Na última edição do festival Coachella, nossa querida Lana Del Rey saiu maravilhada do evento apenas para descobrir que o clima entre presidente norte-americano Donald Trump e o líder norte-coreano Kim Jong-il estava ficando pesado a ponto de ambos estarem com um dedo sobre o botão que dispararia mísseis nucleares entre os dois países. Ela admitiu em seguida, num post no Instagram, ter “sentimentos complexos” entre estar feliz num festival de música mesmo que à sombra de uma chuva nuclear em seu país – e mostrou um trecho da música que escreveu ao sair do festival:
E agora ela oficializa a canção – batizada de “Coachella – Woodstock In My Mind” -, lançando-a antes de seu novo disco.
Mas não sabemos ainda se a música faz parte ou não de Lust for Life.
Mais um teaser da volta do clássico seriado de David Lynch revisita endereços conhecidos mais de um quarto de século depois – veja lá no meu blog no UOL.
Estamos a menos de vinte dias da volta ao universo estranho e vulgar criado por David Lynch ao redor da pequena cidade fictícia de Twin Peaks, no noroeste dos Estados Unidos. O diretor volta à série, que deu início à era de ouro da televisão que ainda vivemos hoje, em uma improvável mas esperada terceira temporada, que além de trazer todo o elenco original ainda reúne nomes de peso para esta nova safra. Sua estreia acontece no dia 21 de maio, no canal norte-americano Showtime, que lançou mais um teaser da nova temporada. Depois de nos fazer reencontrar com a trilha de Angelo Badalamenti e com o próprio Agente Cooper, é a vez de voltarmos à própria cidade que batiza o seriado, nos reencontrando com a delegacia, a casa de Laura Palmer, suas florestas fantasmagóricas, o restaurante Double R e até o estacionamento de trailers Fat Trout.
Parecem cenas de época, mas se você reparar nos carros estacionados em frente ao restaurante perceberá que, realmente, mais de um quarto de século se passou e a cidade parece ter continuado a mesma.
O primeiro episódio da série inspirada no primeiro romance de Neil Gaiman fez valer a espera – escrevi sobre ele no meu blog no UOL.
Se havia motivos para desconfiar da adaptação do primeiro romance de Neil Gaiman, American Gods, para o formato seriado, estes desaparecem em seu primeiro episódio, que estreou no domingo nos Estados Unidos e pode ser visto desde ontem no mundo inteiro pelo serviço Prime de vídeos da loja Amazon. O episódio piloto do seriado não aprofunda-se em nenhuma história, funciona apenas para sintonizar os novos espectadores em um novo universo bem como prestar satisfação ao séquito de fãs do autor, uma religião que começou quando ele escrevia sua minissérie em quadrinhos Sandman e que amadureceu com sua passagem para o mundo dos livros. Abaixo comento sobre seu primeiro episódio sem dar maiores spoilers sobre o seriado.
American Gods fala sobre como os deuses do passado se perderam com a mudança dos povos da Europa para os Estados Unidos e como o nascimento de um novo país viu surgir deuses característicos de lá. Mas o embate entre o velho e o novo, mola-mestra para os acontecimentos do livro, ainda não é aprofundado neste episódio de abertura, apenas sugerido – e só perto da cena final. Antes disso, somos apresentados aos seus dois principais personagens, além de conhecermos três divindades distintas, em situações diferentes.
Não sem antes começar no passado. American Gods acena para os fãs de Game of Thrones logo em sua primeira cena, resgatando a chegada dos vikings à América pré-colombiana numa sequência de imagens que mostra que a série não está para brincadeira. O tom pesado e cru da primeira história contada no episódio pode nos ter apresentado discretamente um de seus principais personagens, mas funciona mais como termômetro lógico e cênico do que como introdução à história em si.
Esta começa com a libertação do personagem Shadow Moon (um ótimo e quieto, como deve ser, Ricky Whittle), que é solto da cadeia apenas para descobrir uma dura surpresa do destino. Em seu desdobramento, ele é acompanhado de perto de um intrigante Wednesday, um personagem que parece ter sido escrito para seu intérprete, o excelente Ian McShane. Os dois formam uma dupla perfeita no momento em que se encontram e é nesse vínculo que reside toda a força da narrativa do livro. Se o embate mitológico que é apenas mencionado no primeiro episódio é o motivo da história existir, o elo formado entre os personagens de Whittle e McShane é o motivo de continuarmos a acompanhando e o grau de empatia da dupla está à altura daquele imaginado por Gaiman (que, por sua vez, é consultor e produtor executivo do seriado).
Além da dupla, também conhecemos outros três deuses: o fanfarrão Mad Sweeney vivido por Pablo Schreiber em uma briga em um bar que parece ter saído de um filme de David Lynch (Coração Selvagem, especificamente); o pentelho Technical Boy vivido por Bruce Langley (e seus capangas saídos do Laranja Mecânica) e a intensa Bilquis vivida por Yetide Badaki, protagonista da principal cena do primeiro episódio, uma das cenas mais antológicas do livro. Os três seguram bem seus personagens e, assim, o seriado explora diferentes fronteiras em um mesmo episódio.
E é tudo muito pesado – e quente. Sexo e violência coexistem como é a tendência em alguns dos principais seriados atualmente, mas ambos são abordados por vias pouco ortodoxas. E é exatamente essa abordagem incomum – compare os três banhos de sangue do episódio e perceba como eles são distintos – que torna o piloto tão instigante. Agora é hora de começar a contar a história.
Os Simpsons fizeram uma retrospectiva dos 100 primeiros dias da presidência de Donald Trump e o resultado é triste:
E, como eles mesmos lembra, ainda faltam mais de 90% do mandato. Ah se fizessem um desses por aqui…
A Fox ainda acredita em Arquivo X, tanto que renovou com o criador e os protagonistas do clássico seriado por mais uma temporada – falei sobre isso no meu blog no UOL.
Agoniza, mas não morre. A emissora norte-americana Fox acaba de encomendar mais uma batelada de dez episódios de Arquivo X, a extensa saga sobre investigadores do FBI que lidam com casos sobrenaturais, segundo a revista Variety. Criada por Chris Carter nos anos 90, Arquivo X tornou-se uma das principais referências para o formato televisivo que levou à atual era de ouro da TV, em que seriados são tão importantes (em alguns casos, bem mais importantes) do que filmes de Hollywood. O casal protagonista Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson) são ícones da cultura pop da virada do século, bem como sua obsessão por conspirações governamentais e alienígenas.
A próxima safra de episódios começa a ser filmada ainda este ano e deve estrear na temporada de séries do final de 2017, continuando no início de 2018. O problema é que a safra de episódios exibida em 2016, que ressuscitou o Arquivo X depois de mais de uma década esquecido, não só não chegou aos pés da expectativa, como trouxe alguns dos piores episódios da história do seriado, além de terminar com um final que aparentemente é um beco sem saída para a essência do seriado. Mas mesmo com uma história fraca, a temporada teve bons números de audiência, o que fez a emissora insistir no revival.
Abaixo, a imagem de divulgação da nova ressurreição de Mulder e Scully.
Os Sambas do Absurdo que Rodrigo Campos compôs com Nuno Ramos a partir de um livro de Albert Camus tiveram uma má estreia. Abrindo para o grupo inglês Cymande na edição mais recente do Nublu Jazz Festival, o projeto introspectivo e de temática pesada que o sambista fez ao lado dos compadres Juçara Marçal e Gui Amabis encontrou um público esperando festa e o choque entre artista e plateia fez o show soar desencontrado – mais culpa da programação do evento do que do público ou dos artistas. Não fossem os três nomes reconhecidos da atual cena paulistana, talvez não se apresentassem pra ninguém. Ironicamente, o deslocamento do show parecia ter saído das faixas do próprio projeto, que será lançado nesta sexta-feira e cuja capa, feita pelo próprio Nuno Ramos, é antecipada em primeira mão para o Trabalho Sujo.
O disco homônimo será lançado nas plataformas digitais nesta sexta-feira, quando também será disponibilizado para download no site do projeto e deve ganhar versão em vinil em breve pelo selo Goma Gringa. Abaixo, dois dos “Absurdos” (as faixas chamam-se apenas “Absurdo” seguido de um número) tocados pelo trio:
E o projeto será lançado oficialmente ao vivo no dia 10 de maio, na nova Casa de Francisca (mais informações aqui), um lugar bem mais propício para a atenção que o trio merece.
Os Smiths sempre se posicionaram politicamente contra sistemas políticos autoritários, principalmente por conta da presença incisiva de Morrissey, seu líder e vocalista. E mesmo fora de atividade, o grupo não deixou de se pronunciar em relação à controversa presidência de Donald Trump, ao cravarem a frase “Trump matará a América” em uma edição limitada para o single com uma versão crua para “The Boy with the Thorn in His Side“, lançado no Record Store Day passado.

Foto: Yukiko Nakagawa
E como o fã Øystein D Johansen notou no Twitter, o responsável pela arte do single é chamado apenas de Esteban nos créditos – a versão em espanhol para o prenome de Morrissey, Steven.
Sleeve design by Esteban <3 #RSD17 #TheSmiths pic.twitter.com/bbPnp6POdK
— Øystein D Johansen (@Oystein_David) April 20, 2017
Remix recria o trailer do clássico suspense de Johnathan Demme, desvirtuando-o de seu contexto original – o vídeo foi publicado no meu blog no UOL.
Um dos filmes mais tensos de todos os tempos, O Silêncio dos Inocentes, de 1991, leva este título não apenas por suas referências a canibalismo, sadismo e nos detalhes pesados sobre assassinatos requintados, mas também pela forte fricção entre as personalidades de seus dois principais personagens, a agente do FBI Clarice Starling (vivida por Jodie Foster) e o psiquiatra Hannibal Lecter (vivido por Anthony Hopkins). Mas e se a tensão entre os dois tivesse um cunho mais romântico do que a relação entre presa e predador? É o que imagina o site Cinefix, ao recriar o trailer do filme de Jonathan Demme como se fosse uma comédia romântica.
O designer curitibano Butcher Billy mergulhou no coração de hits do passado para voltar com livros de terror inspirados em suas letras – e o resultado é fascinante. Listei todos os livros – e suas versões em VHS – lá no meu blog no UOL.
Canções pop podem esconder significados bem mais complexos do que podem ser percebidos em uma simples audição. A letra de “Every Breath You Take” do Police pode ser sobre uma paixão obsessiva ou simplesmente sobre obsessão – no sentido mais doentio do termo. A balada “Lady in Red”, do lacrimoso Chris de Burgh, pode ser sobre um assassinato? E será que podemos levar músicas como “Maneater” (em que Daryl Hall e John Oates descrevem uma mulher “devoradora” de homens) ou “Everytime You Go Away” (“você leva uma parte de mim?”, continua Paul Young) ao pé da letra?
Tais duplos sentidos podem dar origem a teorias conspiratórias ou paranoias fundamentalistas, mas o designer curitibano Butcher Billy preferiu transformar estas interpretações literais em arte, criando uma série de mashups capas de livros de terror a partir de títulos e trechos de canções pop de todas as épocas – dos Righteous Brothers aos Arctic Monkeys, passando pelos Bee Gees, Gloria Gaynor, Depeche Mode, Joy Division, Smiths, entre outros. Se você entende um pouquinho de inglês já dá pra ter uma ideia…
Aproveitando a onda, ele também fez as versões de fitas VHS para adaptações cinematográficas dos livros que criou, transformando seus artistas em atores e letras inteiras em sinopses de cunho poético sobre filmes B dos anos 80. Mas ele mesmo avisa que os livros são muito melhores.
Ele também transforma as ilustrações em pôsteres e camisetas através de um link em seu portfólio digital na rede social Behance, além de aceitar sugestões. Algumas músicas brasileiras seriam ótimos títulos para estas séries – quase todas do Legião Urbana, por exemplo. Você tem alguma outra sugestão?
Um velho boato começa a ganhar força e agora vem com cifras: a Apple, uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, poderia comprar a Disney, uma das maiores empresas de conteúdo do mundo, por US$ 200 bilhões – virando uma empresa de um trilhão de dólares. Mas as cifras são a parte menos preocupante, como explico no meu blog no UOL.
A revista Variety acaba de tornar público para o resto do planeta uma avaliação de um relatório de economia que pode mudar completamente os rumos do entretenimento, da cultura e da tecnologia num futuro bem próximo. De acordo com uma análise feita pela empresa RBC Capital Markets, a Apple, uma das principais empresas do mundo, poderia comprar a Disney por US$ 200 bilhões. E como se esse número não fosse assustador o suficiente, tal compra poderia fazer a empresa fundada por Steve Jobs na primeira corporação a valer um trilhão de dólares. UM TRILHÃO DE DÓLARES! Permitam-me contar os zeros: US$ 1.000.000.000.000!
Mas os números ficam pequenos comparados com o mundo que pode ser redesenhado a partir desta negociação. Uma das principais empresas de conteúdo do mundo – dona, não apenas de todo o universo criado ou cooptado por Walt Disney no decorrer do século vinte, mas também de multiversos bilionários inteiros, como a Pixar, a Marvel e a Lucasfilm – seria administrada por uma das principais empresas de infraestrutura tecnológica doméstica – e a empresa mais orgulhosa de seu universo fechado. A mesma lógica que torna seus iPhones, iMacs, Apple TVs e todos os tipos de aparehos sedutores e funcionais é a que a transforma no universo mais fechado do mundo digital, dando cada vez menos permissões para seus usuários interagirem com seus próprios produtos. Uma empresa que é constantemente acusada de programar a obsolescência de seus próprios aparelhos para que seus clientes tenham de comprar outros novos, como de censurar conteúdo digital em suas próprias dependências e dispositivos.
É um mundo cada vez mais conectado e cada vez mais controlado e se essa negociação se tornar realidade, provavelmente estaremos assistindo ao primeiro grande titã do mercado deste novo século. A transação, que não poderia ser realizada rapidamente por uma série de questões fiscais e legais, daria início a uma nova era de compras e megafusões. Imagine se o Google comprar o Facebook (ou vice-versa?), por exemplo. Estamos caminhando rumo ao 1984 cogitado por George Orwell? Ainda é apenas um rumor, mas já cogitaram. E com números.
















