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Clarice Falcão direto ao ponto

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Em uma época tão intensa de provocações e preconceitos sendo expostos, Clarice Falcão deixa as gracinhas do Porta dos Fundos em segundo plano e lança uma versão acústica para “Survivor” – hit imbatível das Destiny’s Child de onde veio Beyoncé – que pode antecipar o lançamento de seu segundo álbum. O cover apareceu num clipe que superpõe imagens diferentes de todos os tipos de mulheres lidando com o mesmo batom vermelho que incomoda muita gente, num belo manifesto feminista que também está sendo lançado em áudio digital – e cuja renda será revertida para o Think Olga, que está virando fundação.

Todo o Disco: Siba fala sobre De Baile Solto

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Grande nome da música pernambucana contemporânea, Siba Veloso vem lapidando sonoridades ancestrais e temas eternos com instrumentos elétricos e preocupações deste século. Em Seu De Baile Solto ele se aprofunda ainda mais na guitarra, mergulho iniciado com o ótimo Avante (2012), e levanta questões políticas sobre identidade cultural e maturidade política, sem nunca tirar os olhos da perspectiva histórica nem os pés da rua.

Vagas limitadas, garanta a sua no site do Espaço Cult.

Todo o Disco – Trabalho Sujo 20 anos

Nunca se produziu tanto, nunca tantos artistas brasileiros lançaram tantos discos bons em tão pouco tempo mas ao mesmo tempo nunca se discutiu tão pouco sobre música. A overdose de informação e a concorrência por atenção apenas trata discos como notícias e mesmo com a amplitude da internet, estes discos não são tratados como obras importantes na carreira do artista e sim como mero gancho para notícias.

A partir desta constatação, o jornalista Alexandre Matias, do site Trabalho Sujo, junto com o Espaço Cult, propõe um encontro com artistas para discutir especificamente sua obra neste ano. São quatro encontros que acontecem em novembro com autores de quatro dos discos mais importantes no Brasil em 2015: Fortaleza do grupo Cidadão Instigado, De Baile Solto de Siba, Sobre Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa de Emicida e Selvática de Karina Buhr. Nos encontros, eles falarão do processo de criação e composição de seus discos, incluindo uma audição comentada faixa a faixa dos discos que lançaram este ano.

Os cursos acontecem durante o mês de novembro e fazem parte das comemorações dos 20 anos do site Trabalho Sujo.

Inscreva-se pelo site do Espaço Cult.

As próximas aulas do curso Todo o Disco serão as seguintes:

24/11/2015 – Emicida fala sobre Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa

02/12/2015 – Karina Buhr fala sobre Selvática

Tame Impala ♥ Kylie Minogue

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Essa versão que o Tame Impala fez para “Confide Me” é dessas que justifica artistas regravarem obras dos outros sem cair naquele nível de comparação que sempre conclui que o original é melhor. Kevin Parker escolheu um hit esquecido de Kylie Minogue cuja profundidade soul dance conversa diretamente com o momento em que vive a bordo de sua banda e de seu bissexto Currents – e revela nuances no original que provavelmente fugiu da maioria dos ouvintes à época. A banda mexe pouco no original, mas sobreposta à atual sonoridade do grupo e às texturas instrumentais características desta fase – tanto o entrelaçamento de teclados e guitarras, o vocal cantado apenas sobre a bateria e os agudos no refrão -, a versão é de chorar.

O cover foi feito para o programa australiano Like a Version, onde o grupo já havia regravado aquela música do Outkast.

Expansão magnética

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O Disclosure lançou uma versão esticada para o hit “Magnets” que gravaram com a Lorde no disco que lançaram esse ano – e ficou fino…

Unknown Mortal Orchestra 2015: “Could be your fatal flaw”

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E esse clipe que o Unknown Mortal Orchestral lançou pra “Necessary Evil” – uma das melhores músicas de seu brilhante álbum Multi-Love – apenas parece fofinho, mas lidas com as típicas paranoias de um relacionamento tentando se estabilizar.

Atençao para o disco novo do Floating Points

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O nome que o inglês Sam Shepherd escolheu para trabalhar – o codinome Floating Points – já circula pela cena dance inglesa como uma espécie de Doutor Jeckyll da cena dubstep desde 2009, soltando singles, EPs e músicas isoladas enquanto calibrava sua musicalidade entre um trip hop instrumental mais sombrio – parente torto da linha do DJ Shadow – e um improvável meio termo entre o jazz, a disco, a house e a música de câmara, numa câmera lenta mental que nos aproxima do zen. Estas qualidades chegam ao ápice em Elaenia, uma inesperada obra-prima que toma 2015 quase como um atordôo de nocaute, mas sem dor nem sequer noção de fisicalidade – uma jam session dos sonhos entre o Erik Satie, o Nightmares on Wax e Madlib, com direito andamentos intrincados, cordas românticas, graves pesados, grooves sintéticos, levadas puramente jazzy. Acho que nenhum disco de música eletrônica nesta década merece tanto o rótulo de transcendental quanto este. Separei as quatro primeiras faixas do disco – os clipes de “Nespole” e da versão editada de “Silhouettes” (que no disco tem dez minutos), a faixa-título e, finalmente, “Nespole” de novo e “Argenté” (ao vivo na BBC na semana passada). Sente só:

Metá Metá num quarteto de cordas

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Os músicos Vitória Lima (violino), Letícia Teixeira (violoncelo), Breno Freire (contrabaixo) e César Martini (viola) fazem uma versão acústica de arrepiar para “Oyá”, do Metá Metá.

O Dragão de Guizado

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O trompetista e produtor Guilherme Mendonça – que a maioria de nós conhece por Guizado – segue o fluxo de seu disco mais recente, O Voo do Dragão, lançado digitalmente do início do ano e que agora se materializa em CD. “A saga continua!” ,comemora, “Ainda vem clipe pela frente, vinil, remixes e tudo mais.” O lançamento do CD serviu como gancho para uma série de novos shows no final deste semestre, o próximo deles no Teatro Cacilda Becker, ali na Lapa, no dia 21 de novembro.

A temática oriental do disco – que vai da arte ao nome das músicas – é menos instrumental e mais mental: “Ela parte de um plano mais metafisico, filosófico do que musical”, explica. “Na parte musical continuamos basicamente apoiados na tríade do jazz, do rock e da musica eletrônica, O nome O Voo do Dragão simboliza uma retomada de consciência, uma experiência pessoal na qual me encontro de rever antigos valores e velhos hábitos, uma transformação pessoal. De tempos em tempos o Dragão troca sua pele e se renova, e é assim que me sinto. com mais de vinte anos de carreira e se tudo der certo, terei vinte ou mais pela frente. Com isso me sinto mais maduro e numa linha ascendente de performance musical e criatividade. É um disco em que posso sentir essa superação se refletindo na minha música, do meu jeito de compor e de tocar.”

Ele explica como sua música funciona ao vivo: “As músicas são todas bem estruturadas com temas, riffs de guitarra, pastes definidas, melodias e harmonias bem estabelecidas, porém não de uma totalmente fechada, justamente para que possamos nos shows tocarmos de forma mais solta e inesperada, porém respeitando a forma de cada música… Isso pra nós é algo estimulante, pois nunca sabemios exatamente como uma música pode acabar, mas tambem não nos perdemos em meio ao caos pois temos a compreensão clara das estruturas de cada música. A banda atual é formada por Allen Alencar, excelente guitarrista de Aracaju, que criou os arranjos de guitarrra do disco que norteiam todos os arranjos junto ao meu trompete. Na bateria tem o Thiago Babalu, tambem de Aracaju, e que veio da cena do hardcore, um baterista sólido e criativo, responsável por momentos de intensa massa sonora e peso. No baixo optei por usar um baixo de sintetizador, tocado pelo Thiago Duar, que esta familiarizado com a linguagem da musica eletrônica, com o hip-hop e a bassmusic, linhas simples e de frequencias realmente graves. E nos sintetizadores temos o Caetano Malta, que trabalhas mais nas frequencias medias e agudas, dobrando vozes comigo, reforçano a harmonia e cirando drones e texturas.”

Ele fica feliz de passar por esse processo de transformação e lançar seu Dragão num 2015 tão intenso para música brasileira: “Muitos disco bons foram lançados nesse ano. Gostei muito do disco do Cidadão instigado, Fortaleza, banda que sou fã não é de hoje. E do Rio de Janeiro tenho visto aparecer muita coisa interessante como essa turma do Negro Léo, Ava Rocha, Chinese Cooking Poets e o disco recém lançado do baixista Ricardo Dias Gomes. Fora isso recentemente fui a um show da banda Cão, um projeto do Maurício Ianês que não conhecia e gostei bastante.”

Mas embora não tenha encerrado o ciclo do Dragão, ele já está pensando no quarto álbum: “Esse é um ótimo momento para compor, com o Dragão ja no ar, eu posso me dedicar mais novas pequisas e novas ideias para um disco futuro.”