Abertura do seriado inspirado no primeiro romance de Neil Gaiman mistura religião, mitologia e tecnologia – publiquei-a lá no meu blog no UOL, além de mais informações sobre a série que estreia no final do mês.
Uma das séries mais esperadas de 2017 estreia no final deste mês. Inspirado no romance de estreia de Neil Gaiman, o seriado American Gods vem ganhando aplausos festejados onde seu primeiro episódio foi exibido – não apenas pela fidelidade ao tom da obra original mas também por aspectos específicos da produção, que parece ter reforçado a tensão entre o velho e o novo que atravessa todo o livro. Este clima é reforçado nos créditos de abertura, que misturam elementos de diferentes culturas, religiões, drogas e tecnologia para criar um totem pós-moderno em que pirâmides, deuses orientais, estátuas de Buda, néons de Las Vegas e um astronauta crucificado. Assista:
“É esquisito querer usar bonequinhos na sequência dos créditos de abertura?, brincaram os principais produtores do seriado Bryan Fuller e Michael Green sobre o resultado final. American Gods conta a história de um conflito entre os deuses do passado, que estão morrendo à medida em que menos pessoas acreditam neles, e os do futuro, pessoas que epitomizam novas crenças que ultrapassam a religião tradicional, como o dinheiro, a mídia e a tecnologia. Já existem dois trailers em que a história começa a ser revelada e eles instigam até aqueles que não conhecem o livro de Gaiman (que, a propósito, está envolvido com a produção do seriado):
A série estreia no dia 30 de abril no canal norte-americano Starz e no dia seguinte através do serviço de vídeos online Amazon Prime e a produção também liberou pôsteres com alguns dos deuses que desfilarão por seus episódios:
Nesta quarta-feira o Reino Unido desliga-se oficialmente da Comunidade Europeia e a capa do Guardian de hoje (que está acompanhando ao vivo a transição “rumo ao desconhecido” em seu site) resume o sentimento de amargura em relação a este período da história britânica.
Os criadores da série Westworld participaram de um painel sobre o remake e esclarecem uma das cenas mais polêmicas do último episódio da primeira temporada – escrevi sobre isso no meu blog no UOL.
E esse 2018 que não chega? Por mais que possam vir boas surpresas e novas séries na televisão em 2017, não há como não insistir em saber de alguma novidade sobre a segunda temporada de Westworld, um dos grandes acontecimentos do entretenimento desta década. A série que a HBO lançou no ano passado ultrapassou o conceito do filme original de 1973 e revelou-se um complexo quebra-cabeças em que diferentes linhas de pensamento se misturavam num ousado mosaico de narrativas sobre um parque temático em que robôs idênticos a seres humanos são abusados por seus frequentadores – e aos poucos tomam consciência disso.
Os produtores e o elenco da série foram reunidos neste fim de semana como uma das atrações do evento PaleyFest, em Los Angeles, nos EUA, dedicado a discutir conteúdo de televisão junto a seus criadores. Subiram ao palco do Dolby Theater tanto o casal autor de Westworld – Jonathan Nolan e Lisa Joy – bem como todos os principais atores da série: Evan Rachel Wood (Dolores Abernathy), Thandie Newton (Maeve Millay), James Marsden (Teddy Flood), Ed Harris (Man in Black), Jimmi Simpson (William) e o produtor executivo Roberto Patino. E entre os principais assuntos discutidos no sábado, a principal revelação não trouxe nenhuma novidade sobre a próxima temporada e sim em relação a uma das cenas mais discutidas do último episódio da série, quando a robô Maeve decide voltar para o parque. Se você não viu o final da série, pare de ler agora. Toma aí uns gifs animados pra você não correr o risco de ler algo que não queira.
“A forma como pensamos e como filmamos… Foi a primeira decisão que ela fez na vida”, disse Nolan, descrevendo a cena em que Maeve volta atrás e decide retornar ao parque temático, de onde havia acabado de fugir pela primeira vez. Presa entre o conflito de descobrir o mundo para além dos limites de Westworld e a lembrança de uma filha que ela sente ter perdido, a andróide interpretada brilhantemente por Thandie Newton desiste sua fuga, que havia sido programada pelo própria criador do parque em uma das inúmeras reviravoltas do último episódio, e decide voltar para o parque. “Para mim, foi um momento muito emotivo no episódio”, continuou o criador da série, finalmente abrindo o jogo sobre se a decisão de Maeve havia sido consciente ou pré-programada por seus criadores. “Vocês testemunharam o nascimento do livre arbítrio”, resumiu Nolan, segundo o relato da Entertainment Weekly.
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Pouco foi dito sobre a segunda temporada, tirando o fato de que Nolan e Joy estarem animados ao fazer um novo filme de dez horas, em referência aos dez episódios de uma hora que formam a temporada completa. E que talvez a segunda temporada seja um musical – mas isso Nolan logo revelou que era mentira. Será?
Robert Rodrigues, autor de Machete, Sin City, Spy Kids e Planeta Terror assume o comando da inevitável ressurreição do clássico de John Carpenter, Fuga de Nova York, que já tem roteirista e premissa definida – escrevi sobre isso no meu blog no UOL.
Quem aguenta mais remakes? Hollywood, certamente. Em vez de apostar em novas histórias e novos personagens, os grandes estúdios norte-americanos preferem insistir em adaptar histórias de outras mídias ou requentar franquias do passado como apostas cheias, em vez de buscar novos rumos para o próprio futuro. E entre as inúmeras adaptações, recriações e ressurreições previstas para um futuro próximo está a do clássico Fuga de Nova York, uma das primeiras ficções científicas distópicas a inaugurar a era da psicodelia digital que hoje nos referimos como cyberpunk. E embora a simples menção de uma nova versão do filme possa provocar sono nos fãs do original, uma nova especulação sobre um possível diretor para esta má ideia pode tornar tudo mais interessante: a 20th Century Fox, que bancou o filme de 1981, quer que Robert Rodriguez seja o novo diretor.
Fuga de Nova York é destes filmes B dos anos 80 que anteviram as transformações dos anos seguintes, além de um ótimo filme de ação. Conta a história de uma Nova York transformada em prisão de segurança máxima cujos prisioneiros tomam o próprio presidente dos Estados Unidos como refém depois que o avião presidencial cai sobre a cidade. Para resgatar o político, o governo chama um dos melhores heróis de ação daquela década, o Snake Plissken vivido por Kurt Russell, que tem menos de vinte e quatro horas para trazê-lo de volta senão uma bomba que foi injetada nele mesmo explodirá. O filme aprofunda-se na crise urbana da Nova York dos anos 70 usando a ficção científica como metáfora e traz um elenco de notáveis que reúne Lee Van Cleef, Ernest Borgnine, Adrienne Barbeau, Donald Pleasence, Isaac Hayes e Harry Dean Stanton. É um dos vários clássicos do diretor John Carpenter, que abriu caminho para outros filmes como Blade Runner, O Exterminador do Futuro, Robocop, Akira, 1984, Brazil e Videodrome, moldando um futuro bem diferente daquele previsto nos anos 60, entre Jetsons e 2001.
Controverso, Rodriguez é um dos diretores mais fiéis à fórmula do faça-você-mesmo e autor de novos e divertidos clássicos que misturam ação, thriller, comédia e horror – Um Drink no Inferno, Planeta Terror, A Prova Final, Machete, Sin City e El Mariachi são filmes que acompanharam a tendência de ultraviolência da cultura pop atual, testando limites e misturando gêneros antes pré-estabelecidos. Sua estética é irmã de seus modos de produção e ele também é conhecido por abandonar Hollywood para criar seu próprio estúdio em seu estado-natal, o Texas, onde criou a sede de seu Troublemaker Studios. Lá ele também produziu filmes voltados para o público infantil que garantiram seu sustento sem necessariamente trair suas intenções: sua série de filmes Spy Kids, Shorts e As Aventuras de Sharkboy e Lavagirl traçam uma ótima introdução para a violência de desenho animado dos seus filmes adultos.
Recentemente Rodriguez voltou a flertar com Hollywood, e ele é o coprodutor e diretor de Alita: Battle Angel, adaptação do mangá de mesmo nome, ao lado de James Cameron em sua Lightstorm Entertainment. O filme, que deve estrear em 2018, é produzido pela 20th Century Fox e provavelmente esta nova proximidade está trazendo Rodriguez a bordo do remake de Fuga de Nova York, segundo o site Tracking Board, especialista em furos deste tipo.
A volta para a Nova York de Snake Plissken, imortal mercenário vivido por Kurt Russell no clássico filme de John Carpenter, no entanto, não é novidade. A Fox já vem tentando reviver o filme original há uma década, trocando de escritores e diretores sem que haja um projeto de fato em andamento. Até o final do ano passado, quando Neal Cross, criador da série Luthor, da BBC, foi confirmado como o autor da história do novo filme, que não deve ser um remake e sim um prequel. Se você não quer saber o que pode ser o novo filme, coloquei uns gifs animados do clássico de 1981 para que você não corra o risco de saber spoilers sobre a nova história.
Como Cross disse ao site The Wrap, a nova história se passa antes de Manhattan ter se tornando uma prisão a céu aberto e vamos descobrir porque Snake Plissken não se dá bem com o governo dos Estados Unidos. O filme também fala de um furacão que se aproxima da cidade e nos apresenta a um novo vilão, Thomas Newton, um playboy dono de empresas de biotecnologia e agroquímica. Ele não começa em Nova York e mostra um planeta decadente, em que 75% da população mundial é considerada fora da lei. O filme, no entanto, ainda nem entrou em fase de pré-produção e quando é assim tudo pode mudar.
Parece uma boa história, nem precisava ter nada relacionado a Fuga de Nova York, né? Mas Hollywood insiste.
I feel you, bro.
Mais uma bordoada do próximo disco do Black Angels, Death Song, composto e gravado durante a campanha e a eleição do Trump. Depois da psicodelia bad vibe de “Currency”, eles nos expõem a uma avalanche de microfonia com a ótima “I’ll Kill Her”.
A capa definitiva do disco, que será lançado em abril, é esta:
Discaço a caminho, pode ficar certo.
Estamos esperando por Dear Tommy, o sucessor do incrível Kill for Love dos Chromatics, há anos. O líder da banda, Johnny Jewel, já soltou várias faixas antecipadamente e avisou tantas outras vezes que o disco estava prestes a ser lançado. Enquanto atrasa ainda mais a vinda o disco, Johnny aproveita o compasso de espera para lançar outros trabalhos sem pressa – como é o caso dos dois curtos EPs instrumentais que ele acaba de lançar o tenso The Key e o sinistro The Hacker, que seguem aquela linha típica do autor, que mistura sintetizadores dos anos 80 com a atmosfera etérea do dream pop, e podem ser ouvidos abaixo:
Os dois EPs (mais um tanto de outras coisas que ele lançou recentemente) podem ser baixados no site de sua gravadora Italians Do It Better por apenas um dólar cada lançamento.
Muito bom esse artigo do Jailton Andrade que o Luciano Matos publicou em seu site, o El Cabong, sobre como o BaianaSystem segue sendo ignorado pela grande mídia baiana justamente por estar cantando sobre o lado da população ignorado por esta mesma mídia:
O que tentam fazer com a BaianaSystem é o que fazem com nosso povo: esquecem, ignoram, sabotam, quando não esculacham com os cassetetes e tapas na cara, e quando convidam para cima do trio é para puxar aplausos, abraçar e se debruçar na virtude alheia por falta de uma, nada mais.
Mesmo que as mídias (ainda) hegemônicas finjam ignorar a existência do Invisível e que seus jornalistas se abaixem para o coito da concupiscência mercadológica das “máquinas de lucro”, a BaianaSystem não se submeterá aos caprichos e dengos da indústria baiana da exploração musical porque “cada palavra que tu guarda na boca vira baba”
Vale a pena ler a íntegra do texto lá no El Cabong.
O lado político do BaianaSystem está diretamente ligado ao seu lado musical e o lento – ê Baêa… – trabalho de formiguinha que o grupo vem fazendo torna sua importância social tão grande quanto seu peso artístico. E uma hora isso vai transbordar. Ah vai.
Com um tweet aparentemente inocente, Lana Del Rey tornou público um ato global de bruxaria contra Donald Trump:
At the stroke of midnight
Feb 24, March 26, April 24, May 23
❤️
Ingredients can b found online
pic.twitter.com/PsjNpIODZE— Lana Del Rey (@LanaDelRey) February 24, 2017
“Quando der meia-noite: 24 de fevereiro, 26 de março, 24 de abril, 23 de maio”, ela twittou uma maldição que deve ser repetida nestas quatro datas, “os ingredientes podem ser encontrados online”. Segundo o site AV Club, o feitiço está sendo invocado globalmente nas datas de lua crescente, para impedir que Trump continue presidente dos EUA. Os ingredientes mencionados são uma foto ruim de Donald Trump, a carta Torre do tarô, uma vela laranja pequena, um alfinete ou prego pequeno, pequenas bacias contendo tanto água quanto sal, uma pena, fósforos e um cinzeiro. O site avisa que se você não tem uma vela laranja pode usar uma cenoura baby.
Enquanto isso, Lana falou à radialista Jo Whiley da BBC sobre seu próximo disco, que ela “começou pensando que todo o álbum teria uma vibe anos 50, anos 60, com algum tipo de influência das Shangri-Las e de Joan Baez no início da carreira. Mas à medida em que o clima se tornou mais quente em termos políticos, eu percebi que todas as letras estavam se referindo diretamente a isso e, por causa disso, o som deu uma atualizada e eu vi que tinha que falar com o lado mais jovem do meu público. Acho que ele tem um lado um pouco mais consciente em termos sociais. Acho que é um sentimento global.”
Lana acaba de lançar o primeiro single de seu novo disco, “Love“, que tem exatamente essa abordagem que ela se refere a seu público mais novo…
Não é nenhuma novidade o cunho político das músicas e das apresentações do BaianaSystem – na verdade, a fusão entre festa e protesto está na gênese do grupo baiano e toda sua obra reflete essa dicotomia. Por isso era mais que natural que seu trio Navio Pirata cutucasse velhas feridas abertas recentemente a partir do tenso clima político no Brasil principalmente por ser um pleno carnaval. Russo Passapusso começou o protesto no meio da instrumental “Forasteiro”, enfileirando “golpistas, machistas e fascistas” para ouvir um “não passarão” em uníssono do público. E nem precisou mencionar o nome do presidente postiço para que a multidão emendasse o grito de guerra “fora Temer”. Veja só:
A manifestação pode ter valido a ausência da banda do próximo carnaval, segundo o Conselho Municipal do Carnaval de Salvador, cujo presidente disse que “o código de ética é claro, é terminantemente proibido que o artista use o carnaval para denegrir alguém, como foi feito pelo BaianaSystem. Há um risco concreto de punição grave, que seria a exclusão deles”, explicou ao Correio da Bahia (de onde também saiu a foto que ilustra este post).
Mas tem que ver pra quem essa regra vai valer, porque manifestação a favor também é manifestação política? Sem contar que Caetano Veloso puxou um “fora Temer” no Pelourinho e o prefeito ACM Neto foi vaiado em plena concentração do Ylê Ayê:
E isso que é só domingo de carnaval… Abaixo, mais Baiana em Salvador em 2017. Que delírio:












