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Dingo Bells dissecado

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A banda gaúcha Dingo Bells teve um ótimo 2015 e encerra o ano comemorando em dose tripla: nesta terça fazem um show de graça na Fnac Pinheiros, quinta, sexta e sábado fazem temporada na Casa do Mancha junto com os baianos do Maglore (outra banda que fez um ótimo ano) e aproveitam para lançar o EP Muito Prazer em Conhecer com exclusividade no Trabalho Sujo.

O disco é composto por quatro músicas de seu álbum de estreia Maravilhas da Vida Moderna, mas com mixagens diferentes. Mas não espere nada para dançar nem remixes cabeçudos, a onda aqui são Sessions do Pet Sounds e o Let it Be… Naked dos Beatles: “Uma das recompensas do financiamento coletivo que viabilizou o Maravilhas da Vida Moderna consistia em criar versões vocais de algumas músicas do disco, no estilo Beach Boys”, explica o vocalista e baterista Rodrigo Fischmann. “Percebemos várias camadas de instrumentos que, quando isoladas na mixagem, traziam algo bem interessante. Diferente da versão original, instrumentos que antes eram pouco perceptíveis, agora rearranjados, assumiam papel principal na nova mixagem. Selecionamos as quatro músicas em que este resultado ficou mais legal e decidimos oferecer como presente de fim de ano, já que 2015 foi um divisor de águas na nossa carreira.”

O vocalista explica que o grupo não está nem perto do final do trabalho do Maravilhas, que deve continuar à toda por 2016: “Vamos continuar trabalhando o Maravilhas da Vida Moderna. Temos mais um clipe para produzir e a versão em vinil do álbum para ser lançada. No meio disso tudo vamos procurar manter uma rotina de composições. Naturalmente, já começaremos a rascunhar um próximo trabalho. Ainda temos muitos lugares para levar o show do Maravilhas… em 2016, portanto, o foco é a circulação.”

Lá vem o vinil do disco novo do Instituto

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Eita, que o vinil do segundo disco do Instituto já está entre nós.

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A versão LP de Violar será lançada em parceria com a Somatória do Barulho, onde o disco entra em pré-venda a partir desta segunda-feira, dia 7. O lançamento oficial acontece na loja Patuá Discos, do mesmo Ramiro que deu aquela aula sobre rap e black music com o KL Jay, ali na Vila Madalena, no dia 19, mas o disco já estará à venda semana que vem no Festival Batuque, no Sesc Santo André.

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E aos poucos os grandes discos de 2015 começam a se materializar em vinil…

Rap terapêutico

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Quando escalei Rodrigo Ogi para participar da temporada 2012 do projeto Prata da Casa do Sesc Pompeia (quando fui curador daquele ano), seu ótimo ótimo Crônicas da Cidade Cinza já tinha três anos de idade e ele já rimava com a destreza dos rappers paulistanos do primeiro time, hábil nos versos, caneta afiada e ouvidos abertos para todo tipo de sonoridade, usando São Paulo como desculpa para exercitar essas armas. 2015 foi o ano escolhido para finalmente lançar seu segundo disco e a espera valeu à pena, gabaritando o MC como dono de um dos melhores discos do ano. Rá! é multifacetado e esquizofrênico como o anterior e sua principal musa, a cidade de São Paulo, mas desta vez ele internaliza o discurso e transforma seu disco numa literal sessão de terapia, em que externaliza seus medos, angústias e pesadelos sem medo de soar contraditório e com as precisas bases versáteis do broder curitibano Nave. Ogi apresenta o novo disco hoje no Sesc Pompéia acompanhado de uma banda que inclui o próprio Nave e idealizada pelo mago Thiago França que, entre outros, chamou o cúmplice Kiko Dinucci para conduzir a sessão de terapia e descarrego ao vivo hoje no palco da choperia (maiores informações no site do Sesc). Conversei com o Ogi sobre o novo disco, São Paulo e a cena atual da cidade, aproveitando tanto o novo show quanto o lançamento do primeiro clipe, o multiestrelado “HaHaHa”.

Por que transformar o disco em uma sessão de terapia? Ou gravar um disco é isso?
Fazer música é terapia. É onde você põe pra fora muita coisa, às vezes inconscientemente mesmo. Cada música do Rá! resume uma fase da minha vida. Eu escuto as minhas musicas mais antigas e vejo muito o que eu era e o que ainda trago comigo daquela época.
Quem trouxe a idéia de criar os interlúdios nesse formato foi o Oga Mendonça, que fez a capa. Ele ouviu o disco e sugeriu, então fui criando os diálogos conforme as faixas. Inconscientemente esse disco caminhava pra isso. Nos temas e no nome. Rá! pode ter varias interpretações.

Por que o disco levou tanto tempo para sair em relação ao anterior?
Eu, nesse meio tempo, fiquei estudando/aprimorando técnicas. Li bastante. Participei de músicas de outros artistas, novos e mais estabelecidos, e ajudei artistas a compor também. Fiz muito samba, compus algumas outras canções que lançarei futuramente. Mas pra fazer um disco eu me cobro bastante, sou chato com as minhas coisas e tudo o que eu escrevia pensando em usar em um disco era descartado. Eu não gostava. O Crônicas da Cidade Cinza foi um álbum bem aceito, recebeu muitas críticas boas e eu acabei colocando um peso pro próximo trabalho. Não poderia fazer um disco abaixo daquela média. É o meu segundo álbum conceitual, e pra isso é preciso amarrar as músicas, é preciso que elas conversem entre si. É como fazer um filme, ou escrever um livro. É preciso tomar cuidado pra não procrastinar também, vivo me monitorando quanto a isso.

Como é o método de trabalho e composição entre você e o Nave? Você manda coisas pra ele pela internet antes de começar a gravar? Você grava rascunhos de música no celular ou escreve-os na caneta mesmo?
Conheço o Nave desde 2002. A gente tem o gosto parecido pra música. Ele curte o mesmo estilo de rap que eu curto. Eu expliquei o que eu queria e ele entendeu fácil e assim se deu o processo. Ele vinha aqui pra casa, passávamos um mês aqui trabalhando nas músicas e quando ele tava em Curitiba ia me mandando coisas que criava de lá e vice versa. O André Maleronka foi um cara que participou desse processo também. Nós formamos um trio. As coisas que eu criava eu ia mostrando pra eles. Tenho costume de criar melodias o tempo todo. Fico cantarolando, às vezes acordo com uma melodia na cabeça e gravo no celular pra desenvolver a letra depois. Tenho um pequeno estúdio em casa e ali faço meus experimentos.

Você cada vez mais se especializa em confrontar as diferentes faces de uma mesma pessoa com as de São Paulo. O quanto a cidade te inspira?
São Paulo pra mim é uma fonte infinita de inspiração. Eu costumo andar pela cidade, conheço São Paulo de ponta a ponta. Ando muito de ônibus e nos trajetos sempre procuro observar as pessoas, imaginar o que elas estão pensando ou vivendo. Cada região da cidade tem uma atmosfera. São várias cidades em uma só.

Você tem um trânsito bom entre diferentes cenas musicais, como por exemplo os convidados deste novo disco. Mas você acha que as pessoas estão mais tolerantes em relação ao que ouvem? Compare o que vivemos hoje com a época em que se você gostasse de um outro gênero musical você era mal visto.
Hoje as pessoas estão consumindo mais rap. Antigamente era aquela coisa de tribos. Por exemplo, o cara que ouvia rock, só ouvia rock. Atualmente misturou e isso é bom. O rap também era mais fechado e era mal visto por muitos, assim como o funk é hoje e como o samba foi antigamente.

E como anda a cena musical de São Paulo atualmente? Quais seus artistas e shows favoritos?
A cena musical de SP é enorme. Eu procuro, na medida do possível, ficar antenado no que tá rolando. Gosto muito do Metá Metá, gosto do O Terno, do Aláfia. Acho o formato de shows da Casa de Francisca muito bacana. A rapazeada da Beatwise faz um som que me agrada também. Gosto de ver o KL Jay discotecar.

E falando especificamente do rap: em que fase está o rap brasileiro atual? O disco dos Racionais do ano passado mudou alguma coisa ou serviu como termômetro de algo?
Tem muita coisa boa sendo feita, a cena tá muito prolífica, mas ainda são poucos que vivem só de rap. Eu vivo. Tem uma molecada nova do rap boa também, como Eloy Polemico, Sem Modos, Jota Ghetto, Jamés Ventura, ZRM, PrimeiraMente, Lay. O Racionais tá antenado no que tá rolando. Esse novo disco deles eu gostei bastante. É um disco com batidas e flows atuais e com uma duração bacana, o disco tem 30 e poucos minutos, isso é uma coisa que tem rolado no mercado.

São Paulo melhorou nos últimos anos?
Ando muito por São Paulo, como disse antes. Então posso dizer que algumas coisas pioraram. Vá aos terminais de ônibus na hora em que as pessoas voltam do trabalho e você verá filas enormes e gente saindo pelas janelas dos ônibus. Pegue um trem até o Grajaú neste mesmo horário e vai ver que é a mesma situação. A pessoa que sai lá de Guaianazes e trabalha em Moema. Ela já vai sofrendo pro trabalho, estressada e na volta pra casa sofre novamente. Parece que é um mecanismo criado pra maltratar o sujeito. A polícia, que é estadual, está tão violenta quanto nos anos 90. No começo dos anos 2000 a coisa ficou mais branda, mas de dois anos pra cá piorou.

Psicodelia de protesto

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A Terceira Terra, o disco que os Supercordas lançaram no início do ano, pertence a esta já clássica safra de discos brasileiros lançada em 2015 – e como outros discos desta geração, também revela uma mudança considerável em relação aos trabalhos anteriores. A banda deixa o bucolismo e o ar rural dos outros discos para pegar mais pesado e fazer este que é seu disco mais politizado, que finalmente será lançado nesta sexta-feira na Serralheria, com abertura dos Soundscapes (mais informações na página do evento no Facebook). Conversei com o guitarrista e vocalista Pedro Bonifrate sobre o novo trabalho e a nova safra de bandas psicodélicas no Brasil.

O que é a Terceira Terra?
O conceito do disco foi sendo interpretado conforme as canções ganhavam forma no estúdio, e acabamos chegando na ideia de Terceira Terra. É livremente inspirada num aspecto da mitologia guarani, que supõe que Nhanderu teria criado três mundos: o primeiro, habitado pelos deuses, que deu lugar ao segundo, que é esse em que vivemos, onde há geração e corrupção, e o terceiro, que seria a morada sem mal. Associamos essa busca pela terceira Terra à nossa ideia ocidental do que são as utopias.

É o disco mais político de vocês.
Nos tornamos pessoas mais políticas nos últimos anos, e não foi à toa. Habitamos um continente em que os povos nativos continuam sendo exterminados pelas demandas do poder econômico, em que o Estado cada vez mais atua como lacaio desses mesmos poderes, em todas as esferas, minando iniciativas de poder popular, liberdades civis conquistadas a duras penas, destruindo nossos recursos naturais em nome da lucratividade de grandes corporações, tratando estudantes como bandidos. Não se posicionar diante disso, a meu ver, é assinar embaixo. Longe de nós assinar embaixo.

E o que vocês acham sobre este interesse recente pela psicodelia que está acontecendo aqui no Brasil e no exterior? Quais são seus artistas favoritos deste nova cena?
Acho legal, se considerarmos a psicodelia como uma percepção musical que olha pra frente de forma inventiva, que propõe perspectivas musicais diferentes e que tem a transformação como horizonte. Dessa nova onda, gosto muito do My Magical Glowing Lens, de Vitória, e dos Boogarins e do Luziluzia, de Goiânia, que se tornaram grandes amigos e colaboradores dos Supercordas.

Duas vezes Sim São Paulo

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Participei do conselho consultivo da edição deste ano da Semana Internacional da Música de São Paulo – o SIM São Paulo -, que começou nesta quarta-feira e vai até o próximo sábado, que reúne interessados no mercado da música para participar de debates, rodada de negócios, palestras e shows ali no Centro Cultural São Paulo. Vou fazer a mediação de duas mesas, uma sobre produção musical, nesta quinta, às 18h (com o Miranda, o Ganjaman, o Basa e o Eric Silver), e outra sobre empresários do mercado de música popular na sexta, a partir das 13h (com Com Fábio Francisco, empresário do Thiaguinho, Airton Valadão Junior da Agência Produtora e Hugo Máximo de Alencar, empresário do MC Guimê). Segue a bula da duas duas mesas:

Lado a Lado: O papel do produtor além do estúdio
Com: Carlos Eduardo Miranda, Daniel Ganjaman, Alexandre Basa e Eric Silver. Mediador: Alexandre Matias.
Um panorama de como se dá a relação entre o artista e o produtor, que, muitas vezes, assume funções multidisciplinares que vão além da gravação de um disco.

Empresários S/A: O mercado popular brasileiro
Com Fábio Francisco (Inovashow/ Empresário Thiaguinho), Airton Valadão Junior (Agência Produtora), Hugo Máximo de Alencar (empresário MC Guimê). Mediador: Alexandre Matias.
A troca de experiências entre empresários que trabalham com artistas de massa. Como catapultar e manter um artista no mainstream? Para eles, ser independente tornou-se uma opção?

A programação completa do Sim São Paulo 2015 pode ser conferida no site do evento.

Eis os vencedores do Troféu APCA 2015 na categoria Música

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André Midani, Elza Soares, Emicida, Ava Rocha, O Terno, Boogarins, Marcus Preto, Moreno Veloso e Kassin e o festival de documentários In Edit. Estes foram os vencedores da edição deste ano do Troféu APCA, a primeira que faço parte da comissão julgadora. Além deste que vos escreve ainda participaram da comissão os jornalistas Marcelo Costa, Fabio Siqueira, José Norberto Flesch e Tellé Cardim. Os premiados em suas respectivas categorias são os seguintes:

Grande Prêmio da Crítica: André Midani (60 anos de Brasil)
Artista do Ano: Emicida
Álbum: Elza Soares – A Mulher do Fim do Mundo
Show: O Terno & Boogarins, no Auditório Ibirapuera
Revelação: Ava Rocha – Ava Patrya Yndia Yracema
Produção e Direção Artística: Kassin, Marcus Preto e Moreno Veloso por Gal Costa – Estratosférica
Projeto Especial – Festival In-Edit de Documentários Musicais

Uma boa safra, naõ? O Marcelo compilou os vencedores de todas as outras categorias lá no Scream & Yell.

Fronteiras ainda mais distantes

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O velho compadre Chico Dub, mais um ex-OEsquema desgarrado no mundo, consolida firmemente o Novas Frequências como um dos principais festivais de música do Brasil – e não apenas de “música avançada”, como sugere seu tênue e subjetivo rótulo. O evento chega à quinta edição nadando contra a corrente – fazer um festival que música não-pop em pleno Rio de Janeiro – e misturando-se cada vez mais à mutante paisagem carioca, que vive uma década riquíssima como toda a música brasileira. E é apenas reflexo do trabalho do próprio Chico, que cada vez mais se firma como uma das sumidades brasileiras neste segmento. Conversei com ele sobre o evento, cuja quinta edição começa esta semana.

Mais uma edição do Novas Frequências: qual a expectativa para essa edição?
Bem alta! Conseguimos driblar a crise e criar uma programação com mais desdobramentos que a do ano passado. Inclusive, o número de artistas aumentou. Passou de 33 para 42. Em relação ao line-up, nomes como Mika Vainio, The Bug, Tyondai Braxton, Dawn of Midi, Phill Niblock e King Midas Sound são presença constante nos melhores festivais de música avançada do mundo.
Ao mesmo tempo, temos praticamente outro festival rolando dentro do Novas este ano. De 1 a 8 de dezembro, ou seja, durante toda a duração do Novas Frequências, vamos ocupar o galpão/atelier do Tunga com uma exposição de fotografias a cargo do Fabio Ghivelder que foram comissionadas para a criação da nossa identidade visual de 2015. Em paralelo, o Tunga estreia uma instalação sonora participativa chamada Delivered in Voices em que ao todo vai receber 14 artistas para uma série de intervenções.

Sei que isso é como pedir para um pai escolher um dos filhos, mas qual ou quais as atrações que você está mais feliz em trazer para essa edição?
É difícil escolher mesmo! Não vou falar dos nomes mais óbvios para poder destacar alguém como Phill Niblock, um artista ícone, incrivelmente importante, mas que pouca gente conhece aqui no Brasil. Lenda da vanguarda nova-iorquina, contemporâneo de toda aquela turma – Young, Glass, Reich, Riley -, amigo do povo do Fluxus, dos happenings… Ele compõe drones microtonais a partir do processamento de instrumentos acústicos. São blocos pesados de som que se movimentam em câmera – muito – lenta e que desafiam a noção de espaço-tempo. É cineasta também e faz filmes experimentais belíssimos como o Brazil 84, que inclusive iremos passar no festival.

Em termos de formato o que mudou no festival? Você se preocupa em inovar inclusive nisso?
Mantivemos a “massa base”, mas incrementamos o forrmato com diversos temperos e especiarias. Quero dizer que, como no ano passado, permanece o formato descentralizado – são ao todo 7 espaços da cidade, cada um recebendo um tipo diferente de programação. Em paralelo, também mantivemos a pegada de mostrar a música e o som no maior número de desdobramentos possíveis. O palco hoje não basta para a gente, sabe? Queremos, sim, o palco – vários!-, mas também o cinema, a galeria, a pista de dança, salas para discussões e oficinas, infra para conseguir realizar residências artísticas e desta forma realizar experiências inéditas e por aí vai. Quanto mais desdobramentos, maior a ampliação das escutas. As novidades portanto dizem respeito a novos espaços dentro do festival e também a novos desdobramentos: hacklab/cinema/exposição/instalação sonora. Pensar no formato é tão importante quanto pensar no line-up! Super importante inovar, inclusive. Experimental na curadoria; experimental no formato. Tem que ser assim. Só pode ser assim.

Nos últimos anos a cena de vanguarda do Rio de Janeiro está cada vez mais forte e produtiva. Como você observa esta cena como conterrâneo e idealizador do NF?
Na verdade, não é que eu observe a cena. Eu atuo nela. Eu vivo dela. Todo o meu trabalho está voltado para a vanguarda, o experimentalismo e as novas tendências. Então se a cena cresce, eu cresço, o Novas Frequências cresce…. Porque tudo faz parte do mesmo ecossistema, entende? As características podem até ser diferentes entre, por exemplo, NF, Quintavant e Wobble, mas tenho certeza que os objetivos são os mesmos. Precisamos aprender a trabalhar em rede.
De qualquer forma, só vamos crescer MESMO, no dia que conseguirmos mais espaço na mídia. Jornais impressos revistas mensais são fundamentais, claro. Mas precisamos criar nossos próprios veículos: mais estações de rádios, mais publicações, mais, mais, mais…

E no resto do Brasil, como anda a produção de música avançada no resto do país?
Muito bem, obrigado! Um reflexo disso está inclusive na programação do Novas Frequências, onde a cada ano cresce a participação de artistas brasileiros. Aliás, nunca tivemos tantos como em 2015: é a primeira vez que o número de brasileiros é superior ao de estrangeiros. Eu criei a série de coletâneas online e gratuitas Hy Brazil em 2013 para dar uma mapeada nessa cena. Já foram lançados 9 volumes – 126 faixas de 126 produtores diferentes – e quando uma publicação do porte da britânica The Wire me pede para compilar um “Especial Brasil” para uma de suas edições mensais – a de novembro de 2015 -, é sinal de que também há interesse internacional naquilo que estamos fazendo.