A mundança nunca termina.
Buffalo Springfield – “For What’s Worth”
Boogarins – “Mário de Andrade / Selvagem”
Deerhunter – “Duplex Planet”
Wilco – “You Satellite”
Karina Buhr – “Rimã”
Broken Bells – “It’s That Talk Again”
Supercordas – “Espectralismo ou Barbárie”
Letuce – “Todos os Lugares do Mundo”
Tame Impala – “Reality In Motion”
Ogi – “7 Cordas”
Floating Points – “Elaenia”
Ava Rocha – “Mar ao Fundo”
Cidadão Instigado – “Dudu Vivi Dada”
Ryan Adams – “I Know Places”
Mariana Aydar – “Saiba Ficar Quieto”
Mac DeMarco – “Without Me”
Escrevi lá no meu blog no UOL porque você precisa assistir ao Chatô de Guilherme Fontes
Em plena ascensão, Emicida embarcou em uma viagem de autoconhecimento para dois países africanos para estudar suas raízes, se inspirar e olhar a história do Brasil sob outra perspectiva. O resultado foi seu segundo disco, Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa, uma ampla discussão sobre cores e valores em âmbitos políticos e sentimentais.
Vagas limitadas, garanta a sua no site do Espaço Cult.
Todo o Disco – Trabalho Sujo 20 anos
Nunca se produziu tanto, nunca tantos artistas brasileiros lançaram tantos discos bons em tão pouco tempo mas ao mesmo tempo nunca se discutiu tão pouco sobre música. A overdose de informação e a concorrência por atenção apenas trata discos como notícias e mesmo com a amplitude da internet, estes discos não são tratados como obras importantes na carreira do artista e sim como mero gancho para notícias.
A partir desta constatação, o jornalista Alexandre Matias, do site Trabalho Sujo, junto com o Espaço Cult, propõe um encontro com artistas para discutir especificamente sua obra neste ano. São quatro encontros que acontecem em novembro com autores de quatro dos discos mais importantes no Brasil em 2015: Fortaleza do grupo Cidadão Instigado, De Baile Solto de Siba, Sobre Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa de Emicida e Selvática de Karina Buhr. Nos encontros, eles falarão do processo de criação e composição de seus discos, incluindo uma audição comentada faixa a faixa dos discos que lançaram este ano.
Os cursos acontecem durante o mês de novembro e fazem parte das comemorações dos 20 anos do site Trabalho Sujo.
Inscreva-se pelo site do Espaço Cult
Nossa… Nem te conto.
Falei lá no meu blog no UOL sobre como Jessica Jones passa fácil no rígido Teste de Bechdel e dá voz às mulheres num nível raras vezes visto na TV.
Novamente nosso experimento acontece na mesma Associação Brasileira de Empresários de Diversões no centro histórico da maior cidade da América do Sul e desta vez celebra duas décadas de pesquisas em musicoterapia, neurometereologia, psiconarrativas e comunicações interdisciplinares do estudioso brasiliense Alexandre Matias, que convida seus velhos colegas do laboratório Noites Trabalho Sujo e os doutores em frequências rítmicas e explorações psíquico-harmônicas para a realização de um novo congresso Analógicodigital, que também celebra também a primeira realização do simpósio, há cinco anos. No auditório azul, trabalhando com equipamentos eletrônicos, discos rígidos, memórias portáteis e registros de diferentes épocas de gravações sonoras deste e do século passado, o experimento emocional Noites Trabalho Sujo também conta com a precisão cirúrgica do perito em física do movimento Danilo Cabral, especialista em frequências graves e autocontrole da mente que desembarca direto de uma pesquisa de campo no estado do Maranhão, e a abordagem termossociológica do doutor Luiz Pattoli, que traz em sua bagagem estudos norte-americanos que apontam uma série de motivos para abandonar os trajes de forma inconsciente. A atração desta edição fica com o retorno da estudiosa independente Babee, que abandonou as pesquisas com cobaias voluntárias para dedicar-se à composições de harmonia ótica e excepcionalmente retorna ao seu reduto intelectual para felicidade de seus colaboradores e admiradores. No auditório preto, o trio de antropólogos psíquicos formado por Ronaldo Evangelista, Maurício Fleury e Peba Tropikal do instituto Veneno Soundsystem traz seus raros suportes circulares de petróleo para demonstrar que justaposições de diferentes frequências provocam forte atação química e transe cerebral conexo. E próximo à recepção, o jovem cientista Wilson Farina lida com suas ondas de calor de forma experimental. Como de praxe, a presença no experimento deve ser confirmada por correio eletrônico horas antes de sua realização, que acontece no dia 21 de novembro de 2015, pouco após às 11 horas da noite. Venha com a cabeça aberta, pés descansados e o coração quente.
Noites Trabalho Sujo @ Trackers | 20 anos de Trabalho Sujo
Sábado, 21 de novembro de 2015
No som: Alexandre Matias, Danilo Cabral, Luiz Pattoli, Babee (Noites Trabalho Sujo), Mauricio Fleury, Peba Tropikal, Ronaldo Evangelista (Veneno Soundsystem) e Wilson Farina (Heatwave).
A partir das 23h45
Trackertower: R. Dom José de Barros, 337, Centro, São Paulo
Entrada: R$ 30 só com nome na lista pelo email noitestrabalhosujo@gmail.com (e chegue cedo – os 100 que chegarem primeiro na Trackers pagam R$ 20 pra entrar)
Os terroristas do atentado em Paris podem ter escolhido a dedo o show do Eagles of Heavy Metal como alvo – discorri sobre essa hipótese no meu blog no UOL.
“I’m going through changeees…”
Instituto + Sabotage + Nação Zumbi + Otto + Sombra – “Alto Zé do Pinho”
Jamie Xx – “Loud Places (Mike Simonetti Dark Places Remix)”
Hot Chip – “Dancing In The Dark”
Disclosure + Lorde – “Magnets (VIP Remix)”
Akase – “Under The Pressure”
NWA – “Fuck da Police”
Criolo – “Demorô”
Clarice Falcão – “Survivor”
Drake – “Hotline Bling”
Floating Points – “Peroration Six”
Deerhunter – “Ad Astra”
Gareth Liddiard – “Birdland”
É oficial: passei metade da minha vida fazendo isso. E daí?
E daí que 2015 me comprovou uma teoria que vinha me azucrinando desde que eu ainda trabalhava no Estadão, um processo terapeutico de autorreconhecimento que me fez repensar várias coisas em relação à minha produção: por que eu preciso depender de um grande veículo de comunicação para fazer as coisas que quero, levantar os questionamentos que acho interessantes, passar as informações que realmente fazem sentido pra mim? O próprio Trabalho Sujo começou nessa lógica da brecha, de aproveitar uma determinada posição para conseguir passar informações que normalmente não estariam ali.
Por todos empregos que tive aproveitei essa situação, seja virando um caderno de cultura do avesso como editor aos 25 anos, seja subvertendo as intenções originais da revista de entretenimento e tecnologia, fazendo a iniciativa privada publicar Lawrence Lessig e distribui-lo em dezenas de milhares de bibliotecas do Brasil, puxando política e cultura para dentro de um caderno de tecnologia ou tentando abrir a cabeça de uma revista CDF. Ao mesmo tempo fui entendendo que é assim que eu sei trabalhar, colocando meu olhar, minha assinatura, minha marca. Mesmo quando fui chamado para outros trabalhos fora de redação levava uma inquietação, uma provocação, uma vontade de misturar e um olhar em perspectiva. O problema é que os trabalhos em redação (processos criativos prazeirosos em que conheci algumas das melhores pessoas da minha vida) inevitavelmente me arrastavam para intermináveis reuniões que não iam dar em nada, decisões absurdas de RH, passaralhos e invencionices que claramente não iam dar certo, além de uma desagradável sensação de cumplicidade com gente que você não queria nem conhecer.
Por isso desde o ano passado resolvi abandonar de vez as redações. Fui demitido da Galileu com uma desculpa esfarrapada qualquer (e bem no mesmo mês em que colocava na capa da revista a importância de se consertar algo que não está dando certo em vez de jogar fora) mas não via a menor perspectiva em voltar para qualquer redação. Recebi convites que em outras épocas fariam meu olho brilhar e os declinei sem o menor remorso. Toda a possibilidade de desenvolver um bom trabalho era ofuscada pela rotina sem graça de plantões, horas extras, fechamentos e ter que utilizar o Outlook.
Enquanto isso, o Trabalho Sujo deixava de funcionar só como hobby e terapia e seus filhotes começavam a caminhar: as Noites Trabalho Sujo se estabeleceram em São Paulo, depois vieram os cursos Trabalho Sujo e OEsquema acabou. Tudo conspirando para que eu assumisse o site como meu principal veículo, Ainda mantenho um blog no UOL, uma coluna na Caros Amigos e me chamam vez por outra para escrever aqui e ali, mas cada vez percebo que isso é que é o acessório. Não que os veículos de comunicação tradicional não importem, mas eles estão se afunilando cada vez numa imensa descartabilidade, medindo sucesso e desempenho por clique, view e like, reverberando notícia ruim, requentando release, pensando em ganchos bobos para conseguir falar de assuntos legais, correndo atrás de discussões das redes sociais (quando deveriam pautar a discussão), tomando o tom das pessoas que comentam em sites (você já comentou em alguma notícia de site grande na vida?) como se esse fosse o tom de todo seu leitorado, entrevistando as mesmas pessoas que entrevistam há vinte, trinta, quarenta anos e regurgigando pessimismo como se viver fosse uma merda.
O Trabalho Sujo me mostra que é justo o contrário e todo o dia eu descubro uma história incrível, uma pessoa foda, um trabalho formidável, algo que realmente merece atenção. Às vezes é uma banda, um show, um entrevistado, uma música, um filme, um remix; outras vezes é uma pessoa, uma história, uma festa, um comentário, um causo, um link, um dado, um texto, uma informação. Muitas vezes publico sem explicar demais, outras puxo como fio da meada de algo maior, outras tantas não publico, apenas guardo – e tudo isso vai ajudando as coisas a fazerem mais sentido ainda.
E tudo, como sempre repito, é jornalismo. É pesquisar, checar, fuçar, descobrir, redigir, editar e mostrar – seja num curso, num post, numa matéria, num comentário em vídeo, num podcast, numa discotecagem. Mas não é o jornalismo caxias que se leva mais a sério do que o assunto nem o jornalismo propaganda que só funciona com tudo mastigadinho na mesa do dito “repórter”, que não vai atrás de nenhuma informação. Chamo isso de jornalismo-arte como brincadeira mas também como provocação. Porque eu sentia falta de um romantismo jornalístico que permitia humor, otimismo e vínculo com a rua, que não era pautado em esporros, publicidade disfarçada, morosas burocracias e o descaso com o leitor. Não sinto mais falta disso, pois com o foco no Trabalho Sujo isso tudo foi retomado. Falta ainda uma redação, um lugar constante para trocas de experiências coletivas, mas isso é algo que eu vou resolver depois, sem pressa.
Por enquanto prefiro ir tocando minha vida sem stress, cuidando dos pequenos detalhes da vida além do trabalho (cozinhando o próprio almoço, tomando sorvete, lendo um livro ou indo pro cinema durante a semana à tarde, encontrando amigos, caminhando pelo prazer de caminhar, namorando), enquanto vejo um hobby virando ofício, fonte de renda e de inspiração. Os cursos O Outro Lado da Música e Todo o Disco são só as primeiras novidades desta nova fase. A festa do sábado – mais uma edição da já clássica Analógicodigital, um dos primeiros indícios dessa mudança – era o mínimo que eu podia fazer. Mas tem pelo menos três grandes novidades vindo aí que anunciarei até o meio de dezembro – nenhum frila, tudo relacionado ao próprio Trabalho Sujo – que mostram como vão ser as coisas daqui pra frente.
Quer dizer, de uma certa forma você já sabe. Pode não saber o que é, mas como vai ser está meio implícito.