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Com a Kate Tempest

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Converso nessa segunda-feira com um dos grandes destaques desta edição da Flip 2016, a jovem rapper, poeta, romancista e dramaturga inglesa Kate Tempest, em uma das atrações do pós-Flip. O encontro acontece na Livraria Saraiva do Shopping Paulista, às 19h, em São Paulo, e é só chegar. Mais informações no aqui. Sente o drama:

Essa foto incrível aí em cima é do compadre Walter Craveiro.

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PC Siqueira está morto em São Paulo

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Começa nesta quinta-feira extensa turnê de lançamento de meu primeiro livro, ao lado de seu próprio personagem. Pra quem ainda não sabe, fui chamado pra escrever o livro do primeiro YouTuber brasileiro – o PC Siqueira – com a intenção de ambas partes de não ser um ghost-writer nem escrever a “história de vida da pessoa humana” que seria Paulo Cezar Siqueira. Optamos por uma ficção que é uma colagem de referências sobre a personalidade do sujeito e PC Siqueira Está Morto está saindo pelo selo Suma de Letras, da Companhia das Letras. O primeiro lançamento acontece hoje em São Paulo, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, a partir das 19h, e também é a primeira vez que o PC aparece em público depois da cirurgia para corrigir seu estrabismo, saca só:

É só colar lá.

Finalmente, o Wilco!

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Depois de anos de negociações, finalmente o Lucio conseguiu trazer o Wilco para seu Popload Festival, que este ano acontece dia 8 de outubro e conta com outras duas atrações confirmadas, a banda Battles e a cantora Ava Rocha (mais informações aqui). É a segunda vez que a banda de Jeff Tweedy vem ao Brasil – a primeira foi em 2005, num showzaço durante o Tim Festival, que só aconteceu no Rio de Janeiro. A vinda para São Paulo finalmente encerra uma novela que já foi parar até no Sesc e consagra o festival do jornalista como uma das principais atrações anuais em São Paulo. Aproveitei a deixa para conversar com ele sobre o festival (que vai ter mais atrações, anunciadas em breve) – como é o local, que outras atrações ele pretende trazer esse ano, o preço dos ingressos e quem é o novo santo graal do Popload Festival.

Há quanto tempo você vem negociando a vinda do Wilco?
Para essa vinda específica há muitos anos. Diria que há uns cinco, seis anos, pra virar agora. Toda vez era mantida uma conversa, esperando a banda divulgar os planos dela para ver se encaixávamos uma vinda para a América do Sul, sempre com um receio de um produtor maior ou festival grande levar. Mas nosso contato com eles foi anual, de uns anos para cá. Segundo minha sócia, a Paola Wescher, que fica à frente das negociações infindáveis, ela sonha em trazer o Wilco há 12 anos. O Wilco é a banda favorita da vida dela. Não é a minha, mas curto demais.

Por que o Wilco? A banda nunca teve um hype maior do que algumas bandas que você já trouxe nem tem uma audiência tão grande no Brasil. Explica por que o Wilco pra quem não conhece o Wilco.
“Hype”… Quando a gente trouxe o Tame Impala pela primeira vez não tinha hype. Nem Metronomy, nem Friendly Fires. Wilco é uma dessas bandas naturais que a gente sempre sonhou trazer, porque a gente procura trazer o que a gente gosta, o que a gente acha ter a ver com nosso mundo, uma banda que eu acho já ter visto umas seis vezes na vida e minha sócia um outro tanto. A gente adora Battles e está trazendo e o hype deles é zero. Iggy Pop é mais um “velho punk” cheio de história do que um artista que quem está atrás de hype poderia imaginar ver num Popload Gig ou Festival.
A aproximação com o Wilco se explica sozinha. Eu adorava Uncle Tupelo, a banda do Jeff Tweedy antes do Wilco, mas era mais impressionado com o Jay Farrar do que com o Tweedy. Uncle Tupelo era o “rock alternativo” gostoso e melódico, mais próximo de REM e bem mais country, uma “alternativa” à ferocidade do Nirvana e do grunge, que era o “alternativo” deixando de ser “alternativo”. A brincadeira com o termo “alternativo” é proposital. Quando o Farrar saiu e formou o Son Volt e o Tweedy o Wilco, eu achei que ia gostar mais, seguir mais, o Son Volt. Mas o Tweedy assumiu a porra toda e foi me provando o contrário. Não teve um só show do Wilco dos muitos que eu vi que eu tenha achado médio. Nem o confuso show no Rio de Janeiro, no Tim Festival. E sempre achávamos que São Paulo merecia ver o Wilco aqui.

É um festival que você já anunciou três bandas. Quantas outras atrações terão? Acontecerá em apenas um dia? Quando você anunciará os novos nomes?
O número certo ainda não está fechado. É uma matemática mutante que envolve dinheiro e oportunidades. E mais quatro meses para correr atrás das coisas. Obviamente já temos algumas bandas em contato, estamos vendo se conseguimos mais grana para investir em mais, tem a resposta dos ingressos. Se tudo der certo, anunciaremos mais duas bandas. Estamos trabalhando nisso ainda.

Sobre o lugar, o que dá pra esperar do Urban Stage? A maioria do público do Wilco e do Popload não conhece o local, presumo.
Por não conhecer o local, ele já vira um atrativo a mais, uma nova experiência. É um espaço grande e moldável que tentaremos deixar com nossa cara. A gente sempre gastou muito em estrutura, até em lugares “prontos” como o Audio. Não será diferente com o Urban Stage. É um lugar na Zona Norte, no outro lado da Marginal, pertinho de metrô, bom acesso de carro, perto de shopping, vários estacionamentos, hoteis. O ir e vir ali é fácil. E é um lugar quase que espartano. Cabe à gente deixá-lo bonito e confortável. Mas isso acho que a gente fez bem nas edições passadas do Popload Festival, espero que consigamos fazer neste ano também.

E, é inevitável, claro, falar sobre o preço: por que o ingresso custa tão caro?
Não é difícil entender. E sempre tem a ver com a famigerada “planilha de custo”. Bandas caras + estrutura cara + uma iniciativa diferente de não se preocupar em fazer um festival pra mais de 30 mil pessoas, e sim para 6, 8 mil. Você joga esses preços numa planilha besta de excel, mais os 500 outros custos, e voilà. Teve gente no Facebook que questionou isso de um modo bem tosco e eu respondi quaaaase ironicamente. Mas é a real e é ilustrativo, então vou copiar e colar aqui, se você me permite, para não ficar falando de modo diferente a mesma coisa. .

“Nossa ideia era fazer um ingresso de um só tipo, custando R$ 1. Mas daí o Wilco não topou não receber seu cachê pleno. Nenhuma das outras bandas topou, aliás. A gente insistiu, mostramos a situação da economia brasileira, que tá foda, falamos do golpe e tudo. Não rolou. As companhias aéreas não toparam fazer as passagens de graça, os hotéis bons não liberaram os quartos para a gente botar os caras todos de graça, escrevemos para o Temer e ele não liberou os impostos absurdos que pagamos para erguer um evento assim, os advogados que contratamos para cuidar dos vistos de entrada dos gringos – é uma trabalheira e você não tem ideia quanto custa… – já disseram que querem receber os deles, a galera do transporte de instrumentos não arreda pé para carregar tudo na faixa, mesmo para um festival tão bacana com bandas tão legais. O Urban Stage não cedeu de graça todo o seu espaço e a estrutura e o cenário que montaremos vai nos tirar vários dinheiros. Por fim, entre umas 60, 70 pessoas que trabalham direta ou indieretamente – indie-retamente? – para o Popload Festival, que acaba gerando um bom número de empregos e movimentando essa nossa economia quase falida, não aceitaram trabalhar meses de graça para você conseguir assistir ao festival tão legal e caprichado por R$ 1… Ou R$ 10… Ou R$ 100.”

Nem vou falar o que a meia-entrada, do jeito como ela é, e o que causa aos produtores de eventos do Brasil-il-il. Nem dos amigos e quase-amigos mais todas as “personalidades” e os 25 mil jornalistas que querem cortesia e nem pensam em botar a mão no bolso para ajudar um evento desses a continuar de pé, trazendo bandas para cá, para o nosso mundinho.

Daí que, levando tudo isso em consideração, metemos as contas todas numa planilha de custos. E saem aqueles preços dos ingressos que divulgamos. E aí pensamos: “Nessas condições, fazemos ou não o festival, os shows todos, os eventos? Ainda estamos na fase de fazer, de acreditar na gente, na galera que curte o que a gente curte, de contribuir de alguma forma para agitar a cena da cidade onde vivemos. Ainda que a chance de se ferrar financeiramente, estruturalmente e mentalmente seja muuuuuuito grande”. E, por mais um ano, resolvemos fazer. E tamos aí, segurando as broncas, inclusive para o tipo de comentário e “análises” de Facebook diversas de “entendedores de economia”.

Muita gente acha o preço do ingresso alto para um festival que tem o patrocínio da Heineken. Mas o maravilhoso dinheiro da Heineken só serve para atenuar parte das contas. A gente samba em várias outras frentes para montar um evento do jeito que a gente se propõe a fazer, com a experiência que a gente acha que tem que criar, com o preço mais “justo” (ou seja, menor) possível para botá-lo de pé. É uma variante sem fim de contas e estratégias.

Até a história da famosa área vip, que eu acho em si um princípio besta, mas que serve para cobrar mais de quem pode mais, para aliviar a conta para quem pode menos. Estamos fazendo uso dela pela primeira vez, é um incômodo, mas fazer o quê se ela serve para deixar o ingresso comum mais barato… Ela ocupará metade da “linha de frente” do palco. Poderia ocupar inteira, toda a frente, e com isso baixaríamos o ticket comum. Mas aí já seria demais. De novo, e sempre, é a tal da matemática.

Além do festival, você ainda anunciou dois Popload Gigs seguidos (Air e Courtney Barnett com Magnetic Zeros) com apenas uma semana de diferença. Vem mais show ainda no segundo semestre?
A ideia é ter mais alguma coisa sim. Temos muitas conversas e, agora, pouco dinheiro para arriscar o pescoço. Mas quando oportunidades aparecerem e a gente se debruça na planilha e vê o que rola. “Hey boys… hey girls…”

E shows nacionais? Você não vai começar a explorar esse mercado com mais força – tanto fazendo artistas que você aposta circular no Brasil quanto levar artistas brasileiros pro exterior?
Nunca tivemos tempo/espaço/chance para pensar seriamente nessas coisas. Pode ser que uma hora aconteça.

Como você se refere ao trabalho que você faz, misturando jornalismo com curadoria e produção? O quanto o jornalismo está mudando nesse início de século? O que você acha do jornalismo cultural brasileiro?
Generalizar jornalismo cultural é muito difícil, mas não gosto muito do que vejo e leio. Acho opinativo demais e bem sacado de menos. É muito tipo “eu acho” do que traz histórias boas e perspectivas diferentes. Jornalismo cultural, seja em jornal, revista e blogs, tá um grande facebook.
Não sei mais como me refiro a meu trabalho e o que sou. Ando tendo que virar várias chavinhas no meu dia a dia. Mas seja com a Popload, escrevendo para a Folha e editando a Harper’s Bazaar, jornalismo é o terreno que eu mais me sinto “verdadeiro”, digamos.

E depois do Wilco, qual o próximo santo graal da Popload?
A volta do Oasis no Popload Festival.

Tensão apocalíptica

Peregrino

O pessoal da editora Intrínseca me pediu para entrevistar o autor Terry Hayes, cujo primeiro livro, Eu Sou o Peregrino, está sendo lançado no Brasil, e pedi o livro para me familiarizar com a pauta. Quando menos percebi, estava engolindo as quase 700 páginas de uma saga que mistura conspiração política, paranoia apocalíptica, religião, ciência, arte e espionagem sem nem conseguir dormir direito. Abaixo, a conversa que tive com o autor.

Adrenalina em escala global
Eu sou o Peregrino é um épico impressionantemente detalhista e dinâmico sobre política internacional, o mundo da espionagem e terrorismo — e é o primeiro livro do roteirista Terry Hayes, que escreveu os primeiros filmes da série Mad Max entre outros de sucesso

“Escrever um filme é como nadar em uma banheira e escrever um romance é como nadar no oceano.” A diferença de escala entre os dois formatos, uma citação de John Irving presente no início dos agradecimentos de Eu sou o Peregrino, não é apenas o principal diferencial do romance de estreia do roteirista de cinema Terry Hayes em relação aos seus trabalhos anteriores. Conhecido por escrever o roteiro do segundo e terceiro filmes da série Mad Max, nos anos 1980, Hayes escreveu bons thrillers na virada do milênio (como O Troco, com Mel Gibson, Limite Vertical, com Chris O’Donell, e Do Inferno, com Johnny Depp). Mas nenhum desses filmes se compara ao calhamaço que inaugura sua bibliografia.

A ameaça das quase 700 páginas do livro, no entanto, começa a se desfazer logo que começamos a leitura. Hayes puxa o primeiro fio da meada com um assassinato num hotel barato em Nova York, que traça conexões no Oriente Médio, nos Balcãs, em um banco suíço, em Paris, em Veneza, na Turquia e no Afeganistão, numa espiral de acontecimentos inesperados ao redor de dois personagens densos definidos por seus codinomes, Sarraceno e Peregrino. A narrativa da história é ao mesmo tempo detalhista e deliciosa e as páginas são viradas numa compulsão que desafia o leitor não apenas pela complexidade da trama, que mistura política internacional, espionagem, técnicas de tortura, biotecnologia, história da arte, internet e o 11 de Setembro, mas também pela profundidade de seus protagonistas, agentes perfeitos que não deixam rastros, tão motivados quanto determinados — além de extremamente complexos —, colocados um contra o outro em uma conspiração de escala planetária.

“Acho que o público em geral está em busca de experiências mais intensas e mais amplas”, me explicou o autor em entrevista por e-mail. “As prateleiras das livrarias estão cheias de thrillers e de romances policiais. Os cinemas também viviam cheios disso. Mas agora as pessoas já tiveram essas experiências tantas vezes que estão em busca por algo diferente — talvez uma experiência que de alguma forma seja mais abrangente. Percebi que tinha que fazer algo diferente de outros livros em um mercado que é muito disputado — eu tinha que ir rumo a uma experiência mais épica.” Também conversamos sobre a adaptação do livro para o cinema, suas influências narrativas e o que ele achou do novo Mad Max.

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Quanto você teve de estudar para entrar nas mentes dos dois personagens principais?
Bem, você precisa acreditar nos personagens. Você não pode considerar que só existem mocinhos e vilões. Se fosse óbvio dessa forma, por que se importar em ler um livro? Você tem de misturar — como na vida, suponho. Steven Spielberg, que sabe umas coisinhas sobre como contar histórias, diz que não existem personagens maus — só pessoas com más intenções. Entendo que ele queira dizer que não existe ninguém que acorde de manhã e decida ser mau — são suas experiências e objetivos que os guiam, passo a passo, rumo a um caminho que leva às más consequências. Eu certamente criei meu chamado vilão dessa maneira. De forma similar, o herói também faz coisas assustadoras. Acho que isso os transforma em personagens mais interessantes e levanta uma série de questões morais interessantes.
Eu fico impressionado — e muito agradecido — que tantos resenhistas ao redor do mundo tenham dito que, de alguma forma, simpatizaram com o vilão. Mesmo que ele tenha um plano horrível para colocar em ação. Esse elogio me prova que eu criei um personagem com motivações convincentes e que eu pelo trilhei um caminho no sentido de criar um ser humano real e não um vilão de papel. As histórias estão repletas desse tipo de personagem e acho que não precisávamos de mais um deles.
Por isso, se você trabalha desse ponto de partida — que ambos os personagens principais devem ser escritos de forma bem positiva —, você apenas prossegue cada vez mais fundo e tenta garantir que tudo que eles façam seja lógico. Para os dois, você tem que continuar dizendo: “E se fosse comigo, o que eu faria?”. O único problema é que isso parece mais fácil de fazer do que acaba sendo quando você está sentado na frente da tela vazia do computador.

Você conhece pessoalmente os lugares e tem noção dos procedimentos descritos com tantos detalhes no livro?

Conheço muito dos lugares mencionados no livro porque tive a sorte de viver em muitos países diferentes e viajei para um número ainda maior deles. Há passagens num banco privado em Genebra que, como morei na Suíça por anos, tirei da minha experiência pessoal. O mesmo pode ser dito de Santorini, Paris, Londres e por aí vai. Fui correspondente internacional em Nova York e em Washington, então compreendo bem como funcionam o governo norte-americano e suas agências de inteligência. Escrevi muitas matérias sobre grupos de inteligência e conversei com vários dos seus integrantes de alto escalão, por isso eu sei onde como buscar informações e o tipo de detalhes que não são necessariamente conhecidos de todos.

Quais foram suas principais influências narrativas — tanto filmes quanto livros — para este romance?

Gosto de boas histórias, com uma linguagem clara e precisa. Você precisa de personagens com motivações convincentes e ter algo correndo risco que faça com que o público se importe. Por isso, naturalmente, amo os filmes da chamada Era de Ouro de Hollywood. Casablanca, Uma Aventura na África, Núpcias de Escândalo e vários outros que foram adaptados de livros muito bons. Isso continua até os anos 1970 e até mesmo depois, filmes como A Ponte do Rio Kwai, O Poderoso Chefão, A Primeira Noite de um Homem. São muitos! Infelizmente, os filmes dependem menos de livros bem escritos e mais de histórias em quadrinhos hoje em dia e por isso é difícil encontrar narrativas fortes que não dependam apenas de explosões e eventos que desafiam as regras da física. No que diz respeito à literatura, eu tive a sorte de, ainda criança, ler bastante e de ter um pai que me encorajava a ler o melhor que o mundo podia me oferecer. Por isso fui de Hemingway e F. Scott Fitzgerald para Herman Hesse, Cervantes e, claro, a Bíblia. Afinal, se há uma coleção melhor de ótimas histórias, eu ainda tenho que encontrá-la. Talvez As Mil e Uma Noites. Deixando as conexões religiosas do Novo Testamento de lado, a história de Jesus ainda é a melhor história de herói já contada. Melhor que a de Luke Skywalker, que pegou muita coisa emprestada dali.

Eu sou o Peregrino será adaptado para o cinema? Quando você escrevia pensava no livro como um filme?
Ele está se transformando em um filme enquanto conversamos — então essa é uma resposta fácil. Será um bom filme? Isso é uma resposta mais difícil de dar, afinal, não há muitos deles hoje em dia, não? Mas eu tenho a esperança de que será, sim! Acho que quando estava escrevendo pensei nisso porque costumo pensar em cenas e momentos impactantes. Escrevi filmes por tanto tempo que agora meio que está no meio DNA. Óbvio que escrever um romance é algo bem diferente, mas foi um ponto de partida — bem útil, na minha opinião.

Como autor da história de dois dos três primeiros filmes da franquia Mad Max, o que você achou do quarto filme da série, lançado no ano passado?
Eu gosto muito do novo, Mad Max: Estrada da Fúria. Uma das coisas que eu mais gosto dele é que George Miller —um amigo muito querido — não apenas reciclou os velhos; ele o levou para um rumo novo e ainda mais empolgante. É claro que é um tour de force de direção e ele mereceu, de verdade, a indicação para o Oscar. Na minha opinião imparcial, ele devia ter ganhado. Parte do problema com continuações é que as pessoas ficam muito tentadas a apenas duplicar o que consideram que foram os elementos bem-sucedidos. Não é o caso de George, ele ainda está lá explorando os próprios limites e a si mesmo. Ele não é mais jovem, por isso é incrível ver um cineasta e roteirista querendo fazer isso.

E o que você está fazendo atualmente? Trabalhando em algum filme ou em seu segundo romance?
Finalizei o roteiro para Eu sou o Peregrino, que vai ser produzido pela MGM, e agora estou trabalhando em como vou lidar com a realização do filme. E estou escrevendo também outro romance, The Year of the Locust [ainda sem título em português, será publicado pela Intrínseca], que é uma espécie de cruzamento entre O Exterminador do Futuro, O Planeta dos Macacos e um thriller de espionagem. Eu sei, parece maluco, e provavelmente é mesmo, mas eu realmente gosto dele e acho que será uma história arrebatadora, então já é um bom começo! Não há nada pior, imagino, do que tentar escrever sobre algo que você não gosta. Espero que os leitores compartilhem esse meu entusiasmo!

Last Shadow Puppets ♥ David Bowie

alexturner

O grupo cínico de glam rock de Alex Turner e Miles Kane mandou uma versão inacreditável para “Moonage Daydream” do falecido David Bowie em sua apresentação no Glastonbury deste ano. Saca só:

Em outro momento do festival, o líder dos Arctic Monkeys foi flagrado curtindo o show do Tame Impala, do lado do palco, nesse microvídeo:

Alex é fãzaço do grupo australiano e há dois anos gravou uma versão do hit “Feels Like We Only Go Backwards” em um programa de rádio no país de Kevin Parker, com sua banda oficial, o Arctic Monkeys.

Sempre piro na possibilidade dos dois armarem de fazer algo juntos. Imagina…