Atualização: 13 de dezembro de 2015.
A ideia original, como escrevi no primeiro dia deste mês, era lançar o crowdfunding da revista Trabalho Sujo pelo Catarse neste domingo, dia 13 de dezembro, mas nesta duas semanas que antecederam o lançamento da campanha percebi que havia um interesse muito maior do que eu havia imaginado por esta revista. E não apenas no produto em si, mas no tipo de conteúdo que poderia vir impresso.
E comecei a receber uma série de comentários, dicas, sugestões, pedidos e ideias que me fizeram repensar a data de lançamento da campanha para ter tempo de discutir o que pode ser abordado neste formato. Algumas delas apareceram em comentários neste post ou em mensagens em redes sociais, outras vieram por email, pelo celular, em almoços, festas, aulas e encontros pessoais. Estamos vivendo um momento muito interessante para o jornalismo, a produção de textos e os meios impressos. Há muitos assuntos mas todos falam da mesma coisa. Há muito sendo produzido, escrito, apurado e traduzido, mas há pouco sendo lido. As bancas de jornais e livrarias estão cheias de coisas para ler mas pouco parece interessante o suficiente para ser levado para a casa. Isso sem contar tudo que se escreve na internet.
Há um claro descompasso entre o que as pessoas querem ler e o que está sendo produzido para ser lido. Talvez tenha a ver com a idade das pessoas que estão em cargos de chefia, que ainda entendem a internet como um planeta à parte, “descolado e jovem”, mas que os próprios pais dessas pessoas estejam mandando imagens pelo Whatsapp no grupo da família. Há também uma ânsia em cobrir tudo, em falar de tudo, em ter opinião sobre tudo, que faz o Brasil ser um dos países com o maior número de colunistas do mundo – isso sem contar os milhões que escrevem textões no Facebook. A própria conotação depreciativa para textos de mais fôlego resumida neste aumentativo irônico (o “textão”) é outro sintoma desse descompasso.
O Trabalho Sujo é a minha central de produção: tudo que faço – e não só no formato texto – é direcionado para este espaço, que tem fronteiras bem definidas, embora não tão flexíveis. Aqui falo muito de música, mas não só disso, misturando cinema, quadrinhos, política, tecnologia, ciência, comportamento e comentários sobre o que me der na telha. É um trabalho essencialmente pessoal – eu sou meu próprio filtro. Não tento me esconder sob o manto da imparcialidade e da onisciência porque sou só uma pessoa e acho que quem me conhece – pessoalmente ou por aqui – entende bem isso.
Por isso queria começar uma conversa sobre que tipo de conteúdo deveria vir nessa revista. O formato gráfico – que fiz junto com a Juj Azevedo, que também assina o projeto da revista – já está definido: são 144 páginas na metade de uma folha A4 em papel pólen. Mas o que vai para lá ainda não. Defini algumas coisas de saída, mas não são regras rígidas: queria apenas textos inéditos, não queria escrever tudo (abrindo, aos poucos, o Trabalho Sujo para colaboraçoes externas mais frequentes e não apenas esporádicas) e queria fugir desse formato viciado de revista que herdamos do mercado norte-americano (sessão de notas ou entrevista, índice, matéria de capa, duas ou três matérias maiores, matérias menores, alguns colunistas, sessão de compras e artigo na última página).
Mas quais assuntos? Mais ciência do que tecnologia? Mais rock clássico do que alternativo? Mais Rio do que São Paulo? Quem poderia escrever na revista? Quem valeria uma longa entrevista? Quem poderia ser chamado para escrever um conto? Que cena artística não tem o aprofundamento devido? Que disco poderia ser dissecado? Que lista de livros poderia ser mencionada? Vale comentar sites como se comenta livros, filmes e discos?
Como não preciso vincular o lançamento da revista a uma data específica e vi que o início da campanha poderia ser atropelado pela correria de final de ano – que mistura viagens, presentes e festas, atolando a agenda de todo mundo -, resolvi abrir um mês para essa discussão. E mais do que apenas sugestões, queria ouvir comentários de vocês sobre os comentários de vocês. É claro que não vou fazer uma revista a partir dessa discussão e que há assuntos e temas que serão abordados independentemente de surgirem aqui – afinal é a minha revista. Mas sinto cada vez mais que é preciso ver o que está acontecendo por aí, perguntar para os outros o que eles gostariam de saber e tornar o projeto menos individual e mais comunitário (e não coletivo, perceba a diferença).
As sugestões também estão abertas para as recompensas do crowdfunding (não quero jantar com quem pagar mais, mas posso dar um vip fura-fila para as festas na Trackers, por exemplo), para parcerias comerciais (quer anunciar na revista? Pergunte-me como) e para tipos de colaborações que podem, inclusive, ir para além do impresso. Não sei se essa revista vai ser mensal, semestral, anual, se mesmo vai ter uma periodicidade fixa. Mas ela funciona como primeiro passo para uma série de novidades que giram em torno do site. Noitão Trabalho Sujo e os cursos Todo o Disco e O Outro Lado da Música são apenas três novidades que lancei para aproveitar os 20 anos do Trabalho Sujo. Não vou parar nisso, vou seguir inventando. Outras tantas irão surgir no futuro, mas antes de sair cogitando eu queria perguntar para você sobre o que você quer saber mais.
Essa discussão fica aberta até o dia 13 de janeiro de 2016, quando lanço, sem falta, a campanha de financiamento coletivo da revista Trabalho Sujo. E, como explico melhor no vídeo acima (dirigido e editado pelo grande Eugênio Vieira) Conto com a sua participação:
Pois é, conforme anunciado hoje na coluna da Mônica Bérgamo, no dia 13 deste mês lanço a campanha de crowdfunding, via Catarse, da revista chamada Trabalho Sujo. É mais uma das invenções que tive para comemorar os 20 anos do Trabalho Sujo (ao lado dos cursos Todo o Disco e O Outro Lado da Música e do Noitão Trabalho Sujo), talvez seja meu passo profissional mais ousado e com certeza é um dos meus objetivos pessoais mais sonhados desde sempre – quando volto para o meio que mais curto (o impresso) para falar sobre do que mais gosto (e não só de música). Tenho conceitos gerais sobre a revista, um mapa de páginas, um plano de negócios, possíveis recompensas, colaboradores em vista, abordagens sobre temas, ideia de periodicidade e material gráfico mas quero aproveitar para discutir com você leitor do Trabalho Sujo para saber o que você espera de uma revista chamada Trabalho Sujo. Comentaê!
Escrevi lá no meu blog no UOL sobre o porque Frank Sinatra – que completaria 100 neste sábado 12 – foi o precursor de Elvis, Beatles, Dylan, Madonna, Michael Jackson, Lana Del Rey, Rihanna e Justin Bieber ao criar a categoria popstar no início do showbusiness do século passado.
Estou completamente por fora da nova temporada de uma das melhores séries do ano passado, Fargo, produzida pelos irmãos Coen, mas plenamente ciente do quão ela parece ser melhor que a temporada anterior. Não duvido. Só de ver os nomes da nata indie que eles conseguiram reunir pra regravar clássicos do cancioneiro norte-americano, dá pra ter uma ideia do alto nível. O Britt Daniel, vocalista do Spoon, regravou “Run through the Jungle”, que os Coen já haviam utilizado no clássico Big Lebowski, porém em sua versão original, do Creedence Clearwater Revival.
O quarteto texano White Denim recriou outra música que os Coen usaram no Lebowski, “Just Dropped In (To See What Condition My Condition Was In)”, de Jerry Lee Lewis, eterninzada por Kenny Roggers:
E o vocalista do Wilco, Jeff Tweedy, compareceu tocando “Let’s Find Each Other Tonight”, de José Feliciano, que já havia aparecido pessoalmente no filme que deu origem à série cantando exatamente a mesma música (mas não consegui achar a versão de Tweedy online), alguém viu por aí?
Claire Boucher explica o que está acontecendo com sua persona musical Grimes em um minidocumentário que a Fader fez sobre seu Art Angels, um dos grandes discos de 2015.
Órfãos do Pavement, muita calma nessa hora. O quarteto de Chicago Clearance, que acaba de assinar com a gravadora paulistana Balaclava, parece ter encarnado o espírito da mítica banda dos anos 90, fazendo seu disco de estreia Rapid Rewards soar como um disco perdido que o Pavement gravou entre Crooked Rain Crooked Rain e Wowee Zowee. Desde as dinâmicas das guitarras ao timbre do vocalista Mike Bells e seu jeito despojado de cantar, tudo remete à fase áurea do indie norte-americano da primeira metade da última década do século passado. O lançamento é um anúncio exclusivo do Trabalho Sujo.
“Nós somos influenciados por amigos da cidade que fazem discos por conta própria e também por várias bandas mais velhas, que tinham o mesmo tipo de pegada ‘faça-você-mesmo'”, me conta o vocalista e guitarrista Mike. “Grupos dos anos 80 como o Clean e os Chills, que fizeram um punhado de discos perfeitos por conta própria, ou bandas como o Fall ou o Guided By Voices, que despejavam um suprimento infinito de grandes músicas o tempo todo. Nós não estávamos lá quando isso aconteceu da primeira vez, é óbvio, por isso que aprender sobre todas essas bandas depois que elas aconteceram e descobrir como eles trabalhavam com certeza nos influenciou.”
A banda foi formada por Bellis e pelo amigo Arthur Velez, em Michigan, quando gravaram um EP em 2013, antes de se mudar para Chicago. “Eu e Arthur vínhamos tocando aqui e ali desde que éramos da mesma escola, basicamente covers de bandas punk em festas nas casas dos outros, e quando me mudei para Chicago achei que seria uma boa ideia gastar um pouco de dinheiro para gravar nosso próprio disco. Foi o que você pode chamar de uma experiência de aprendizado.” Ao chegar em Chicago, o grupo consolidou sua formação ao lado do baixista Greg Obis e do guitarrista Kevin Fairbairn.
A semelhança com o Pavement não é proposital: “Acho que temos uma abordagem de gravação parecida com a deles. Talvez a gente ponha mais ênfase em tocar juntos, como uma banda. Somos certamente fãs, no entanto, por isso tomamos como elogio quando as pessoas dizem que parece.” Ele não sabe se alguém do Pavement já ouviu o grupo: “Duvido. Mas nós tocaríamos ujm cover de Faust ou algo do tipo em solidariedade a eles se eles vierem nos ver. Ou algo do Royal Trux, para ajudá-los a reviver seus dias de glória.”
O primeiro disco do grupo deve chegar ao Brasil em CD e em vinil logo no início do ano que vem e a gravadora Balaclava planeja trazê-los ao país também em 2016. “Espero que logo!”, comemora o vocalista.
Falei de uma teoria pode explicar por que o personagem mais odiado de Guerra nas Estrelas poderia ser seu grande vilão lá no meu blog no UOL. É extensa mas vale a pena.
Lembram daquela versão que o soulman Charles Bradley havia feito pra baladaça “Changes” do Black Sabbath? Ganhou clipe e versão oficial.
O clássico filme inglês vai mesmo ter uma segunda parte, com o mesmo elenco, mesmo diretor e mesmo roteirista – escrevi sobre isso lá no meu blog no UOL.