
Crumb fez este cartum em solidariedade aos seus camaradas mortos na redação do Charlie Hebdo e a tradução, abaixo, é da editora Venetta, que publicou o desenho em sua página no Facebook.
Um cartunista acovardado
– He he
– Só brincadeira!
– Na verdade essa é a bunda do meu amigo Mohamid Bakhsh, um produtor cinematográfico que mora em Los Angeles, Califórnia!
(No cartaz): A bunda peluda de Mohamid!

O jornalista norte-americano David Brooks, colunista do New York Times, concorda com o apoio à causa do jornal Charlie Hebdo mas faz questão de enfatizar que os Estados Unidos estão longe de aceitar o tipo de humor da publicação francesa. Reproduzo um trecho de seu texto, com a tradução feita pelo Estadão (o original em inglês pode ser lido aqui, a tradução na íntegra aqui):
A reação ao ataque de Paris revela que grande parte da sociedade se apressa em endeusar os que ofendem o ponto de vista dos terroristas na França, mas é muito menos tolerante com os que ofendem seus próprios pontos de vista em seu país.
Basta olharmos para todas as pessoas que reagem excessivamente a agressões muito menores que ocorrem em um câmpus universitário. A Universidade de Illinois demitiu um professor que dava aula sobre a posição da Igreja Católica na questão da homossexualidade. A Universidade de Kansas suspendeu um professor que usou termos duros em um tuíte contra a Associação Nacional do Rifle. A Universidade Vanderbilt criticou um grupo cristão que insistia que a instituição fosse dirigida por cristãos.
Os americanos talvez elogiem o Charlie Hebdo pela coragem de publicar cartuns que ridicularizam o profeta Maomé, mas, quando a ativista holandesa Ayaan Hirsi Ali é convidada para visitar o câmpus, há frequentes pedidos para impedir que ela fale em público.
Portanto, este deveria ser um momento de reflexão. Embora estejamos profundamente abalados pelo massacre dos cartunistas, nesta hora é importante que tenhamos uma visão menos hipócrita em relação às nossas personalidades controvertidas, provocadores e chargistas.
E se nos Estados Unidos – “land of the free” – as coisas são desse jeito, imagina se um cartum como o que estampa a capa do Charlie Hebdo aí em cima fosse publicado na capa de qualquer veículo impresso no Brasil…

Tudo corria bem no primeiro protesto contra o aumento das tarifas de ônibus em 2015, até que a polícia militar chegou e transformou tudo num caos.

Único pai vivo do mítico Asterix, o desenhista Uderzo saiu de sua aposentadoria para saudar os jornalistas mortos na redação do jornal Charlie Hebdo com dois desenhos em que seu clássico personagem se alinha ao anarquismo do humor do jornal. Em um deles Asterix repete o coro de apoio Je Suis Charlie, no outro, tuitado pela conta oficial do personagem, Asterix, Obelix e Ideafix velam os mortos à distância.
— Astérix (@asterixofficiel) January 8, 2015
“Claro que Asterix e Charlie não têm nada a ver um com o outro”, disse o desenhista ao jornal Le Figaro. No que se diz respeito à tradição de resistência francesa, acho que os dois têm muito a ver sim…





