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Leonard Cohen: Dito e Lido – mais uma vez

O Trabalho Sujo completa 27 no próximo domingo, mas já antecipo aqui algumas atividades que estou fazendo para comemorar mais um aniversário. A primeira delas é a realização de mais uma edição do espetáculo Leonard Cohen: Dito e Lido que concebi e dirigi com a querida amiga Juliana Vettore e que desta vez acontece no Sesc Pinheiros. Mais uma vez reunimos Bárbara Eugênia, Jeanne Callegari, Jose Bárrickelo, Juliana R. e Michaela Schmaedel para celebrar a obra do mestre canadense, entre canções e poemas que passam por diferentes fases de sua carreira. O espetáculo acontece no dia 18 de novembro, na próxima sexta-feira, às 21h, e os ingressos já estão à venda no site do Sesc.

Erasmo rock

O show que Erasmo Carlos fez neste sábado no Sesc Pinheiros foi em cima de seu disco mais recente, O Futuro Pertence À… Jovem Guarda, em que recria hits do início de sua carreira ao lado de uma banda regida pelo tecladista José Lourenço e com Billy Brandão como guitarrista solo, Luiz Lopez na guitarra de apoio, o baixista Mario Vitor e o baterista Silvio Charles, todos dando uma roupagem mais clássica (citando Kinks aqui, Stones ali, Deep Purple acolá) a vários hinos da Jovem Guarda. E entre pérolas sessentistas como “Sentado à Beira do Caminho”, “Quero que Vá Tudo pro Inferno”, “É Proibido Fumar”, “A Carta”, “Devolva-Me”, “Esqueça”, “Gatinha Manhosa” e “Negro Gato”, o mestre ainda pinçou algumas de seu repertório posterior, como “Mulher”, “Mesmo Que Seja Eu”, “Sou Uma Criança, Não Entendo Nada”, “Minha Superstar” e uma das minhas favoritas de seu repertório, “É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo”. Showzaço.

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André Abujamra singrando pelo fogo

Depois de navegar os sete mares através do elemento água no espetáculo Omindá, em 2018, André Abujamra agora singra pelo fogo na segunda parte de sua tetralogia e apresentou, neste sábado, no Sesc Pinheiros, Emidoinã – Alma de Fogo. Em vez de um filme, a apresentação desta vez gira em torno de uma animação, feita por @lucianolagaresotd, que conta com a participação de nomes como Camila Pitanga, Marisa Brito, Fernanda Takai, Giuliana Maria, Julia Lemmertz, Virginie, Zelia Duncan, BNegão, Criolo, Chico César, Pedro Luís, Rodrigo Santoro e Russo Passapusso, entre muitos outros, além da banda que apresenta-se ao vivo formada por André, Claudio Tchernev, Sergio Soffiatti, Daniel Nakamura e Chicão Montorfano e cujo peso e presença fizeram valer o fato do disco ter sido indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock ou Música Alternativa em Língua Portuguesa.

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A vibe boa do disco novo do Tatá Aeroplano

Que vibe boa a do Tatá Aeroplano lançando seu ótimo Não Dá Pra Agarrar nesta quarta-feira no Sesc Pinheiros – e sempre bem acompanhado por sua trupe Bruno Buarque, Junior Boca, Dustan Gallas, Kika e Malu Maria. Astral demais!

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Deitada em berço esplêndido

Neste sábado, Letrux trouxe mais uma vez seu Aos Prantos para São Paulo, quando mostrou o segundo disco num show mais compacto e intenso no Sesc Pinheiros. Acompanhada de sua sempre precisa banda, ele desfilou hits de seus dois discos para uma plateia que só foi levantar das cadeiras do teatro quase no final do show e ainda tocou Fiona Apple e mandou um arranjo novo para uma música que nunca tinha sido gravada, “I’m Trying to Quit”. Fino e intenso, como a noite deste sábado – e como sempre.

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Um disco interrompido pela pandemia

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Em uma entrevista a convite do programa Radar Sonoro, do Sesc Pinheiros, pude conversar em vídeo com o vocalista do Mombojó, Felipe S., sobre como seu projeto mais recente, Deságua, foi impactado pela quarentena – e aproveitamos para falar como ele vem atravessando este período.

A intensa quarentena da música brasileira em 2020

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O Sesc Pinheiros está começando um projeto chamado Radar Sonoro, que irá registrar a movimentação da música brasileira durante a quarentena de 2020. O projeto trará textos e vídeos que dissecam como anda nossa produção nesta época tão estranha e para inaugurar a série, me chamaram para escrever um panorama de como foram estes primeiros quatro meses de clausura e como artistas de diferentes cidades e gêneros musicais estão conseguindo trabalhar neste período. Escrevi sobre esta intensa quarentena e pincei vinte artistas que lançaram seus trabalhos desde que entramos neste estado de suspensão. Confere lá no site do Sesc. E na sexta, às 11 da manhã, entrevisto o Felipe S., do Mombojó, sobre seu disco Deságua, cujos planos de lançamento tiveram que ser redesenhados por conta da pandemia.

Thiago Pethit encontra Patti Smith

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Da ponte erguida em Rock’n’Roll Sugar Darling, seu álbum mais recente, de três anos atrás, Thiago Pethit desceu em Patti Smith. A conexão entre música, teatro e poesia que sempre esteve presente em sua obra aos poucos despe-se das guitarras para abraçar as palavras e ao imaginar um espetáculo sobre uma de suas principais musas, ele cercou-se de mulheres para seguir com a provocação sobre gênero. Assim, a banda é formada por ele, Larissa Conforto (do Ventre, na bateria), Stéphanie Fernandes (no baixo), Monica Agena (do Moxina, na guitarra) e Rita Oliva (a Papisa, no teclado), além da presença da atriz Leandra Leal, que o ajuda a declamar os textos de Patti, puxando uma vibe “sarau beatnik”, como ele mesmo define. O show acontece no Sesc Pinheiros a partir das 21h (mais informações aqui) e Thiago o vê como a semente de um projeto maior, orbitando ao redor do magnetismo da poeta punk. Conversei com ele sobre este novo show, sua influência, o processo de realização e uma possível continuidade.

Como foi a sua primeira vez com a Patti Smith?
Foi média. Acho que não nos conquistamos de cara. A segunda sim é que foi boa.
Eu escutei Patti quando era adolescente, mas não bateu. Acho que não entendi. Eu era adolescente, né? Em termos de rock, tava mais interessado em ver o Mick Jagger rebolando ou a Debbie Harry fazendo passinhos de dança e a Patti parecia estranha e profunda demais, então ela ficou no ali no canto.
Mas em 2010, nos reencontramos quando li Só Garotos. E aí sim um mar de ideias, sensibilidades, poesias, e identificações foram possíveis. Foi só então que eu voltei aos discos e saquei o que era aquilo.

E quem teve a idéia de fazer um show em homenagem a ela?
Meu namorado. Ele sabe o quanto eu sou apegado ao trabalho da Patti e o quanto ela vem influenciando meu trabalho, não diretamente musical, mas de forma conceitual. Um dia ele falou “quando é que você vai fazer um show sobre isso?” e me deu esse click: é agora!
Desde Estrela Decadente eu venho estudando ensaios e poemas e peças de teatro que ela escreveu e baseando alguns conceitos, ou personagens no meu trabalho. O próprio Joe Dallesandro, que aparece na introdução do meu disco RnR Sugar Darling, me foi ‘apresentado’ pelo Só garotos. Segundo o livro, ele era um “role model” para o Robert Mapplethorpe. De certa forma era tudo que ele queria ser e representar para entrar no mundo do Warhol, então ele seguia todos os passos do Joe. Frequentava os mesmos lugares, faziam michê juntos pelas ruas de NY… Os anjos sujos e com bocas de cowboy que o Joe cita na abertura do meu disco, são eles. E foram ideias que surgiram da peça Cowboy Mouth da Patti com o Sam Shepard.
Mas em termos musicais, eu talvez intuísse que ainda não estava pronto para acessar a Patti. Na verdade, eu ainda sinto que gostaria de fazer mais intervenções sobre o show, gostaria de estar ainda mais pronto como artista, mais completo, para realmente acessar algo que eu ambiciono sobre isso. Pelo menos agora, sinto que me aprofundei suficientemente para poder homenageá-la. Quem sabe mais pra frente eu não vá aos poucos desenvolvendo essas outras ideias.

Você viu ela ao vivo fazendo o Horses em 2015?
Infelizmente não. Mas eu vi um show pequeno, para umas 100 pessoas, em comemoração ao aniversário do Lenny Kaye – o eterno guitarrista de Patti – de 70 anos, um dia antes dela completar 70 também. E foi maravilhoso, ela fez uma participação cantando umas sete músicas com ele e banda. Contou histórias, recitou poesias, e nossa… que poder ela tem com as palavras. Saí do bar como se tivesse levado uma descarga elétrica. Enfiei os dedos na tomada.
É algo impressionante e que não se entende apenas escutando os discos. Por isso também senti a necessidade de ter uma atriz no show, que pudesse trazer essa compreensão da PALAVRA para o palco.

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4) O show é só o Horses? Fala sobre o conceito do show.
Não é só Horses. Tem outras fases. O Horses é o meu preferido e é a maior parte do show, mas eu fui selecionando as músicas – e os trechos poético-literarios – por afeto mesmo. Perguntei para algumas amigas próximas, que também veneram a Patti como eu, pedi sugestões. Peguei tudo o que eu mais gosto de todos as fases, e apenas uma música que eu odeio. Sempre faço isso em shows de versões. Acho que o maior desafio para entender um artista é quando cê tem que se colocar fazendo aquela música que você não gosta mesmo. Então, essa também está e eu jamais direi qual é.
No princípio era só um show de música. Mas a imagem dela ao vivo, a impressão que tive sobre a força das palavras, aliado ao fato de que ela me conquistou pela literatura, acabaram abrindo esse desejo de trazer isso junto ao espetáculo. E esse foi um dos motivos pelos quais eu não quis fazer o Horses inteiro. Porque eu compreendi que existe uma força ali, que é da poesia. São as palavras e os sentidos, a poesia. O rock’n’roll é a arma de comunicação, mas são as palavras que importam. Quando você estuda os arranjos, isso fica nítido. Eles não existem, eles certamente foram gravados em forma de jam session onde a banda acompanhava o sentido das palavras e frases em músicas de três acordes. E para fazer isso, com a mesma ambição eu precisaria ‘versionar’ para o português grande parte das músicas-poesias. E é algo diferente das músicas de poetas compositores como Cohen, ou Chico Buarque. O Horses é um disco de poesia falada. Quase que acidentalmente musical.
Essa é a tal da ambição que falei antes. Virou um pequeno desejo pretensioso guardado aqui para o futuro: chamar pessoas que eu considero gênias das palavras, gente como o Zé Miguel Wisnik, que tem um poder de uso das palavras e seus sentidos, e/ou Helio Flanders, meu pequeno poeta parceiro da minha geração, sentarmos juntos e fazer esse projeto em português. Quem sabe.
Eu até arrisquei sozinho a tradução de alguns poemas que nunca tiveram publicação no Brasil. E alguns trechos estarão no show. Mas mais como forma de trazer ao público alguma dimensão dos significados. Não estou pronto para assumir isso como ‘nossa, fiz uma versão’.

Como a Leandra entrou nessa história?
Leandra, Leandra! Bom, no processo de ensaios eu entendi que alcançar o que eu queria era algo mais ambicioso do que eu havia planejado. As músicas em si já exigem bastante preparação, não em termos de canto e técnica, mas de compreensão. A mente da Patti é complexa e cheia de sobreposições de ideias. São alusões infinitas a Rimbaud e Verlaine e Jimi Hendrix, de Jean Genet aos faroestes americanos e a Bíblia. Impossível cantar essas músicas sem mergulhar o mínimo que seja nesses “autores”. Fazer isso e ainda achar um espaço adequado paras leituras, seria demais. Por isso senti a necessidade de uma atriz.
Mas isso também representava outra dificuldade. Porque eu não queria uma encenação, tipo, a atriz interpreta a Patti Smith. Não é isso que acontece. As leituras são muito mais no sentido de um sarau beatnik do que de uma encenação teatral. E para isso, eu precisaria de alguém que fosse razoavelmente conhecida do público e fosse também conhecida por ter um trabalho e uma persona pública tão legitima, fiel a certos valores artísticos e enfim…. Como eu disse esses dias, eu precisava de uma atriz que tivesse poesia em si, como a pensa e enxerga a Patti e como eu sempre vi a Leandra. É uma mega honra ter a participação dela. Até porque atrizes assim, jovens, conhecidas do público e cheias de poesia, parecem ser uma espécie raríssima hoje em dia.

O show vira uma turnê?
Adoraria que virasse uma turnê. Adoraria que virasse um grande projeto ambiciosamente artístico como o que descrevi. Quem sabe? São possibilidades. Estou crescendo aos poucos com isso, uma hora ficará maduro o suficiente. The infinte Land is surrounded by a sea of possibilities.

Todo o Manual

boogarins2017

Os Boogarins voltam a São Paulo para encerrar o ciclo de seu segundo disco, Manual ou Guia Livre de Dissolução dos Sonhos, de 2015, tocando-o na íntegra e na ordem na próxima sexta-feira, no Sesc Pinheiros. O show acontece antes do lançamento do EP ao vivo Desvio Onírico, que lançam no mês que vem, reunindo versões de dez minutos para quatro faixas tocadas em diferentes cidades do mundo, durante o intenso 2016 da banda. A apresentação também terá projeções personalizadas para cada canção, num transformando o show num espetáculo único. Mais informações no site do Sesc.

Verocai + Criolo + Mano Brown

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O mestre Arthur Verocai, um dos maiores arranjadores de nossa música, está lançando um dos raros discos com seu próprio nome, que segue a linha do único – e cultuado – álbum de 1972. No Voo do Urubu reúne nomes como Seu Jorge, Danilo Caymmi, Vinícius Cantuária, Mano Brown e Criolo e os dois últimos puderam comparecer nos shows de lançamento que o maestro fez neste fim de semana, no Sesc Pinheiros, em São Paulo, ao lado de uma pequena orquestra de cordas e sopros. Filmei o momento em que Brown e Criolo dividiram o palco com o mestre.

No Voo do Urubu é um dos grandes discos de 2016.