Os papas do maximalismo (do you remember?) voltam a dar notícias depois de cinco anos sem lançar música inédita – e chegam em 2016 tentando fazer a ponte entre o Daft Punk de Random Access Memories e o Currents do Tame Impala, entre a disco music clássica e a psicodelia de pista de dança. A irresistível “Safe and Sound” pode ser ouvida abaixo e baixada gratuitamente no site da dupla francesa e não antevê nenhum disco novo…
Depois do sucesso da noite de autógrafos em São Paulo, é a vez de eu e PC Siqueira chegarmos no Rio de Janeiro para mais uma maratona de encontro ao público do youtubber. Nosso livro vai ser autografado nesta quinta-feira, dia 14, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, a partir das 19h (mais informações aqui). Pra quem não tá sabendo nada sobre o livro, eu explico melhor aqui. Bora lá?
Paul Simon – “Wristband”
Glue Trip – “Le Edad del Futuro”
Whitney – “Follow”
Beach Boys – “‘Till I Die”
Sebadoh – “Everybody’s Been Burned”
Yo La Tengo – “Our Way to Fall”
Belle & Sebastian – “A Summer Wasting”
Neil Young + Sadies + Garth Hudson – “This Wheel’s on Fire”
The Band – “The Weight”
Bob Dylan – “Tangled Up in Blue”
Arnaldo Baptista – “Será Que Eu Vou Virar Bolor?”
Sonic Youth – “Incinerate”
Cramps – “Human Fly”
Autoramas – “Carinha Triste”
The Fall – ” Victoria”
Ira! – “Farto do Rock’n’Roll”
Doors – “Soul Kitchen”
Blood Orange – “E.V.P.”
Jamie Xx + Romy Madley Croft – “Loud Places (John Talabot’s Loud Synths Reconstruction”
Lana Del Rey – “Blue Jeans (Penguin Prison Remix)”
Tame Impala – “Let it Happen (Soulwax Remix)”
BaianaSystem – “Azul”
Beck – “Jack-Ass”
Mike Judge, criador do clássico desenho animado dos anos 90 cogita uma volta em carne e osso da dupla mais escrota da MTV norte-americana – escrevi sobre isso no meu blog no UOL.
A partir das notas do crítico Roger Ebert, um usuário do Reddit conclui que este foi o ano mais importante para o cinema. Escrevi sobre isso lá no meu blog no UOL.
Mais uma edição de minha coluna Tudo Tanto na revista Caros Amigos que republico atrasado por aqui, esta é sobre o novo disco de João Donato, que pude ver ao vivo no começo do ano (e os vídeos vêm a seguir). A coluna saiu na edição de abril.
De volta à eletricidade João Donato volta ao vigor de seus anos 70 com o disco Donato Elétrico
João Donato aceitou o convite de Ronaldo Evangelista para voltar à eletricidade. O jornalista – meu amigo pessoal, não preciso esconder isso – já vinha apontando sua transição do texto para o estúdio ao se propor o desafio de transformar seu projeto Goma Laca – em que artistas recriavam pérolas esquecidas da música brasileira que só foram registradas em compactos de 78 rotações – em um disco. Sua primeira produção reuniu nomes de peso como Karina Buhr, Lucas Santtana, Russo Passapusso e Juçara Marçal para recriar músicas com quase um século de idade. O próximo estágio seria produzir um disco de um único artista e aproveitou a aproximação com Donato para fazer sua estréia como produtor em grande estilo.
Foi um lento processo de convencimento, sem pressa nem pressão, bem ao estilo do velho músico. Donato é destes alicerces da música brasileira que poucos prestam a devida atenção – ele se adequa à expressão inglesa que o qualifica como um “musician’s musician”, um músico apreciado mais por outros músicos do que pelo grande público, não sem razão. Mestre da suavidade e do sossego, é uma das claras inspirações da bossa nova, tendo influenciado tanto João Gilberto quanto Tom Jobim quando estes ainda começavam suas carreiras. Depois teceu uma carreira paralela entre o Brasil e o exterior, levando a música brasileira embalada a uma latinidade própria sua, que foi desenvolvendo e curtindo com o passar dos anos.
O primeiro disco de inéditas de João Donato deste século começou com um acerto de contas com o passado, quando Ronaldo conseguiu uma boa desculpa para fazer o músico voltar aos instrumentos elétricos, essência de sua sequência de discos clássicos dos anos 1970. Descobriu que o disco Quem é Quem, lançado em 1973, não teve um show de lançamento de fato e resolveu aproveitar o aniversário do disco para finalmente lançá-lo. Para isso cercou-o dos músicos do grupo paulistano Bixiga 70 e convocou amigos do arranjador para subir ao palco – além do veterano compadre Marcos Valle, que produziu o disco original, também chamou as cantoras Tulipa Ruiz e Mariana Aydar para cantar os clássicos do disco do mestre, que incluem canções como “A Rã”, “Cala Boca Menino”, “Me Deixa”, “Amazonas” e “Cadê Jodel?” No ritmo de Donato, o show só foi acontecer no início de 2014, em duas apresentações emocionantes no Sesc Pinheiros.
Era o primeiro passo para uma impressionante aproximação entre o buda do groove brasileiro e a fina flor da nova música instrumental brasileira. Além de músicos do Bixiga, que incluem o baterista Décio 7, o baixista Marcelo Dworeck, os guitarristas Cris Scabello e Maurício Fleury (que também toca teclado no Bixiga mas preferiu não chegar perto do instrumento do mestre), o naipe de metais formado por Cuca Ferreira (sax e flautim), Daniel Nogueira (sax), Douglas Antunes (trombone) e Daniel Gralha (trompete) e os percussionistas Rômulo Nardes e Gustavo Cecci, o disco contou com outras presenças de peso, como o baterista Bruno Buarque (que tocava com a Céu e hoje toca com Anelis Assumpção), o saxofonista Anderson Quevedo, os percussionistas Mauro Refosco e Guilherme Kastrup (este idealizador do disco mais recente de Elza Soares, Mulher do Fim do Mundo), o guitarrista Gustavo Ruiz (irmão de Tulipa, que toca com ela), o trombonista Richard Fermino, o vibrafonista Beto Montag e o baixista Zé Nigro (que toca com Curumin) e um quarteto de cordas formado por Aramís Rocha, Robson Rocha, Daniel Pires e Renato de Sá, que em uma das músicas seguiu os arranjos de Marcelo Cabral, baixista que toca com Criolo e com o Metá Metá.
Chamado de Donato Elétrico, o disco foi gravado no ano passado no bunker do Bixiga, o estúdio Traquitana que sedia as sessões de alquimia musical do coletivo paulistano de groovezeira, localizado no bairro que batiza o grupo, mas só viu a luz do dia no início deste ano. É um inevitável reencontro de Donato não apenas com instrumentos que havia deixado de lado – teclados Rhodes, Farfisa, Clavinet e até um Moog – mas com uma espontaneidade que solta faíscas. Há a clara vibração de discos como A Bad Donato, Quem é Quem e o clássico Donato/Deodato, em que encontrou-se com outro monstro maestro brasileiro, Eumir Deodato. Mas ela tem uma luz mais clara que a daqueles discos, que são propriamente carregados. O novo disco não é parte de uma evolução natural de sua musicalidade como aconteceu nos anos 70 e sim um reencontro com uma essência jovem que talvez tivesse dada como perdida. Donato vinha tranquilamente apresentando-se ao lado de um baixista acústico e um baterista, quando muito chamando uma vocalista ao encontro, e de repente viu-se cercado de músicos com sangue nos olhos, secos para deitar e rolar ao lado do mestre. João, envolto em sua tradicional névoa branca, com seus bonés e tênis coloridos escancarava o sorriso nas apresentações ao vivo com o grupo de novos músicos, alheio aos seus mais de oitenta anos de idade.
Pude vê-lo em ação duas vezes nesta nova fase. Uma delas, no ano passado, tocando para pouquíssimos num palco menor daquele shopping center chamado Rock in Rio, pérolas aos porcos que esperavam na fila para cantar no karaokê de uma marca de refrigerante. Em outra, no lançamento do disco, toda a choperia do Sesc Pompeia lotada, reverenciava o encontro do mestre com os pupilos. Em ambas apresentações, em dado momento Donato levantava-se do banquinho de trás dos teclados e brincava com os botões dos sintetizadores, explorando efeitos, transformando melodia em ritmo, claramente divertindo-se e divertindo o público.
Prontos para mais um Fora da Casinha? Meu amigo Mancha pegpu todo mundo de surpresa ao antecipar a segunda edição de seu festival e desvinculá-lo do aniversário da casa que leva seu nome. Desta vez o festival acontece na Unibes Cultural dia 7 de agosto e ele mais uma vez me deu a enorme satisfação de escolher o Trabalho Sujo para anunciar o festival, que inclui nomes como Kiko Dinucci, Anelis Assumpção, Luiza Lian, Jaloo, As Bahias e a Cozinha Mineira, Maglore, Juliana Perdigão, Ventre, Hurtmold e Cidadão Instigado, além do mestre Mauricio Pereira, único nome presente nas duas edições.
A mudança de lugar e a opção por três palcos (e mais artistas que na primeira edição) foi uma evolução natural do trabalho do primeiro ano. “Este ano o festival está maior, tanto em numero de bandas quanto na expectativa de público”, continua. “Isso é fruto do resultado super positivo que tivemos na edição passada. Nos sentimos melhor preparados para dar um passinho a mais num espaço maior. Também levaremos alguns drinks do cardápio da casa para o bar deste ano. Fora isso, estaremos com a mesma good vibe na edição deste ano.”
Mancha conceitua o novo Fora da Casinha. “Diferente do ano passado, a edição desse ano não tem a função de ser um resumo da história da casinha”, explica. “Desta vez a busca é muito mais de criar um recorte de diferentes caminhos que a música independente percorreu, mesclando estilos e referências que ilustram bem o cenário extremamente fértil que temos hoje. São três narrativas estéticas, uma pra cada palco: um intimista de cantores-compositores onde a história cantada é o foco; um teatro que preza pelas texturas e timbres de artistas refinados; e um palco externo onde a dança comanda a festa.”
Ele também explica porque desvinculou o festival do aniversário da casinha. “Lançar o festival no aniversário da casinha foi uma forma de apresentar essa nova empreitada ao público”, elel conta. “Foi um momento de juntar quem fez parte da história da nossa história e desaguar num evento maior, mais complexo, que mostrava bem a consequência do nosso trabalho ao longo de quase uma década. Feito isso, o festival não tem mais a obrigação de ser um reflexo da casa. Ele continua seguindo os mesmos princípios da casinha, não tem patrocínio público nem privado, é feito por quem ama música para quem ama música e sustentando pelo seu público. Mas sua função é muito mais de ser um recorte da música independente do que da Casa do Mancha. A casa já contou sua história, agora o festival terá a sua própria.”
Os ingressos custam entre 50 e 90 reais e já estão à venda online e em todas as festas na Casa do Mancha até o dia 17 de julho. Assista abaixo aos vídeos que eu fiz na primeira edição do festival.