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O verão de Mahmundi

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Acompanho o trabalho da Mahmundi desde os tempos em que ela era só uma promessa começando a sair de algum quarto do Rio de Janeiro, sintonizando Drake no Guilherme Arantes e Kanye West na Marina Lima (até a trouxe pra tocar no Prata da Casa quando fui curador do projeto, em 2012 – grande safra!). Qual a minha felicidade ao descobrir que ela tinha sido a contratação final do selo Stereomono que o grande Miranda está tocando no Skol Music. Havia ao menos a certeza de vir do reconhecimento daquela sensibilidade que, apesar dos ares retrô, reflete mais a ingenuidade pop daquele fim dos anos 70, antes disso que isso que chamamos de “rock brasileiro dos anos 90” tenha engolido uma geração inteira de hitmakers. Marcela Vale adiantou a primeira música de seu novo disco – que deve apenas levar seu codinome como título e só sai em março do ano que vem – com exclusividade para o Trabalho Sujo. “Eterno Verão” é exatamente aquilo que esperaríamos que ela fizesse, uma bela introdução para o seu universo (o “Mah mundi”, sacou? Daí vem o apelido). Conversei com ela sobre a nova fase:

“Disco gravado, tô feliz com o processo, com o resultado”, conta. “Acho que ele é o reflexo da minha vida hoje: a gente faz mil coisas achando que estamos no meio e de repente o jogo zera de novo. Esse disco é o meu início no mundo dos 30 anos!”, ri. O contato com o Miranda aconteceu durante o Prêmio Multishow de Música Brasileira do ano passado, quando ela ganhou o prêmio Nova Canção com a bucólica “Sentimento”. “Quando cheguei em casa, meus amigos falaram que ‘o Miranda te elogiou na TV’ eu fiquei muito muito feliz. era o auge! Depois rolou o convite, eu fui tocar em SP, ele curtiu e foi tudo lindo. Quando ele me chamou pro selo, eu fui e aceitei de olhos fechados. Ele me levou numa lojinha de doces e ficamos lá comendo e falando sobre música. Eu já estava apaixonada por estar vivendo aquele momento. Acredito muito no Miranda e sei que ele sempre se envolve em coisas que acredita.”

Ela está ansiosa com a nova fase mas ainda um tanto cética. “Bicho, eu não sei dizer. os outros EPs são tão legais, sabe? Eu ouço eles até hoje. Acho que é um momento novo mesmo, uma nova era das coisas. Com 26 anos eu queria fazer músicas e colocar na internet; hoje, aos 29 eu quero fazer o melhor disco que posso fazer. Ter a mesma sensação que eu tenho que peço pros taxistas aumentarem uma musica que tá tocando na rádio. Acho que a juventude tem essa de provar pras pessoas e pra voce que voce é bom nisso e aquilo e muita gente se enforca nesse processo. Eu comecei a ver que eu precisava estar onde minha música estivesse, então posso dizer que esse disco é aquele cartão de visitas que voce entrega sorrindo sabendo que a pessoa vai te ligar de volta”, diz, antes de falar que sonha em um dia gravar com Marcos Valle e Hyldon. Um sonho mais fácil do que ela pensa – ainda mais fazendo o som que faz.

Pin Ups 25 anos atrás

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Encontrei o Lariú após o último show dos Pin Ups e comentei com ele sobre a entrevista com a banda que ele havia desenterrado de uma das primeiras edições do Midsummer Madness, quando ele era só um zine de papel. “Pensei em editar algumas partes, mas depois pensei ‘foda-se'”, lembrou rindo, de uma entrevista meia boca, cuja maior importância era o fato de ela acontecer. Por isso separei só a introdução escrito pelo jovem Lariú na época (todo galã de capa do disco dos Smiths na foto acima, no meio dos Pin Ups originais):

A vida parece correr mais que o corpo em São Paulo, mas infelizmente ela parece se arrastar para os quatro integrantes do PIN UPS. “Sair daqui o mais rápido possível, deixar o país. Essa é a meta principal”, respira fundo Zé Antônio (guitarra e vocal).

Ao escrever esta matéria invariavelmente me lembro da frase “São a banda certa no lugar errado”. Pin Ups, banda paulistana surgida em agosto de 88, toca quase sempre no Espaço Retrô (o Marquee paulistano, uma little England em termos musicais), já lançou um disco pela Stiletto chamado “TIME WILL BURN” mas permanece desconhecida na imprensa nacional (antes anônima e única do que parte dessa geleia de sucessos). É incrível como poder existir no país público ávido por mais lançamentos da Creation ou de discos da regressiva class of 86 (movimento musical inglês que reúne bandas que exploram os anos 60, como Chapterhouse, Primal Scream e Jesus ) mas é incapaz de olhar de relance para dentro de seu próprio país e enxergar bandas que seguem o mesmo caminho. É certo que são poucas, mas o Pin Ups se destaca pois quem já ouviu, garante, como a Stiletto (gravadora independente que tem em seu catálogo My Bloody Valentine, Wedding Present) e várias casas noturnas. Sua aura em São Paulo atinge um raio incrível de distância e foi justamente para apresentar a vibração de suas infernais guitarras com bases deliciosamente distorcidas e bateria incansável que o Pin Ups foi à RÁDIO BRASIL 2000 FM (107,3) participar do Clip Independente (programa de todas meia-noites de sexta-feira onde as bandas fazem jam sessions) para depois darem uma entrevista a seguir. Nela vocês poderão conhecer o Pin Ups segundo suas próprias palavras para tirarem a conclusão de que é imprescindível ouví-los.

A íntegra da entrevista foi republicada no site do Midsummer Madness.

Um tributo ao vivo – e na Austrália – a Horses da Patti Smith

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Há um mês, a gravadora indie australiana Milk Recordings celebrou o quadragésimo aniversário de Horses, o mítico disco da Patti Smith que inaugura a segunda metade da história do rock, que começa com o punk. O foco do show, que aconteceu no Melbourne Town Hall em sessão dupla, era a nossa querida Courtney Barnett, principal estrela do selo, mas também enfileirou apresentações de outros nomes do catálogo deles, como Jen Cloher, Adalita e Gareth Liddiard, todos acompanhados da mesma banda, formada por Dan Luscombe na guitarra, Ben Bourke no baixo, Stevie Hesketh nos teclados e Jen Sholakis na bateria. A gravação do show finalmente apareceu em grande estilo online e vale cada minuto assistido – as apresentações de Adalina, os mais de dez minutos de Gareth Liddiard em “Birdland” ou Courtneyzinha mandando ver em “Break it Up” são especialmente tocantes:

Quem quiser assistir a algumas apresentações isoladas, elas vêm a seguir:


Gareth Liddiard – “Birdland”


Courtney Barnett – “Redondo Beach”


Adalita – “Free Money”


Jen Cloher – “Land”

John Cale e outra música para uma nova sociedade

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O único integrante vivo fundador do Velvet Underground, John Cale revisita um dos clássicos de sua carreira solo – Music for a New Society – à luz da morte do comparsa Lou Reed. O disco será reeditado em uma versão dupla, contendo o disco original e a regravação do disco feita este ano. O projeto, batizado de M:fans (que são as iniciais do título do disco), foi apresentado com o clipe da versão atual para “I Keep a Close Watch”, rebatizada agora apenas como “Close Watch” (e com a participação de Amber Coffman dos Dirty Projectors):

É uma versão interessante, mas não chega aos pés da solene versão original, que este ano foi regravada por Courtney Barnett.

Os indicados em Música Popular para o Troféu APCA 2015

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Este ano fui convidado para fazer parte da comissão julgadora da categoria Música Popular da Associação Paulista de Críticos de Arte (a tradicional APCA) e, ao lado de José Norberto Flesch, Ayrton Mugnaini Jr., Marcelo Costa e Fábio Siqueira e votaremos em sete categorias, sendo que adiantamos abaixo os cinco indicados de cinco destas categorias. São eles:

Artista do ano
Bixiga 70
Cidadão Instigado
Emicida
Filipe Catto
Siba

Disco do ano
Ana Cañas – Tô na Vida
Cidadão Instigado – Fortaleza
Elza Soares – A Mulher do Fim do Mundo
Instituto – Violar
Siba – De Baile Solto

Show do ano
Baby Consuelo + Pepeu Gomes
Elza Soares
Gilberto Gil + Caetano Veloso
Karina Buhr
O Terno + Boogarins

Revelação do ano
Ava Rocha – Ava Patrya Yndia Yracema
Figueroas – Lambada Quente
Jaloo – #1
Letuce – Estilhaça
Rico Dalasam – Modo Diverso

Produção e direção artística do ano
Gui Amabis – Ruivo em Sangue
Gustavo Ruiz – Dancê, de Tulipa Ruiz
Instituto – Violar
Kassin, Marcus Preto e Moreno Veloso – Estratosférica, de Gal Costa
Celso Sim, Guilherme Kastrup e Rômulo Fróes por A Mulher do Fim do Mundo, de Elza Soares

Há duas outras categorias (Grande Prêmio da Crítica e Projeto Especial) que não terão indicados divulgados. A votação final acontece no início de dezembro. Façam suas apostas!

O A e o Z, dos Mutantes, finalmente será lançado em vinil

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E mais uma novidade sobre os Mutantes à vista: depois de lançar a caixa com toda a obra dos Mutantes ainda com Rita Lee, a parceria da Polysom e a Universal dão a luz pela primeira vez à versão em vinil do esquecido O A e o Z. O disco, de 1973, foi gravado após a saída de Rita Lee do grupo e é um mergulho de cabeça na onda progressiva para onde o grupo já estava se inclinando no último disco com Rita, o País dos Bauretz. Ele conta apenas com seis músicas, todas gigantescas, cheias de solos instrumentais e letras metidas a séria, longe do bom humor característico do grupo. Contudo, não foi lançado quando foi gravado e era referido como um disco perdido da banda, até que a discografia dos Mutantes foi relançada em CD em 1992, o que fez o disco finalmente vir à tona. A capa e o encarte é desta época e foram compostos com desenhos de Arnaldo Baptista feitos entre 1986 e 1992. Mas a principal diferença neste relançamento é a ordem das músicas – no CD original a disposição das faixas era a seguinte: “‘A’ e o ‘Z'”, “Rolling Stones”, “Você Sabe”, “Hey Joe”, “Uma Pessoa Só” e “Ainda Vou Transar com Você”, diferente da do vinil, que ficou “‘A’ e o ‘Z'”, “Uma Pessoa Só” e “Ainda Vou Transar com Você” no lado A e “Rolling Stone” (sem o “s” da versão original), “Você Sabe” e “Hey Joe” no lado B. É um bom disco de rock progressivo, embora seja um disco fraco à luz dos clássicos da banda. Chega às lojas dia 27 deste mês.

Agora só faltam ressurgirem os dois últimos discos da banda em sua fase totalmente prog, com apenas Sergio Dias da formação original: Tudo Foi Feito Pelo Sol (1974) e Ao Vivo (1976). E, claro, abrir de verdade o baú do grupo, resgatando faixas que nunca viram a luz do dia. Porque o que tem de coisa inédita por aí…

Um cineasta centrado

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O magistral editor Kogonada nos mostra mais uma obsessão de outro diretor – agora é a vez do TOC de Wes Anderson em dividir a tela em duas metades.