – que em vários momentos nos faz engolir em seco – ainda mais intensa. Um momento mágico:


Emicida + Dona Jacira – “Crisântemo”

Tulipa não estava programada para tocar no segundo show, apenas no primeiro, mas apareceu com toda sua doçura para o momento bonitinho do show:


Emicida + Tulipa Ruiz – “Sol de Giz de Cera”

Com Wilson das Neves, Emicida prostra-se como criança que vê um ídolo pelo espelho, querendo parecer respeitável apenas por estar na presença de uma personalidade inspiradora (mais mérito do seu Wilson, é verdade). Mas antes de convidá-lo para sambar sua “Trepadeira”, repete o discurso que fez na noite anterior, em que respondeu aos que criticam sua canção por dito sexismo, em tom mais bem humorado, próprio para receber a lenda-viva do samba:


Emicida + Wilson das Neves – “Trepadeira”

Este magnetismo ganhou força com as cinco vozes do Quinteto em Branco e Preto entoando o ótimo refrão de “Hino Vira-Lata”, outro momento mágico do disco novo de Emicida:


Emicida + Quinteto em Branco e Preto – “Hino Vira-Lata”

Quase ao fim do show, convocou Juçara Marçal para mais um momento épico:


Emicida + Juçara Marçal – “Samba do Fim do Mundo”

E antes de encerrar a noite, emendou seu já clássico pout-porri com pedras fundamentais da história do hip hop brasileiro, especificamente inspirado naquela noite.


Emicida – “Tic Tac (Doctor’s MCs)” / “Verão na VR (Sistema Negro)” / “Fim de Semana no Parque (Racionais MCs)” / “Us Mano e as Mina (Xis)” / “Fogo na Bomba (De Menos Crime)” / “Quatro Nomes de Menina (Pepeu)” / “Rap é Compromisso (Sabotage)”

Afinal, tudo aqui é hip hop. Por mais que transite entre a MPB e o samba de raiz, o rock e o sambão-jóia, Emicida carrega todos estes gêneros musicais para sua arena, o palco erguido com beats e cercado de palavras de ordem que, vez ou outra, sublinha com um holofote, no cenário cheio de frases, seu maior bordão: “A rua é nóis”. Pois ele traz cada um de nós para esta mesma rua chamada Brasil, nos puxando para a realidade pela orelha mas sem que isso tenha um tom de humilhação ou recalque. Ele quer que saibamos que estamos todos num mesmo barco em que o individualismo não faz o menor sentido. Um dos grandes shows do ano, de um artista em plena ascensão.

Abaixo, todos os vídeos que fiz, na ordem em que as músicas apareceram no show (e a foto que ilustra o post é do Ênio César e foi concedida pela equipe do Emicida):

 

Emicida 2013: “A vida é só um detalhe”

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Assisti ao último dos dois shows do lançamento do novo disco do Emicida no meio desta semana (os vídeos já estão lá na TV Trabalho Sujo) e depois comento com mais sobre aquela noite. Antes disso, queria frisar a importância de seu novo O Glorioso Retorno De Quem Nunca Esteve Aqui, seu principal registro em disco. Em vez de expandir os horizontes do hip hop para outros gêneros musicais, Leandro Roque de Oliveira faz o caminho inverso, e convida outros gêneros – principalmente o samba – a entrar na arena em que hoje domina, a do hip hop nacional. O velho gênero, representado em diferentes escalas por pelo Quinteto em Branco e Preto, por Wilson das Neves, Tulipa Ruiz, Fabiana Cozza e Juçara Marçal, é o principal alvo do MC, disposto a provar sua importância e a registrar sua reverência num misto de empáfia e humildade que o tornam um dos principais nomes da música brasileira no século 21. Mas talvez o momento mais desconcertante do disco é quando ele dispensa convidados mais célebres e chama a própria mãe, Dona Jacira, para cantar em um momento único em que o drama épico do melhor do rap brasileiro ganha contornos familiares, íntimos e dolorosos, numa música que já tem seu espaço no cânone da canção brasileira. “Crisântemo” é da mesma estatura de “Deus Lhe Pague” de Chico Buarque, “Sinal Fechado” de Paulinho da Viola e “Tô Ouvindo Alguém me Chamar”, dos Racionais MCs. Emicida está no topo e ele parece saber para onde vai.

Abaixo, o vídeo que fiz da música na apresentação do Sesc Pinheiros.

Emicida responde à polêmica sobre “Trepadeira”: “Mulheres devem ser livres!”

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E foi assim, citando várias músicas próprias, que Emicida respondeu à polêmica sobre sua música “Trepadeira” no primeiro dos dois shows de lançamento de seu novo disco, nesta terça-feira, no Sesc Pinheiros:

O BlueBus transcreveu o poema/discurso:

Mulheres devem ser livres, pra escolha feliz, a sós ou não, como cantei em “Ela disse”
Mulheres devem ser livres, aqui ou onde for, bem cuidadas, mas eu já disse isso em “Vou Buscar Minha Fulô”
Mulheres devem ser livres, pra ser feia ou ser bela, ser tudo, mas eu falei sobre isso em “Eu gosto dela”
Mulheres devem ser livres, sem esculacho, livre mermo, se quiser, até pra ser macho
Mulheres devem ser livres, de rocha, mãe, forte, daquelas que eu cantei em “Rotina”
Mulheres devem ser livres – pra ser puta, ser santa, das que atraem, das que traem, mas também das que cantam
Mulheres devem ser livres, pra dizer quanto custa, mandar, seja na presidência ou na Rua Augusta
Mulheres devem ser livres, das que inspiram o cântico, tipo as mulher preta, que eu lembrei em “Crisântemo”
Mulheres devem ser livres, pra ser mina, mana, e ser respeitada, pois antes de tudo é humana
Mulheres devem ser livres, soltas no mundo, jamais pra virar brinquedo de vagabundo
Mulheres devem ser livres, pra ser alma gêmea, candura, ou pra descer do salto, igual a Dona Jura
Mulheres devem ser livres, pra escolher, viu, es-co-lher, jamais pra encolher
Mulheres devem ser livres, pra ser fraca ou guerreira, pra ser o que quiser, INCLUSIVE trepadeira”

O vídeo acima é do Bracin. Abaixo, o mesmo discurso, seguido da música referida, com Wilson das Neves:

 

Liberdade Digital e Direito Autoral, hoje no Sesc Pinheiros


Falo daqui a pouco no Sesc Pinheiros, num debate sobre direito autoral e internet organizado pelo pessoal do Projeto Axial, que criou o software Bagagem, para facilitar a distribuição digital de novos artistas.

Dia 21 – 15 h – “Liberdade Digital e Direito Autoral” – Discussões sobre a cultura digital e eletrônica, o mercado musical e suas implicações em relação aos direitos autorais. Quais modelos de circulação de idéias e produtos serão aceitos nos próximos anos?

• Sergio Branco – integrante do Creative Commons Brasil, professor da FGV especialista em direito autoral.
• Mesac Silveira – É pesquisador do grupo CEPOP / ATOPOS – estudos sobre a cultura digital – da ECA USP e coordena o grupo de pesquisa Soundscape – arte, cultura e as novas tecnologias da comunicação (USP).
• Pedro Markun – (Casa da Cultura Digital)
• Alexandre Matias – (Caderno Link/O Estado de S. Paulo) jornalista e cobre música e tecnologia há mais de 15 anos.

Mediação: Fernão Ciampa e Felipe Julián

O evento é gratuito e as entradas estão sujeitas à lotação do auditório (101 lugares). É preciso retirar o ingresso para o debate com antecedência. O Sesc Pinheiros fica na Rua Paes Leme, 195, em, claro, Pinheiros.

Gente Bonita em dose dupla neste fim de semana!

E pra quem quer curtir as melhores músicas do mundo mashupadas com músicas fodonas pra dançar, tem overdose de Gente Bonita no sábado. Começamos tocando na Locomotiva Discos, loja da confraria indie dos irmãos Custódio no centro de São Paulo. Gilberto e Márcio nos chamaram para celebrar o Record Store Day, que é quando as lojas de disco do mundo inteiro se reúnem para celebrar a existência de ambientes de vendas de discos em tempos de download. Chegamos lá pelas 15h, mas não vai ser balada, como você pode supor… A balada mesmo acontece à meia-noite, quando a Gente Bonita se junta aos VJs do Embolex na entrada do Sesc Pinheiros, durante a Virada Cultural. Entre a meia-noite e às três da madruga, transformaremos a entrada do Sesc numa naite formidável. E é de graça. Nos vemos lá?