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Foals x Lindstrøm

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Os ingleses do Foals têm a pista de dança em seu DNA, basta ver a recente subversão que fizeram com uma música chocha da Florence, e é por isso que seus remixes quase sempre funcionam. Mas quando ficam na mão de um mestre como o norueguês Lindstrøm, a coisa sobe para outro patamar – e o midas da nova disco music transforma o brado indie “Give it All” em um delírio de quase dez minutos que poderia durar para sempre.

A foto que ilustra o post saiu do Insta da banda.

Dreampop de Floripa

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A banda de um homem só Frabin – o pseudônimo usado por Victor Fabri, paraense radicado em Florianópolis – sai do quarto com direito à chancela das gravadoras indie Balaclava e Midsummer Madness. E o primeiro clipe, pra faixa “Kids From Outer Space”, mantém o pé naquela psicodelia noise do final dos anos 80.

Ele já havia lançado o ótimo EP Selfish, no meio do ano passado, que já mostrava que o garoto tem futuro.

#AgoraÉQueSãoElas: Melhor vantagem, por Fernanda Paola

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Chamei a Fernanda Paola, querida amiga que também é heroicamente fundadora e diretora do Espaço Cult onde faço meus cursos sobre música, para escrever o texto do #AgoraÉQueSãoElas da vez – já que não vou me restringir a apenas uma semana de publicação para este tema, que acho um dos mais importantes – hoje e sempre.

Quando fui convidada para usar esse espaço, numa ação coletiva, generosa e bonita, aceitei. Sem saber se havia uma pauta específica, ou do que tratavam os outros textos, resolvi aproveitar essa liberdade.

Nunca separei as coisas por gênero. Fui criada por uma mulher muito forte, que agarrou a vida sem olhar para trás. Nunca ouvi da minha mãe uma reclamação sobre ser mulher. Como se fosse vítima, ou se não pudesse fazer alguma coisa por conta dessa condição. E também não tive pai. A meu ver, desde cedo, eram as mulheres que dominavam o mundo. Minha avó era muito forte, a minha bisavó também. Tive certeza disso por muito tempo, até que a vida começou a se apresentar crua e cruelmente. Entendi que as coisas não eram bem assim. Que as mulheres ao meu redor haviam sofrido muito com todo tipo de abuso.

Basicamente, por serem mulheres.

Descobri que para a minha mãe chegar num cargo executivo e de poder, ela teve que engolir mais sapo do que eu jamais aguentaria de homem nenhum. Ouvi histórias tristes de minha avó, que representa uma geração de mulheres que tinham que sofrer caladas. Entendi que, se elas passaram por isso, se foram fortes e guerreiras apesar de tudo, era para que eu pudesse ser livre. E, então, minha obrigação é dar conta do recado e nunca abaixar a cabeça para homem nenhum. Pensando agora, escrevendo esse texto, acho que sempre fomos feministas em casa. O que me deu possibilidade de chegar até aqui, onde posso dizer o que penso e fazer o que quero. Sem medo. Diferente delas.

Nunca deixei de fazer nada por ser mulher. Muitos disseram que eu devia. Ouvi que “isso não é atitude de mulher” a vida toda. Das mulheres, dos homens. Pelo visto, até hoje há algumas coisas que podemos fazer, e outras que não. Mas como nem ouvi quais são, fui fazendo. Sou mulher e toco um negócio de cultura no Brasil. Contra todas as estatísticas. E aconselhamentos. E não posso reclamar. Apesar de todo preconceito, misoginia e abuso – sim, passamos por tudo isso a vida toda, repetidamente – não escolheria ser outra pessoa, estar em outro lugar, participar de outra história, se não a minha.

Ser mulher é, para mim, minha melhor vantagem.

A ilustração deste post foi sugerida pela Fer e é da ilustradora israelense Ofra Amit, que ela esbarrou num Pinterest.

Silva vai a Júpiter

O capixaba Lúcio Souza e Silva – conhecido simplesmente por Silva – está prestes a lançar seu terceiro disco, batizado de Júpiter e anunciado em contagem regressiva neste fim de semana. A capa é esta aí abaixo e foi divulgada exclusivamente para o Trabalho Sujo.

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A ordem das faixas do novo disco, que será lançado no próximo dia 20 no Spotify e uma semana depois nas outras plataformas de streaming, é a seguinte:

“Júpiter”
“Sufoco”
“Eu Sempre Quis”
“Feliz e Ponto”
“Io” (instrumental)
“Sou Desse Jeito”
“Nas Horas”
“Se Ela Volta”
“Marina”
“Deixa Eu Te Falar”
“Notícias”

O disco foi todo produzido pelo Lúcio e não tem participações especiais. O primeiro aperitivo para o disco é o clipe de “Eu Sempre Quis”, que ele lançou neste fim de semana.

Segue aquela levadinha minimalista e dançante que ele vem aprimorando, trazendo o Xx para o universo pop brasileiro. Vamos ver como o resto do disco se comporta…

Todo o Disco: Cidadão Instigado fala sobre Fortaleza

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Principal banda de rock brasileiro na atualidade, o grupo cearense Cidadão Instigado levou seis anos para amadurecer seu denso Fortaleza, um disco pesado e que retoma as raízes da banda sem perder a maturidade de seu horizonte. A banda conversa, nesta quinta-feira, sobre o processo de criação, a gravação e tudo relacionado ao seu Fortaleza, já consagrado como um dos melhores discos de 2015.

Vagas limitadas, garanta a sua no site do Espaço Cult.

Todo o Disco – Trabalho Sujo 20 anos

Nunca se produziu tanto, nunca tantos artistas brasileiros lançaram tantos discos bons em tão pouco tempo mas ao mesmo tempo nunca se discutiu tão pouco sobre música. A overdose de informação e a concorrência por atenção apenas trata discos como notícias e mesmo com a amplitude da internet, estes discos não são tratados como obras importantes na carreira do artista e sim como mero gancho para notícias.

A partir desta constatação, o jornalista Alexandre Matias, do site Trabalho Sujo, junto com o Espaço Cult, propõe um encontro com artistas para discutir especificamente sua obra neste ano. São quatro encontros que acontecem em novembro com autores de quatro dos discos mais importantes no Brasil em 2015: Fortaleza do grupo Cidadão Instigado, De Baile Solto de Siba, Sobre Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa de Emicida e Selvática de Karina Buhr. Nos encontros, eles falarão do processo de criação e composição de seus discos, incluindo uma audição comentada faixa a faixa dos discos que lançaram este ano.

Os cursos acontecem durante o mês de novembro e fazem parte das comemorações dos 20 anos do site Trabalho Sujo.

Inscreva-se pelo site do Espaço Cult.

As próximas aulas do curso Todo o Disco serão as seguintes:

17/11/2015 – Siba fala sobre De Baile Solto.
24/11/2015 – Emicida fala sobre Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa
02/12/2015 – Karina Buhr fala sobre Selvática

Todo o show: Deerhunter ao vivo no Morning Becomes Eclectic, 2015

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E esse disco novo do Deerhunter, Fading Frontier, saiu correndo em direção ao pódio de disco do ano, hein? É o álbum mais pop da banda mas isso não quer dizer que eles tenham abandonado seus instintos brutais e experimentalistas, como dá pra ver nessa apresentação que fizeram no Morning Becomes Eclectic, o clássico programa da rádio californiana KCRW no início do mês. Tocaram basicamente músicas do disco novo (à exceção de “Desire Lines”, que encaixou-se perfeitamente no clima de 2015 da banda) e esticaram a excelente “Snakeskin” num épico de minutos de microfonia e eletricidade – sem perder o groove.

War on Drugs para a pista de dança

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A dupla inglesa Akase deu um trato em uma das melhores músicas do ano passado – “Under the Pressure”, do War on Drugs – adequando-a para a pista de dança – mas não espere nenhum remix maximalista ou batida dance sob os timbres psicodélicos de guitarra do original. O que Harry Agius (que também atende pelo nome de Midland) e Robbie Redway propõem é a reconstrução do épico com poucos elementos, crescendo com beats da mesma forma que o War on Drugs faz com as guitarras. O resultado é excelente (e pode ser baixado de graça aqui).

Um trato num Hall & Oates clássico

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Vito Roccoforte, que era do Rapture e hoje responde como uma das metades da dupla Vito&Druzzi chamou o vocalista Xavier (que gravou o vocal da ótima estreia da dupla, “It’s EZ“) pra um edit mediterrâneo do maior clássico do blue eyed soul dos anos 80, a irresistível “I Can’t Go For That (No Can Do)”, da dupla Hall & Oates. Deslize comigo.

#AgoraÉQueSãoElas: Sou mulher, por Roberta Martinelli

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Pedi para a Roberta Martinelli escrever um texto sobre o #AgoraÉQueSãoElas aqui para o Trabalho Sujo e ela me veio com essa bela bofetada.

Sou mulher. Mas já fui menina e já fui muitas vezes menino e homem (sem nunca ter sido). Funciona assim: tenho dois irmãos, sou a mais velha e desde pequena não gosto de bonecas, mas sempre ganhei bonecas das tias, avó, família…eu não gostava mas tinha pena de falar para elas e oferecia para meus irmãos “eu deixo você quebrar ela se você me der um carrinho dos que ganhou” e assim cresci, ouvindo “ a Roberta é meio menino”.

Na adolescência lembro que fui viajar com umas amigas, algumas com namorados outras não (eu era do time das solteiras) e no meio da viagem fui apelidada de Betão pelos namorados, afinal a gente conversava bastante, eu não tinha, segundo eles, as “frescuras das garotas” e eu era tão amiga dos meninos que era um homem para eles.

Com 18 anos resolvi estudar teatro e nunca consegui fazer um papel feminino, me falavam que eu não entendia a delicadeza, a fragilidade, a sensualidade da mulher. Eu sofria, chorava, não entendia porque não podia “ser uma mulher” se eu era uma mulher. E fazia papéis masculinos, e com o tempo passei a adorar ser ator. Era tão ator que quando acabou a peça de final de curso a mãe da “minha namorada” na peça que tinha me achado um cara lindo ficou chocada de saber que eu era mulher.

Eu não usava vestidos, eu não usava saia, e achava que isso era ser forte. Eu tinha aprendido assim. Aprendi que não gostar de bonecas me tornava “meio menino”, conversar sem “frescuras” me tornava um amigão e que sem ser frágil, sensual eu seria um ator e não atriz. Quantas lições erradas para uma mulher em formação.

Depois do teatro comecei a trabalhar em rádio e depois ainda em TV (com o meu programa Cultura Livre na TV Cultura) e aí virei apresentadora, comecei a usar maquiagem, saia, vestido e entendi que eu podia ser vaidosa, me cuidar e que isso não ia diminuir o que eu era. Eu entendi, mas agora tenho que explicar.

Quando aderi a dita feminilidade, fui tratada como menor por chefes, diretores, em testes. Eu passei a ser tratada como “a apresentadora” – estereótipo da mulher bonita que não entende nada do assunto que fala. E sempre foi uma briga lutar pelo conteúdo, uma cara de surpresa quando percebiam que eu sabia mais que os homens em volta, uma cara irritante de surpresa (mas que ao mesmo tempo me fazia sair orgulhosa).

Quando ainda era atriz fui fazer um teste de publicidade e na hora que cheguei tinha um produtor que separava as meninas entre “a bonita” e “a outra”, quem ficava com a placa de “a outra” ficava triste (claro) mas ficar com “a bonita” era bem puxado também. Depois de horas de espera entrei com a minha placa, eu era “a bonita” e uma assistente de direção que coordenava o teste disse “Faz um sorriso, uma cara, enfim você estudou bastante para ser bonita”. Eu fiquei com tanto ódio e disse “para ser bonita eu não estudei nada, estudei para outras coisas que não vai dar para te mostrar neste teste ridículo que você estudou para fazer” óbvio que não peguei o comercial – não estudei o suficiente para engolir sapos.

Agora escrevendo, eu fico na dúvida se não estou fazendo drama. Será isso ainda reflexo de uma culpa de assumir as dificuldades de encarar uma posição de frente como mulher?

Falando em ser mulher, nas últimas semanas muitas mulheres resolveram escrever contando as barbaridades que sofreram. Li relatos impressionantes de assédio. Muito triste. Pensei nos meus e que louco perceber que como eu acreditei nesta baboseira que eu era homem, nunca encarei meus assédios como tal. Eu lembro quando eu era pequena, 6 anos e dois meninos me prenderam no banheiro na escola e a professora começou a bater palmas para irmos para a classe (era o sinal analógico ainda da minha escolinha) e o Beto disse “Você só sai se beijar o Thiago” e eu disse “Mas eu quero beijar você, não ele” E beijei. Porque quis e porque pude.

Brinquei muito com carrinhos, fui Betão, fui ator mas jamais prenderia alguém no banheiro para conseguir um beijo. E isso não é coisa de homem ou de mulher, é de ser humano.

E na foto que ilustra o post está a própria Roberta, caracterizada como Luis, na peça À Prova de Fogo, de Consuelo de Castro.

Pé na tábua

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O groove funk de baixo e batera que abre “Como Diziam os Primatas”, do disco de estreia do sexteto instumental Vruumm, contrasta com o timbre de choro dado pela flauta transversal que é perseguida pelo teclado elétrico, enquanto a guitarra orna discretamente a introdução. Quando o riff pega e a música engata, no entanto, as coisas caem no lugar: estamos naquele território em que o jazz funk encontra o rock progressivo e a música brasileira, terreiro elétrico cuja umidade e a tempoeratura do ritmo varia de acordo com a pressão e empolgação dos músicos.

O time é liderado pelo saxofonista e flautista Anderson Quevedo, que reuniu um time de velhos companheiros de jam session para fazer música instrumental. “O Vruumm surgiu como uma busca pessoal minha de identidade e personalidade musical. Em 2010 eu gravei meu primeiro disco- chamado Passeio e lançado como Anderson Quevedo Quarteto -, que também é instrumental mas classificaria como jazz brasileiro, mas a cena do jazz brasileiro simplesmente não rolava para nós.” Anderson passou a trabalhar com artistas mais pop – tocando nos primeiros discos do Criolo e de Tulipa Ruiz, além de tocar com Otto e João Donato. “Comecei a ter a oportunidade de sentir na pele como é estar no palco tocando música popular da melhor qualidade atingindo milhares de pessoas mas ao mesmo tempo sempre trabalhando em grupos instrumentais.”

Além de Anderson, o grupo também conta com Marcelo Lemos na guitarra, Mauricio Orsolini nos teclado, Fernando “Perdido” Freire no baixo elétrico, Ricardo Cifas e Nico Paollielo nas baterias (são duas!), todos conhecidos desde o tempo da Faculdade de Música Santa Marcelina, onde, à exceção de Nico (que também toca no Garotas Suecas), já faziam jam sessions.

“Minha percepção é de que, na verdade, está caindo a ficha de que o faça você mesmo é o melhor caminho, em todos os âmbitos”, explica Anderson sobre a atual cena musical de São Paulo, que também faz eventos esporádicos para apresentar-se de graça, um projeto chamado Vruumm Aid. “A idéia do Vruumm Aid saiu da necessidade de se ter um local para se apresentar regularmente. Como a banda é nova, não tinha nada gravado, era bem difícil de arrumar um lugar pra tocar porque ou o dono do lugar queria ouvir o som antes de fechar alguma coisa ou exige que você leve público pra casa dele! Em uma de nossas reuniões de banda, o Nico comentou que havia feito um show com o Garotas Suecas na loja da mãe dele e que ela havia liberado para fazer outros eventos na loja dela. Então juntamos a oportunidade com a necessidade e começamos a produzir os Vruumm Aid, que já teve oito ediões e cuja entrada é gratuita. Além de ser uma maneira de manter a banda em dia, tocando ao vivo regularmente, a gente faz o bar e confeccionamos camisetas e com a venda fomos de pouquinho em pouquinho construindo nossa história.”

O primeiro disco da banda já pode ser baixado no site da gravadora MonoTune Records e eles liberaram a faixa “Baixo Centro” para tocar aqui no Trabalho Sujo.