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Do que são feitos os clássicos

É muita tiração de onda. O MPB4, que completa 60 anos de atividade neste 2024, é um dos conjuntos musicais mais longevos do mundo, ao lado de raros nomes os Demônios da Garoa, os Rolling Stones e o The Who, e nestas seis décadas pode acompanhar de perto a evolução da música brasileira, muitas vezes como coadjuvantes, outras como protagonistas. E o espetáculo com mais de duas horas que apresentaram neste sábado no Sesc Pinheiros é tanto uma aula de história da MPB como uma viagem emocionada por canções que seus quatro integrantes ajudaram a colocar em nosso panteão musical. E bastou a breve apresentação que os quatro fizeram antes do show propriamente dito para mostrar a importância do grupo, quando subiram ao palco os fundadores Miltinho (81 anos, tocando violão e cantando como poucos) e Aquiles (76 anos) e os ex-Céu da Boca Dalmo Medeiros (73 anos, há vinte anos no grupo, após a saída de Ruy Faria) e Paulo Malaguti Pauleira (o caçula com 65 anos, há dez anos no grupo no lugar da voz e do piano de Magro, que morreu em 2012) para contar brevemente sua história enquanto cantarolavam “Mascarada” de Zé Kéti. Dali em diante descortinaram um show maravilhoso, com músicas de Milton Nascimento (“Notícias Do Brasil (Os Pássaros Trazem)” e “Travessia”), Tom Jobim (“Falando de Amor”), Sidney Miller (“Pois É, Pra Quê?”), Dori Caymmi (“Porto” e “O Cantador”), João Bosco (“A Nível De…”), Ivan Lins (“Velas Içadas”), Aldir Blanc (“Amigo É Pra Essas Coisas”), Paulo César Pinheiro (“Milagres” e “Cicatrizes”), Kleiton e Kleidir (“Paz e Amor” e “Vira Virou”), Guinga (“Catavento e Girassol”) e obviamente Chico Buarque. Deste visitaram hinos da resistência musical brasileira com arranjos vocais originais, como “Angélica”, “Cálice”, “Gota D’Água”, “Apesar de Você” e “Que Tal um Samba?”. Sempre brincando entre si, contando causos e comemorando a vitória do Botafogo, os quatro foram acompanhados dos próprios herdeiros, com uma banda formada por Pedro Lins (filho de Aquiles) na guitarra, João Faria (filho de Ruy Faria) no baixo e Marquinhos Feijão (filho de Miltinho) na bateria. Ainda chamaram a cantora mineira Priscilla Frade para participar do show (que cantou duas músicas próprias e voltou no número final), visitaram “O Pato” da Arca de Noé de Vinícius e Toquinho (com direito a Miltinho imitando o Pato Donald cantando “Ninguém Me Ama”, eternizada por Nora Ney) e a eterna “A Lua”, antes de encerrar o show com a épica “Roda Viva”, passando por “O Bêbado e o Equilibrista” e encerrando o show com dois clássicos de Chico: a maravilhosa “Fantasia” (“Canta, canta uma esperança, canta, canta uma alegria, canta mais, revirando a noite, revelando o dia. noite e dia, noite e dia”) e o hino “Quem Te Viu, Quem Te Vê”, numa noite em que mostraram do que são feitos os clássicos – no caso, o próprio grupo.

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Expandindo a pal(h)eta

Ao lançar um dos melhores discos de 2024 num espaço pequeno como o Auditório do Sesc Pinheiros, nesta quarta-feira, Thiago França sublinhou que seu novo disco (trinta e quantos?) é reservado para audições menores e mais intimistas, mas sem isso se confunda com mais leve ou mais delicado. Logicamente que há momentos de sutileza e sentimento, mas o forte da apresentação tinha peso, força e intensidade, especificamente por Thiago ter escolhido o formato de trio de jazz para conduzir o repertório da vez. E ao lado dos velhos comparsas Welington “Pimpa” Moreira e Marcelo Cabral, ele aproveitou para explorar todos o espectro possível daquela formação em cima dos temas registrados no novo disco. Uns deles (como “Luango” ou a faixa-título do disco, “Canhoto de Pé”) são velhos conhecidos de quem acompanha o trabalho do saxofonista e pontos de partidas para verdadeiras tours-de-force instrumentais, seja coletivamente ou em hipnóticos momentos solo. Mas no terço final do show, Thiago expandiu ainda mais sua paleta sonora, ao começar pelo “Bolero do Desterro”, faixa do segundo disco de seu projeto Sambanzo, que transformou-se num momento solo em que Pimpa e Cabral o deixaram só no palco, quando mostrou o motocontínuo de sua respiração circular, antes de receber Juçara Marçal para a versão dilaceradora que os dois registraram no novo disco de Thiago, quando visitaram, sax e voz, a preciosa “Dor Elegante”, de Itamar Assumpção. Aproveitando a presença de Juçara, encerrou o show com uma mistura (ou “um remix analógico e orgânico”, como ele mesmo brincou) de “Fear of the Bate Bola” do disco da vez com “Bará” que Juçara compôs quando o grupo Metá Metá foi convidado para fazer a trilha sonora de um espetáculo do grupo Corpo. O público pediu bis e Thiago encerrou a noite com a imortal “Cabecinha no Ombro”, de Paulo Borges, tocando sozinho e pedindo pro público cantar o eterno acalanto junto com seu sax. Que noite!

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Prestes a ligar outro disco…

Marcelo Cabral desligou seu primeiro disco solo, Motor, nesta quarta-feira, no Auditório do Sesc Pinheiros, quando reuniu-se com Maria Beraldo e Guilherme Held para revisitar mais uma vez seu disco de 2018 pela última vez ao mesmo tempo em que começa a mostrar seu próximo trabalho, ainda sem título definido, mas já em fase de finalização. Entre as canções sóbrias e melancólicas deste seu disco de estreia, Marcelo, tocando guitarra e não seu instrumento de origem, o contrabaixo, entrelaçou o clarone e o sax de Beraldo à guitarra de Held criando uma atmosfera ao mesmo tempo ambient e noise, com o auxílio de seu vocal conciso, pedais, microfonia e do técnico de som, Bernardo Pacheco. E entre as músicas do disco novo, que está sendo gravado com o baterista Biel Basile, d’O Terno, mostrou composições feitas com Rodrigo Campos e Rômulo Froes, além de uma canção composta com um novo parceiro, quando entregou “Tarde Azul” para ganhar letra de Fernando Catatau. Foi bem bonito.

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Mais fundo no Big Buraco

Jadsa subiu no palco do auditório do Sesc Pinheiros nesta quarta-feira com uma banda enxuta e já dando os passos decisivos para o que deverá ser seu segundo disco, Big Buraco. Ela começou a experimentar este conceito numa temporada que fizemos ano passado no Centro da Terra, quando chamou, como ela mesma lembrou, Fernando Catatau, Alessandra Leão, Juçara Marçal, Marina Melo, Josyara, Marcelle, Kiko Dinucci e Giovani Cidreira em diferentes noites para começar a desbravar o conceito sobre um buraco enorme que carregamos e que precisamos preencher durante nossas vidas. Desde então vem experimentando novas formações e desbravando ainda mais esse abismo espiritual interior enquanto vem gravando estas experiências no que deverá ser este disco, desta vez com a produção do maestro carioca Antonio Neves – e o motivo desta apresentação no meio da semana foi celebrar o encontro dos dois no mesmo palco em que o próprio Neves fez seu primeiro show, ainda com 14 anos de idade. Ao lado dos dois, outra dupla singular, uma cozinha precisa reunida como braços direitos de cada um, do lado de Jadsa o percussionista e manipulador de efeitos Felipe Galli e do lado de Antonio o monstruoso baixista Paulo Emmery. Mas as separações se desfazem logo na primeira música e aos poucos os quatro se amalgamam em uma só entidade, que vai para um universo diferente do disco de estreia da baiana, Olho de Vidro. Neves não tocou no seu instrumento principal, o trombone, dividindo-se entre a guitarra, a bateria e o trompete, deixando Jadsa brilhar com sua voz e guitarra em momentos que iam do reggae à MPB, do jazz à psicodelia. A apresentação culminou na única faixa não-inédita da noite, “Um Choro”, que Jad compôs para o EP que Juçara Marçal lançou como continuação de seu soberbo Delta Estácio Blues.

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Palavras num recital

Coisa séria a apresentação que reuniu Arnaldo Antunes e Vítor Araújo neste fim de semana no Sesc Pinheiros. Comemorando o lançamento da edição ao vivo do tocante Lágrimas no Mar, a dupla voltou a se encontrar num dos primeiros palcos que viu este espetáculo, trazendo algumas novidades. O fato de contar com apenas um músico e instrumentista no palco – e deste ser o prodígio erudito pernambucano – e dos dois estarem trajando ternos e gravatas pretos aumenta a tensão de recital da apresentação, fazendo o público ficar mudo e maravilhado por quase uma hora e meia, quebrando o silêncio apenas com as palmas entre as canções. O espetáculo reúne faixas de diferentes fases da carreira de Arnaldo, que ficaram conhecidas tanto em sua voz (seja na carreira solo – “Contato Imediato”, “Se Tudo Pode Acontecer”, “No Fundo” e “Alta Noite” – quanto com os Titãs – “O Pulso” e “Saia de Mim”) quanto na de outros intérpretes, como Erasmo Carlos (“Manhãs de Love”), Marisa Monte e Carminho (“Vllarejos”), Cássia Eller (“Socorro”) e Maria Bethânia (“Lua Vermelha”, parceria com Carlinhos Brown), com maior ênfase nas recentes “O Real Resiste”, “Na Barriga do Vento” e “João” e, claro, nas canções pinçadas para o registro em disco, como “Longe” (composta com Betão Aguiar e Jeneci), “Umbigo”, “A Não Ser”, “Enquanto Passa Outro” e a faixa-título, além de versões para “Fim de Festa” (de Itamar Assumpção e Naná Vasconcelos) e “Como Dois e Dois” (de Caetano Veloso, interpretada ao lado da diretora de arte do show, Márcia Xavier, que também assina as belas projeções da noite). Claro que o texto das canções ajudava a desanuviar o rigor que o ar de recital dava à noite, ainda mais pontuada pelos poemas curtos e diretos de Arnaldo (“A Boca Oca”, “Um Deus”, “O Corpo”, “Saga”, “O Mar”, “O Buraco do Espelho” e “Bacanas”) que interligavam as canções, mas a entrega de Vítor ao piano, que enfatiza o aspecto percussivo do instrumento ao mesmo tempo em que toca suas cordas por dentro ou grava loops para criar camadas de si mesmo sobre as canções (além de tocar a versão bachiana para “O Trenzinho Caipira”, de Villa Lobos, e a luz densa e implacável de Anna Turra, mantém o clima austero e sisudo na noite, mas sem nunca perder o calor.

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Corações ao alto

Ao começar a apresentação com “Fim de Festa”, do clássico disco que reuniu Itamar Assumpção e Naná Vasconcellos, a banda convocada por Fernando Catatau para celebrar o cancioneiro romântico brasileiro no espetáculo Pra Falar de Amor, que aconteceu no Sesc Pinheiros neste sábado, mostrou que não estava pra brincadeira. Um time de músicos, autores e intérpretes que pertence à nata da música popular contemporânea escancarou o teste de DNA que prova que sua musicalidade descende deste cânone que une uma parte importante da produção cultural brasileira do último século mas que não é visto como tal. A gênese desta celebração começou ainda no ano passado, quando Fernando fez algumas apresentações intimistas levantando este repertório que atravessa a própria genealogia de suas canções. E foi esperto ao manter esse clima mínimo mesmo com uma banda grande num palco tão amplo como a sala Paulo Autran. O minimalismo dos arranjos e das vozes contrastava com os sentimentos rasgados nas interpretações originais e com o visual da apresentação, em que as luzes de Cris Souto (que pareciam vir de Oz) equilibrava-se perfeitamente com as cores fortes do figurino de cada um e as imagens épicas projetadas por Isadora Stevani, que também assinava a direção de arte da noite. No palco, Catatau puxava um grupo que trazia Ava Rocha, Curumin (entre a bateria e o violão), Jasper, Bruno Berle, Paola Lappicy, Clayton Martin e Beatriz Lima que deslizaram por canções que rasgavam o corpo por dentro fazendo verter lágrimas, seja de paixão ou de fossa, sempre afundando aquele aço frio no peito dos ouvintes enquanto cutucava nosso subconsciente com músicas de Raul Seixas (“A Maçã”) Roupa Nova (“Bem Maior”), Roberto Carlos (“Amor Perfeito”), Jards Macalé (“Sem Essa”), Joanna (“Tô Fazendo Falta”), Djavan (“Um Amor Puro”), Lulu Santos (“Certas Coisas”), Eliane (“Amor ou Paixão”) e Alcione (“Você Me Vira A Cabeça”), colocando cada um dos integrantes no centro emotivo daquelas canções, além de passear pelo próprio repertório, sempre com outro intérprete cantando suas músicas, como “Quero Dizer”, “Solidão Gasolina”, “Transeunte Coração” e “Completamente Apaixonado”. A noite terminou num momento épico revisitando o momento mais romântico do repertório de Catatau, quando todos revisitaram a clássica “O Tempo” do Cidadão Instigado antes de encerrar a noite com “Hackearam-me”, do baiano Tierry, eternizada por Marília Mendonça. Foi de chorar – e tem que ter mais!

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7 Estrelas transcendental

Foi como se fosse outro show. Luiza Lian apresentou seu 7 Estrelas | Quem Arrancou o Céu? nessa sexta-feira no Sesc Pinheiros e hipnotizou o público com uma versão formal da apresentação que fez no Sesc Pompeia, quando lançou o disco no ano passado na casa com duas plateias desenhada por Lina Bo Bardi. No palco italiano do Sesc Pinheiros, sua produção deixou o espetáculo mais enxuto e direto, aumentando ainda mais a profundidade da noite, que também teve mudanças consideráveis de roteiro e no arranjo das canções – como a maravilhosa versão ambient para a excelente “Viajante” ou deixar “Homenagem” para a segunda metade da noite. Além do disco do ano passado, Luiza ainda mostrou músicas dos discos Oyá Tempo e Azul Moderno com novas roupagens, sempre acompanhada de seu produtor Charles Tixier, encapuçado em seu set que misturava bateria e apetrechos eletrônicos. Toda a produção é minimalista: além de Luiza e Charlie, só o “minicorpo de baile” (como a própria vocalista as apresentou) formado pelas dançarinas Bruna Maria e Ana Noronha tomava conta do palco, agigantado pelas luzes de Amanda Amaral, o laser de Diogo Terra, as projeções de Bianca Turner e, claro, a voz e o carisma da estrela da noite, visivelmente emocionada. Foi mágico.

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Geraldo Azevedo implacável

Geraldo Azevedo chegou implacável e não quis saber de conversa quando apresentou-se neste domingo no teatro do Sesc Pinheiros emendando, praticamente sem cumprimentar o público, uma sequência de hits inacreditável: “Tanto Querer”, “Canta Coração”, “Príncipe Brilhante”, “Inclinações Musicais”, “O Paraíso Agora”. “O Principio do Prazer”, “Felicidade”, “A Saudade Me Traz”, “Quando Fevereiro Chegar”, “Você se Lembra”, “Bicho de Sete Cabeças” e “Dona da Minha Cabeça” – e pode ficar tranquilo que se você não reconheceu alguma delas a conhece mesmo assim e só não reconheceu o título. E quando o show, que o capricorniano de Petrolina fez sozinho com seu violão elétrico, foi chegando perto de uma hora de duração a audiência já estava completamente entregue ao seu carisma e talento. E além de seu repertório clássico – que ainda teve, claro, “Dia Branco”, “Tudo É Deus”, “Moça Bonita” e, inevitavelmente, “Táxi Lunar”, que fechou a noite -, o velho ourives da canção ainda saudou seus pares ao pinçar pérolas compostas por Chico César (“Pensar em você” e “Deus Me Proteja”), com quem acabou de fechar uma longa turnê em dupla, Jorge de Altinho (“Petrolina e Juazeiro”), Marcelo Jeneci (na já citada “Felicidade”), Zé Ramalho (“Frevo Mulher”), Luiz Gonzaga (“Sabiá”) e Accioly Neto, representado por sua grande canção, a maravilhosa “Espumas ao Vento”. Foi bonito demais.

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Pop brasileiro ímpar

Ao completar três décadas em atividade, o Pato Fu talvez seja o exemplo mais improvável do que é o pop brasileiro. Sem ancorar-se em cânones já estabelecidos, o grupo mineiro traça sua própria linhagem ao enfileirar canções que fogem daquilo que se espera quando falamos do mercado de música para as massas no país ao mesmo tempo em que cria uma sonoridade única, que bebe de diferentes fontes musicais sem parecer derivado deste ou daquele gênero musical ou linha genealógica. Em mais uma bateria de shows celebrando seus três fins de semana abrindo a programação musical do ano do Sesc Pinheiros, o grupo formado por Fernanda Takai, John Ulhoa e Ricardo Koctus lotou três datas no teatro Paulo Autran e enfileirou quase duas horas de hits que, em sua maioria, são tão reconhecíveis e radiofônicos (seja lá o que isso queira dizer hoje em dia) quanto experimentais e ímpares. Amparados pelo baterista Alexandre Tamietti e pelo tecladista Richard Neves, o trio recapitulou o próprio cancioneiro lembrando também de sua história audiovisual, usando um telão para lembrar dos clipes que filmaram em sua trajetória, sincronizando a imagem dos vídeos às canções que estavam sendo tocadas na hora, ao mesmo tempo em que no palco estão em ponto de bala, afiadíssimos tanto no ponto de vista instrumental quanto nas piadas infames trocadas entre os três, exercitando dois pontos específicos da cultura belorizontina (a excelência instrumental e o humor que se finge de bobo). O show foi maravilhoso e desfilou hits inevitáveis (“Sobre o Tempo”, “´Água”, “Antes que Seja Tarde”, “Depois”, “Menti Pra Você”, “Canção Para Você Viver Mais”, “Made in Japan”), versões de sucessos alheios (“Ando Meio Desligado”, “Eu Sei” e “Eu” – esta última com a participação surpresa de BNegão, que saiu da plateia direto para o palco -, canções solitárias na primeira pessoa feitas por artistas tão ímpares quanto o próprio Pato Fu) e clássicos que há tempos o grupo não visitava ao vivo (“Spoc”, “Vida Imbecil”, “Capetão 66.6 FM”, “O Processo de Criação Vai de 10 a 100 Mil”), incluindo uma inacreditável versão ao vivo para a faixa-título do primeiro disco do grupo, Rotomusic de Liquidificapum, que usaram para encerrar a apresentação, exibindo no telão a foto que era a capa da primeira fita demo do grupo (a infame Pato Fu Demo, que guardo até hoje). Um excelente show para começar os trabalhos de 2024. Vida longa ao Pato Fu!

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Mudança de comportamento

Mais uma vez Rodrigo Faour deu uma aula e deu um show em sua participação no curso História Crítica da Música Brasileira neste sábado, no Sesc Pinheiros. Falou sobre as transformações no comportamento brasileiro que pautaram as mudanças em nossa música, citando danças lascivas e impróprias nos séculos 18 e 19, músicas de duplo sentido, a tendência do cancioneiro brasileiro à tragédia e à tristeza, a era de ouro da música brasileira nos anos 30, como a bossa nova tirou o ar rococó de nossas letras, a importância de Maysa e Dolores Duran como compositoras e como gays e lésbicas só começaram a ser mencionados, referidos e assumidos a partir dos anos 70, mostrando trechos de entrevistas com nomes tão diferentes quanto Manhoso, Maria Alcina e Edy Star que fez para seu canal no YouTube, além de reforçar a centralidade de Ney Matogrosso como o nome mais revolucionário de nossa música nesse aspecto. E terminou a aula prestando homenagens ao próprio Ney e à Ângela Ro Rô em performances singulares. No próximo sábado encerro mais uma edição deste curso.