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Paranoia

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Os dois singles (um com Lydia Lunch e outro com FKA Twigs) foram só um teaser e o produtor chileno-americano Nicolas Jaar lança o álbum 2017-2019, tirando todo o tom pop que predominava na coletânea anterior de seu projeto Against All Logic (o excelente 2012-2017) transformando-o em uma arma de combate. A melhor explicação para a mudança vem logo na primeira faixa, quando picota vocais de Beyoncé sobre uma base bate-estaca que implode o ouvinte em uma pista de dança mental, febril e agressiva, consolidando-o como um dos melhores produtores em ação atualmente.

Detalhe: os dois singles anteriores não entraram no disco.

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Esbarrei nessa mixtape Samba Obscuro que o Kiko Dinucci fez em 2011 em seu blog de cinema e que foi ressuscitada no canal do YouTube do Garimpo Sound System. “Mas isso não é um blog de cinema? Sim, mas esse mixtape tem um Q de filme, seja nos climas, na montagem ou no poder narrativo dos sambas escolhidos”, explica o então futuro Metá Metá, listando Paulinho da Viola, Adauto Santos, Nelson Cavaquinho, Itamar Assumpção, João Bosco, Alaíde Costa e Milton Nascimento, Jards Macalé, entre outros e alguns diálogos de filmes nacionais. “Boa viagem aos porões da alma humana através da música popular brasileira”, anuncia o compositor.

Paulinho da Viola – “Roendo as Unhas”
Jards Macalé- “E Daí?”
Adauto Santos – “Cravo Branco”
Nelson Cavaquinho – “Pode Sorrir”
Itamar Assumpção e banda Isca de Policia – “Você Está Sumindo”
João Bosco – “Bodas de Prata”
Alaíde Costa e Milton Nascimento – “Me Deixa Em Paz”
Jards Macalé – “Rua Real Grandeza”
Paulo Vanzolini – “Alberto”
Paulinho da Viola – “Comprimido”

Foto: Leonardo Bicalho

Foto: Leonardo Bicalho

Edgar canta “Carro de Boy” – inspirada em fatos reais – desde antes do lançamento de seu Ultrassom, mas a música, na edição final, ficou de fora do disco – mas não dos shows. Com a participação de Rico Dalasam, a faixa equilibrava protesto e festa fazendo todo mundo dançar com sangue nos olhos. Descrevendo uma situação infelizmente corriqueira no Brasil (o playboy que mata alguém pobre atropelado e sai ileso porque não é pobre), a faixa finalmente é lançada com um clipe contundente que joga na cara o ponto-chave deste questionamento: o genocídio negro contínuo no país.

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Utilizando suas mídias sociais, o grupo Gang of Four anunciou a morte de seu fundador Andy Gill neste sábado, sem falar sobre a causa de sua morte. Um dos principais pilares do pós-punk inglês, ele ajudou a reinventar a guitarra elétrica na virada dos anos 70 para os anos 80 ao lado de nomes como Robert Smith, Bernard Sumner, The Edge e os caras do Wire, mas ao contrário de seus contemporâneos, baseava sua musicalidade no toque brusco, transformado a guitarra em um machado de ruído que antecipava os ataques de scratch dos DJs da década seguinte, misturando inovações sônicas contemporâneas com o minimalismo funky que caracterizava seu grupo. Também foi um dos principais nomes da época a usar a música pop como forma de contestação política e a forma como conseguia traduzir a desesperança daquele período em força artística o transformou um dos instrumentistas mais importantes das últimas décadas.

Pude assistir a quatro shows de sua banda: duas em 2006 (com a formação original, Andy, Jon King, Dave Allen e Hugo Burnham), uma vez em São Paulo e outra em Floripa, quando vieram dividir uma turnê com os Cardigans (!?), uma em 2011, quando trouxe a banda como curador do Festival da Cultura Inglesa (apenas com Jon e Andy da formação clássica), num show épico gratuito no Parque da Independência (vídeos acima), e finalmente quando fez o último show por aqui em 2018 (apenas com Andy dos fundadores da banda, vídeo abaixo) e quando pude conversar melhor com ele depois de anos trocando emails. Meu primeiro contato com ele foi justamente na primeira vinda ao país, quando fiz uma entrevista tornar-se um artigo sobre as relações entre música e política a partir da criação de sua banda, publicado em uma das reencarnações da revista Bizz. Adorei que quando nos vimos ele lembrou que eu havia rotulado o Gang of Four de “banda crítica”, “não é mesmo uma banda de protesto”:

Quando eu e o Jon (King, vocalista da banda) começamos, nos perguntávamos: ‘O que motiva as pessoas? O que as faz fazerem o que fazem?’. É claro que você pode resumir isso em apenas ‘economia’, mas não é só isso. As pessoas ainda estão fazendo as mesmas coisas que faziam no século passado, o marido ainda trazia o dinheiro para casa enquanto a mulher cuidava da comida e dos filhos. O mundo havia mudado, mas essas relações ainda não. Pelo contrário, elas haviam se tornado prisões: família, emprego, propriedade. As pessoas se prenderam nisso de uma forma que acham que isso é a vida delas.

Temos uma música chamada ‘Natural’s Not In It’ que fala exatamente sobre isso. Tudo aquilo que chamamos de “natural”, na verdade, é artificial, é criado pelo homem. Seja a sociedade, o conceito de justiça, de bom senso… Tudo isso é invenção humana, nada disso é natural. As idéias não são naturais. Qualquer uma delas, todas elas – são inventadas.

E não queríamos ser os portavozes da nova esquerda. Para isso, tiramos todas as referências de política de nossas letras e títulos – você vê os nomes das músicas e não diz que o conteúdo delas é política –, tudo que pudesse lembrar a política dos jornais tava fora. Não queríamos dizer ‘você está certo’, ‘você está errado’, ‘você é de esquerda’, ‘você é de direita’. Não queríamos nos separar das outras pessoas. Queríamos, sim, lembrar pra elas que, esquerda ou direita, estamos nesse barco juntos.

Mas a forma que você colocou é bem razoável. É isso: o Gang of Four não era uma banda de protesto, mas uma banda de crítica. Uma crítica à sociedade, à forma que vivemos, à música, ao rock, ao punk rock, às outras bandas, a nós mesmos. Era mais ou menos como o Situacionismo dos anos 60, não queríamos nos levar a sério, mas não queríamos só isso.

E aí tem o outro elemento que, pra nós é crucial, que foi o ritmo. Não queríamos soar como rock, não queríamos ser mais uma banda de rock. E tanto eu quanto Jon já vínhamos pensando em experimentar com ritmo, somos fãs de dub até hoje, de krautrock, do James Brown. Mas seria ridículo tentar recriar a atmosfera de qualquer um desses artistas na Inglaterra dos anos 70.

Por isso partimos do zero, da tela em branco, e fomos acrescentando as coisas à medida em que começamos a tocar. E as coisas foram se encaixando. O legal é que não pensamos nessas coisas, elas simplesmente foram entrando em seu lugar. Põe um prato aqui, um bumbo ali, um riff mais à frente. Começava com um baixo solto, entrava a bateria reta, a guitarra fazendo ruídos e o vocal – mesmo que a letra importasse – funcionava como um instrumento. As coisas iam entrando em sintonia sem que pensássemos nisso. Em vez de fazer canções de amor, fazíamos canções de antiamor – o que é diferente de uma canção de ódio, veja bem.

Foi quando começamos a por elementos de disco music na mistura. Primeiro porque adorávamos disco. A cena começou a ficar ruim devido à forma que a mídia explorou o tema, com filmes como ‘Os Embalos de Sábado à Noite’ e todo o tipo de banda gravando disco music. Mas antes de ficar massificado, era uma cena bem interessante e – como você colocou – política, por libertar a canção de um formato estagnado e deixar as pessoas mais soltas, em vários sentidos.

Um gigante que pude conhecer pessoalmente. Obrigado por tudo.

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A menina-prodígio do ano passado começa o novo recuperando a deliciosa balada “Everything I Wanted” com a qual encerrou 2019. A novidade é que ela desta vez dirige o clipe (e o carro que o protagoniza) da canção dedicada a seu irmão, Finneas, melhor amigo e um de seus principais colaboradores. “Finneas é meu irmão e meu melhor amigo. Não importa as circustâncias, sempre estaremos lá um para o outro”, escreve logo no início do clipe.

Achei fofo.

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Letrux fechou 2019 registrando uma versão hi-fi de seu Em Noite de Climão ao vivo quando apresentou-se no dia 28 de setembro do ano passado no Auditório Ibirapuera – o resultado captura a intensidade dramática do universo imaginado por Letícia Novaes em seu primeiro disco solo.

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“My soul? So cynical”

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“Eu quero beber pelas esquinas – reza, rimas – mas vou precisar de vocês!”

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“De manhã eu nem falei pra tu daquele espelho, olho nele e vejo um bicho escuro e muito vermelho”

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“São companheiras da morte”